Sustentação da monarquia



b61ff4970f0d26b1a9490d6adfa0c2f0 Se o número de reis e rainhas fosse um indicativo de eficiência e bom funcionamento dum sistema político, Espanha seria o melhor país do mundo, mas como o regime do 78 funciona francamente mal, já sabemos que nem o número nem a qualidade dos seus chefes de Estado têm nenhum mérito a este respeito. De igual modo poderíamos afirmar que se o número de aforamentos fosse um indicativo do bom funcionamento da justiça, Espanha teria o melhor sistema político do mundo, mas como a justiça, nos seus níveis superiores, funciona muito mal, logo também algo pode ter que ver os sistema de aforamentos e a eleição dos juízes.

A monarquia é um, de seu, um sistema muito desigualitário em política; estabelece a maior desigualdade pessoal na cimeira do Estado, e quebranta o princípio da igualdade de oportunidades, de igualdade perante a lei, e já não digamos de igualdade de resultados. De ai que toda constituição monárquica tem que consagrar a desigualdade como norma. Todos somos iguais, também enquanto à justiça, salvo os membros duma família que se saltam a norma.

A monarquia quebranta o princípio da igualdade de oportunidades, de igualdade perante a lei, e já não digamos de igualdade de resultados. De ai que toda constituição monárquica tem que consagrar a desigualdade como norma.

Como é uma instituição vitalícia, os reis/rainhas são pessoas que têm que estar ultra protegidas pola lei. Quando os americanos derrotaram os japoneses na II Guerra Mundial obrigaram-lhe ao imperador nipônico a reconhecer que não era uma divindade, senão um ser humano mais. Na Constituição Espanhola (CE) de 1978 não se chegou a tanto, mas si declararam ao rei inviolável, e, por conseguinte uma pessoa que não tem que responder dos seus atos. Dedica-se a regalar dinheiro dos sofridos contribuintes, em épocas de crise e paro alarmante, às suas múltiplas amantes, porque parece que cumpria muito bem o seu rol de semental ibérico, e resulta que os representantes dos cidadãos decidem por esmagadora maioria que não pode ser submetido a uma investigação sobre as suas ações porque é irresponsável. Claro que o cárcere está cheio de irresponsáveis, mas neste caso querem dizer que é irresponsável legalmente. Ai va! e ficam tão panchos e sem tomar a menor medida para que seja responsável, já que é difícil lograr que o seja pessoalmente, sim que o seja legalmente.

É o sistema da incompetência na cimeira do Estado, porque a sua nomeação não depende da sua valia pessoal, senão simplesmente da sua animalidade, ou seja, da sua genética.

É o sistema da incompetência na cimeira do Estado, porque a sua nomeação não depende da sua valia pessoal, senão simplesmente da sua animalidade, ou seja, da sua genética. A recombinação dos genes podem dar lugar a uma pessoa competente, mas no comum dos casos será uma pessoa do mais comum tanto intelectual como moralmente, e algumas vezes pode que um incompetente intelectualmente e/ou um depravado moralmente Os membros da família real são criados e educados numas condições especiais à parte do comum dos mortais. Para que mantenham a sua popularidade coloca-se, nas monarquias consolidadas dos nossos, o rei ou rainha à margem da luta partidária, em labores de moderação e representação e não de mando direto, mas, como vimos o 3 de outubro essa norma não se cumpre no Estado espanhol. Isto tem como consequência que não respeitam o seu rol mais distintivo. Mas, a CE de 1978 empiorou-o muito porque lhe encomendou ao rei/rainha nada menos que a chefia da Forças Armadas, num país historicamente tão proclive às assuadas militaristas, a quem os bourbons lhe devem a sua restauração.

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El-rei Juan Carlos, emérito, a falar para o seu filho, Felipe VI, atual rei espanhol.

Mas, poderia dar-se o caso de que uma cousa seja a falta de legitimidade de origem e o que de seu significa uma monarquia, incluso a incorreta regulação do seu status, e outra cousa a legitimidade de exercício, ou seja, o desempenho eficaz e responsável do seu rol por parte das pessoas que encarnam a instituição monárquica. Mas observamos que João Carlos I foi um rei que, segundo alguns meios, amontoou uma imensa soma de dinheiro, próxima aos dous mil milhões de euros em base a comissões polo desempenho do seu rol, e vai te a saber se a algo mais. É uma pessoa que cada vez é assinalado com mais insistência como o impulsor inicial do golpe de estado do 23 F, ainda que durante muito tempo nos insistiram que fora quem salvara Espanha da ditadura golpista. A nível internacional foi o culpável da entrega ignominiosa do Saara ocidental a Marrocos, atraiçoando o povo saarauí. É um empedernido afeiçoado à caça, preferentemente de ursos borrachos e de elefantes, ao tempo que presidia associações animalistas.

A reação dos mídia mais importantes do Estado foi a de confabular-se para silenciar as suas falcatruas, com o resultado colateral de enganar a cidadania, o qual deu como resultado um grave dano à luta contra a corrupção e ao sistema democrático, ao tempo que a popularidade do monarca, em base à mentira e à ocultação, subia como a escuma, mas como não se pode enganar à cidadania de todo um Estado todo o tempo, parte das notícias terminaram por aflorar e fizeram cair em picado a sua popularidade. As pessoas que passavam por exemplares passaram a estar demonizadas. Agora, o CIS já não pergunta por ela, porque é muito baixa, e assim imos tirando. Os que se proclamam representantes da cidadania vêm tendo uma encomenda prioritária que se acrescenta ao seu labor para resolver os problemas dos cidadãos, que é a de sustentar a instituição monárquica, e, por isso aplaudiram entusiasticamente o dia da inauguração da nova legislatura, incluídos os que se declaram republicanos por convicção.

Nos nossos dias a maioria dos deputados e senadores mais que representantes da cidadania parece que são defensores da coroa, incluso tapando presuntivamente a sua corrupção e impedindo que se investigue. Mas eu pergunto-me: esta atitude de defesa a todo transe das ações puníveis da monarquia, não chega já a ser um delito de encobrimento de delito, penado no artigo 451 do Código Penal?

Ramom Varela Punhal

Ramom Varela Punhal

Nascido em Carvalho em 1942. Estudoi Teologia na Universidade Pontifícia de Salamanca, e Liturgia no Instituto Superior de Pastoral, em Madrid; Filosofia na Universidade de Pamplona e Filosofia, Psicologia e Organização do Trabalho na Universidade de Lovaina, Bélgica. Doutor em Filosofia pela Universidade de Santiago. Catedrático de Filosofia reformado.
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