O Sr, Feijó sendo galego, e simultaneamente presidente da junta da Galiza, é a personificação da pequena e triste Galiza. Aquela Galiza que prefere viver, não vivendo. Aquela Galiza que prefere falar, não falando. O Sr. Feijó não tem a sabedoria para entender que que acima das ideologias, estão as pátrias. O Sr, Feijó deveria perceber que antes de ser espanhol, é galego.
As últimas eleições em Espanha advinham para o país vizinho um futuro de novas luzes e de novas sombras. Aparentemente, nada ficará como antes, desde os tempos em que Isabel de Castela e Fernando de Aragão deram o nó. Um nó górdio que se poderá desfazer num prazo histórico mais curto que o que se imagina. Nas cortes de Espanha, as línguas euskera, catalã e galega passarão a ser oficiais e os deputados terão de discutir os assuntos com auscultadores e tradução simultânea. Num ápice, tudo ficará mais claro e a Espanha, uma nação que nunca o foi, revelar-se-á de novo como sendo as Espanhas, um chão onde coexistem vários povos.
Nas cortes de Espanha, as línguas euskera, catalã e galega passarão a ser oficiais e os deputados terão de discutir os assuntos com auscultadores e tradução simultânea. Num ápice, tudo ficará mais claro e a Espanha, uma nação que nunca o foi, revelar-se-á de novo como sendo as Espanhas, um chão onde coexistem vários povos.
Poderia o PP, do galego Sr. Feijó, ter tido golpe de asa para governar, caso assumisse o reconhecimento das línguas faladas em Espanha e entrasse em negociações com os partidos conservadores nacionalistas da Catalunha e do País Basco. Nessas circunstâncias, o PSOE não conseguiria maioria para formar governo e o Vox não teria alternativa que não fosse ou viabilizar o governo de direita do PP, ou precipitar novas eleições, para sua própria e inevitável desgraça.
Mas para que isso acontecesse, o Sr. Feijó teria de ter a coragem de falar com Puigdemont, o exilado catalão, e romper definitivamente com o falangismo castelhano de Abascal que odeia bascos, catalães, portugueses e, já agora, galegos como ele próprio, o Sr. Feijó.
Convém esclarecer que dizer Galiza é dizer Portugal. O reino da Galiza estendia-se da Corunha ao Mondego e a sua capital era Braga. A região mais importante da Galiza era, e é, a região de Entre Douro e Minho e, por isso, a língua portuguesa, é a língua da Galiza. O que hoje se chama Galiza, é apenas a parte menor daquele antigo reino. É a parte que ficou perdida, a norte do rio Minho, e que preferiu viver sob o domínio de Madrid, a juntar-se às terras galegas de Braga, Guimarães, Lamego, Porto, Viseu e Coimbra na sua aventura de luta contra Castela.
O galego não é, portanto, uma língua ameaçada, porque é a língua de Portugal. Uma língua que se internacionalizou e evoluiu, sob o nome de língua portuguesa. O português é a língua de Rosalia de Castro, de Eduardo Pondal, de Camilo José Cela ou de Ana Isabel Agrelo. É a língua de tantos cantores galegos, onde se destaca Uxía Senlle que cantam o galego como cantam o português.
O português é a língua de Rosalia de Castro, de Eduardo Pondal, de Camilo José Cela ou de Ana Isabel Agrelo. É a língua de tantos cantores galegos, onde se destaca Uxía Senlle que cantam o galego como cantam o português.
O Sr, Feijó sendo galego, e simultaneamente presidente da junta da Galiza, é a personificação da pequena e triste Galiza. Aquela Galiza que prefere viver, não vivendo. Aquela Galiza que prefere falar, não falando. O Sr. Feijó não tem a sabedoria para entender que que acima das ideologias, estão as pátrias. O Sr, Feijó deveria perceber que antes de ser espanhol, é galego. A sua pequenez levou a que a Espanha esteja de novo refém de uma geringonça sem pés nem cabeça. Mas desta nova Espanha algo de positivo, muito positivo, poderá surgir para Portugal.
Foi delicioso ouvir no passado dia 19 de setembro o Deputado do Bloco Nacionalista Galego, professor de história e literatura galega, Nestor Rego, falar em galego e dizer “Eu sinto-me especialmente grato pela primeira vez (ter o direito) a falar na língua do meu país, na língua do meu povo… a língua comum com os falantes de Coimbra, de Luanda, do Rio de Janeiro ou de Dili, no afastado Timor-Leste”
Néstor Rego (@NestorRego): «Quero pedir ao Sr. Feixoo e ao PP que muden de posición e apoien esta iniciativa. Saben que a maioría dos seus votantes son galego falantes e que a inmensa maioría, usen ou non no seu día a día, senten a lingua galega como propia. Porque o é!» pic.twitter.com/BAhwXqBShY
— BNG – Bloque Nacionalista Galego (@obloque) September 19, 2023
Ao contrário do Sr. Alberto Feijó que entende a Galiza como um recanto provincial, Nestor Rego foi às Cortes espanholas explicar que a língua galega vai da América à Ásia e que a Galiza é, evidentemente, parte do mundo português.
[Este artigo foi publicado originariamente em onovo.pt]
