ROBERTO BLANCO TORRES, OUTRO DOS NOSSOS MÁRTIRES



Dentro da série iniciada com Sócrates que estou a escrever sobre os grandes vultos da humanidade, que devem conhecer os escolares dos diferentes níveis do ensino, no presente mês de julho estou a dedicar os meus depoimentos da série a quatro destacados republicanos, dous de eles mexicanos e outros dous galegos. A razão é que foi em julho quando se produziu o vil golpe de estado contra o governo legítimo da 2ª República, por parte do fascista Franco e dos seus sequazes, golpe que amanhã vai cumprir os 83 anos. Já dediquei o primeiro e o segundo depoimento desta minissérie às figuras de Lázaro Cárdenas (1895-1970), que foi tão generoso ao acolher no seu país os refugiados republicanos que puderam escapar da barbárie franquista, e entre eles muitos galegos. O segundo foi dedicado ao grande pedagogo do país asteca José Vasconcelos (1881-1959). Os dous seguintes quero dedicá-los a dous importantes republicanos da Galiza: a Roberto Blanco Torres (1891-1936), outro dos nossos mártires, o presente, que faz o número 109 da série geral, e o próximo ao mestre e poeta de Trives, represaliado pelos franquistas, Manuel Luís Acunha (1899-1975).

PEQUENA BIOGRAFIA

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Blanco Torres nasceu em Cúntis a 18 de março de 1891 e faleceu (assassinado pelos fascistas) em São Fiz de GalezEntrimo, a 3 de outubro de 1936. Foi um jornalista e poeta galego. Deu os primeiros passos na poesia dentro das denominadas vanguardas artísticas. A sua obra poética é qualificada pelos críticos como de uma grande beleza e intensidade expressiva. Outra das facetas deste homem de letras é a de jornalista. O seu trabalho nos meios impressos foi muito extenso e variado. A assinatura de Roberto Blanco Torres nas colunas de opinião caraterizou praticamente uma época jornalística. Ademais de ser colaborador assíduo da imprensa galega, dirigiu vários jornais. As suas colunas desprendem o talante combativo que carateriza toda a sua obra. De Cúntis, a sua vila natal, emigrou para Cuba. Comprometido com o seu tempo, evoluiu politicamente desde o agrarismo até o galeguismo. No ano de 1999 foi dedicado à sua figura o Dia das Letras Galegas.

Os seus pais foram Pedro Blanco Iglesias (depois chamado Pedro Blanco de Crespo), sacerdote dispensado, natural de Donramiro-Lalim, e Carmem Torres Fuentes, mestra. Roberto foi o menor de nove irmãos. Seu pai deu-lhe uma sólida cultura clássica. Seguindo os passos dos seus irmãos mais velhos Segismundo e Nuno, após a morte de seus pais, em 1906 emigrou para Cuba. Ali começou a colaborar na imprensa da comunidade galega, para o qual empregou o pseudónimo de Fray Roblanto. O trato com Antom Vilar Ponte e Ramom Cabanilhas foram decisivos para a sua trajetória ideológica. Publicou dous poemas de amor em galego (“Dous tolinhos” e “O amor”) e um artigo (“¡Intolerável!”) no semanário Folhas Novas da cidade de Havana em setembro de 1907. Também colaborou com Santos e Meigas, Suévia e Galícia. Durante esses anos entrou em contacto, também, com Waldo A. Ínsua, Virgílio Blanco e o mestre Chané. Em 1910 apareceu o seu primeiro artigo na imprensa galega, na revista Vida Gallega. No mês de dezembro de 1911 dirigiu a revista bilíngue La Alborada, colaborou em La Región Gallega (1913) e desde abril de 1915 dirigiu La Tierra Gallega, desde a qual atacou alguns dos administradores do Centro Galego de Havana, ao tempo que colaborava na imprensa cubana, em especial no Diario de la Marina e El Comercio. Além disso, enviou artigos desde Havana a outras publicações americanas (à argentina Suévia, por exemplo) e da Península (Vida Gallega, La Publicidad e La Tribuna).

Blanco Torres na Assembleia Nacionalista de Monforte, em 1922.

