Xurxo Salgado: “Há que acabar com as perniciosas subvençons aos meios de comunicaçom em castelhano por publicarem menos de 10% dos seus conteúdos em galego”



xurxo_salgadoNeste ano 2021 há 40 anos que o galego passou a ser considerada língua co-oficial na Galiza, passando a ter um estatus legal que permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisar este período, iremos realizar ao longo de todo o ano, umha série de entrevistas a diferentes agentes sociais para darem-nos a sua avaliaçom a respeito do processo, e também abrir possíveis novas vias de intervençom de cara o futuro.
Desta volta entrevistamos o jornalista e diretor de galiciaconfidencial.com, Xurxo Salgado.

Qual foi a melhor iniciativa nestes quarenta anos para melhorar o status do galego?
Nom tenho ninguma iniciativa que seja melhor do que outra. Acho que a defensa do galego é, principalmente, umha luta individual e familiar, que ultrapassa o político e social. Por isso, todas aquelas iniciativas que realizemos a nível individual e coletivo tenhem e terám importantes consequências para dar pulo e força ao nosso idioma. E se se trata de algumha iniciativa concreta, e dada a minha atividade como jornalista, talvez destacaria a necessidade de criar e lutar por termos meios de comunicaçom em galego. Sem estes nom temos voz e sem voz ficamos sem memoria.

Se pudesses recuar no tempo, que mudarias para que a situação na atualidade fosse melhor?
Se pudesse recuar iria até julho do 36. Avisaria para que prendessem todos os facciosos que acabarom por cometer um genocídio contra as ideias e contra as pessoas e as línguas próprias. Se aquela guerra nom se produzisse e se as ideias de galeguistas, agraristas e da Fronte Popular se pudessem implantar, talvez hoje os avós falariam com orgulho o seu idioma galego.

Se a guerra do 36 nom se produzisse e se as ideias de galeguistas, agraristas e da Fronte Popular se pudessem implantar, talvez hoje os avós falariam com orgulho o seu idioma galego.

Que haveria que mudar a partir de agora para tentar minimizar e reverter a perda de falantes?
Eu sempre digo que a primeira mudança começa na casa, falando e fazendo do galego a língua de vida. Inculcando em cativos e maiores a ideia de que o galego é a nossa língua, a língua dos devanceiros e a língua do futuro. Sem um galego forte na casa, na família, pouco poderemos fazer. Além disso, haveria de acometer mudanças importantes a nível institucional, começando na educaçom e rematando com as perniciosas subvençons aos meios de comunicaçom em castelhano por publicarem menos de 10% dos seus conteúdos em galego.

Sem um galego forte na casa, na família, pouco poderemos fazer. Além disso, haveria de acometer mudanças importantes a nível institucional, começando na educaçom e rematando com as perniciosas subvençons aos meios de comunicaçom em castelhano por publicarem menos de 10% dos seus conteúdos em galego.

Em que medida consideras que é possível integrar na programaçom informativa conteúdos e referências de outros países lusófonos?
xurxo-salgado-gzconfidencialA Galiza faz parte da lusofonia, como a lusofonia faz parte da Galiza. Há que lembrar que o galego começou a se formar na antiga Gallaeia e, já que logo, o português é umha variante do galego, se bem hoje tem mais força e reconhecimento, já que conforma o idioma de um estado, enquanto o galego ficou fechado em outras fronteiras, as espanholas, que impedírom que o galego, que cantavam os trovadores ou falavam reis na Idade Medida, pudesse evoluir.
Eu, que som minhoto e, já que logo, vivo a cabalo de um alto Minho e um Baixo Minho, vivim mui bem essa evoluçom da distancia entre povos irmãos a umha fraternal irmandade.
E sim, informativamente fica muito por fazer, nom tanto nos espaços fronteiriços, onde estamos afeitos a saber o que acontece em Valença, em Viana, em Vilanova da Cerveira ou em Monçao, mas no conjunto de Galiza e também de Portugal e, obviamente, de todo o espaço lusófono. Abofé, há tempo que tento que essa língua comum que nos une também seja utilizada para criar relaçons mais fortes.

Achas que seria possível que a nossa língua tivesse duas normas oficiais, uma similar à atual e outra ligada com as suas variedades internacionais?
Seria possível, sim, mas acho que agora nom é o momento. Primeiro, o que há que fazer é fortalecer a comunidade de falantes, e quando tivermos umha comunidade forte e umha situaçom de vantagem e normalizada poderemos abrir o debate normativo. Tanto tem que essa luta seja em norma RAG ou norma AGAL. O importante é brigarmos juntos para alcançarmos um bem comum no que acho que todos coincidimos e é a defensa do idioma e a sua normalizaçom social. Após conseguirmos isto, também deveria de ser normal que o galego pudesse ter diversas normas “oficiais”, como tehem outros outros idiomas.


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