AS AULAS DO CINEMA

ROBINDRONATH TAGORE, O GRANDE EDUCADOR DE BENGALA

(Vários documentários)



tagore-foto-classica-1Com o número 79 da série que estou a dedicar a grandes vultos da humanidade, que os escolares dos diferentes níveis devem conhecer, e que iniciei com Sócrates, desta vez escolhi a figura de um grande educador de categoria mundial, e a figura cultural mais importante da história do nosso planeta chamado Robindronath Tagore (1861-1941). Componho curiosamente o presente depoimento no mesmo lugar onde Tagore criou no dia 22 de dezembro de 1901 a primeira Escola Nova do Oriente, com a denominação de Santiniketon, que significa “Morada da Paz”, em que as suas aulas se dão ao ar livre debaixo de lindas árvores. Mais tarde, no dia 24 de dezembro de 1918, vai fazer agora mesmo cem anos, criou a sua Universidade Internacional chamada “Visva-Bharoti”, que significa “Sabedoria Universal”, pondo a andar as suas primeiras faculdades: “Kola-Bhovon” de Belas Artes e “Songuit-Bhovon” de Música, Teatro e Dança. Porém, a abertura formal da sua universidade foi realizada três anos mais tarde, em 24 de dezembro de 1921. Estas duas suas instituições educativas tão importantes (chegou a criar outras em diferentes momentos), foram criadas precisamente na época das festas do Natal. Por isso, nada melhor que dar a lume agora nesta época o depoimento que dedico a Tagore, dentro da série de grandes vultos da humanidade.

AS 7 IMPORTANTES FACETAS DA VIDA DE TAGORE:

tagore-foto-jovemTodos os tagoreanos que existimos no mundo consideramos Tagore como o “Leonardo da Vinci” do século XX. Nascido em Calcutá (hoje de nome oficial Kolkata, e capital do estado indiano de Bengala Ocidental) em 7 de maio de 1861 no paço familiar de Thakurbari, do antigo bairro de Lhorasanko, que hoje alberga um amplo e formoso museu dedicado especialmente a Tagore e a sua família. Robindronath faleceu em Santiniketon a 7 de agosto de 1941 e era trasladado à sua cidade natal, para ser queimado o seu corpo junto ao rio Hugli, afluente do Gangues, onde se conserva um pequeno monumento de lembrança. Sobre a extraordinária figura de Tagore, que eu considero o maior vulto da história da cultura mundial, existem bastantes erros e desconhecimentos fora de Bengala e no Bangladesh. Eu mesmo, antes de viajar pela primeira vez às terras da Bengala indiana, para participar em dezembro de 2001 nos atos do centenário da sua escola nova de Santiniketon, tinha sobre ele algumas apreciações erradas, apesar de lê-lo e estudá-lo desde o ano 1966. O primeiro erro é considerar Tagore como hindu, tal como infelizmente aparece em muitos livros, jornais e enciclopédias destacadas. Porque ademais, quando se fala de um cidadão da Índia, nunca se deve aplicar o adjetivo de hindu, pois pode não professar a religião hinduísta. A família Tagore pertencia à sociorreligião do Brahmo-Somalh, criada pelo Raja Ram Mohun Ray, como uma síntese dos princípios positivos de todas as religiões (cristã, budista, muçulmana, hinduísta, jainista, etc), aos quais se somaram os de igualdade, liberdade e fraternidade da revolução francesa. Para os Brahmo, por exemplo, que defendem a igualdade do homem e a mulher, e a educação de esta, a figura de Deus está acima de todas as divisões e a identificam com a vida. Para eles, Deus é a vida, pelo que quem atenta contra a vida atenta contra Deus. Uma espécie de interessante panteísmo, com grande amor pela vida, a natureza e a paz e a não violência. Porém, com acerto, são contra a idolatria e não aceitam o culto às imagens, ainda que respeitem os que o exercem, sejam da religião que forem. A influência tagore-com-a-sua-esposaem Tagore e no seu amplo labor do pensamento Brahmo foi fundamental ao longo de toda a sua vida.

