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David Garcia: “O meu interesse por conhecer melhor a história da Galiza levou-me ao galego internacional”

David García Pérez é da Artábria. O facto de morar em Fene provocou que o galego ficasse numa gaveta pouco apreciada. Felizmente, abriu-a e agora uso o galego no seu dia a dia e consegue arrastar outras pessoas a fazê-lo. Está a estudar português na Eoi de Ferrol porque gosta de utilizar os serviços públicos. Julga que o reintegracionismo devia, para chegar às pessoas, abordar ainda mais as redes sociais.

David é ártabro. Fene, Ferrol e Narom fazem parte da sua biografia. A tua língua materna foi o galego. Que nos podes contar da ecologia linguística da tua infância e adolescência? Para quê e por quem eram usadas as línguas?

Nos meus primeiros anos morava na casa dos meus avós em Fene. Ali falava-se galego, mas as crianças que não fazíamos muito uso da nossa língua.  Depois em Ferrol, o uso do castelhano passou a ser a língua para todos e para tudo em casa. As primeiras influências que tive para posicionar-me com o castelhano foram por adaptação aos amigos de verão dado que eles vinham de Madrid. Isto aconteceu até os 8 anos. Depois mudamo-nos para Ferrol e estabelecemos amizades que também falavam em castelhano.

O meu avô nasceu em Oia e tinha ascendência portuguesa. Tive também contacto com Portugal até chegar a Fene para trabalhar. Quero explicar com isto que tanto o galego como as referências a Portugal e ao português estiveram sempre presentes na minha infância.

Tudo o dito, leva-me a reconhecer que o sistema pôde comigo, porque passei de esse ambiente na casa de meus avós a uma posição de oposição face tudo o referente ao galego. Situação essa pela qual atualmente sinto vergonha, mas é algo que já não posso mudar

O facto de o teu ambiente social se expressar na totalidade em castelhano, fez com que esta fosse a tua língua até que, felizmente, te instalaste no galego. Como foi esse processo? Como foi recebido por esse mesmo ambiente social?

Já mais recentemente decidi expressar-me em galego em todos os âmbitos. Foi um bocadinho chocante para as pessoas do meu ambiente ao estarem habituadas a escutar-me falar num castelhano muito cuidado, mas posso dizer que não houve situações desagradáveis.

Agora deste mais um passo, em direção a uma visão internacional do galego. Que te levou a este oceano? Foram pessoas, experiências pessoais…?

O meu interesse por conhecer melhor a história da Galiza e, em consequência, a língua, leva-me a esta escolha pelo galego internacional.  É mais uma questão de identidade que outro motivo, pelo menos neste momento em que estou a aterrar nestas questões. Este posicionamento viu-se reforçado ao escutar pessoas como vós que mostram outro jeito de fazê-la vida em galego.

David estuda na EOI de Ferrol. Recomendarias esta experiência educativa a outras pessoas?

A aprendizagem duma língua é algo que recomendo com frequência, e fazê-lo nas EOIs, ainda com mais insistência. Gosto de aproveitar os recursos públicos.

David é funcionário público e exerce como limpador numa residência de pessoas com limitações físicas. Que língua se ouve no teu trabalho?

No centro onde trabalho somos poucos os que fazemos uso do galego para nos expressar, e falo tanto dos trabalhadores como dos utentes. O que sim posso dizer de jeito pessoal é que a minha mudança para o galego foi bem acolhida, até o ponto de que são várias as pessoas que, para conversarem comigo, fazem uso da nossa língua.

Que julgas que deveria fazer o movimento reintegracionista para avançar socialmente? Quais seriam as áreas mais importantes?

O certo é que ainda não estou o suficientemente imerso nesta questão como para oferecer algo que não seja repetir o que já escutei várias vezes. Penso que para chegar às pessoas, uma boa opção é estar mais presentes em Redes Sociais e outro tipo de canais.

Na YouTube, por exemplo, é onde comecei a escutar os vossos programas, entrevistas e demais conteúdos, que é de onde tiramos em casa a nossa decisão de pertencer à AGAL.

Que te motivou a tornares-te sócio da Agal e que esperas do trabalho da associação?

Ainda é cedo para esperar algo mais de vós, na minha cabeça está aprender e tratar de localizar-me.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2050?

Para o ano 2050 o ótimo seria que a porcentagem de galego-falantes fosse muito maior que a atual, e aí seria um bom momento para tirarmos uma fotografia.

Conhecendo David Garcia:

Um sítio web: infopedia.pt

Um invento: A eletricidade poderia dizer que é um dos “inventos” que mais agradeço.

Uma música: “My way”, de Frank Sinatra, pelo significado do título mais que por outra coisa. A companheira sempre olha para mim quando a ouve.

Um livro: um que ainda tenho por ler, que é o Sempre em Galiza.

Um facto histórico: a data em que a Galiza atinja a sua soberania.

Um prato na mesa: Fora as batatas fritas com ovos estrelados acho que meu prato por excelência é o cozido.

Um desporto: O ciclismo é o desporto de que mais gosto, o que me proporciona tranquilidade.

Um filme: O Senhor dos Anéis.

Uma maravilha: A grande muralha da China

Além de galego/a: Além de galego, sou uma pessoa que trata de fazer a sua vida respeitando a dos demais sob uns valores de esquerdas.

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