A Barca do Ribeirão

‘Poemas do fim da Terra’ em pdf



No dia 19 de dezembro de 2017, o PGL publicou uma resenha sobre um livro de poesia em português, intitulado Poemas do Fim da Terra, publicado pola editora Edições da Terra.

O livro tem como autor a pessoa que escreve este artigo, e está disponível em Amazon.es em papel, a partir do dia 29 de novembro do ano passado.

Esta breve resenha também incluía uma seleção de dez poemas, e a ligação onde poder encomendar o livro. Hoje quero partilhar o livro em formato PDF com os leitores do PGL. Deste jeito, o poemário torna-se também disponível na Internet para o público reintegracionista.

Quem estiver interessado nele, pode efetuar a sua descarga. Estes são os primeiros passos de um longo trabalho de divulgação: apresentações, recitais…

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Reproduzo a seguir o começo do prólogo do livro, como convite à leitura das suas páginas.

PRÓLOGO

I

Este livro nasceu na primavera de 2015, a primeira vez que visitei a vila de Fisterra, e foi publicado graças à colaboração e ao voluntarismo das Edições da Terra. Antes de mais, quero agradecer a este coletivo polo esforço empregue na publicação deste poemário, um trabalho altruísta e sem qualquer benefício económico. Muito obrigado e uma grande aperta para eles, nomeadamente para o Joám Evans, sempre lembrarei a sua grande generosidade.

Foi nesse lugar mágico da Costa da Morte, no silêncio da terra e do mar, uma noite de insónia. A maré começou a ditar-me o primeiro poema, Praia Langosteira. Perto dessa formosa praia eu tentava dormir, mas o rumor lene das ondas voltava, o apelo teimoso, a doce voz do Oceano na noite parecia balbuciar estranhas palavras. Como o canto das sereias que fascinou Ulisses, escutava hipnótico a melodia da água, obrigado a descobrir o significado oculto daquela música cativadora.

As vagas por fim falaram, após alouminhar o corpo da areia em cada húmida aperta, comecei a perceber a linguagem da espuma e das ondas. O Oceano cantava uma cantiga sem partitura, eram notas selvagens e livres, sem linhas de pentagrama, sílabas de um poema misterioso, onde todas regressavam a um  centro único, a uma única ideia, a um único sentimento. As sereias de Ulisses tinham como alvo reter para sempre o herói grego, era um canto de amor doido o que manava das suas gorjas.

Aquele canto do Oceano também era um canto de amor, mas não o amor escravo do poema de Homero, aquele amor era de liberdade, abraço sem feitiço, amor livre e consciente, faca que corta os nós de todas as cordas. Agora compreendia que aquela voz do Atlântico era a voz genuína da liberdade, da saudade, não apenas a voz de um pequeno mar, senão a imensa voz do grande Oceano, onde a terra se acaba, como dizia Camões.

A partir daquele dia comecei a compreender melhor do que nunca que a Galiza inteira era Fisterra, o Fim da Terra. Nesse intre nasceu o título do livro, Poemas do Fim da Terra, como um íman em que foram prendendo os seus versos. O País tornou-se o fio condutor do poemário, através das suas cinco partes: Paisagens, Numa pátria certa chamada Chantada, Voltando a Compostela, Cantigas dos Carreiros Livres, e Dias e Noites no Fim da Terra. E eu comecei a recuperar a confiança nele. Abandonei o veneno do pessimismo, e comecei a tirar a vergonha de pensar que tudo estava  já perdido, que a desaparição e a perda da nossa cultura era um processo histórico inevitável. Se calhar ainda havia uma batalha em que lutar, e a poesia podia ser uma arma poderosa. (…)

 

Descarrega o PDF completo: poemas-do-fim-da-terra-29-novembro

Manuel Meixide Fernandes

Manuel Meixide Fernandes

Depois de nascer em Chantada e passar alguns anos pela Península adiante, nomeadamente em Euskadi, onde chega a estudar a metade do primeiro ano do antigo E.G.B., com sete anos volta definitivamente para morar na Galiza, na sua comarca natal. Lá estudará o resto do ensino primário e secundário, para finalmente obter em Compostela a Licenciatura em Filosofia e Ciências da Educação. Um ano antes começa a estudar o curso de Tradução e Interpretação na cidade de Vigo. Tem colaborado na década de noventa na revista chantadina Além-Parte, publicando nela diversos contos. Foi co-fundador da infelizmente dissolvida Associação Cultural Rodrigues Lapa, nascida na vila do Asma no ano 2007. A partir do ano 2001 dá aulas de francês no secundário, morando na vila da Estrada desde o ano 2011.
Manuel Meixide Fernandes

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  • abanhos

    Muito obrigado.
    Ainda que penses que é engano, vá vender mais assim

    • Manuel Meixide Fernandes

      Antes de mais, muito obrigado ao PGL por me dar a oportunidade de partilhar o meu livro. Muito carto não vou tirar porque é uma edição não comercial. Nem o autor nem o editor imos ganhar um peso. Mas tens razão que pode haver mais encomendas em papel do livro, caso o pessoal gostar. Ou não, se calhar a gente o que quer é poupar…agora que já tem o pdf : ) . Para mim o importante é difundir o livro como cultura do País em português, quer dizer, difundir a sua dignidade e liberdade. Aliás, acho que a poesia pode ser uma boa maneira de mexer com as consciências, de transformar a realidade. Por isso o melhor jeito sempre de divulgar um livro de poesia é recitar os seus
      poemas, mal ou bem, mas que essas verdades se encarnem na voz e se
      espalhem pelo ar. Recuperar o poder da palavra, da nossa, é recuperar o País. Oxalá este livro possa contribuir a essa recuperação coletiva, porque afinal as palavras são sempre de todos.
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