ILG levou binormativismo ao seu simpósio



simposio-ilgO Instituto da Lingua Galega (ILG), ao qual corresponde a autoria das Normas Ortográficas e Morfolóxicas do Idioma Galego que atualmente vigoram no ensino e na administração da Galiza, levou à última mesa redonda do seu simpósio Estándar, norma e variación: procesos, problemas e perspectivas o debate sobre a proposta do binormativismo, que tem sido debatida em certos meios culturais nos últimos anos.
Na mesa redonda participaram Fernando Ramallo (Universidade de Vigo), Henrique Monteagudo (moderador), Xosé Luís Regueira (presidente do ILG) e Eduardo Maragoto (presidente da AGAL), que ofereceram diferentes perspetivas da standardização do galego, entre elas a proposta do binormativismo, apresentada por Eduardo Maragoto.
Antes desta mesa redonda final, a questão do padrão linguístico na Galiza já tinha sido abordada por Henrique Monteagudo (de uma perspetiva histórica geral) e por Gabriel Rei-Doval (do ponto de vista do purismo).

Participação lusófona
Nos dias anteriores, o simpósio visitou outros procesos de padronização e ofereceu novas perspetivas científicas para os abordar, com uma notável participação de linguistas lusófonos e catalães.
O espaço linguístico catalão esteve representado por Joan Costa, com uma palestra de standardologia comparada, e por Miquel Pradilla, que analisou a pluricentralidade da língua catalã, que possui dous órgãos codificadores (a Academia Valenciana da Língua e o Insitituto de Estudos Catalães). Pradilla concluiu que estes organismos “têm a necessidade de chegar a um acordo”, sejam quais forem as dificuldades.
Carla Amorós, da Universidade de Salamanca, mas também de origem catalã, abordou a padronização a partir de novas perspetivas, introduzindo no simpósio o conceito de desestandardização a que depois se voltou recorrentemente.
Miren Azkarate, da Universidade do País Basco, explicou e refletiu em torno do processo de padronização do euskara, introduzindo alguns debates que caracterizaram este processo ao longo da história e que também voltaram a debates posteriores. Para a linguista basca, “muito mais além da língua padrão, o que estamos a arriscar é a própria vitalidade da língua”.
Finalmente, provenientes do mundo luso-brasileiro, tivemos a presença de Fernando Venâncio, Xoán Lagares, Marcos Bagno e Carlos Eduardo Deoclécio. O primeiro salientou o pouco interesse institucional que tem havido em Portugal para padronizar a língua, completando deste modo a visão comparativa que Xoán Lagares deu sobre os processos de padronização do português e do espanhol. Carlos Eduardo Deoclécio falou do prescritismo purista em espaços sobre língua emitidos no Brasil e na Galiza, para a qual usou o exemplo do famoso programa “Dígocho eu”. Finalmente, Marcos Bagno lamentou as consequências sociais provocadas pola desconsideração das falas vernáculas por parte do prescritivismo tradicional brasileiro.
Todas as conferências e colóquios podem ser acessados a partir daqui.


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  • Carlos

    Sem as ter visto todas, achei particularmente interessante a palestra de Xoán Lagares sobre as diferenças entre os espaços hispanófono e lusófono no que di respeito ao processo codificador dos dous idiomas e às autoridades lingüísticas implicadas. É umha palestra muito útil para compreendermos as divergências existentes, no momento presente, entre as duas áreas lingüísticas. Muito interessante.
    Aconselho a verdes!