CARTAS MEXICAS

Sobre O Verdadeiro Comunismo (II)



A Era Racional

A Idade Moderna, a partir da Tomada de Constantinopla em 1453, aparenta definitivamente diluir esse fino anel de aliança entre a velha ciência e a profunda espiritualidade, que se mantêm ainda viva durante toda a Idade Média. No entanto o renascimento acordar o interesse da tradição neoplatónica, com a aquisição da tradução dos textos relativos à mesma, a partir de fontes gregas e árabes; os séculos seguintes aparentam um afastamento progressivo dessa visão mais espiritual.

Porém um olhar mais atencioso, como o do historiador britânico Francis Yates (falecido em 1981), e seu maravilhoso estudo sobre a figura oculta de John Dee, pode virar nosso aparentemente sólido conceito.

John Dee (1527-1608), foi um matemático, astrólogo, geógrafo, cabalista e hermetista neoplatónico, que chegou a ser conselheiro da Rainha Isabel I. Seus escritos influenciariam o devir da ciência na Inglaterra, um século antes de Newton e seu orientador Isaac Barrow, dessem impulso definitivo ao movimento Iluminista e, aquele racionalismo iniciado em inícios do século XVII, pela filosofia de Rene Descartes. Mas Dee, foi muito mais longe, criando os alicerces do futuro Império Britânico e desenhando, o novo centro geográfico material universal, a partires do qual uma nova civilização (hoje talvez já em plena decadência), inicia-se uma nova tónica evolutiva para à humanidade.

Tónica essa, que pela contra ia contrapor ração a espiritualidade, pela simples necessidade de evolução do mental racional humano, fugindo da essência mundana que todavia inundava o conceito religioso, muito perdido já da sua matriz espiritual autentica.

Seu aluno Francis Bancon, seria reconhecido como “Pai da Ciência Moderna” pela sua metodologia científica centrada no empirismo. Mas poucas pessoas suspeitam que Bacon, era membro da Fraternidade Rosacruz, famoso alquimista, e mesmo aquele oculto Mestre, que escreveu realmente  os manifestos rosacruzes de “Fama Fraternitatis” (1614), “Confessio Fraternitatis” (1615) e, a literária ensinança das “Núpcias Alquímicas de Christian Rozenkreuz” (1616).

Por sua vez, Johannes Kepler, ia abrindo os olhos da superstição à ciência com as suas três leis da “mecânica celeste”; bem influenciado pelo matemático Tycho Brahe (ao serviço do imperador Rodolfo II, do Sacro Império Romano-Germânico- é dizer um Hasburgo).

Tanto Kepler como Galileu Galilei, deveram muito da sua reputação, ao auxilio dos jesuítas.

Foram os mesmos jesuítas, com seu amigo Paul Guldin, a cabeça, que custearam a publicarão do Almanaque de Kepler.

Mas o limite fixado pela Santa Sede, fora trespassado pelo teólogo, filósofo e frade dominicano Giordano Bruno – cujas visões espirituais sobre nebulosas, galáxias, super-novas (hoje confirmadas pelo telescópio Hubbel), foram consideradas heresias inadmissíveis, e por elas, condenado à morte. Durante 7 anos encerrado e torturado, os sagazes inquisidores, não conseguirão tirar de seus lábios nenhuma confissão. Dizem, que uma vez escutada a sua sentença a morte na fogueira, Giordano replicou: “Vai tremer mais a vossa mão ao assinar a sentença, que a minha ao cumpri-la”… De onde tiraria Bruno, sua força interior, para manter-se incólume diante da tortura, privação de liberdade e morte, sem cair nas garras da loucura ou demência?

No caso do Rosacruz Newton, este a sua vez, foi nomeado presidente do maçónica “Royal Society” uma instituição, que junto a também maçónica Academia Francesa (fundada por Richelieu em 1635) seriam intencionalmente destinadas, precisamente, à promoção desse novo conhecimento “tão   racionalista”.

