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Ana Kiro representará Galiza na Eurovisão mundial da inteligência artificial com a equipa PAMP! e música “Florespiña”

O CiTIUS (Centro Singular de Investigação em Tecnologias Inteligentes) da Universidade de Santiago de Compostela (USC) foi o colaborador tecnológico nesta iniciativa conjunta com a delegação galega do festival.

“Florespiña” é uma homenagem à famosa cantante, uma mulher à frente do seu tempo: feminista, galeguista e progressista, um exemplo de resiliência na música que joga simbolicamente com a figura da flor do tojo.

Galiza está classificada para o Grande Final do AI Song Contest 2023, após ganhar a medalha de prata o ano passado com “Al-Lalelo” e organizar este ano o festival, que decorrerá na Corunha o 4 de novembro.

Um modelo de inteligência artificial da famosa cantante, apresentadora e atriz Ana Kiro representará Galiza com a equipa PAMP! e a música “Florespiña” no AI Song Contest, a Eurovisão mundial da inteligência artificial, que decorrerá na Corunha o sábado, 4 de novembro.

A candidatura é composta por um grupo multidisciplinar de doce pessoas artistas, engenheiras, investigadoras e músicas galegas que conquistou o segundo lugar com “Al-Lalelo” o ano passado neste festival e que este ano contou com o apoio do Centro Singular de Investigação em Tecnologias Inteligentes (CiTIUS) da Universidade de Santiago de Compostela (USC). A iniciativa é liderada pelo diretor criativo Joel Cava, responsável da delegação galega e produto executivo da edição 2023.

María Dolores Casanova González, conhecida como Ana Kiro (1942-2010), foi uma mulher à frente do seu tempo: feminista, galeguista e progressista. A proposta, com a autorização expressa e o reconhecimento da família de Ana Kiro, começa com um recitado emotivo da filha adotiva de Mera (Oleiros), onde volve após 13 anos de ausência pelo seu passamento. A rainha da música lixeira encoraja as galegas e galego a defender uma nova Galiza contra o avassalamento, o conformismo e a autocomplacência. Raiz e modernidade fundem-se e criam um estilo próprio, unindo verbena, música tradicional, trap e eletrónica numa sonoridade nunca vista na homenageada. O respeito pela sua trajetória e a livre criação artística são as linhas mestras deste trabalho, que conta a história duma mulher que anseia ter voz própria num mundo dominado pelos homens, e onde também é reivindicado o rural do país, atualmente esmorecido. A obra está disponível nas principais plataformas de música em streaming.

A rainha da música lixeira encoraja as galegas e galego a defender uma nova Galiza contra o avassalamento, o conformismo e a autocomplacência.

“Florespiña” competirá diretamente contra uma dezena de finalistas de todo o mundo no Grande Final deste concurso internacional, promovido inicialmente em 2020 pelas radiotelevisões públicas neerlandesas VPRO e NPO, com a supervisão da União Europeia de Radiodifusão e organizado depois pela fundação Stichting AISC. Será um programa de televisão ao vivo e com público no Studio Follow da Grela, onde a cultura galega estará muito presente e converterá a cidade herculina na capital mundial da música feita com inteligência artificial. Será também uma oportunidade para dar visibilidade à futura Agência Espanhola de Supervisão da Inteligência Artificial (AESIA), que nascerá em Galiza como primeiro organismo no seu âmbito do mundo. As entradas estão à venda através da plataforma Ticket Hoy.

As pessoas responsáveis desta iniciativa pioneira tomam por nome “Ana María Prieto”, um projeto de investigação como homenagem à primeira mulher programadora informática galega. O grupo é conformado por Juan Alonso, Javi Cardama (CiTIUS), César Díaz (CiTIUS), Fernando Estévez (CiTIUS), Camille Hedouin (Mounqup), Sofía Infante, Ruben Laso (CiTIUS), Eva Outeiro, Xandre Outeiro, David Santos e Marta Verde, coordenados por Joel Cava, e todas consideram a inteligência artificial apenas como uma ferramenta colaborativa e complementaria ao trabalho musical, nunca substituta das pessoas, onde estas são as únicas decisoras e supervisoras do processo criativo, e sempre seguindo um uso ético, responsável e transparente para promover a língua e cultura da Galiza.