Blanco Torres na Assembleia Nacionalista de Monforte, em 1922.

Em finais de 1916 regressou à Galiza, onde conheceu o cura José Toubes Pego, um dos fundadores de El Ideal Gallego. Estabeleceu-se na Corunha. Participou nas Irmandades da Fala e no ínicio de abril de 1917 publicou o seu primeiro artigo em A Nosa Terra. Participou na Iª Assembleia Nacionalista celebrada em Lugo em dezembro de 1918. Em outubro de 1920 fez-se cargo da direção de El Correo Gallego de Ferrol, da qual cessou em abril de 1921, e passou a dirigir La Zarpa de Ourense até 1923, quando foi redator chefe de Galícia, Diário de Vigo. Em 1926 casou com Júlia Sánchez Nóvoa e durante uns meses de 1927 foi o redator chefe de El Pueblo Gallego. Dirigiu também El Progresso de Ponte Vedra. Em 1929 a Editorial Nós publicou-lhe o livro Orvalho de meia-noite, uma coletânea de 31 poemas, em que mostra o conhecimento dos recursos da poesia vanguardista e futurista, e em 1930 saiu do prelo a sua obra De esto y de lo outro, uma escolma de 38 artigos jornalísticos. Participou na criação da Associação de Escritores Galegos (1930). Foi membro ademais do comité executivo da Federação Republicana Galega, e em março de 1931 assumiu a direção do jornal La República de Ourense. Neste momento começou a desiludir-se com a atuação do seu grupo político na consecução da autonomia para Galiza, ainda assim aceitou o cargo de governador civil de Palência, que exerceu de 29 de dezembro de 1931 a 16 de junho de 1932. Em fevereiro de 1933 fez-se cargo da direção de El Noroeste. Em 1935 dirigiu El País de Ponte Vedra, e desde maio de 1936 foi o chefe do gabinete de imprensa do Ministério da Governação, e participou ativamente na campanha para a aprovação do Estatuto de Autonomia para Galiza.

Ademais de todas as publicações citadas, textos da sua autoria foram reproduzidos por La Temporada em Mondariz, Hebe (Ponte Vedra), Nério (Corcubióm), Arazua (Montevideu), Boletim de la Unión Hispanoamericana Pro-Vale Minhor (Buenos Aires), Céltiga (B. Aires), Revista do Centro Galego de Montevideu, La Voz del Agro de Chantada, Galícia (outra revista do Centro Galego de Montevideu-Uruguai), Galícia do Centro Galego de B. Aires, A Fouce de B. Aires, Nuevo Heraldo da Guarda, Nós de Ourense, Galícia Industrial e Comercial da Corunha, Heraldo de Galícia de Ourense, Raza Celta (Órgão do Comité Autonomista Galego de Montevideu) ou Cultura Galega de Havana, entre outras.

O golpe fascista de Franco e os seus sequazes, de 18 de julho do 36, surpreendeu Blanco Torres na aldeia de Amido, no concelho ourensano da Peroja, na casa familiar da sua mulher. Detido em setembro foi levado à prisão de Ourense, e em 3 de outubro de 1936 foi “passeado” pelos falangistas que o assassinaram no concelho de Entrimo. Por ordem judicial, foi soterrado numa vala comum da igreja paroquial de S. Fiz de Galez no concelho de Entrimo.

Para conhecer mais dados da sua biografia é interessante consultar as monografias que vários autores dedicaram ao nosso mártir, das quais apresentamos uma pequena listagem: a de M. Seixo Pastor (A Nosa Terra, 1998), de Clódio G. Pérez (Toxosoutos, 1998), Fotobiografia por J. L. Blanco Valdés e Fco. Fdez del Riego (Xerais de Vigo, 1999), Bibliografia por Blanco Valdés (Compostela, 1999), a de J. Durán Pérez (Galáxia de Vigo, 1999), a de J. Domínguez Alberte (Laiovento, 1999) e a de A. Rguez Guerra sobre a sua correspondência inédita (Univ. de Salamanca, 2008).

 

FICHAS TÉCNICAS DOS DOCUMENTÁRIOS

  1. Biografia de Roberto Blanco Torres.

     Duração: 2 minutos. Ano 1999.

