De onde vem a banda azul da bandeira galega?

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1. O estandarte do Centro Galego da Havana

Em 22 de fevereiro de 1891 — segundo o relatório anual da entidade —, a Junta Geral do Centro Galego da Havana acordou a confeção dum estandarte para uso exclusivo da sociedade. O desenho, com alegorias e detalhes heráldicos, foi traçado por Alexandra Murguia Castro, pintora e ilustradora, filha de Rosalia de Castro e Manuel Murguia, e remetido à Havana. Ali, uma sócia do centro ofereceu-se a bordá-lo de graça; a sociedade, porém, declinou o oferecimento, pois já formulara o propósito de que os trabalhos fossem dirigidos pessoalmente por Murguia, dadas as especiais condições que reunia para isso como historiador do país.

Já com Murguia na direção da obra, Alexandra preparou o desenho definitivo em tamanho natural. A execução do bordado foi inicialmente acordada com a superiora do convento das Oblatas de Santiago e, mais tarde, confiada à bordadora Aurora Cancela, auxiliada por Mercedes Legrande. O trabalho de ourivesaria foi encomendado ao conceituado obradoiro de José Lourenço.

Uma vez recebidos no centro galego os contratos, os orçamentos da obra e a promessa de a terminar em fevereiro, transferírom-se da Havana 550 pesos de ouro por conta dos trabalhos então em curso, ao que tudo indica nos meses de novembro e dezembro de 1891. Em 14 de fevereiro de 1892, data do relatório, a obra estava prestes a ser terminada.

O estandarte exibiu-se, a partir de 11 de abril, na montra do comércio dos senhores Rei e Luengo, na Rua da Caldeiraria; aportou na Havana em 3 de maio, a bordo do vapor-correio Alfonso XIII; e estreou-se oficialmente na festividade do Apóstolo, encabeçando a procissão cívica que precedeu o tradicional evento de caridade em favor dos galegos e galegas pobres.

A imprensa compostelana (El Pensamiento Galaico e Gaceta de Galicia) descrevia a insígnia — de 1,75 m por 1,22 m — como tendo as cores da bandeira do Reino de Galiza: campo branco dividido por larga banda diagonal azul, da esquerda à direita, e, no centro, o brasão galego com coroa real em meio-relevo. Rodeava-o um colar do Tosão de Ouro, cujos elos e pederneiras exibiam as armas das oito províncias, antigas e modernas. Entre o escudo galego e os escudetes provinciais dispunham-se «dous ramos de carvalho e loureiro artisticamente entrelaçados». Atrás e acima do brasão erguiam-se duas palmas divergentes, símbolo da vitória, e, num ponto próximo do ângulo inferior esquerdo, um dragão, bordado com sedas verdes de vários tons, simbolizando a antiga monarquia sueva.

Estes dous textos de abril de 1892 são, até onde é sabido, os primeiros a identificar o azul e o branco como as cores da bandeira galega. E não falam por conta própria: na revista Galicia da Havana, de 28 de agosto de 1904, afirma-se que ambos glosavam a memória sobre o pendão, escrita polo próprio Murguia.

O modelo não tardaria a ecoar noutras comunidades da diáspora. Por ocasião do oitavo aniversário da sua fundação, celebrado em 25 de agosto de 1895, a Associação Galaica de Socorros Mútuos de Lisboa estreou um novo estandarte, descrito pola imprensa portuguesa como «uma verdadeira obra de arte»: compunha-se de três faixas estendidas na diagonal — as duas extremas brancas, a central azul —, com o escudo do antigo Reino de Galiza bordado ao centro e, nos quatro ângulos, os das quatro províncias. Outra notícia descrevia a insígnia como «de seda […] em fundo branco atravessado diagonalmente com uma simétrica faixa azul».

