AS AULAS NO CINEMA

PEPETELA, O GRANDE ROMANCISTA DE ANGOLA



Dentro da série que estou a dedicar às mais importantes personalidades da Lusofonia, onde a nossa língua internacional tem uma presença destacada, e, por sorte, está presente em mais de doze países, sendo oficial em oito, dedico o presente depoimento, que faz o número 121 da série geral, ao escritor de Angola Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, conhecido com o pseudónimo de “Pepetela”, que destacou muito especialmente como um grande romancista, e que nasceu em 1941. Com este depoimento completo o número nove da série lusófona.

PEQUENOS DADOS BIOGRÁFICOS

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A brasileira Ana Lúcia Santana publicou no seu dia uma interessante biografia do escritor Pepetela, que resenhamos a seguir:

Um dos maiores nomes da literatura angolana, Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos, mais conhecido como Pepetela, nasceu a dia 29 de outubro de 1941 em Angola, na região litorânea de Benguela. A sua família tinha raízes fincadas entre os colonos deste país da África, porém seus pais já eram angolanos de nascimento. Pepetela realiza os seus primeiros estudos, o Primário e parte do Secundário, na sua terra natal, onde permaneceu até 1956. Logo depois partiu para Lubango, pois só aí teve a possibilidade de completar seus estudos, no Liceu Diogo Cão, seguindo posteriormente para Lisboa, com o objetivo de cursar o Instituto Superior Técnico.

Na capital portuguesa ele também integrou a Casa dos Estudantes do Império, principiando desta forma sua trajetória política e literária. Entre outras atividades, ele se torna um dos criadores do Centro de Estudos Angolanos, o qual integra enquanto representante do MPLA. Em 1960 o futuro escritor entrou na Faculdade de Engenharia, mas logo em seguida optou por Letras, para depois de um ano decidir-se pela carreira política, ingressando, em 1963, no MPLA, Movimento Popular para a Libertação de Angola. Esta escolha subverteria completamente seu futuro, pois as experiências conquistadas no testemunho direto da história angolana inspirariam sua obra e sua própria trajetória existencial.

Durante algum tempo Pepetela é obrigado a buscar abrigo na França e na Argélia. Mas após a tão desejada libertação de Angola, o romancista retorna, em 1975, para seu país, assumindo o cargo de Vice-Ministro da Educação, sob a liderança do Presidente Agostinho Neto. Ele acaba se licenciando em Sociologia na Universidade de Argel, o que lhe permite, após a deserção do caminho político, optar pela docência na Faculdade de Arquitetura de Luanda. A partir de então ele passa a ministrar aulas e, ao mesmo tempo, a desenvolver sua carreira literária, a qual somente ganha impulso depois da Independência.
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Boa parte de sua obra só foi lançada depois de seu retorno do exílio. Entre seus livros mais importantes estão Muana puó (1978), As aventuras de Ngunga (1979), Mayombe (1980), A geração da utopia (1992), Parábola do cágado velho (1996), A gloriosa família (1997). O conteúdo deles gira especialmente em torno da história de seu país, tanto a mais distante, quanto a recente trajetória social e política.

Pepetela atinge o auge de sua carreira literária em 1997, quando conquista o Prêmio Camões, um dos mais renomados e desejados pelos escritores que professam a língua portuguesa, pela totalidade de sua produção. Antes disso, porém, já recebera o Prémio Nacional de Literatura de Angola pela obra Mayombe. Este reconhecimento o consagra como um nome significativo da literatura contemporânea do idioma português. O autor africano permanece até hoje em Lisboa. Em seu currículo constam também lideranças importantes na esfera cultural, principalmente na União dos Escritores Angolanos e na Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS

  1. Pepetela escritor Angolano.

     Duração: 5 minutos. Ano 2010.

     

     2. Entrevista livre a Pepetela.

     Duração: 10 minutos. Ano 2017.

     

    3. Pepetela: O tímido e as mulheres, a liberdade de expressão em Angola.

     Duração: 5 minutos. Ano 2014.

