CARTAS MEXICAS

Sobre O Verdadeiro Comunismo (IV)



“Nós, porém, que já estamos preparados para trilhar a senda da rosa e da cruz, sabemos e compreendemos que a verdade pode ser aprisionada durante muito tempo, que ela pode ser mutilada durante longo tempo, que os servidores da verdade podem ser perseguidos e atacados, mas a verdade um dia se libertará. Quanto mais tempo ela for reprimida e agrilhoada, maiores se tornarão as tensões, e mais poderosamente irromperá o fogo da verdade.”

(J. van Rijckenborgh, em comentário do Nuctemeron, de Apolónio de Tiana)

 

Lincoln e o Czar da Rússia

Durante a guerra de Secessão Norte-Americana, de 1861 a 1865, a Rússia czarista jogou um papel fundamental, na vitoria final da União contra a Confederação. Os britânicos tinham apoiado os Estados do Sul, e o Czar reagiu permitindo o alento suficiente para que Lincoln pudesse ganhar a guerra.

Em 1862, Aleksander Gortchakov, Ministro de Assuntos Exteriores da Rússia, escreve para o secretario da Embaixada Norte-Americana, em São Petersburgo:  “A Rússia deseja, acima de tudo, a manutenção da União Americana como uma nação indivisível”, manifestando a posição imperial com toda firmeza.

Ante a possibilidade de intervenção de França e Inglaterra, em favor da Confederação, o Czar declara, que qualquer tentativa de intromissão de tropas britânicas ou francesas, na guerra Norte-Americana, significaria uma guerra contra Rússia.

Finalmente em setembro de 1863 duas frotas russas, se dirigem a Nova Iorque (no Atlântico) e São Francisco (no Pacífico), para evitar o possível bloqueio da União por parte de britânicos ou franceses. Os russos são recebidos com fervor pelo povo Norte-Americano.

Detrás de todas estas manobras, está o jogo geopolítico e, mais profundamente o confronto entre os banqueiros internacionais, que tentam controlar a economia norte-americana e russa, por meio dum banco central – ao qual se negam tanto Lincoln, como o Czar. Finalmente, em 1913 com a criação da FED (Reserva Federal Americana) e a posta em cena do Gosbank (na Rússia, a 16 de novembro de 1921), dentro da Nova Política Económica, desenhada por Lenin – ambos estados passam a ter um banco central. No caso norte-americano controlado diretamente pelos banqueiros globais.

O Czar Alexandre II tinha abolido a escravidão, em 1861 (dous anos antes que Lincoln). Trás perder a guerra de Crimeia (1853-1856) e tendo problemas em Polónia – apoiada pela França e Grão Bretanha, os russos faziam bom aquele ditado dos “inimigos dos meus inimigos são meus amigos”.

Lenine quebraria essa máxima, quando enviou Trosky a Nova Iorque, para receber ajuda financeira de banqueiros judeus e, também depois, quando permitiu a instalação dos jesuítas em Rússia em 1922. Sendo Jesuítas braço executor do poder Vaticano e pelo tanto inimigo do poder Ortodoxo Russo. A Companhia de Jesus, que durante as guerras contra os Protestantes, se comportou como braço armado do catolicismo. Guerra religiosa, também chamada de guerra dos 30 anos (1618 a 1648), foi a que marcou o fim definitivo do feudalismo, e a chegada imparável da Idade Moderna – com o fim também da doutrina das Indulgencias, virada à compra de chaves para entrar no paraíso. Definitiva virada do ciclo senhorial ao mercantil… Somente em uma ocasião foram aceites os Jesuítas, na Rússia, e foi precisamente quando Roma o suprimiu a Ordem, em 21 de Julho de 1773. Mas de novo foram expulsos da Rússia, quando Roma voltou aceitá-los, em 1814 (ainda que sempre mantiveram sua atividade em Polónia).