Em 1906 surgírom dúvidas no seio da Associação Iniciadora e Protetora da Academia Galega, radicada na Havana, acerca das cores da bandeira do país, pois o centro galego costumava usar, além do estandarte, uma bandeira branca com a cruz de Santiago ao meio. Murguia, perante a consulta de Curros Henriques, pontifica num cabograma: «Bandera blanca faja azul igual estandarte Centro gallego esa». E num discurso em 1919, Ramom Armada Teixeiro, secretário do centro em 1891, manifestou: «Não falta quem diga que a bandeira deve ser branca […] Outros fizérom surgir a cor azul em linha transversal, sobre fundo branco, que se adotou, conforme o modelo, para o estandarte do Centro». Conforme o modelo de Alexandra Murguia, cumpre acrescentar.

A bandeira nacional procede, pois, do estandarte; mas, como diz Pepe Barro, ignoramos o porquê do desenho, das formas e das cores. Este artigo propõe duas respostas — para a cor, documentada; para a forma, conjetural.

2. Ressuscitar as cores do antigo reino

O azul e branco não era uma combinação indiferente para Murguia. Na introdução do livro Galicia, publicado em 1888, ao evocar a paisagem do Minho, onde se confundem os reinos, escrevera que «a bandeira branca e azul dos Bragança cobre povos que são de sangue galego» e que os barcos que cruzam as águas «parecem feitos para viajar e combater juntos sob um mesmo pavilhão».

O significado da cor azul no estandarte, porém, só nos foi revelado por Joan Mirabet i Bofarull no seu semanário La Honorata, em 31 de julho de 1892. Ele e a sua comitiva assistiam no Centro Galego da Havana às festividades do 25 de julho desse ano. Depois de provarem as filhós, o grupo foi expressamente acompanhado por Armada Teixeiro a inspecionar o novo pendão, que se estreava naquela data.

Ao descrever o estandarte, muito provavelmente com base nas explicações recebidas durante essa visita, Mirabet detém-se na banda azul que o cruza diagonalmente e abre de imediato um breve parêntese: «As cores da atual bandeira galega são o morado e o branco, cores que fôrom adotadas polos revolucionários galegos numa das sublevações de meados deste século. Mas o Centro Galego da Havana é regionalista e, como tal, quijo ressuscitar as cores da antiga e verdadeira bandeira galega, da bandeira glória da Galiza quando tinha leis, antes que Castela reis».

O parêntese de Mirabet fornece dous dados inéditos: o significado da cor azul no estandarte e que a revolução galega de 1846 — única sublevação que parece responder à sua descrição — adotou as cores branca e morada.

A teor dum artigo da revista El Eco de Galicia da Havana, publicado em 6 de outubro de 1900, o branco e o morado da «bandeira da nossa querida região» eram as cores usadas na esclavina da Ordem de Santiago da Espada. Cabe deduzir, em consequência, que, na bandeira que soía usar o centro galego, a cruz de Santiago apresentava um esmalte identificado como «morado»; e não encarnado, como é usual nesta cruz.

Relativamente à «antiga e verdadeira bandeira galega», as bandeiras surgírom, num primeiro momento, como extensão visual dos escudos de armas. O Segar’s Roll (c.1282), inglês, e L’Armorial du Héraut Vermandois (1285–1300), francês, constituem os testemunhos documentais mais antigos conhecidos da cor do reino. Neste último lê-se «O Rei de Galiza leva por campo o azul com um “gálice” de ouro coberto, à maneira duma copa».

Em 1891, contudo, estes armoriais eram desconhecidos no país; utilizavam-se outras fontes, que flutuavam entre o vermelho e o azul. Como flutuou o próprio Murguia. Na obra Las Armas de Galicia, Joám Beltrám Moinhos afirma que o historiador, «respondendo em 1891 à consulta que o Centro Galego lhe fizo, enviou com as suas notas um desenho do escudo traçado pola sua filha Alexandra, e, em oposição ao parecer que expusera em 1887, inclina-se neste polo azul». E Armada Teixeiro, referindo-se ao conjunto do estandarte, corrobora essa afirmação: Murguia «remeteu um desenho, com alegorias e detalhes heráldicos, obra da Srta. Alexandra Murguia Castro, filha da imortal Rosalia, e nesse desenho o campo do escudo não é vermelho, mas azul».