Foi deste modo que o conhecimento Heliocêntrico, construído pelo clérigo católico Nicolas Copérnico, seria amplificado pelos estudos de Kepler, Galileu, e estendido desde esse novo eixo cultural ocidental da Inglaterra e da França.

Christopher Flavius, introduziu assim, a matéria de Astronomia nos estudos das escolas jesuítas.

No entanto o mesmo Flavius, pensar que a astronomia de Tolomeu era correta.

A famosa família Contarini, a quem alguns autores atribuem o apoio material para criação da Ordem do vasco Inácio de Loyola, também apoiou a Galileu. Junto a Paolo Sarpi, Galillei, foi defendido, mesmo diante de demandas interpostas, por cientistas coetâneos seus como Galiati ou Sigmund Marius. No caso de Marius, a descoberta definitiva das luas de Júpiter, foram atribuídas a ele, na Conferência Cientifica Internacional de 1900. Mas no seu dia, a forte campanha de desprestigio, instigada por Sarpi, contra Marius fez virar inicialmente o descobrimento em favor de Galileu.

Novo Ciclo Mercantil

Paolo Sarpi, com forte influência na República de Veneza, era também astrónomo, físico e matemático; além de teólogo – confrontado com a visão vaticana, mais reducionista do caminho espiritual.  Defensor da liberdade de mercado veneziana, da separação de poderes Igreja, Estado; seus escritos têm influenciado políticos como Thomas Jefferson.

Mas Paolo, também foi um dos construtores desse poder banqueiro internacional, que tornar-se-á força motriz, por trás do novo impulso civilizacional, que tem formatado o “Imaginário Coletivo Ocidental” até nossa era atual.

O centro do Continente Europeu, idealizado já a finais do século XIV, pelo poder mercantil Lombardo, a Liga de Hansa e o Poder Liberal Francês (que detonará finalmente na revolução de 1789), junto ao Poder Financeiro da City Londrina (estabelecido já em 1694 pelo escocês William Patersonm com a criação do Banco da Inglaterra, como um banco privado, que dirige na realidade a economia do país); fixarão também as periferias da Europa, que ainda regem ate o de agora. Sendo assim Norte, Centro da Europa, e agora EEUU, os grandes centros do Império Ocidental, com o Sul da Europa e da América (a partir do rio Grande ou Bravo do Norte), as respetivas, periferias atuais.

Em aliança com um poder banqueiro judeu, que desde o Medievo, tem sido influência e sinónimo de civilização e poder, sendo os pensadores judeus os portadores do grande conhecimento espiritual da cabala…

O maltrato sofrido por estas comunidades em Castela, praticamente desde o século XIII, ate a definitiva expulsão da Espanha, pelos reis Católicos em 1492, vai ser o que impeça, posteriormente, ao Império espanhol levar a frente seu modelo material de civilização. Mesmo que esse império tenha ocupado o antigo centro geográfico do continente americano (na altura da conquista em decadência) no México azteca, e no Peru dos Incas. Essas civilizações, mesmo em decadência, unidas a um centro geográfico evoluído na Espanha, que nós teriam deparado? Mas a expulsão dos senhores da Cabala, conhecedores da Árvore da Vida e da Árvore da Sabedoria, impediria tal hipotética façanha. Seria, Portugal, quem vai receber milhares de judeus expulsos de Castela no século XV, aquele primeiro poder europeu que teria essa oportunidade. Os judeus em Portugal, junto ao conhecimento dos Cavaleiros Templários (verdadeiros fundadores, através da dinastia borgonhesa, do reino de Portugal), foram fundamentais para a tarefa das Descobertas. A figura singular de Pero de Covilhã, junto ao rabino de Beja, entre outras muitas, assim o testemunham… Mas finalmente D. Manuel I, de Portugal, também expulsa ao judeus, que já rumando a Amesterdão e Inglaterra, converterão Holanda e a Grã Bretanha, nos futuros impérios. Sendo o Britânico o vencedor final da sequência. Precisamente a aliança entre o judeu açoriano Manuel Soeiro, residente em Amesterdão, com Oliver Cronwell (meados do século XVII), inaugura um ciclo de bom entendimento, na Inglaterra, que vai abrolhar com a chegada do primeiro ministro Benjamin Disraeli, na era vitoriana, e a luta de Wiston Churchill, pela criação do Estado de Israel (finalmente conseguida após a II Guerra Mundial)…

