216.000 visualizaçons, mais de 400 comentários e quase 1000 vezes partilhado. Interessante a viralizaçom deste vídeo da regueifa na RTP.
A regueifa está a experimentar um processo de transmissom geracional brutal. Nos últimos 10 anos passou de estar em perigo de extinçom, com 8 regueifeiros, a protagonizar umha revitalizaçom impulsada por centos de crianças e adolescentes.
A Nova Regueifa consegue, dia a dia, atualizar a tradiçom, com formas e contidos do séc. XXI.
Sara Marchena dixo que foi o feminismo quem modernizou a regueifa. E Xian Naia fala de regueifa subalterna para explicar a energia da regueifa para representar a voz dos movimentos sociais e ser ferramenta de transformaçom social, contrahegemónica.
Direitos humanos, amor ou desamor, conflitos sociais, ecologia, depilaçom das pernas ou tortilha de pataca com cebola ou sem cebola som alguns dos temas infinitos que pode expresar improvisando a regueifa em 2025.
Isto surprendeu em Portugal a algumha gente: que o improviso se expresse de forma complexa, sociocriativa, sem límites temáticos.
Também surprendeu a algumhas pessoas que adolescentes de 16 anos expressem opinions políticas quando algumhas das regueifeiras expressam posiçons feministas, anfifascistas ou ecologistas.
Curiosamente, nom se fala de politizaçom quando em tradiçons repentistas de muitos povos há adolescentes e mesmo crianças que improvisam sobre temas de forte contido falocentrista e machista, que objetualiza a mulher, ou homófobo. Nom é também umha decissom politica restringir temas e reducir o repente a temas vinculados com a sociedade mais conservadora?
Este processo de atualizaçom do repente deu-se também noutros povos como Euskal Herria ou Cuba quando o repente entrou na escola e começou a formar parte da educaçom formal e do tempo livre das novas geraçons. E na Galiza é o que está a suceder. As crianças e adolescentes improvisam desde as suas experiências próprias, desde os seus talentos e sensibilidades. E agora já se ativou um processo de transmissom cogeracional. E a rede está a crescer.
Se o repente tradicional em muitas partes do mundo foi -e segue a ser- machista, homófobo ou supremacista, na Galiza temos sorte de que as novas geraçons improvisam desde o respeito e a defensa da justiça social, com retranca e pique, com humor e festa, com superficialidade ou com profundidade, a defender a pizza vs o cocido ou os povos oprimidos, com melodias das avoas ou com a do Licor do Negro Café.
Isto é um logro de muitos profes e famílias, associaçons, ativistas, algumhas instituiçons e muita rapazada e gente boa e generosa que participa neste pequeno movimento que fai festa e revoluçom.
É umha alegria que a RTP convidara seis regueifeiras a cantar em Portugal. Como dizia o poeta: “Menos mal que nos queda Portugal.”
Dalgum jeito, a regueifa propiciou um acontecimento bem lindo: um reencontro entre a Galiza e Portugal, um encontro através da música, a poesia, a cultura, a língua. E muitíssimos comentários portugueses na publicaçom som mostras de empatia e irmandade. Da mesma forma, muitos comentários da Galiza representam alegria, reconhecimento e orgulho.