Portanto, no projeto de Alexandra e Manuel Murguia, o campo do escudo e a banda diagonal partilhavam o mesmo azul: a cor do antigo reino saía do brasão e estendia-se ao pano.

Por razões desconhecidas, e contra o projeto, o brasão do estandarte foi bordado em vermelho. Mas o azul acabaria por se impor: a Academia Galega, presidida por Murguia, patrocinou-no desde a sua fundação, em 1906.

3. A banda e a fita

Sabemos já por que o estandarte incorporou o azul. Resta explicar a forma. O azul supunha-se a cor heráldica do reino, e a ela se regressava; mas uma banda diagonal nunca fora emblema da Galiza. A cor recuperava-se; a forma, essa, inventava-se — e uma invenção pede uma origem.

A primeira iniciativa em prol da popularização da bandeira azul e branca partiu do jornal Gaceta de Galicia, decano da imprensa compostelana, que em junho de 1898 publicou um artigo destinado a estimular o seu uso e a difundir o seu padrão oficioso: «o fundo é branco e, desde o ângulo superior da esquerda até o ângulo inferior da direita, atravessando o centro, uma faixa de cor azul que deve ter de largura a terça parte da altura ou largura total da bandeira» — mais larga, portanto, do que a banda da atual insígnia oficial, fixada em um quarto.

A Gaceta pretendia remediar o que considerava um injusto esquecimento: afirmava nunca a ter visto dentro da Galiza, nem ter notícia de que ondeasse nas festas de Maria Pita, nem nas de Lugo, nem nas do Padre Feijóo em Ourense, nem ao homenagear Conceiçom Arenal em Vigo, nem no Ano Santo compostelano. Nas festas sacramentais desse ano, janelas e varandas cobriam-se de panos dos mais diversos tamanhos, formas e cores; mas nenhuma casa ostentava a bandeira da Galiza. E acrescentava: «Só recordamos uma solenidade em que vimos o pavilhão galego desfraldado aos ventos: foi quando aquele punhado de escritores, em união com a Sociedade Económica, levárom a cabo a trasladação dos restos da grande Rosalia Castro desde o cemitério de Íria Flávia até ao templo de São Domingos de Compostela». A solenidade tivera lugar sete anos antes, a 25 de maio de 1891, três meses depois do acordo de confeção do estandarte.

Para a Gaceta, jornal compostelano, o conhecimento do que sucedia noutras cidades e vilas podia ser indireto; a referência à cerimónia de 25 de maio, porém, baseava-se num testemunho ocular. O jornal dizia ter visto «o pavilhão galego desfraldado aos ventos». Tal não surpreende, pois a Gaceta participara ativamente na trasladação — era da sua redação a grande coroa de flores naturais, com mais de um metro de diâmetro, que seguia sobre o coche de respeito no cortejo fúnebre.

Da trasladação conserva-se apenas uma crónica jornalística detalhada: a de La Patria Gallega, órgão oficial da Associação Regionalista Galega, que dedicou à poeta um número monográfico. O próprio quinzenário atesta que «a imprensa diária local» publicara já «minuciosa relação de tão insólita manifestação de dó e carinho»; essas crónicas, no entanto, perdêrom-se. Da própria Gaceta desses dias conservárom-se só exemplares mutilados, sem as páginas da reportagem. A crónica de La Patria Gallega descreve o cortejo elemento a elemento, de quem o abria a quem o fechava. Em todo esse desfile menciona apenas uma bandeira: a dos bombeiros voluntários. Da cerimónia conserva-se igualmente a ata notarial levantada no momento da inumação dos restos, que dava fé de tudo quanto acontecera, desde o campo-santo de Íria Flávia até ao mausoléu de Bonaval. Nela lê-se que «Santiago em massa acudiu ao imponente ato […], estando as ruas cobertas por compacta moitedume, e as janelas e varandas da carreira que seguiu o cortejo coalhadas de gente».

