Soidi: o documentário que discute as origens da “fala” do Xálima



Da autoria de Miguelanxo Lar, o Xálima já tem um documentário focado no debate sobre as origens deste dialeto galego-poruguês do cantinho mais norte-ocidental da província de Cáceres. Assente em entrevistas, quer a pessoas quer a investigadores de fora, fundamentalmente galegos, ao longo de umha hora de documentário vão sendo expostas as diferentes posturas quanto à filiação desta fala, que uns relacionam com os dialetos portugueses vizinhos e outros com dialetos medievais galegos exportados por colonos durante a Reconquista. Mas não só: o filme também aborda a situação sociolinguística, o ensino e as perspectivas de futuro da “fala”.

Entre os locais, temos desde especialistas e defensores da “fala” até cargos políticos (que se expressam sempre na “fala”) como Julián Carretero, Domingo Frades, António Corredera, Estela Estévez, Carlos Marquez, Florencio Moreno, Pilar Téllez, Ana Alicia Manso ou Tamara Flores, entre muitos outros. Entre os especialistas convidados estám José Martín Galindo, Xosé Luís Méndez Ferrín, Xosé Henrique Costas, Eduardo Maragoto ou Juan M. Carrasco.

 

SINOPSE DE SOIDI

Soidi é um filme documental do diretor galego Miguelanxo Lar em que se analisa em profundidade a situação, a origem e a perspetiva de futuro da fala do região de Xálima ou Xalma, integrado pelas vilas de Valverde do Fresno, as Elhas e São Martinho de Trevelho, no coração da Serra de Gata, no noroeste da província de Cáceres, na Estremadura espanhola.

A língua (ou fala) da região conhecida por Val do Xálima, se bem que seja de origem galego-portuguesa, suscita uma intensa polémica, pois nem os teóricos nem os habitantes do lugar se conseguem pôr de acordo na hora de concretar essa origem. Nos sessenta e seis minutos de documentário, os entrevistados mantêm opiniões que vão desde que a procedência da língua é portuguesa até galega, e mesmo astur-leonesa, ainda que esta última tenha poucos defensores.

Para além de pesquisar a origem, o filme coloca perguntas como que lugar merece a Fala no ensino ou a cobertura que a administração oferece para a proteger de cara ao futuro num contexto de abertura por parte da Junta da Estremadura para a língua portuguesa nas escolas. Apesar das dificuldades históricas que qualquer língua minoritária atravessa, agravadas pelo isolamento, a “fala” conserva ainda uma muito alta percentagem de falantes se a comparamos com outros lugares onde se falam línguas que se encontram em circunstâncias semelhantes. Daí a importância de discutir sobre um futuro que pode inclinar a balança para a sua sobrevivência e normalização ou para uma importante diminuição de falantes, pressionada por uma língua-teto tão poderosa como o espanhol.

O que Soidi pretende, em definitivo, é dar a conhecer a peculiar situação da “fala” e refletir sobre o futuro dessa língua que, da Galiza, olhamos com muitíssima atenção.


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  • Joám Lopes Facal

    Interessantíssimo.
    Corolário: a resistência das línguas à morte é muito superior ao que alguns agoirentos dam por suposto. Resistência linguística, resistência identitária.

  • https://www.facebook.com/jose.antonio.9231 Jose Antonio

    Onde posso encontrar o documentário? Obrigado!