Por tudo o assinalado, é necessário destacar entre as múltiplas facetas da frutífera vida de Tagore, as sete mais importantes, fazendo-o de forma didática, para melhor conhecimento dos leitores do presente depoimento, que redijo precisamente em Santiniketon, o lugar de Tagore onde agora me encontro:

1. Tagore Literato: Por esta faceta é pela que mais conhecido é em Ocidente. Em muitos casos a sua obra literária obscureceu as suas outras interessantes facetas. Em 1913 recebeu da Academia Sueca o Prémio Nobel de Literatura, competindo curiosamente com Pérez Galdós. Escreveu tanto que ainda hoje, na sua língua materna o Bangla, não estão publicadas as suas obras completas. Em castelhano e em galego-português só se publicaram 20 %, e em inglês 40 %. Escreveu em todos os géneros literários, embora, na Índia é mais apreciado como poeta e quando dizem “Kobi” (palavra que significa “poeta”) todos pensam em Tagore. Em poesia em Ocidente foi muito valorizado pelos seus livros O Jardineiro e A Lua crescente. Em teatro pelas peças O Carteiro do Rei, Malini e Sacrifício. Em romance pelos títulos Gora, A Casa e o Mundo, As quatro vozes e, especialmente O Naufrágio. Os seus contos, dos quais foram publicados bastantes em castelhano e galego-português, e os seus aforismos (Pássaros perdidos e Pirilampos ou Vaga-lumes são os seus livros mais interessantes com as suas lindas frases, dos quais existe uma edição recente em Portugal na editora Assírio & Alvim), são verdadeiramente deliciosos. Também escreveu numerosíssimos artigos sobre todo o tipo de temas, em infinidade de publicações periódicas.

2. Tagore Músico: Tagore é o autor da letra e a música de mais de duas mil e quinhentas canções sobre todo o tipo de temas. Destacam especialmente as suas canções dedicadas ao amor, à natureza, à vida e às estações. É também o autor da letra e a música dos formosos hinos oficiais da Índia, Bangladesh e Sri Lanka. Numerosos intérpretes, masculinos e femininos, nas Bengalas Oriental e Ocidental cantam as suas canções, cujo repertório é denominado como “Robindro-Songuit”, chegando a ser na Índia um género musical autónomo. Tagore chegou a dizer: “Estimo a música mais que os músicos. Eles a relacionam com as notas inanimadas. Eu a relaciono com os sentimentos vitais eternos”.

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3. Tagore Pintor: Nos últimos anos da sua vida dedicou-se muito a pintar. É muito interessante toda a sua obra pictórica, recolhida fundamentalmente nos seus dous volumes de Chitralipi. Ademais de em muitos lugares da Índia, expôs nos EUA, Londres, Paris, Alemanha, Itália e Japão. Devem destacar-se também os seus desenhos e os seus poemas-pictóricos. A sua obra original conserva-se em Deli, Calcutá e Santiniketon.

4. Tagore Jornalista: Robindronath começou já quando jovem o seu labor jornalístico, colaborando nas revistas e jornais que dirigiam o seu pai e os seus irmãos, muitos deles em Bangla. Depois criou e dirigiu ele as suas próprias revistas e colaborou em muitas publicações periódicas de Bengala e Índia. São importantes os seus numerosos artigos na The Modern Review de Calcutá, que dirigia e editava o seu amigo Ramananda Chatterjee, e os da revista Desh em Bangla. Enquanto morou por três meses em Buenos Aires, em 1924, publicou artigos no jornal La Nación, em tradução da sua amiga Victória Ocampo. Seria importante publicar na nossa língua os seus artigos mais interessantes e, especialmente, os educativos.

