Valle-Inclán já pode ser lido em galego-português

A obra 'Divinas palavras' foi traduzida por Xavier Andre para a norma AGAL e pode ser adquirida em Amazon numa ediçom que inclui um amplo glossário de termos galegos



divinas-palavras“A ideia da traduçom nasceu quando esta obra-prima da literatura hispânica ficou aberta ao domínio público. Achei ser umha boa ideia reproduzir, ou recriar, dalgumha maneira, a fala galega das personagens galegas de Valle-Inclán, um pouco tamém como homenagem  à nossa linguagem milenária, que pra além de anteceder a castelã, em idade e nobreza, deu origem à portuguesa”. Assim explica os seus motivos Xavier Andre, o responsável de auto-editar –através de Amazon Direct Publishing– a obra teatral ‘Divinas Palavras‘ ao galego em norma AGAL. A obra já é pública e pode ser adquirida na loja on-line de Amazon por um preço de 8 euros em versom Kindle.

Além da homenagem, Andre acha que esta ediçom pode ajudar ao público lusófono a comprovar como o galego “é acessível, sempre que nom o deturpemos com o castelhano”. A eliminaçom dos castelanismos foi um dos princpiais desafios do tradutor, quem fez um esforço ciente e constante para manter as caraterísticas próprias do galego-português moderno. “Traduzir do castelám para o galego é —polo menos para mim— mais difícil do que traduzir doutras línguas, tais coma o inglês ou o francês. Isto é devido à maior proximidade do castelám, que tem muitos falsos amigos e exerce umha grande influência a todos os níveis da língua”, afirma.

A atmosfera da peça de Valle-Inclán, de natureza rural e galega, orientou as escolhas da traduçom cara âmbitos “mais dialetais, sem deixar de ser reintegracionista num senso mais largo”. Isto corresponde com a obra original, já que Andre entende que o autor “enfiou muitas expressons galegas que ele conhecia, só que reviradas à castelã, eu conservei essas expressons, embora numha matriz inteiramente galega”. As interjeçons, aturujos e jeitos de falar galegos são respeitados e aumentados nesta nova edição de Valle-Inclán que, quase cem anos depois, vê a luz da mão de Xavier Andre.


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