Processo criativo

O processo compositivo começou o passado mês de abril na residência artística de Sony CSL Paris, onde os subcampeões desta competição provaram as ferramentas de inteligência artificial da casa discográfica e escreveram a letra da música, conseguindo que o modelo GPT-J-6B aprendesse a falar galego e a compor versos a partir duma contribuição de mais de 400 estrofes do cancioneiro digital Volai-vai, com o alecrim como fio condutor. A máquina gerou os textos e só houve de corrigir algumas gralhas e adaptar alguma frase, respeitando os resultados da computadora. A respeito da melodia, com Google Magenta foram geradas diferentes variações rítmicas de “Viva Galicia”, um dos sucessos mais reproduzidos de Ana Kiro, que foram utilizadas em cada estrofe.

A propósito da música, foram gravadas instrumentos como a gaita, o acordeão, a pandeireta e o bombo ao natural, que foram processados pelo sistema DDSP, conseguindo assim uma musicalidade de jeito artificial seguindo a linha melódica previamente definida e adicionando um contrabaixo extraído com IA. Quanto o ruído ambiental, utilizou-se o algoritmo que converte o texto em som AudioLDM para dar-lhe à computadora referências da letra sem a condicionar excessivamente e selecionando os melhores resultados entre mais de cem ideias obtidas. Da parte da harmonização, utilizou-se o código Daw WavTool e a produção foi arranjada e misturada com as soluções artificiais que oferecem as ferramentas Logic Pro, Ableton e Izotope Ozone AI RX 10.

Para a geração da síntese de voz, foram treinados dois modelos de transferência de timbre de Ana Kiro, voz falada e cantada, dadas as diferenças de registo oral, graças a SoftVC VITS Singing Voice Convertion. O processo partiu de um labor exaustivo de várias semanas, com as fases de documentação, filtro, limpeza e processamento dos contidos fornecidos pela Corporação de Radiotelevisão de Galiza (CRTVG), concretamente, áudio e vídeo dos programas e especiais que apresentou, nos que participou e atuou a cantante. Deste jeito, com uma gravação de entrada de qualquer pessoa, o algoritmo conseguiu criar um clip de áudio com uma voz muito aproximada à da artista, que foi pontualmente corrigida com Autotune para a composição.

Finalmente, foi elaborado o videoclipe com o aplicativo de arte artificial Midjourney, que produz imagens estáticas escrevendo indicações textuais ou visuais, produzindo diversos recursos, captura por captura, aos que lhes aplicou posteriormente movimento com Runway Gen-2, Pika Labs e Leiapix. O resultado é uma viagem pela Galiza profunda com o tojo, a sua flor e o folclore próprio como protagonistas, ademais de recuperar as portadas e iconografia clássicas de Ana Kiro, utilizando InsightFaceSwap

e recriando uma atuação imaginaria em Eurovisão, festival no que a de Arçua estivo a ponto de participar no ano 1969, representando a Espanha e Radiotelevisão Espanhola (RTVE), disputando o título com a catalã Salomé e “Vivo cantando”, finalmente ganhadora.

Sobre o CiTIUS

O Centro Singular de Investigação em Tecnologias Inteligentes da USC (CiTIUS) é o centro de investigação de referência em Galiza no âmbito da inteligência artificial e um dos poucos especializados neste campo a nível estatal. Acreditada pela Xunta como um dos 8 Centros de Investigação de excelência na comunidade, este referente na IA conta com uma equipa de mais de 140 pessoas e nos últimos três anos leva acabado um orçamento de mais de 9,5 milhões de euros.

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