Sobre os Jesuítas, John Adams escreveu a Thomas Jefferson, em 1816:

“Muitos deles serão apresentados com mais trajes do que um chefe de boêmios já usou: como impressores, escritores, editores, professores, etc. Se qualquer associação de pessoas têm merecido condenação eterna nesta terra e no inferno, é esta sociedade Loyola. No entanto, por causa do nosso sistema de liberdade religiosa, só podemos oferecer-lhes refúgio”.

Eis aqui outro inimigo comum dos patriotas norte-americanos (brancos mais virados as correntes religiosas protestantes) e do Czar da Rússia.

São ainda muitos os analistas, que acham que o trem pago pelos banqueiros internacionais, que levou Lenine desde Genebra a Rússia, foi organizado Diego Bergen (embaixador alemão no Vaticano, durante a República de Weimar e, posteriormente também com o nazismo). Sendo que este trem, selado e bem equipado, levava a bandeira vaticana – como insígnia (?)

 

Os jesuitas e o Comunismo

Existem diferentes critérios sobre a Companhia de Jesus.

Alguns asseguram, dentro dela movimenta-se uma ala esquerda, que apoiaria Castro, em Cuba; Hugo Chavez em Venezuela (nãos esquecer que os programas sociais deste país, são denominados de Missões). Esta ala esquerda, teria também criado a ideologia latino-americana da “Teologia da Libertação“. Enquanto existiria uma ala direita, que trabalharia a favor a do neoliberalismo. Mesmo trabalharia com supostos patriotas norte-americanos, lembrando aqui, que personagens influentes, da nova virada a direita patriota, anti-globalista no Ocidente, como Steve Bannon, estudou em escolas e universidades jesuítas… Esta ala direita teria apoiado  Woodrow Wilson, e o Coronel Edward Mandel House (duma linhagem defensora dos interesses britânicos nos EEUU), que em 1913, permitiram a criaçao da FED – Reserva Federal, como banco privado, que toma em suas mãos o controle da moeda do gigante emergente.

Uma terceira visão, mais social-democrata, teria apoiado Clinton ou Barack Obama…

Alguns autores citam as Missões jesuitas na América, entre os séculos XVI e XIX, como primeiro ensaio a grande escala de comunismo. “Falso Comunismo” no sentido de centralização da riqueza e a propriedade, num centro, longe da comunidade.

Servindo-se do trabalho dos indígenas, para aumentar a riqueza e poder político da Ordem…

Ante todas estas evidencias, pontos e contrapontos, fica claro esse evoluir holístico da história, onde a uno afeta as parte e as partes interagem afetando ao uno. No caso da Companhia de Jesus, diversas sensibilidades convivem dentro dela, e como todo organismo vivo, vai depender do equilíbrio entre elas, sua viragem a luda mais escuro ou mais de luz. Pois todo é suscetível de transformação, para o bem ou para o mal.

Acrescentar que o mesmo nascimento da companhia de Jesus, depois de Loyola ter a sua revelação no monte de Monserrat, gera polémica desde seu início. Mas realmente jesuíta autêntico deveria significar, ser servidor das doutrinas de Jesus o Cristo, e do despertar da humanidade para consciência Crística – do Eu-Evoluido-Comum e do Verdadeiro Comunismo Espiritual

No entanto ter sido os iniciadores da contra-reforma, aumenta a sua vez, o peso da visão involutiva, sobre a mesma companhia. A falta de democracia interna e transparência da mesma, também são ataques comuns a esta organização, visionada também como uma ordem secreta ao serviço dum Poder Centralizado, por cima dos povos; criado para dominar os mesmos.

A Revolução de Outubro

Alem duma fraca possível conexão com os jesuítas, existem evidências claras de muitos judeus, intelectuais valiosos e mesmo ativistas destacados, trabalhar com firmeza em favor da revolução na Rússia.