     Ver em: https://pasouoquepasou.crtvg.gal/content/biografia-de-roberto-blanco-torres

  1. Um passeio por Cúntis pelos recunchos do escritor R. B. Torres.

     Duração: 3 minutos. Ano: 2018.

     Ver em: https://axendacultural.aelg.gal/2018/09/04/un-paseo-por-cuntis-polos-recunchos-do-escritor-roberto-blanco-torres/

  1. A repressão franquista na Galiza.

     Duração: 2 minutos. Ano 2016.

     

  1. A memória recobrada. Galiza, a tempestade do 36.

     Duração: 53 minutos. Ano 2012.

     

DEFENSOR DO REINTEGRACIONISMO LINGUÍSTICO

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São poucos os galegos e galegas que sabem que Blanco Torres, junto com Biqueira, Dieste, Castelão, Vilar Ponte, Bouça Brei, Guerra da Cal, Murguia, Marinhas del Valhe, Risco, Filgueira, Manuel Maria (estes três em alguma etapa de suas vidas), Paz Andrade, Isaac Diaz Pardo e Carvalho Calero (a quem, por fim e por sorte, vão ser-lhe dedicadas as “Letras Galegas” no próximo ano), foi um grande defensor do reintegracionismo linguístico, tendo claro que galego e português eram o mesmo idioma, pertencendo ambos ao mesmo tronco linguístico. No seu livro escrito e publicado em 1930 De isto e do outro, aparece um seu formoso depoimento sob o título de A Unificação Ortográfica do Idioma Galego, que merece muito a pena reproduzir agora a seguir:

“Com motivo dum recente livro meu de poesias galegas, reiniciou-se entre a juventude intelectual a preocupação pela unidade ortográfica da língua vernácula. O tema é importante, e com razão preocupa os que lamentam a anarquia reinante nas regras ortográficas do nosso idioma. O atual renascimento literário da Galiza exige, com efeito, que esta questão se resolva definitivamente à luz da lógica e da verdade linguística.

Quem são os chamados à resolvê-la? Não é o povo como alguns acreditam generalizando certas opiniões predominantes acerca das vicissitudes da linguagem. São os capacitados, os doutos, os que hão de acometer e realizar este labor. O povo conserva, fixa e dá assento à corrente idiomática; porém, não a cria, e menos a depura, sobretudo em idiomas que padeceram crise de desenvolvimento e sofreram anquilosamento sob a preponderância de outros. Neste caso está o idioma galego.

Existem duas correntes nas normas ortográficas da nossa língua vernácula: uma a fonética, a rotineira, influída pelo predomínio do castelhano, e outra a que parte do seu mesmo génio originário, das suas fontes prístinas, a etimologia como atributo lógico e essencial dos dialetos do latim. A ortografia etimológica é a que eu usei no meu livro, porque é a ortografia natural da língua galega, e não se compreende como ainda exista nisto não só dúvidas e vacilações, senão pareceres adversos, fundados na rotina e na lei do menor esforço, sem base científica alguma. É lamentável que a estas alturas seja ainda isto um problema, não por que manifestamente se produzam opiniões encontradas, senão porque o costume fez-se lei e a ela se aferram os que não sentem inquietações de estética literária mais além do trilhado caminho que encontraram aberto e de grossa corrente pela que se deixam conduzir sem esforço.

O problema principal da unificação da ortografia galega é o emprego adequado do “j” (jota) e do “x” (xis) e a sua correspondência fonética. Na maioria dos nossos autores está proscrito o “j” ortográfico, substituído pelo “x”, porque não existindo o “j” fonético como no castelhano, a resolvem pelo uso do “x” na sua natural pronúncia, sem ter em conta, como no resto dos romances latinos, que o valor fonético do “j” ortográfico não é o mesmo do castelhano, senão o do “x” galego aproximadamente, agás a variante do italiano, que conserva a fonética pura do latim. Agora bem, como rotina entronizou-se, favorecida pela ignorância, uma imensa maioria de gentes ao ler o galego pronunciam o “j” como em castelhano e como este não existe foneticamente na nossa língua, fazem uma grande confusão e destroçam lastimosamente o idioma, sem entender eles mesmos a ingerência daquelas letras – o “j” e com ele naturalmente, o “g” forte -, que mesmo lhes parece uma incorporação exótica, uma desvirtuação da pureza do idioma, quando na realidade o impuro e o que não tem senso do ponto de vista filológico e estético é o emprego sistemático do “x”, a proscrição absoluta do “j” e do “g”.