O pavilhão que a Gaceta viu não figuraria, pois, no desfile; ondearia à sua passagem. Como podia existir uma bandeira galega em maio de 1891 se o estandarte nem sequer começara a confecionar-se? Se por «bandeira» entendermos uma peça artisticamente bordada, a resposta é que não podia. Mas, se «pavilhão desfraldado» designava um ou mais panos domésticos — panos brancos atravessados por uma banda azul, cosida ou mesmo pintada, feitos na casa para engalanar janelas e varandas no dia da trasladação —, então sim: um pavilhão como esse podia existir naquela data. É também a hipótese que melhor concilia a cronologia com o conjunto das fontes conservadas.

Tudo isto indica que, fosse de quem fosse a iniciativa, em maio de 1891 o motivo do desenho — branco cruzado por uma diagonal azul — já circulava em Compostela, meses antes de o estandarte se bordar e de a imprensa o descrever.

A teoria tradicional fai derivar a banda diagonal do distintivo naval da Corunha. O distintivo corunhês fora criado em 1845 como uma cruz de Santo André de dous braços, cada um com um quinto da largura do pano. Só uma real ordem de 22 de junho de 1891 lhe amputou um deles — porque o desenho anterior se confundia com a insígnia naval do império russo —, e a disposição não se publicou na imprensa corunhesa até 7 de julho. A banda do estandarte corresponde à largura clássica de uma banda heráldica, a mesma adotada na insígnia da Associação Galaica de Socorros Mútuos de 1895 e que a Gaceta explicitou em 1898 ao descrever o padrão oficioso da bandeira. Já a faixa da matrícula herculina ocupava apenas um quinto da largura do pano, antes e depois de 1891. Além disso, num emblema saturado de alegoria e simbolismo, custa admitir que a peça central — a banda que atravessa todo o campo — seja um elemento mudo, tomado de uma disposição administrativa motivada por uma queixa do Tsar. E subsiste ainda uma dificuldade de ordem lógica: quem, ao conceber o emblema de um país, iria buscar a sua forma ao distintivo de uma das suas cidades, recém-alterado precisamente para evitar que se confundisse com a insígnia de outro país? Por fim, se o testemunho ocular da Gaceta for certo, essa hipótese deixa de ser compatível com a cronologia.

Mas voltemos a Compostela: a encomenda do desenho do estandarte, acordada em 22 de fevereiro de 1891 na Havana, deve ter chegado ao lar Murguia-Castro na primavera. Nessa altura, a trasladação para Bonaval ocupava o tempo e os pensamentos da família. Foi também por esses dias que recebêrom um objeto de alto valor artístico e simbólico. O que se segue é apenas uma hipótese, e como tal se apresenta.

Em 12 de maio de 1890, Murguia dera uma conferência no salão de atos da Lliga de Catalunya sobre as origens e o desenvolvimento do regionalismo galego. Nesse mesmo ato, a junta da Lliga acordara custear uma coroa de bronze para o mausoléu que se estava a construir em Compostela em memória de Rosalia, como prenda de fraternidade oferecida à Galiza polo regionalismo catalão.

No começo de abril de 1891, a coroa, já concluída, estivo exposta vários dias na sede da Lliga. Depois foi endereçada a Murguia, junto com um ofício, datado de 15 de abril, em que o vice-presidente da organização manifestava a «comunidade de ideias, de aspirações e de sentimentos entre nacionalistas galegos e catalanistas» e a «verdadeira irmandade» que unia os dous países, «apesar da imensa distância que os separa».

O contexto político descreve-o Justo Beramendi: a Associação Regionalista Galega utilizou a trasladação dos restos de Rosalia como um ato de afirmação política e, para demonstrar a força dos seus laços com o regionalismo catalão, deu toda a publicidade possível à homenagem da Lliga, consistente numa coroa de bronze para o mausoléu e um manifesto.

A coroa chegou a Santiago por volta de 20 de abril. Em 30 de abril estava exposta na montra do comércio de Mauricio Astola, na Rua do Preguntoiro.