Já o Sindicato dos trabalhadores judeus da Europa do Leste (BUND), fundado em 1897, era favorável a revolução proletária, mas  reivindicava o direito judeu à autodeterminação cultural e nacional, dentro da futura União Soviética. Algo ao que Lenine se opunha com mão de ferro.  Para o líder soviético, a autodeterminação cultural e nacional, significava o desmembramento da União e divisão do proletariado…

Mas, a pesar disso, subsiste a suspeita do apoio do Poder Financeiro Internacional aos bolcheviques, tinha a ver com a tentativa de derrubar o Czar, pelo seu domínio sobre o petróleo da Rússia, e sua negativa à criação dum Banco Central. Esse poder banqueiro global também estava muito associado ao Poder Judeu Internacional.

Finalmente esse poder bancário também ia apoiar aos lideres brancos, que tentariam derrubar a URRS. Mas o próprio Trosky, paralisou aquela tentativa, às portas da capital – com a criação do Exército Vermelho.

Assim como também esse mesmo exercito ia invadir Azerbaijão, tomando sua capital Baku (a 28 de abril 1920) para fazer-se com suas imensas reservas petrolíferas; pois segundo Lenine a revolução não sobreviveria sem o domínio daquelas riquezas.

Estas situações históricas favorecem essa ligação, de interesses comuns entre os banqueiros internacionais e a agenda bolchevique. Apesar do poder estatal desenvolvido pelo Partido Comunista, finalmente teria de chocar com o poder Bancário Privado.

O Poder dos Soviets

 A revolução de 1917, teve seu preludio na fracassada revolução 1905 – desta surgiram os famosos conselhos de trabalhadores, soldados e camponeses – em russo soviets (de onde deveria emanar o poder soviético). Aproveitando que o governo provisório de Kerenski, não podia na prática levar adiante a principal revindicação dos soviets “Paz e Terra” (e dizer, saída da I guerra Mundial e reparto das terras); dado o mesmo governo estar apoiado por militares e latifundiários; Lenine formulou a famosa frase “Todo o poder para os soviets”.

Mas na realidade todos os escritos de Lenine, já apontavam em contra desta afirmaçao; pois todo o poder deveria ser efetivado em torno do Partido. O Partido era situado, na visão de Lenine, no objeto e sujeito da tomada de poder. Finalmente, os soviets, seriam aos poucos apagados em aras deste controlo partidário, transformado posteriormente em controlo do Estado. 1918 foram abolidos os soviets de soldados, com o argumento do tratado “Best-Litovsk” exigir a desmobilização do antigo exercito. Os soldados foram integrados em fabricas e unidades agrícolas. Sem o afastamento dos soldados, não houvesse sido possível, diluir o poder destes conselhos.

Os soviets foram atores principais da revolução, sem os quais não houvesse sido possível o trunfo da mesma. Mas era um poder muito incomodo, para o controlo burocrático estatal de partido único, que tinha que ser decepado uma vez triunfado a mesma revolução.

Os soviets, era a forma material, que mas se assemelhava na revolução russa, aquela comunidade fraterna do comunismo primitivo, somente que já esquecidos de o aspeto espiritual inerente do mesmo.

A Comuna de Kronstadt

Na ilha de Kotlin, no golfo da Finlândia, na cidade de Kronstadt – a guarnição imperial da marinha russa, que custodiava aquele ponto estratégico – revelou-se, criando uma comunidade fraterna, que foi foco da atenção de artistas, intelectuais e ativistas, que ate ali se deslocaram para tentar realizar um ensaio de sociedade fraterna.

Em maio de 1917, dirigiram uma tentativa de derrubo do antigo regime em São Petersburgo, mas Lenine negou-lhes o apoio dos bolcheviques. Derrotada a tentativa, retornaram a Kronstadt… Essa mesma noite Lenine, redatou um manifesto, em favor do poder do partido, como único agente diretor, com capacidade de guiar a revolução: a historia estava começando a escrever-se – Os soviets começando a morrer – a fraternidade, substituída pela verticalidade.