     

     4. Pepetela nas quintas de leitura.

     Duração: 96 minutos. Ano 2017.

     

     5. Leituras: Mayombe.

     Duração: 18 minutos. Ano 2014.

     

     6. Lueji: O nascimento de um império, de Pepetela (resenha).

     Duração: 9 minutos. Ano 2015

     

     7. Bate-papo com Pepetela.

     Duração: 68 minutos. Ano 2017.

     

     8. Mayombe, livro de Pepetela.

     Duração: 35 minutos. Ano 2019.

     

PRÉMIOS RECEBIDOS

Pepetela foi premiado em numerosas ocasiões pela sua brilhante obra literária. Em concreto, recebeu os seguintes prémios: Prêmio Nacional de Literatura de 1980, pelo livro Mayombe; Prêmio Nacional de Literatura de 1985, pelo livro Yaka; Prêmio especial dos críticos de S. Paulo (Brasil) em 1993, pelo livro A Geração da utopia; Prêmio Camões de 1997, pelo conjunto da sua obra; Prêmio Prinz Claus (Holanda) de 1999, pelo conjunto da sua obra; Prêmio Nacional de Cultura e Artes de 2002, pelo conjunto da obra; Prêmio Internacional para 2007 da Associação dos Escritores Galegos (Galiza); Prêmio do Pen da Galiza “Rosália de Castro”, 2014; Prémio Prinz Claus (1999) pelo conjunto da sua obra e Prêmio Fonlon-Nichols Award da ALA (African Literature Association), em 2015.

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Também teve vários reconhecimentos: Medalha de Mérito de Combatente da Libertação pelo MPLA, 1985; Medalha de Mérito Cívico da Cidade de Luanda, 1999; Ordem do Rio Branco da República do Brasil com o grau de Oficial, 2003; Medalha do Mérito Cívico pela República de Angola, 2005; Ordem do Mérito Cultural da República do Brasil, grau de Comendador, 2006; Nomeado pelo Governo Angolano Embaixador da Boa Vontade para a Desminagem e Apoio às Vítimas de Minas, 2007 e Doutor Honoris Causa pela Universidade do Algarve (Portugal), em 2010.

Em 1969, foi chamado para participar diretamente na luta de libertação angolana, em Cabinda, tendo então adotado o nome de guerra Pepetela, que mais tarde utilizaria como pseudônimo literário. Em Cabinda foi simultaneamente guerrilheiro e responsável no setor da educação. Em 1972 foi transferido para a Frente Leste de Angola, onde desempenhou a mesma atividade até ao acordo de paz de 1974 com o governo português. Em Novembro de 1974 integrou a primeira delegação do MPLA, que se fixou em Luanda, desempenhando os cargos de Diretor do Departamento de Educação e Cultura e do Departamento de Orientação Política. Em 1975, até à data da independência de Angola, foi membro do Estado Maior da Frente Centro das FAPLA (Forças Armadas Populares de Libertação de Angola) e participou na fundação da União de Escritores Angolanos.

De 1976 a 1982 foi vice-ministro da Educação, passando posteriormente a lecionar Sociologia na Universidade Agostinho Neto, em Luanda, até 2008. Desde sua fundação, desempenhou cargos diretivos na União de Escritores Angolanos e foi Presidente da Assembleia Geral da Associação Cultural “Chá de Caxinde” e da Sociedade de Sociólogos Angolanos. É membro da Academia de Ciências de Lisboa. Em 2016 foi eleito para Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Academia Angolana de Letras, de que é membro-fundador.