5. Tagore Reformador Social: Sempre esteve preocupado com o seu povo e se opôs sempre à exploração dos trabalhadores. E no seu dia, em 1905, à partição de Bengala em duas à força pelos britânicos. Onde mais se sensibilizou para identificar-se com os camponeses bengalis foi no seu primeiro trabalho como administrador das propriedades da família em territórios que hoje pertencem a Bangladesh, aproximadamente entre os anos 1881 e 1915. Para eles criou escolas e cooperativas agrárias e em Santiniketon fundou a escola nova em finais de 1901, para os filhos das tribos santales e os camponeses das regiões próximas, e a quinta pedagógica de Sriniketon, em 1922, para ensinar aos agricultores e criadores de gado os adiantos nos cultivos, a agricultura e o cuidado de animais. Um livro básico que recolhe as suas opiniões de tipo social e educativo é aquele intitulado À procura do Homem Universal, com motivo do centenário de seu nascimento. Publicado em vários idiomas (em castelhano por Sagitario de Barcelona, com o título de Hacia el Hombre Universal), infelizmente do mesmo não existe edição na nossa língua, que seria muito importante publicar.

Com estudantes em Moscovo

Com estudantes em Moscovo

6. Tagore Peregrino: Agás, infelizmente, a Espanha, Tagore viajou a infinidade de países da Europa, América, África e Ásia. Fundamentalmente para difundir as suas obras e ideias e para angariar fundos para a sua escola e universidade de Visva-Bharoti em Santiniketon. Existem formosos livros que recolhem as experiências das suas viagens. Em 1921 Juan Ramón Jiménez e a sua esposa Zenóbia Camprubí tinham preparado com todo o cuidado a visita de Tagore a Espanha. Encontrava-se na Suíça e era o mês de abril. Os atos iam ter lugar na Residência de Estudantes da ILE em Madrid. Neles, entre outros, iam participar Garcia Lorca, Buñuel, Dalí, Marañón e, como é lógico, Juan Ramón e Zenóbia. Ademais de Madrid, estava prevista a sua visita a Toledo e à formosa povoação de Moguer. Afinal Tagore, por estar mal assessorado e também por medo a desgostar os britânicos, anulou a viagem prevista e o casal Juan Ramón-Zenóbia, com razão, ficou muito zangado, pelo que deixaram de publicar mais traduções de obras tagoreanas. Se Tagore tivesse vindo ao nosso país, tenho a certeza que hoje teríamos publicado em castelhano toda a obra sua de que existe edição em inglês.tagore-com-einstein

7. Tagore Educador: Para mim é a sua faceta mais central e importante. Diríamos que tudo gira à volta desta sua faceta de pedagogo. Por isso ele considerava que o seu magno centro educativo de Santiniketon era o verdadeiro coração de toda a sua obra social e cultural. Os seus princípios teóricos que pôs em prática nas suas diferentes instituições educativas eram os de beleza, bondade e verdade, junto com a defesa da paz, da natureza, da ecologia, da irmandade e respeito entre todos e da unidade de toda a criação, de gentes, de religiões, de povos e de nações. Na procura da total unidade da cultura de Oriente e da de Ocidente. Entre as instituições que criou para desenvolver estes princípios figuram a escola nova de Santiniketon (1901), a universidade internacional de Visva-Bharoti (1918), a quinta pedagógica de Sriniketon (1922), as escolas infantis de Anondo Patsala e Sontosh Patsala e a escola rural de Siksha-Sotro. Todas funcionam hoje, e a universidade com 14 faculdades, entre as quais destacam a de Belas Artes, a de Música, Teatro e Dança, a de cultura chinesa, a de cultura nipónica, a de idioma Hindi, a de Filologia, a de Ciências, a de Geografia e História, a de Filosofia e a de Educação.

Na Índia Tagore é reconhecido como “Gurudev”, palavra que significa “Mestre de Mestres”.

FICHAS TÉCNICAS DOS DOCUMENTÁRIOS:

1. A Biblioteca Tagore de José Paz (The Library of José Paz).

Realizador: Nilanjan Banerjee (Santiniketon e Ourense, 2014).