A imperfeição da nossa língua, se alguma tem, reside no alonjamento da evolução que outros idiomas afins seguiram, como por exemplo, o português, que extravasa a afinidade com o galego para ser um só idioma. Um só idioma, com efeito – o português mais cultivado e portanto melhor logrado – com a circunstância da primogenitude do galego como língua procedente da latina ao prolificar-se esta em diversos dialetos – e dialetos aqui são a francesa e a italiana e a castelhana – língua que se falava na Galiza no século V, e que, por conseguinte, passou a Portugal, por compreender aquele reino boa parte do território português, segundo o “Cronicão” de Idácio. “Na união dos dous reinos no governo suevo Galiza – diz o Padre Feijó – era a nação dominante, e portanto, a que levou a Portugal a sua língua, porque nunca a província dominante a toma da dominada, senão ao contrário”. “Dentro de Espanha – segue o Padre Feijó – parece a castelhanos e andaluzes humilde e plebeia a articulação do “j” e do “g” de portugueses e galegos. Mas os franceses, que pronunciam do mesmo modo essas letras, escuitam com horror a articulação castelhana que resultou nestes reinos de hospedagem dos africanos”. O que prova, se não o provara terminantemente a razão etimológica, que antigamente se pronunciavam o “j” e o “g” galegos como “x” e não se conhecia a substituição arbitrária pelo impecável uso atual do “x” ortográfico.

Tratamos então os partidários da ortografia etimológica – e não há outro partido racionalmente possível – de proscrever o “x”, empregando indistintamente no seu lugar o “j” com a pronúncia que corresponde num romance latino, sem a estranha ingerência do “j” africano? Não por certo. O “x” ortográfico não pode ser desterrado precisamente de uma língua de fonte românica. E aqui é onde, para a unificação e devido assento ortográfico do idioma galego, hão de intervir os escritores doutos, os capacitados filologicamente para esta tarefa. Não há de ser obra simplesmente do desejo e da vontade, muito excelentes em tantas outras cousas; porém, inúteis em mesteres que reclamam a intervenção da aptitude e do saber.

Seria um disparate escrever “ejemplo”, “ejército”, “légico”, etc., etc., no lugar de “exemplo”, “exército”, “léxico”. Naturalmente esta empresa de fixação dum cânone ortográfico de acordo com as leis etimológicas não há de realizá-la nem sequer acometê-la o vulgo; não é tampouco tarefa para os mesmos literatos que careçam dos indispensáveis conhecimentos linguísticos. A norma hão de impô-la e socializá-la, como ocorreu neste e outros aspetos em todas as literaturas cultas, os autores preparados para isso, os escritores disertos, os doutos. E a longo prazo esta norma há ser a do povo, e a unidade ortográfica ficará feita de forma definitiva”.

Depois de ler tão lindo depoimento escrito e publicado em 1930, ficamos assombrados de que depois de que passassem quase noventa anos, continuemos na Nossa Terra, por imposição infame, utilizando no campo do oficial a alternativa fonética castelhanista e não a etimológica para o nosso idioma. O texto de Blanco Torres mesmo é hoje revolucionário, e a sua tese só seguida pelos que defendemos o reintegracionismo e a lusofonia desde há bastantes anos, dentro das entidades como a AGAL, ASPGP, AGLP e Fundação Meendinho, sem quase nenhum apoio oficial.

DEPOIMENTO DO JORNALISTA ANTÓNIO PINHEIRO

Sob o título de “Foi na corga da Videira”, o jornalista de Cela Nova António Pinheiro publicou na revista Raigame (nº 8 de maio de 1999) um formoso artigo dedicado a Blanco Torres. Do mesmo tenho por bem reproduzir alguns interessantes treitos.