A SUA OBRA LITERÁRIA

Pepetela destacou especialmente como romancista. A listagem básica das obras que publicou é a seguinte: As aventuras de Ngunga, 1973; Muana Puó, 1978; A revolta da casa dos ídolos, 1979; Mayombe, 1980; Yaka, 1985; O cão e os caluandas, 1985; Lueji, 1989; Luandando, 1990; A geração da utopia, 1992; O desejo de Kianda, 1995; Parábola do cágado velho, 1996; A gloriosa família, 1997; A montanha da água lilás, 2000; Jaime Bunda, agente secreto, 2001; Jaime Bunda e a morte do americano, 2003; Predadores, 2005; O terrorista de Berkeley, Califórnia, 2007; O quase fim do mundo, 2008; Contos de morte, 2008; O planalto e a estepe, 2009; Crónicas com fundo de guerra, 2011; A sul. O sombreiro, 2011; O tímido e as mulheres, 2013; Como se o passado não tivesse asas, 2016; Sua Excelência, de corpo presente, 2018; O cão e os caluandas, 2019. (Vozes da África) e O quase fim do mundo, 2019. (Vozes da África).

Ainda publicou duas peças teatrais: A Corda, 1978 e A Revolta da Casa dos Ídolos, 1980. E de crônicas outros dous livros: Crónicas com Fundo de Guerra, 2011 e Crónicas Maldispostas, 2015.

DEPOIMENTO DA RTP ÁFRICA SOBRE PEPETELA

A RTP África editou um vídeo dedicado a Pepetela, em que é entrevistado e comenta parte da sua obra literária. Com tal motivo também se publicou um texto de um depoimento a ele dedicado, que a seguir resenhamos.

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Dos companheiros de guerrilha recebeu o pseudónimo que o acompanha na tradução do mundo em histórias que vivem dentro dos livros. Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos ficou Pepetela, um dos maiores escritores que Angola tem. E que nós lemos.

No princípio acreditava que a literatura podia mudar o mundo. Uma ilusão que entretanto perdeu, mas que o levou a escrever com o sentido de ser publicado, de fazer chegar as suas histórias a muitos outros e de lhes ir mudando o mundo, acrescentando-lhes sonhos e conhecimento. Sim, porque a prosa deste escritor, nascido em Angola em 1941, começou por ser tecida em frases curtas, com uma linguagem simples, para que os alunos tivessem mais alguma coisa para ler além dos manuais escolares. E para que os guerrilheiros tivessem livros para ler nos intervalos dos combates.

Assim nasceu As aventuras de Ngunga, um conjunto de textos didáticos que virou romance. A personagem é um menino órfão, que acredita na liberdade, que quer lutar com o MPLA, e que tenta encontrar homens que não pensem apenas neles. Utopia do escritor, tantas vezes narrador da história de Angola, do passado e do presente, da luta pela independência, do racismo, das desigualdades e da corrupção. Nestes livros, em que constrói muito da identidade nacional do seu país, a formação em sociologia feita na Argélia pesa no realismo da análise social.

Pepetela, nome que vem do quimbundo para traduzir o Pestana que tem no apelido, sempre se imaginou escritor. Porque diz que escrever o ajuda a pensar melhor o que vê. Nesta entrevista confessa que o livro só começa a valer a pena quando a própria história o surpreende. E o segredo pode bem estar no ritmo da primeira frase que o leva a querer descobrir a música das palavras. Com ironia à mistura. Comprova-o Jaime Bunda, a versão africana de James Bond.

Os seus primeiros livros foram escritos no mato, durante o combate pela libertação de Angola, em que participou ativamente. O militar passou depois a político, porém esta não era a carreira que queria e, ao fim de seis anos, abandonou o cargo de vice-ministro da Educação para se dedicar ao ensino e à escrita.

O autor de Mayombe, A Geração da Utopia, Yaka, Os Predadores ou o Cão e os Calus, Pepetela é um dos mais importantes escritores da lusofonia, distinguido em 1997 com o Prémio Camões. Neste vídeo, seguimos uma conversa com o escritor angolano conduzida por Mário Carneiro.

DEPOIMENTO DA UNIÃO DOS ESCRITORES ANGOLANOS

Artur Carlos Maurício Pestana dos Santos (Pepetela) nasceu em Benguela, a 29 de Outubro de 1941. Fez os seus estudos primários e secundários em Benguela e Lubango, partindo em 1958, para Lisboa para fazer o curso superior. Frequentou o Instituto Superior Técnico, tendo nessa altura participado em atividades literárias e políticas na Casa dos Estudantes do Império. Por razões políticas em 1962, saiu de Portugal para Paris, França, onde passou seis meses, seguindo para a Argélia, onde se licenciou em Sociologia e trabalhou na representação do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) e no centro de Estudos Angolanos, que ajudou a criar.