A sequência Império Português, Espanhol, Holandês, Francês, Britânico, tentativa Império Alemão, finalmente Império Ocidental – EEUU, comandado pela aliança britânica, lombarda, judia… levou para os britânicos a obtenção do melhor…

Os britânicos, que venceram a França napoleónica e a Alemanha do Kaiser e Hitler, com à ajuda da Rússia e os EEUU… Agora finalizam o ciclo confrontados a mesma Rússia, que serviu de barreira para parar a grande armada napoleónica francesa, e invencível guerra rápida nazista do III Reich…

Será essa mesma Rússia a definitiva muralha de queda do poder anglo-lombardo-judeu deste, agora já, velho Império Ocidental?

Este poder Financeiro Mercantil, que agora remata seu ciclo, já em decadência real, terá de deixar lugar ao novo Ciclo de Poder Cívico. Como anteriormente o Poder Sacerdotal, deixou passo ao ciclo de Poder Senhorial, e este ao Mercantil, ainda agora vigorante, mas já extenuado desde a queda sistémica de 2007-2008 (que afetou ao pulmão financeiro, The Wall Street, no centro geográfico Imperial-material)

 

Novas Formas Politico – Sociais

Do racionalismo do século XVII, com Rene Descartes, Baruch Espinoza, Gettfied Leibniz, que privilegiava a ração em detrimento da experiência sensitiva (deixando de lado a velha tradição espiritualista neoplatónica), passaremos ao século XVIII, com a chegada do Empirismo inglês de John Locke. Para depois ver-nos com Inmanuel Kant, que vai criar uma ponte entre aquele raciocínio dedutivo, e aquele mesmo empirismo de Locke, Hume ou Berkley. Obtendo então a síntese dum certo idealismo transcendental de Kant, onde a experiência concreta do mundo é predeterminada, pelos conceitos (que cada um de nós a priori carrega consigo). Aqui a Tripla ideia do Analítico, Sintético e a conjunção de ambos; não somente vai provocar um avanço fundamental da filosofia cientifica, senão mesmo ira condicionar a ideia da matemático ou física, que se tinha como consagrada ate esse momento.

A famosa lógica de Tese, Antítese: Síntese, volta aproximar-nos da Academia Platónica, abandonada com anterioridade, no racionalismo mais puro.

Em 1794, aconselhado Hölderlin, Hegel começa estudar Kant. Aparecendo os primeiros escritos do idealismo alemão, com apoio de Shelling. Abrindo passo a ideia do homem livre, a ser tomado em consideração, como parte fundamental do funcionamento dum Estado.

Hegel da ainda um passo mais na confluência holística, com seu escrito “A fenomenologia do espírito”, ajudando a ultrapassar a ideia de confronto dual, matéria – espírito, (tão em relevância, ate essa altura) ao aproximar “sujeito cognosciente e cognitivo” da ideia do Absoluto (onde finalmente a verdade se encerra).

 

Influência de Hegel em Marx

A influência que Hegel vai despertar em Marx, e como isso vai modelar seu contraditório relacionamento, será temática a tratar na parte III, deste trabalho.

 

Conceito de Sinarquia

Em esta época também surge, na Europa, a ideia que mais tarde vai ser popularizada no século XIX, por Saint-Yves d´Aleydre, de Sinarquia, em oposição a anarquia. Ideia, que vai ser muito associada a grupos de extrema direita, durante todo o século XX. Mas que tem um interesse crucial e sequencial para o remate desta parte do nosso trabalho.