Compõe-se de dous ramos entrelaçados, um de carvalho e outro de loureiro, executados em ferro oxidado. Uma larga fita de cobre dourado prende-os e entrelaça-os caprichosamente; nela lê-se, em belos caracteres de ouro, «A Rosalia Castro de Murguia La Lliga de Catalunya». Das duas extremidades da fita pendem dous escudos caironats — quadrados apoiados num dos vértices, típicos da heráldica catalã. No respetivo campo emoldurado, um ostenta as barras do brasão catalão; o outro, a custódia e as cruzes do galego.

La Patria Gallega exclamou, logo após descrever a coroa: «Queira o céu que o presente recebido seja um novo laço que ate mais forte o afeto de catalães e galegos, e estímulo proveitoso para alcançar, em breve prazo, as legítimas aspirações dos dous povos irmãos!».

A revista La Ilustració Catalana, de 31 de maio de 1891, reproduziu a coroa numa gravura, onde se vê que é a fita que constitui o eixo dominante da composição. Atravessa, numa diagonal nítida, o espaço vazio debuxado polos ramos, do canto superior esquerdo ao canto inferior direito. Esta disposição é invulgar nas coroas esculpidas, nas quais a fita costuma ser um elemento acessório, cuja função normalmente se limita a anoar os ramos e a servir de suporte à inscrição.

A coroa da Lliga compõe-se, pois, de apenas três elementos: os ramos de carvalho e loureiro, a fita que os entrelaça e os brasões. Todos eles são evocados na composição do estandarte do Centro Galego da Havana. Nele vemos:

— A grinalda de carvalho à esquerda e de loureiro à direita, colocada em posição central e envolvendo o brasão principal.

— O escudo galego apresentado de um modo até então inédito na Galiza: não com a forma ibérica habitual — adotada aqui polos escudetes provinciais —, mas como um painel quadrado, simples e emoldurado, à maneira de um quadro ou fotografia. Se na coroa da Lliga o escudo galego, dessa mesma feição, assenta sobre um vértice, o do estandarte assenta sobre um dos lados, de modo a acomodar as cruzes.

— A banda que, como eixo dominante da composição, cruza obliquamente o pano no mesmo sentido em que na coroa o fai a fita que leva o nome da mãe da desenhadora e simboliza o vínculo entre os dous povos irmãos.

Que a coroa da Lliga deixou marca em Compostela demonstram-no duas obras posteriores. Em 1896, a Revista Gallega escrevia, a propósito da lápide erguida esse ano na Praça da Quintã em homenagem ao Batalhão Literário de 1808, que «a coroa de bronze que a remata é uma feliz e formosa imitação da que a Lliga de Catalunya dedicou à memória da nossa grande Rosalia». Dous anos mais tarde, Jesus Landeira, autor do mausoléu da escritora, rematou o pedestal da estátua de Manuel Ventura Figueiroa, que preside à escadaria da Alameda, reproduzindo em cada uma das quatro faces o escudo galego caironado da coroa. A peça da Lliga não só se via: copiava-se.

Não deixa de ser significativo que o período em que a coroa da Lliga gozou de protagonismo público e estivo presente no quotidiano da família Murguia-Castro tenha coincidido com as semanas prévias à primeira materialização do desenho de Alexandra. A 25 de maio de 1891, ambos os percursos convergírom na mesma cerimónia: a coroa era colocada junto ao féretro de Rosalia e, segundo o testemunho da Gaceta de Galicia, o pavilhão galego desfraldava-se ao vento. Meses depois começava a bordar-se em Compostela o estandarte que havia de fixar, para sempre, a forma da bandeira galega.

Hoje, a oferenda da Lliga é exposta no quarto do passamento de Rosalia, na sua derradeira casa da Matança, frente à fiestra de onde a autora de Folhas Novas via o mar.

Nota: As citações fôrom vertidas para a língua comum galega e portuguesa polo autor.

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Máis de José Rios
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