 “Quando regresso a Benguela, tenho sempre a sensação de reentrar no ventre materno. Começa pelo ar. Cada terra tem o seu ar, com consistência própria e sobretudo cheiros particulares. Sinto isso ao chegar, sendo mais acentuado se a viagem é feita de avião, em que não há etapas de transição para adaptação dos sentidos às mudanças… Depois há a cidade e as gentes”. (Palavras de Pepetela sobre a sua cidade natal)

Em 1969 parte para a região de Cabinda participando diretamente na luta armada como guerrilheiro e como responsável pelo sector da educação. Adotou o nome de guerra de Pepetela, que significa pestana na língua Umbundo, e que mais tarde viria a utilizar como pseudónimo literário. Em 1972 é transferido para a Frente Leste desempenhando as mesmas funções até 1974. Integrou a primeira delegação do MPLA que chegou a Luanda em Novembro de 1974. Desempenhou os cargos de Direto de Departamento de Educação e Cultura e do Departamento de Orientação Política. Foi membro do Estado Maior da Frente Centro. De 1975 a 1982 foi vice-ministro da Educação, passando posteriormente a lecionar sociologia na Universidade de Luanda.

“A terra que a boca de Alexandre Semedo morde lhe sabe bem. É o cheiro do barro molhado pelo orvalho de madrugada e o som longínquo de badalos de vacas na vastidão do Mundo. Leva esse sabor o cheiro da terra molhada para cima da pitangueira, onde fica a baloiçar para sempre”. (Pepetela. Yaka. 1985, p.395)

É membro fundador da União dos Escritores Angolanos. Grande parte da sua obra literária foi publicada após a independência de Angola, sendo alvo de inúmeros estudos em várias universidades e instituições de ensino em Angola e noutros países. As suas obras foram publicadas em Angola, Portugal, Brasil, além de estarem traduzidas em quinze línguas, nomeadamente alemão, inglês, francês, espanhol, italiano, sueco, finlandês, japonês, servo-croata, búlgaro, russo, ucraniano, basco, holandês e grego.

“Jaime Bunda estava sentado na ampla sala destinada aos detetives. Havia três secretárias, onde outros tantos investigadores lutavam contra os computadores obsoletos. Havia também algumas cadeiras encostadas à parede. Era numa destas, a última, que Jaime poisava a sua avantajada bunda, exagerada em relação ao corpo, característica física que lhe tinha dado o nome. O seu verdadeiro nome era comprido, unindo dois apelidos de famílias ilustres nos meios luandenses”.

Pepetela. Jaime Bunda, Agente Secreto. Estória de alguns mistérios. Lisboa, Publicações D. Quixote, 2001.

“É a escrita mestiça de um dos maiores nomes da literatura africana, de um dos melhores criadores de expressão portuguesa. Uma escrita grande na beleza estética, imensa no sentido comunicacional, cuidada na forma rigorosa, contida, e libertadora numa sempre renovada proposta-ativa de fazer do pensamento, hoje, a arma principal contra todas as moléstias sociais, políticas e culturais. Guerrilheiro que foi, Pepetela sabe definir os tempos e as circunstâncias. Por isso mesmo, guerrilheiro continua, guerrilheiro, todavia, que usa as palavras para um combate que tem de travar-se nos campos do conhecimento e da reflexão”.

Maria Augusta Silva, Diário de Notícias.

“(Pepetela) é um escritor que se tem revelado singular nesse trabalho de desconstrução discursiva, sem operar ruturas, e consequente desestabilização desse “local da cultura” nacionalista, pela reinvenção de uma estratégia que consiste em articular a sua ficção com as transformações da História, da sociedade angolana, e com as exigências de um pensamento novo face ao país real (que hoje pouco tem a ver com o país ideal). Muitas referências coincidem quanto a considerar a obra de Pepetela como buscando na História matéria para a ficção… Se, no universo literário angolano, o autor não pode, talvez com rigor, ser considerado pioneiro na tematização da História, … a sua singularidade reside no questionamento do Presente (valores, comportamentos, ideias) a partir das mitificações (às vezes das falsificações) da História”.