Duração: 6 minutos.

2. Rabindranath Tagore.

Realizador: Sotyojit Ray (Índia,1961, 54 min., preto e branco)

Produtora: Ministério da Cultura da Índia (Films Division).

3. Rabindranath Tagore: Uma vida, uma obra (1861-1941).

Produtora: Ministério da Cultura da França (1991). Duração: 84 minutos.

4. A Lua Crescente.

Duração: 59 minutos.

5. Rabindranath Tagore: Cidadão de seu País e do Mundo.

Conferência de Uma Das Gupto. Duração: 34 minutos.

6. Um Tributo a Rabindranath Tagore.

Duração: 20 minutos. Ano 2011.

7. Virasat: Rabindranath Tagore (1 e 2).

Duração: 60 minutos. Ano 2016.

8. Rabindranath Tagore: Vídeos raros.

Duração: 5 minutos. Antigas fotografias e imagens de Tagore.

Realização: Ano 2011.

9. R. Tagore. Prémio Nobel de Literatura de 1913.

Documentário oficial da Academia Sueca. Duração: 3 minutos.

Realização: Ano 2013.

10. Rabindranath Tagore.

Duração: 21 minutos. Produtora: UNED (2013).

FORMOSAS FRASES DE TAGORE:

Auditorio antigo de Santiniketon

Auditorio antigo de Santiniketon

Tomadas dos seus famosos livros de aforismos, resenhamos a seguir uma escolha das lindas frases de Tagore:

Compreendemos mal o mundo e depois dizemos que ele nos dececiona”.

-“Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza”.

-“Se de noite chorares por não poder olhar o sol, as lágrimas não te deixarão ver as estrelas”.

-“Se fechas a porta a todos os erros, a verdade ficará lá fora”.

-“O trabalho só nos cansa se não nos dedicarmos a ele com alegria”.

-“A falta de amor é um grau de imbecilidade, porque o amor é a perfeição da consciência”.

-“Onde o espírito não teme, a fronte não se curva”.

-“O amor é um mistério sem fim, já que não há nada que o explique”.

-“Aos que me são queridos, deixo as cousas pequenas. As grandes são para todos”.

-“Há triunfos que só se obtêm pelo preço da alma, mas a alma é mais preciosa que qualquer triunfo”.

-“Não podes ver o que és. O que vês é a tua sombra”.

-“Nem por crescer em poder chegará o falso a ser verdadeiro”.

-“O maior vai de boa mente com o mais pequeno. O medíocre vai sozinho”.

-“É tão fácil esmagar, em nome da liberdade exterior, a liberdade interior”.

-“Transformai uma árvore em lenha que ela arderá; mas, a partir de então, não dará mais flores, nem frutos”.

-“Os homens são cruéis, mas o homem é bom”.

-“A terra é insultada e oferece as flores como resposta”.

-“Uma verdadeira amizade é como a fosforescência, resplandece melhor quando tudo escureceu”.

-“O bosque seria muito triste se só cantassem os pássaros que cantam melhor”.

-“Carrega de ouro as asas do pássaro e ele nunca mais voará pelo céu”.

-“A verdade dificilmente está do lado de quem mais grita”.

-“Agradeço não ser uma das rodas do poder, mais sim uma das criaturas que são esmagadas por elas”.

-“Uma mente inteiramente lógica é como uma faca completamente cortante. Ela faz sangrar a mão que a usa”.

-“Os meus sonhos são vaga-lumes-pontos de luz viva cintilando na escuridão”.

-“O cãozinho rafeiro suspeita de que toda a gente conspira para lhe roubar o lugar”.

-“Não é tarefa fácil dirigir os homens; empurrá-los, pelo contrário, é muito simples”.

-“Mantém-te a flutuar por todos os meios, porém, se te for impossível, tem o valor de te afundares sem ruído”.

-“Que eu nunca mendigue paz para a minha dor, mas coração forte para dominá-la”.