Kronstadt, no entanto caminharia em outra direção, mantendo viva a chama da comunidade fraterna. Em 1921 revelar-se-iam contra o poder do partido baixo o lema “Vivam os soviets, abaixo os bolcheviques”. Os revoltados exigiam o fim do monopólio bolchevique sobre a revolução: inclusão de socialistas e anarquistas nos soviets; assim como uma nova focagem na autonomia económica para camponeses e operários. O fim da burocracia estatal, era um fato, de aceitar as reivindicações dos alçados. O poder totalitário agiu como era esperado.

Trosky, que em inicio havia enaltecido a experiência de Kronstadt – seria o encarregue final da sua repressão e morte. Com ela morria o espírito da revolução russa.

Todo o acontecido, a partir dai, a pesar mesmo dos avanços em muitas áreas – e no negativo aquela selvagem repressão stalinista, iria a criar um abismo irreconciliável entre o verdadeiro comunismo espiritual e o novo falso comunismo virado ao material: controlo do Estado sobre o cidadão.

A cidadania passaria de novo a construir, sobre seu esforço titánico, às ordens dum poder totalitário, à gloria dum militarizado proletariado, um novo centro civilizacional – com sede em Moscovo.

O Partido como Sujeito Histórico

Em um estado de guerra – imposição – alta polarização (com o a consciência humana virada na força) era impossível, que a experiência de Kronstadt, pudesse triunfar no nível global. Dai, que os bolcheviques optassem pelo caminho mais rápido: despossuir aos soviets do seu verdadeiro papel. E com este movimento (ao centrar-se no Partido como ator histórico do novo modelo civilizacional) o proletariado perdia sua condição de eixo fundamental e ator predominante. Eis, aqui uma variante com a qual os grandes pais da revolução, não contavam: a consciência, ainda não amadurecida da sociedade, que pudera permitir um Estado de Conselhos – um Poder dos Verdadeiros Soviets – por isso Kronstadt perde e os bolcheviques ganham…

A ideia alterada de queimar o velho, para instaurar o novo – também não contava, com uma consciência elevada, da sociedade mundial – e menos todavia das classes despossuídas russas, para quanto menos mitigar a errada visão de não ser possível a transformação continua, sem guerra. Possibilitando puder, quanto menos, paliar os efeitos da imposição pela força da armas, contra a ração fraterna, duma sociedade comunista vertical e totalitária…

Trosky tentaria modular em parte esta viragem totalitária – quando à morte de Lenine, as manobras de Staline, impedem ao mesmo comandar o processo revolucionário. Assim cria o conceito de revolução permanente (conhecedor da necessária mudança continua – como evolutiva, mas aparentemente desconhecedor da guerra continua como involutiva), assim como ao introduzir o conceito de direito a tendência (que permitia na prática dissentir dentro do partido – mas viçado no instinto social de combate, remataria em dividir o mesmo). De novo um problema irresoluto por falta duma consciência mais elevada, do ser humano dentro da sociedade e, duma sociedade atrassada, influenciando o ser humano.

Proletariado como ameaça para a classe Financeira

Ao retirar o foco motriz do proletariado e centrá-lo no partido, a classe obreira deixa de ser uma ameaça global para poder financeiro. O partido passa ser uma coluna de choque global, desenvolvida através de uma internacional, mas altamente burocratizado – e pelo tanto com maiores pontos débeis, para ser combatido. O Bolchevismo pode ser combatido criando forças em sua contra, como os fascismos ou nazismos, ou combinando estratégias de propaganda, manipulação de massas, criação de espaços mais evoluídos – como o Estado Providencia – na Europa de Pós-guerra… Desse jeito, no longo prazo, o Poder Financeiro Global, está seguro do seu trunfo… E questão de aguardar – E o ansiado troféu chega, em 1989, com a queda do Muro de Berlim (mas sua construção, em 1961, já supoe uma amostra patente de debilidade de modelo bolchevique em face do novo modelo de capitalismo mais social, desenhado para a Europa). Obtido o devido rédito, o Estado Previdência Europeu, começa a ser derrubado – e as dinâmicas mercantis privatizadoras, começam a primar na Europa ate nossos dias, pondo em causa, na atualidade, a própria viabilidade do sistema social (quando a sanidade e educação começaram, devagar, a regir-se por critérios virados ao máximo beneficio economico e não da sociedade).

