Por Jesus Calvo
Venho de participar nos aPorto 2011 🙂
A experiência recomendo-lha a toda a gente. Eu já tinha participado anteriormente em outros cursos de imersão linguística, em países anglófonos para aprender inglês, e sabia que este é o melhor método para aprender um idioma.
A imersão começa – para mim – desde o mesmo momento no que subo ao carro; dou-lhe ao contato e o ecrã do Peugeot indica a data e a música que está a soar nesse momento em português, a música que se ouve é a música em português que sempre me acompanha nas viagens, ligo o GPS e indico-lhe o endereço do destino… o GPS também fala português.
O Pedro e o Rafa, dois companheiros do aPorto, gostam da ideia do GPS em português. É algo no que não tinham reparado… estou acostumado, sempre causa estranheza, mas ‘estranhamente’ todo o mundo percebe o que o aparelho diz. Não esqueço tampouco que lhes tenho que passar aos companheiros música lusófona… nem tudo é fado! No que não repararam meus companheiros é que também está em português o meu telemóvel, e o menu da câmara com a que lhes tirei fotografias, e o menu da câmara de vídeo com a que os gravei.
‘Ó Suso, como é que sabes tanto de Portugal?’, perguntou a Filipa. Pois porque leio a imprensa lusófona, consumo literatura em língua portuguesa – graças àImperdível -, escuto música em galego-português, vejo filmes e documentários e notícias em português… e é através do português que eu posso viver em galego na Galiza com normalidade.
E então se tanto sei de Portugal e do português, como é que achei que precisava dum curso de português? Bem, como já comentei eu sou autodidata nisto da escrita da que eu considero a minha língua, pois na escola ensinaram-me de outra maneira. O ouvido já o tenho afeito, sobretudo por causa da música… mas não tenho reparo em dizer que acho que na hora de falar acho que tenho muito que melhorar pra me aproximar ao considerado ‘padrão culto’. Mas ainda contudo não deve ser tão mau se – pela minha experiência – tenho de desconfirmar isso de que os tugas falam castelhano aos galegos 😉
Algo que me alegrou muito foi saber que eu era o único sócio da AGAL do grupo. E por que? Pois porque havia um grupo muito heterogéneo, por dizer só alguns exemplos: Elena – que comentou falar quase sempre castelhano – meteu-se nisto do português há dois meses; Pedro nasceu em Valladolid e fala galego – e português – melhor ainda do que muitos galegos; Iria é de Madrid e leva apenas dois meses morando na Corunha, e aí estava entre tanto galego a falar português como sem problema nenhum.
O português interessa, as fronteiras mentais dos galegos estão a ser – por fim – superadas; e eu animo a toda a sociedade galega a passar uma semaninha de férias em Portugal: ouvindo português, falando português… e até fumando português.
