PGL – Novo documento audiovisual do Portal Galego da Língua com motivo do centenário de Ricardo Carvalho Calero. Recentemente entrevistámos Carlos Quiroga, e neste ocasiom é Elias Torres quem se aproxima da figura do professor ferrolano… mas também da própria concepçom da língua e das estratégias a seguir.
Elias José Torres Feijó, presidente da Associação Internacional de Lusitanistas e professor da Universidade de Santiago de Compostela, tratou bastante Carvalho Calero, em especial “nos últimos dous ou três anos da sua vida”, e fruto desse contacto «aprendim muitas cousas», explica, ao tempo que indica que sempre viu nele «umha pessoa elegante, séria, mas mui afável».
Na alargada vídeo-entrevista que publica o PGL, Elias Torres lamenta «que as condições nom contribuíssem para que Carvalho pudesse criar um núcleo na Universidade» que alicerçasse «umha orientaçom lingüística e cultural diferente da que vingou polo menos até o momento». Em opiniom dele, é necessário investigar o que aconteceu na editora Galáxia nos anos 60 e 70 do século passado «em termos de orientaçom lingüística e em termos de orientaçom normativa» e conhecer «qual foi a posiçom de Carvalho em todos esses períodos» porque, ao seu ver, «talvez podia tirar algumha luz sobre a situaçom actual».
Quando à viragem de Carvalho Calero para o reintegracionismo, Torres Feijó assinala que foi «mui cedo para alguns, mui tarde para outros», mas que constituiu umha amostra de «honestidade intelectual e de umha valentia humana realmente extraordinárias».
Relacionamento com a CPLP
Para o PGL, Elias Torres pronuncia-se também acerca do relacionamento da Galiza com a Comunidade de Países de Língua Portuguesa, e compara a situaçom com um conto de Cunqueiro: «a Galiza está sentada sobre um tesouro e nom o sabe». Mais do que «perversidades», vê «ignorâncias» em todo isso, porque o nosso país teria «possibilidades mui interessantes» no seio da Lusofonia.
Por exemplo, o professor da USC salienta a condiçom da Galiza como origem da língua comum da Lusofonia, o qual somado à nom existência de umha relaçom colonial com o resto de países, poderia converter o nosso país «num magnífico ponto de encontro, de acolhimento e de simpatia cultural».
O reintegracionismo só pode ser positivo para as pessoas
Perguntado acerca de se o reintegracionismo pode implicar um aumento da qualidade de vida, Elias Torres é rotundo na resposta. «Eu penso que se isso nom fosse assim, teríamos de abandonar qualquer proposta, nom só reintegracionista, mas galeguista ou de outro tipo». Em sua opiniom, apenas estamos legitimados para fazer propostas «se consideramos que isso é positivo para a comunidade». Para ele, «temos de fazer propostas para que as pessoas vivam melhor, nom para outro tipo de objectivos». Destarte, «levantado a esse tesouro, as pessoas vêem que podem aceder a mais bens» e isso já significa «um aumento da qualidade de vida» Mas nom apenas se trata de aceder a outros bens -culturais e de outro tipo-, mas também de «difundir os próprios bens».
O modelo de língua padrom para a Galiza ou o Acordo Ortográfico da lusofonia som outras das questões sobre as quais também se pronuncia Elias Torres.
Vídeo-entrevista a Elias Torres Feijó
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