Em artigo publicado no Portal Sistema Digital, a 31/03/2019, intitulado “Ojo! El Sinarquismo vuelve al ataque”; Alvaro Frutos, dá por feito que o Sistema Sinárquico é aquele, corrupto e corruptor, dominado pelas elites internacionais Corporativas, utilizado para impor uma agenda em seu próprio beneficio…

Associando este pensamento de novo as corretes de direita e extra direita mais beligerantes, que utilizam qualquer via, sem nenhum tipo de escrúpulos, para situar-se no poder e mantê-lo. Lembra o relato de Éric Vuillard, premio Goncourt 2017, de referência “O Ordem do Dia”, onde se descreve a famosa reunião do mandatário nazista Göring com 24 importantes empresários alemães, no qual grandes empresas hoje salientáveis corporações como Agfa, Allianz, Basf, Krupp, Opel, Siemens, Telefunken, etc… Davam seu apoio ao partido de Adolf Hilter, nas eleições legislativas de 1933, em troca de favores em futuros empreendimentos.

Aludindo este momento histórico, como um exemplo extremo do verdadeiro poder, do modelo sinárquico, assumindo-o como totalitário e conservador.

No entanto o termo Sinarquia ser pronunciado por primeira vez, pelo clérigo britânico Thomas Stackhouse (1677-1752), no seu trabalho “Nova História da Bíblia, desde a criação do mundo ate a criação da cristandade”; muitos autores referem o inicio da mesma, a tempos muito remotos. Ou mesmo, posicionam a Sinarquia, como o modelo de governo ideal espiritual, a imitação do modelo que rege nas hierarquias superiores, dos “perfeitos” planos divinos. Outros acham nela não um objetivo em si, senão um caminho a atingir, (quando a evolução humana assim o permitir) que ajudará, a sua vez, a elevar a consciência dos seres humanos, que tenham a graça de viver em esta nova sociedade…

Para o brasileiro Roberto Luciola, a Sinarquia, seria o modelo de governo espiritual autentico a desenvolver-se na face da terra. Segundo sua visão já os Cavaleiros Templários, em 1302, teriam forçado a criação dos Estados Gerais, na França, com o intuito de promover a Sinarquia na Europa. Do abuso dos reis, clérigos e nobres, na falta de pôr em pratica estes mesmos Estados, viria a surgir o descontento secular que dar-ia na revolução francesa. Henrique IV, da Inglaterra, a finais do século XIV, tentaria também impulsar um governo sinárquico, que unifica-se toda a Europa, num projeto espiritualista. Destas ideias a deturpação posterior da União Europeia atual, que ainda não teria compreendido a sua missão como centro mais evoluído do mundo no aspeto político, social e cultural (3º Tabuleiro Geoestratégico)…Perdido o verdadeiro significado da Flor de Lis, na França, e a Inglaterra sempre virada ao mercantilismo, a elite financeira teria, aproveitado a ocasião, para criar um regime parlamentário com centro em Paris, ao tempo que submetia o pais galo aos interesses do poder bancário anglo-saxão no mundo. Finalmente Roberto Luciola, volta de novo associar Sinarquia, à direita católica tradicional europeia, ao deixar entrever que o Governo de Vichy, na França ocupada, teria tentado realizar uma espécie mandato sinárquico, impossibilitado pelo controlo nazista, do norte do país (Roberto Luciola, Fiat Lux nº22)

Segundo a maior parte destes autores, este modelo Sinárquico, parte das Leis implantadas na Índia, pelo celta Ram, transformado em Rama (herói do Ramayana) no ciclo de esplendor da cultura dos vedas. Posteriormente, trás sua decadência, perdido seu esplendor cultural, distorce na injusta divisão das castas, ainda em vigor na atualidade…

Jean SAUNIER , em  “A Sinarquia ou o velho sonho de uma sociedade nova”, volta retomar essa associação de governo espiritual – da justiça, a paz e a sabedoria. Outros autores situam-no em sintonia com o governo dos sábios, herdeiro da Academia de Platão…

Com o tempo esse modelo, aparenta ter recebido influxo de diversas fontes, tanto conservadoras (das quais teria partido a ideia), como progressistas (as quais teriam modelado a ideia original), reformulando o sentido do mesmo conceito. O conceito então navega mais vivo, quando se torna mais inclusivo, recebendo achegas de diversas correntes.