Inocência Mata. Silêncios e Falas de Uma Voz Inquieta. Lisboa, Mar Além, 2001, p. 196-197.

“O meu dono segue o hábito dos outros brancos, fossem mafulos fossem portugueses, que nos chamavam de bárbaros por tomarmos banho sempre que podíamos e disso fazermos uma festa. Ele tomava um pela Páscoa e outro pelo Natal, não devia exagerar, muito banho desgastava a pele, como afirmava. E se esfregava dentro da selha, no meio do quintal, até ficar vermelho como um jindungo. Era espetáculo a que toda a gente assistia, família, forros e escravos, numa verdadeira festa, com muitos risinhos das mulheres e comentários malandros dos rapazes”.

Pepetela. A Gloriosa Família. O Tempo dos Flamengos. Lisboa, Publicações Dom Quixote, 1997, p.31.

PEPETELA NAS SUAS PALAVRAS

Colocamos a seguir uma antologia de frases e textos de Pepetela, para poder refletir sobre o seu pensamento.

  1. Queremos transformar o mundo e somos incapazes de nos transformar a nós próprios. Queremos ser livres, fazemos a nossa vontade, e a todo o momento arranjamos desculpas para reprimir os nossos desejos”.
  2. “Para ti todos os homens são maus? Só as crianças são boas? – Sim. – Então eu também sou mau? – Não – disse Ngnunga- O camarada Professor é capaz de ser ainda um bocado criança, não sei”.
  3. “Não há amor resistente à solidão”.
  4. “A amizade é assim, tem sempre dois lados e devemos realçar o melhor”.
  5. Os loucos são felizes, basta ver como se riem das coisas mais estúpidas que se possa imaginar. Riem felizes do voo de uma borboleta”.
  6. Não se deve morder a mão que nos dá a comida”.
  7. A dor faz-nos cruéis. A dor muito prolongada faz-nos cruéis e indiferentes à crueldade, o que é ainda pior”.
  8. Raciocinamos em função da nossa sociedade, sociedade assimilada à cultura judaico-cristã europeia, em que o homem tem de ser ciumento, porque é o bode do rebanho e a mulher é a sua propriedade. No fundo, que acontece à propriedade que é arrendada a outro? Às vezes até fica renovada, rejuvenescida, com um empate de capital e de trabalho. Mas nós não compreendemos isso. A mulher é uma propriedade especial. Temos uma geração de atraso. Nós, os citadinos, somos pretos por fora”.
  9. A amoreira gigante à sua frente. O tronco destaca-se do sincretismo da mata, mas se eu percorrer com os olhos o tronco para cima, a folhagem dele mistura-se à folhagem geral e é de novo o sincretismo. Só o tronco se destaca, se individualiza. Tal é o Mayombe, os gigantes só o são em parte, ao nível do tronco, o resto confunde-se na massa. Tal o homem. As impressões visuais são menos nítidas e a mancha verde predominante faz esbater progressivamente a claridade do tronco da amoreira gigante. As manchas verdes são cada vez mais sobrepostas, mas, num sobressalto, o tronco da amoreira ainda se afirma, debatendo-se. Tal é a vida”.
  10. Penso, como ele, que a fronteira entre a verdade e a mentira é um caminho no deserto. Os homens dividem-se dos dois lados da fronteira. Quantos há que sabem onde se encontra esse caminho de areia no meio da areia?”.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um cinema-fórum, para analisar o fundo (mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Pepetela, importante escritor e romancista de Angola. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.

Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino um Livro-fórum, em que participem estudantes e professores. Previamente faremos uma escolha de um seu livro entre os numerosos romances que publicou. Dentre os mais importantes podemos escolher entre os intitulados: As aventuras de Ngunga (1973), Mayombe (1980) ou A gloriosa família (1997).

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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