-“Não temo ao fogo que me adverte com suas chamas, mas livrai-me da brasa moribunda que se esconde sobre as cinzas”.

Há triunfos que só se obtêm pelo preço da alma, mas a alma é mais preciosa que qualquer triunfo”.

-“São as lágrimas que dão à terra o sorriso florido”.

-“Dá-me esse amor que conserva tranquilo o coração, na plenitude da paz”.

-“Adormeci e sonhei que a vida era alegria; despertei e vi que a vida era serviço; servi e vi que o serviço era alegria”.

-“Esconde teu pranto, só mostres ao mar. Pois o teu doce amor, pode um dia voltar!…”.

-“Quanto maiores somos em humildade, tanto mais próximos estamos da grandeza”.

-“O meu poema é a resposta da alma ao apelo do universo”.

-“A vida de um poeta é como uma flauta na qual Deus entoa sempre melodias novas”.

-“Formosura, procura encontrar-te no amor, não na adulação do espelho”.

-“Quando as cordas de minha vida se afinarem, a cada toque Seu soará a música do amor”.

-“Fé é o pássaro que senta a luz e canta quando a madrugada é ainda escura”.

-“A poesia é o eco da melodia do universo no coração dos humanos”.

-“Não há mais do que uma história: a história do homem. Todas as histórias nacionais não são mais do que capítulos de uma maior”.

-“O silêncio saberá proteger-te a voz, como o ninho protege as aves adormecidas”.

-“Para adornar-te, para vestir-te, para fazer-te mais preciosa, o mar dá as suas pérolas, a terra o seu ouro, os jardins as suas flores”.

-“Quando morre uma flor, nasce uma semente; quando uma semente morre nasce uma planta. E a vida continua o seu caminho, mais forte do que a morte”.

-“O que se ocupa demasiado a fazer o bem, não tem tempo para ser bom”.

-“Vivemos no mundo quando o amamos”.

O SISTEMA PEDAGÓGICO DE TAGORE:

Em 2001 publiquei, sob o título de “A Escola Nova de Santiniketon de R. Tagore”, dous amplos artigos, respetivamente na revista Agália (nº 67-68) em galego, e em castelhano na revista corunhesa Padres y Maestros. Para um conhecimento extenso da pedagogia tagoreana remeto para a leitura dos artigos citados. No presente artigo do nosso PGL, pela lógica limitação de espaço, realizo uma síntese dos aspetos mais básicos do modelo educativo de Robindronath Tagore, que levou à prática na escola por ele criada em 1901, ampliada para universidade internacional em 1921 (com a entrada em funcionamento já em dezembro de 1918 de duas faculdades, a de Belas Artes e a de Música, teatro e dança) com o nome de Visva-Bharoti (“Sabedoria Universal”) e na sua quinta pedagógica de Sriniketon (“Morada da Abundância”) fundada em 1922. As três instituições funcionam ainda hoje, mas não, como é lógico, com a autenticidade que tinham em vida de Tagore, durante quarenta anos.

Os princípios básicos em que se baseia o modelo educativo tagoreano são os de bondade, verdade e beleza. Na sua escola levaram-se maravilhosamente à prática, debaixo de árvores centenárias, em aulas ao ar livre. Tagore acreditava no grande valor da educação para formar na generosidade, nos valores éticos de dizer sempre a verdade e nunca mentir e na educação estética, para apreciar aquilo onde existe beleza: a natureza toda, os seres humanos, a música e o canto, a poesia, a imagem e todas as belas artes. Para isto os professores da sua escola tinham de ser alegres e tratar os estudantes com carinho, respeitando a sua personalidade, gostos, ritmo de aprendizagem e criatividade. Educar para a paz e para o apreço ecológico pela natureza e a sua vida eram outros importantes princípios. Junto com o respeito pelos direitos humanos e a defesa do internacionalismo, dentro do lógico apreço pela própria língua e cultura dos estudantes. Neste senso, Tagore também queria que os seus alunos fossem respeitosos com todas as religiões do mundo. Porque, acertadamente, pensava que Deus estava acima de todas as diferenças e parcialidades.