Em amável correspondência eletrónica, a dia 24 de Julho deste ano, meu bom amigo Hélder Ramos (estudoso e conhecedor deste intrigante tema) explica o que, para ele, significa o conceito de Sinarquia:

Eu considero, a mesma, um governo onde haja um estado de consciência de amor – sabedoria. Somente poderá ser implantado, quando todos ou quase todos os seres humanos, estiverem dentro dessa franja evolutiva. O que podemos e devemos trabalhar (a dia de hoje) será para amenizar as diferenças entre as nações e depois entre os próprios seres humanos. Para isso é necessário uma política de educação, em onde os valores máximos em lugar de orientar a procura da obtenção de lucro, a todo custo; orientem a obtenção de saúde e bem-estar para todos. Implica necessariamente que os escritores, cientistas, artistas, académicos e, todo o elenco do saber se encontre disponível para trabalhar por este objetivo… Se colocamos a situação de outra maneira o corpo humano trabalha como uma Sinarquia: todos nossos átomos, moléculas, células, tecidos, órgãos… e energias, que o compõem, trabalham sem descanso, para bem estar da saúde…

Não encontramos desentendimentos na corrente sanguínea, nem o fígado deixa de filtrar até o limite as toxinas, que ingerimos inadequadamente… Ate não termos consciência de que não devemos ingerir matérias que prejudiquem à saúde, vivemos numa anarquia por fora e por dentro

Como observamos na Iª parte deste trabalho, já Pitágoras tinha em mente que a purificação alimentar do corpo era o primeiro passo para a purificação da alma. Assim, segundo nosso amigo Hélder Ramos, este conceito também deve ser aplicado aquele sistema político, filosófico, social, duma comunidade governada por sábios.

Dai na visão de nosso amigo, essa Sinarquia de extrema direita ou aquela associação ao Deep State ou Poder na Sombra, seriam distorções inadequadas deste termo.

 

Tendências Sistémicas – Graus de Consciência

Deste modo poderemos refletir, os diferentes modelos propostos, para uma sociedade melhor, seguindo uma sequência também evolucional, segundo a consciência social, em um determinado momento histórico, dentro duma determinada sociedade, num determinado ecossistema, numa determinada demarcação geográfica, dentro duma determinada cultura ou nível cultural.

Eis pois que tudo parece indicar, que antes de chegar a uma sociedade sinárquica – onde o conceito de luta de extremos e divisão (atual esquerda, direita) perda seu significado; preciso é primeiro (segundo as mesmas palavras de nosso amigo Hélder) rumar ate uma sociedade onde o valor mercantil, seja substituído pelo valor ético ecológico, da procura do bem – estar social e planetário.

Para isso o primeiro degrau, seria caminhar em face da sociedade de Bem-Estar Comum, onde o ser humano dentro o entorno natural, seja, o centro das questões a resolver, por cima do, ate hoje, endeusado Deus Mercado ou Mercado de Valores – Valor Mercantil, por cima do natural e civil.

Isso significa, como já explicamos, a passagem do Ciclo Mercantil – Financeiro, e o trabalho conjunto, para a chegada do Novo Ciclo dos Cidadãos… Valor centrado no Natural – e cívico, por cima do mercantil.