O proletariado como referente histórico, e motor de cambio social, tinha surgido como necessidade à forçada retirada de mão de obra do campo para a industria; motivada pela revolução industrial de finais do século XVIII.

Em 1833 os trabalhadores ingleses vem-se na necessidade de criar os primeiros sindicatos, ante a impossibilidade de suportar, as condições de semi- escravatura nas que rudamente subsistiam.

Como era de esperar, a revolução social, a estalar de mão do proletariado era sonhada num país altamente industrializado. Marx trabalhou todos seus ensaios, dando por feito, essa hipótese. Mas infeliz ou felizmente a revolução surge na Rússia. A aposta dos banqueiros internacionais pelos bolcheviques, alem de reiterar o poder do petróleo e a moeda ao Czar, criava uma disjuntiva muito interessante: num pais com baixa consciência social, com menor capital humano e menor vararem de auto- organização obreira, seria possível o socialismo? Com menos recursos económicos e menos tecnologia, era mais difícil poder sustentar o modelo no tempo… Lenine evitou seu derrubo momentâneo, retirando ao proletariado da historia e substituindo-o pelo Partido… Mas isso deu uma vantagem enorme ao Sistema Capitalista, pois o inimigo era vencido sem ter de enfrentá-lo na própria casa: no epicentro do sistema financeiro – Londres, Wall Street…

A grande pergunta, que já não obterá resposta: Que houvesse ocorrido, se a revolução em lugar de estalar, num lugar mais atrasado como a Rússia, houvesse estalado no berço do avanço cientifico – tecnológico como, era na altura, a Alemanha? Mesmo em um estado de consciência baixo para desenvolver o verdadeiro comunismo, como poderia organizar-se o proletariado alemão, e sua direção, mais preparados para levar a frente um novo projeto civilizacional? Teriam talvez acelerado a chegada do novo ciclo dos cidadãos, deixando obsoleto o poder Mercantil do Ciclo dos Comerciantes?

Sem dúvida apoiar aos bolcheviques da Rússia, conhecendo como conheciam o programa de Lenine, foi um grande acerto e um grande trunfo do Senhores Financeiros do Ocidente…

No entanto o derrubo precipitado do Muro de Berlim, a queda da URSS, e a tentativa de dividir e dominar Rússia de fins do oitenta e inícios de noventa do século passado; tornar-se-ia uma manobra perigosa (em contra do ciclo mercantil), quando em inícios deste Século XXI a Rússia de Putin, aliada da China do Partido Comunista como sujeito histórico, criem os BRICS… Expandido um novo modelo civilizacional, que agora Ocidente tenta travar e impedir seu auge. Desde a perspetiva de hoje, esta tentativa esteve mal planificada… e está a dar errado para o poder privado ocidental

Mas ainda temos de aguardar pelo desenlaçe… Na próxima entrega falaremos da necessidade de mudança atual.

