Dedicado às alunas e alunos de Marga do Val, estímulo do blogue, no desejo de que um dia sintam a necessidade de abraçar a nossa língua.
“Vai-te afazendo à ideia de que a tua filha mudará de língua”. Com esta resignaçom começam todos os relatos de mães e pais de crianças já grandinhas que sofrêrom na escola a pressom do castelhano na escola. Quem criou em galego a sua filha e o seu filho sabe que, ao chegarem à escola, impõe-se o castelhano e regressam à casa falando-o mesmo à família.
Este fim de semana em Alhariz analisamos esta situaçom com um pedagogo, um mestre e com mães e pais que quigérom contar-nos as suas experiências. Houvo experiências de sucesso e houvo experiências amargas, nom isentas de muita emoçom por quem se atreveu a pôr o dedo na ferida, a pôr nome à injustiça.
Um relator que nom nos deixou indiferentes foi Miguel Rodríguez Carnota, autor de Lingua, poder e adolescencia, que pujo em foco o assédio que sofrem as raparigas e rapazes galegofalantes ao passarem polo ensino secundário, assédio que nom está contemplado como tal nos planos de convivência nem está a despertar os alarmes entre os orientadores escolares. E sentenciou “Dói ter que mudar de língua” para visibilizar o trauma que implica para quem renuncia a expressar-se em galego de forma habitual e normalizada no instituto.
Sánti Quiroga, pedagogo e coordenador nacional das escolas Semente, apresentou um interessante relatório sobre as etapas evolutivas das crianças e partilhou estratégias linguísticas para mães e pais.
Ouvimos mães e pais falar de acompanhamento e compreensom, de socializaçom e da defesa da legalidade nas aulas.
Aí vou eu, à defesa da legalidade nas aulas. O Decretaço serviu para desterrar das aulas definitivamente o galego em benefício do castelhano. Serviu para proibir lecionar em galego a matemática e outras matérias de ciências. Serviu para fortalecer os preconceitos contra o galego. E sobretudo serve para tapar de impunidade aqueles docentes que, devendo lecionar a sua matéria em galego, nom o fam. As crianças finalizam o ensino obrigatório sem competências orais e escritas em língua galega, sem saberem expressar-se em galego. A inspeçom educativa nom se alarma. A escola converteu-se num factor de desgaleguizaçom daqueles pequenos que entram a falar galego. O sistema educativo está a falhar nos seus objetivos: contribuir para a superaçom do desequilíbrio histórico em que está o galego para criar uma sociedade mais igualitária e livre.
O Decretaço serviu para desterrar das aulas definitivamente o galego em benefício do castelhano. Serviu para proibir lecionar em galego a matemática e outras matérias de ciências. Serviu para fortalecer os preconceitos contra o galego. E sobretudo serve para tapar de impunidade aqueles docentes que, devendo lecionar a sua matéria em galego, nom o fam.
Como mães e pais, como avôs e avós, como sociedade preocupada polo seu futuro nom podemos ficar resignadas a que as nossas crianças perdam a nossa língua, a língua em que os agarimamos.
Tenhamo-lo presente: atrás de cada incumprimento em cada aula esconde-se uma injustiça, um furtar a oportunidade às nossas crianças de valorizarem a nossa língua, de aprenderem nela.
Por isso, d’A Mesa abraçamos uma iniciativa lançada nestas jornadas: servir de canal para a organizaçom de mães e pais que desejam que as suas filhas e filhos vivam na nossa língua com normalidade, pondo o foco nos incumprimentos relativos ao lecionamento de matérias em galego. A sociedade nom pode continuar a olhar para outro lado enquanto baixa a percentagem de galegofalantes, enquanto desce o número de adolescentes que têm o galego como língua habitual.
E há esperança porque cada vez somos mais as famílias que educamos em galego de forma consciente e preocupa-nos que as nossas crianças perdam a língua. A partir d’A Mesa fazemos um chamamento: mães e pais, uni-vos a Famílias polo Galego, um coletivo – vinculado à Mesa pola Normalizaçom Linguística – constituído por um grupo de pessoas preocupadas pola inexistência de oferta educativa em galego e polo escasso valor social que continua a ter a nossa língua. Isto implica a impossibilidade de escolarizar e socializar as nenas e nenos galegos na sua língua.
O objetivo fundamental de Famílias polo Galego é conseguir o respeito dos direitos linguísticos das nenas e nenos galegos numa etapa decisiva na adquisiçom e na consolidaçom do idioma. Como galegos e galegas, desejamos oferecer aos nossos filhos e filhas uma educaçom e uma primeira aprendizagem na nossa língua e a possibilidade de a poderem utilizar com naturalidade.
[Este artigo foi publicado originariamente no Nós Diario]