Uma vez experimentado esse patamar do Bem-Estar Comum, Estado Providência, com democracia indireta na governabilidade e indireta na governança social. Longe do falso Parlamentarismo partidário, onde as cúpulas dos partidos são controladas pelo Estado Profundo (na sombra), em beneficio das Corporações Mercantis. Longe da guerra direita – esquerda, com ambos bandos, manejados por interesses, que obtém no seu confronto, rendimento indireto, poderíamos rumar a maiores alternativas evolucionais.

Ultrapassado o primeiro degrau da Sociedade do Bem Estar Ecológica, poderemos caminhar junto do segundo patamar – Sinárquico – que prepararia as consciências, em face dum novo degrau evolutivo, o terceiro patamar – da Sociedade ou Comunidade Espiritualista, do verdadeiro Comunismo – onde cada individuo comunga consigo mesmo, dentro da Comunidade – do comum na unidade… Obtendo finalmente essa fusão, de conceitos, que na pratica de hoje aparentam contraditórios, como socialismo, sinarquia – comunismo, liberalismo… Mas que em um estado de consciência elevado, fora da energia dinâmica – perversa da guerra, que hoje nos domina, não somente são possíveis, senão que suas ideias em essência, foram e são complementarias…

 

A Tríade Evolutiva

Assim de novo vemos refletida, em esta sequencia, a tríade ou trísquel evolutivo – onde a primeira fase de Estado Bem Estar Social – Ecológico, corresponde ainda a um trabalho muito físico, com o objetivo de vencer pouco a pouco as tendências guerreiras e as forças escuras, ainda prevalecentes em nosso interior e em nossa sociedade. Conseguindo a maioria social necessária, para isolar os mais violentos. A segunda etapa já Sinárquica, trabalha mais no aspeto Psico-emocional, vencendo as dinâmicas que impedem elevar-nos a uma consciência mais equilibrada, menos medrosa, mais confiante, mais afirmada no nosso verdadeiro poder interior. Para finalmente evoluir a etapa da Comunidade Espiritualista, a trabalhar o aspeto puramente espiritual….

Essa tríade esta associada, também, a tripla pacificação, da que já temos falado em múltiplos trabalhos e artigos. Sendo a primeira fase do Estado Bem Estar,  a inicial de trabalho do indivíduo de pacificação consigo mesmo, e a sociedade. A segundo a Sinarquica, trabalho principal de indivíduo em sociedade – pacificação com meio ambiente. A final Espiritual de trabalho entre os todos os povos, pela fraternidade universal, pacificação definitiva.

Sendo estas etapas sequenciais, também, são simultâneas, no sentido em que em cada etapa, de algum modo, estamos a trabalhar também as seguintes e as anteriores, conjuntamente….

Em próximas entregas, desenvolveremos melhor estes conceitos… Para todos e todas aspirar à atingir essa paz e liberdade que tanto nosso verdadeiro ser procura.

Artur Alonso Novelhe

Artur Alonso Novelhe

Galego, mas nascido no México, é diplomado pela Escola Pericial de Comércio de Ourense. Exerce como funcionário do Serviço Galego de Saúde do Governo da Galiza. Publicou várias obras de poesia e colabora habitualmente com diferentes publicações, entre as quais o PGL. É sócio da Associaçom Galega da Língua (AGAL) desde os meados dos anos 80 e académico da AGLP.
Artur Alonso Novelhe

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  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Artur, Isso do verdadeiro comunismo, é como o da verdadeira reliogião, não há nenhuma que se afirme falsa…e todas quanto mais verdadeiras eles forem mais intolerantes com a diferença.
    Platon e a sua república já ensonhava o comunismo, e a teologia da libertação olha nos Atos dos Apóstolos uma “igreja” comunista”, e que dizer dos Anabaptistas isso é que era radicalidade.
    Mas como sabes a definição de Marx de comunismo: A cada um segundo as suas necessidades e cada um segundo as suas capacidfades e possibilidades; dela afirmou Sigmund Freud que tal definição é contrária a natureza humana.