Porém a Evolução não pode ser travada – Sim modulada

Quanto mais evoluímos (mais nos elevamos a nível interno e externo), mais aumenta nossa Consciência de Eu-Comum- União : Personalidade Amorosa; em batalha contra o Eu-Individual-Divisor (Personalidade Guerreira). Mais diminui assim o Ego Medroso – Separado, Batalhador. Aumenta o sentido, da “Ajuda Mútua” preconizado por Piotr Kropotkin, diminuindo mais o sentido da individualidade: isolamento, luta pela sobrevivência, contra outros seres humanos em disputa pelo mesmo território e recursos. O EU-Batalhador, conquistador, que se impõe sobre nossos irmãos, nosso próximo, vai equilibrando-se e perdendo medo ao diferente… Deixa de ver o diferente como contraditório e, começa a visiona-lo como complementario e, mesmo preciso e precioso, para obter uma perspetiva mais ampla da riqueza do mundo…

Aumenta o Eu- União, o Eu-Pacificador; que permite o fim da concorrência (sinónimo de sociedade mercantilizada), abrindo passo a comum da convivência (sinónimo de sociedade comunista).

Esse Eu Novo vai perdendo o medo ao diferente, atingindo finalmente o grau de evolução espiritual precisa, que permita construir a Verdadeira Comunidade Fraterna -Raiz do Verdadeiro Comunismo… Em ela, o Verdadeiro Liberalismo, sem mercantilismo, tem cabida; pois o Livre Arbítrio, passa ser essencial para desenvolver o livre caminho individual, enriquecedor do comum…

Trabalhando as inércias negativas autodestrutivas, no interior do indivíduo, e no exterior – na sociedade; os seres humanos, de modo gradual, vão evolucionar – devagar ate chegar a essa sociedade do amor e da fraternidade. Somente realizável, quando esse Eu-Individual entronque dentro do mais elevado Eu-Colectivo. Esse famoso retornar a Unidade, o Retorno do Filho Prodigo dos cristãos, a volta do Príncipe ao Palácio do Rei, dos cabalistas…

Sendo aquele despertar individual e coletivo, que permita iniciar o caminho do conhecimento mútuo, dos seres humanos entre si; e da coletividade humana com a natureza…

Caminho da já falada Tripla pacificação: Pacificação interior do ser; Pacificação do ser dentro da sociedade e da natureza e finalmente; Pacificação entre os diferentes povos e ecossistemas…

Da qual todavia estamos muito longe…

Mas com firmeza para isso trabalhamos… Esse trabalho começa no interior: no equilíbrio emocional, que permite o equilíbrio do pensamento. Tal como indica, o 1º dos 12 trabalhos de Hércules…

Sendo este nosso final destino como humanidade – Construção do Ser Universal – Holístico; que ama todo o planeta, pois sabe ele ser parte desta imensa natureza – conectada com todo o universo. Aquele que faz boas as palavras do poeta sufi: “Ate que por fim compreendi que eu estou em todo e, todo está em mim

Como esta evolução não pode ser travada, mas sim modulada – os poderes negros, que tentam manter-se por cima, na pirâmide, dos povos do mundo; tratam de modular os câmbios em seu favor e em seu beneficio privado… Mas por muito que retardem a marcha, a chegada sempre é iminente… Devemos confiar, e tentar criar dinâmicas comunitárias de auto ajuda e elevação mútua espiritual…

Assim vamos avançando pelo caminho certo.

Já o anúncia nosso Hino Galego, que é bem sabido (por aqueles que tem olhos para ver e ouvidos para ouvir) ser um Hino Iniciático, da tradição gnóstica celta priscilianista: “Os tempos são chegados e nossas vaguidades cumprido fim terão”.

Trabalhemos, pois, por esse Novo Dia, que não pode ser travado – Pois o Sol sempre sai, a pesar das trevas da noite…

Artur Alonso Novelhe

Artur Alonso Novelhe

Galego, mas nascido no México, é diplomado pela Escola Pericial de Comércio de Ourense. Exerce como funcionário do Serviço Galego de Saúde do Governo da Galiza. Publicou várias obras de poesia e colabora habitualmente com diferentes publicações, entre as quais o PGL. É sócio da Associaçom Galega da Língua (AGAL) desde os meados dos anos 80 e académico da AGLP.
Artur Alonso Novelhe

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