Para levar para a frente este plano pedagógico, Tagore, entre outras estratégias didáticas, organizava na sua escola o ciclo anual das festas populares de Bengala, todo o tipo de atividades artísticas e lúdicas, saídas e excursões, passeios escolares noturnos em noites de lua cheia, representações teatrais, serões, festivais, conta-contos, festa da árvore e aulas ao ar livre, debaixo de árvores, horto escolar e participação em jogos populares diversos.

Nota: Como tenho publicado em vários idiomas diversos depoimentos e artigos amplos dedicados a Tagore, para aqueles que desejarem ampliar os conhecimentos sobre a sua grande figura e as suas múltiplas facetas, coloco a seguir as correspondentes ligações dos mesmos:

1. O prazer de ler Tagore:

   http://www.pglingua.org/component/opinion/index.php?option=com_content&view=article&catid=3&id=4668&Itemid=0

2. Tagore apoiou a nossa Segunda República:

   http://www.pglingua.org/component/opinion/index.php?option=com_content&view=article&catid=3&id=3469&Itemid=0

3. Festas populares na escola de Tagore:

   http://www.pglingua.org/component/opinion/index.php?option=com_content&view=article&catid=3&id=1303&Itemid=0

4. Robindronath Tagore e o Grupo e revista Nós:

  http://www.pglingua.org/component/opinion/index.php?option=com_content&view=article&catid=3&id=5187&Itemid=0

5. Tagore criador da escola nova de Santiniketon:

  https://pgl.gal/tagore-educador-universal-e-sentinela-da-india-criador-da-escola-nova-de-santiniketon-morada-da-paz/

6. Criar nos escolares o prazer por ler com os contos e romances de Tagore levados ao cinema:

  https://pgl.gal/criar-nos-escolares-o-prazer-por-ler-com-os-contos-e-romances-de-tagore-levados-ao-cinema/

7. Uma escola com as suas aulas ao ar livre no filme “A Morada da Paz”:

  http://www.pglingua.org/opiniom/as-aulas-no-cinema/4939-uma-escola-com-as-suas-aulas-ao-ar-livre-no-filme-qa-morada-da-pazq

8. Artigo em Agália:

  https://www.agalia.net/images/recursos/6768.pdf

9. O criador da primeira Escola Nova do Oriente no filme “Rabindranath Tagore”:

  http://www.pglingua.org/opiniom/as-aulas-no-cinema/4622-o-criador-da-primeira-escola-nova-do-oriente-no-filme-qrabindranath-tagoreq

0. Artigo meu em Iacat (em castelhano):

  http://www.iacat.com/revista/recrearte/recrearte03/Tagore/tagore.htm

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

JPAZ na escola rural tagoreana de Siksha Sotro

JPAZ na escola rural tagoreana de Siksha Sotro

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Tagore, a sua obra, as suas ideias, o seu pensamento e as suas propostas educativas e sociais. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.

Podemos organizar no nosso estabelecimento de ensino um Livro-fórum, participando no mesmo todos, estudantes e docentes. Podemos escolher dentre os livros de Tagore, de que existem edições na nossa língua, de poesia A Lua Crescente ou O Jardineiro; romances O Naufrágio ou Gora (publicado em Portugal com o título de Inquietação), a sua autobiografia Memórias (ou Lembranças), ou coletâneas dos seus contos, entre as quais destaca A chave do enigma e outros contos. Recentemente publicou-se em Portugal um livro sob o título de A Asa e a Luz, que recolhe as duas suas obras mais importantes de aforismos, Pássaros perdidos e Vaga-lumes ou Pirilampos, que também podemos escolher para a atividade de Livro-fórum.

Seria também lindo organizar no nosso estabelecimento de ensino a representação teatral, fazendo os nossos escolares de atores, de uma das peças de Tagore, que podiam ser O Carteiro do Rei, ou Malini.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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