“E no saco das tragédias entram por igual os derradeiros dias de Roberto Blanco Torres, esse jornalista íntegro e veraz a quem aprendemos a conhecer 63 anos depois, por obra e graça do Dia das Letras Galegas. Uns derradeiros dias que agora trataremos de fazer reviver em letra impressa, porque o resto da biografia é conhecida já. Segundo lembra, com nidieza meridiana ainda, o advogado estradense, Mário Blanco Fuentes, sobrinho do jornalista – que daquela contava já com 18 anos – os derradeiros dias de Blanco Torres ficaram cravados para sempre na província de Ourense porque depois de ter sido nomeado chefe do gabinete de imprensa do Ministério de Governação da República, dias antes do infausto 18 de julho, deslocou-se até a Peroja para recolher a sua família e levá-la com ele a Madrid.

Ao comprovar a agonia do regime republicano e a chegada do balbordo falangista decide aguardar acontecimentos na Peroja, acreditando possivelmente que aquela ruralidade das terras altas sobre o Minho iam permitir-lhe um anonimato que finalmente não foi tal, já que logo, a injustiça esfameada não tardou muito em dar com ele e trasladá-lo ao cárcere de Ourense para fazê-lo penar, não só pela sua ativa militância no galeguismo republicano, senão também pelo compromisso social que o levara a dizer verdades como punhos em muitos jornais galegos, especialmente na Zarpa de Basílio Álvarez.

 O octogenário advogado estradense lembra que um vizinho da Peroja que andava a guardar as portas do penal ourensano para poder dar com um familiar que também tinha ali, olhou-o sair em liberdade uma manhã, possivelmente do dia um de outubro, reparando como imediatamente foi recolhido por um carro com falangistas que o levou até Cela Nova, metendo-o aquela noite no cárcere do mosteiro, onde diz que lhe roubaram todo o dinheiro que levava e que ao parecer não era pouco.

E aqui foi já onde Roberto Blanco Torres, como os centos de milheiros de encadeados de tal jeito, se fez candidato a ser protagonista da trágica anedota dos gravanços, mentres os repressores jantavam – à sua conta seica – num restaurante da vila. E digo que pôde ser um candidato a essa tragédia porque aquela mesma noite do dia 1 para o dia 2 de outubro, Blanco Torres já não a passou inteira no cenóbio celanovês. 

Um camião com anónimos verdugos colheu-o a ele e a outros três e no canto de subir às costas do Furriolo, como era normal naqueles dias, enfiou o morro cara o sul e trasladou-nos até a Corga da Videira, no concelho de Entrimo, que permanece ainda hoje viva na memória dos mais velhos de Galez como o lugar “onde apareceram os três mortos”. Assim o lembra Luís, um vizinho de Olim que contava 18 anos daquela e que por ordem do pedâneo viu-se na obriga de ir velar os corpos aquela mesma noite, até que os trasladaram ao cemitério de São Félix de Galez onde foram soterrados”.

O excelente depoimento, que não tem desperdício, continua contando-nos tudo o que posteriormente aconteceu. Pode ser consultado pela internet ou na revista Raigame.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Roberto Blanco Torres, que foi um republicano galego exemplar, um excelente jornalista e também poeta e escritor, integrando a ampla lista de mártires galegos assassinados pelos fascistas em 1936. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.

Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino um Livro-Fórum, em que participem estudantes e professores. Podemos escolher um dos livros de Blanco Torres, entre Orvalho da meia-noite, publicado por Nós em 1929, com outra edição pelo concelho de Cúntis em 1998, e De esto y de lo otro (De isto e do outro), editado na Corunha em 1930, e por Galáxia de Vigo em 1999. Outra alternativa poderia ser a organização de um amplo debate-papo, com participação de docentes e estudantes, e, se houvesse hipótese, com algumas pessoas da comunidade que conhecessem algo sobre os mártires da repressão franquista na Galiza. O tema seria precisamente este, e o dos numerosos assassinatos que tiveram lugar na Nossa Terra desde o mesmo dia do golpe de estado fascista de Franco iniciado em 18 de julho do 36, faz agora mesmo 83 anos.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Muito bom trabalho
    Abanhos