Acorda Galiza!

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Por Joaquim Pinto da Silva

O único papel que interessa aos galegos que alguém represente …é o deles própios.

Se os galegos se confundem no caminho, se se invejam, se se perdem em minudências e não atacam o essencial… então a culpa é só dos galegos.

Porquê “esperar” por Portugal? Porquê “esperar” pelo Brasil?

Antes esperem… pela Galiza, por aquela que é rebaixada por esquerdismos doentios e ideias de grandeza (curiosamente) imperiais. Sim, imperiais! As de uma Galiza pura, que rouba também ela o nome (e o conteúdo) aos do sul do Minho, seus proprietários consuetudinários como eles.

Essa Galiza do Sul, chamada irreversivelmente Portugal, é nisso tudo a continuidade dessa Galiza “imperial”.

E mesmo no Brasil, alguns desses “imperiais” ousam falar já há muito em “língua brasileira”, e repetem até à exaustão a sua origem cultural sincrética, que a têm por certo, mas cujo objectivo central e único é apagar a grande matriz cutural que é a deles: a galego-portuguesa. E mais, atiram (ainda) para cima do colonialismo português todas as misérias de que sofrem, como se a floresta amazónica estivesse ainda a ser destruída pelos galegos do Minho, o tupi-guarini estivesse a ser destruído pelos galego-beirões, e as favelas serem construídas pelos galego-transmontanos.

E essa atracção ao Brasil feita pela via do “tropicalismo” e de uma certa falsa multi-culturalidade brasileira (porque a há a sério também), de roupagem “altermundialista”, perfumada de castrismo e chavismo reaccionários, “onde sambar é melhor que trabalhar”, essa atracção têm-na também algumas élites dessa Galiza do Sul, nomeadamente os centralistas de Lisboa.

Oh que tão parecidos são os galegos do norte aos do sul! Sempre à espera de Santiago, ou Prisciliano, ou Sebastião, mas tão longe do caminho progressivo e revolucionário da tolerância e do labor quotidiano, o único que pode dar frutos.

O esquerdismo balofo e radicalizante de aparência é, na actual Galiza e em Portugal e Brasil,a doença infantil do galeguismo. É um inimigo tão importante como o imperialismo cultural de Madrid, Lisboa, Brasília/Riop/S. Paulo e… Santiago.

Acorda Galiza!

 

Máis de Joaquim Pinto da Silva