Ocidente de Alberte Moman



ocidente    Para mim que nom som critico literário, nem tenho formaçom especifica sobre os diversos eidos da literatura, escrever sobre “Ocidente”, o último livro de relatos de Alberte Momám nom é umha tarefa doada, e muito mais quando só som leitor da sua obra poética. A Momám devemos-lhe vários poemários dumha intensidade que subjuga ao leitor: Road Movie, As mil horas, A chuva que derrete a mármore até chegar ao cadáver, etc… Nesta nova entrega literária, na que os relatos rematam com um pequeno poemário, Momám, apresenta-se como um ser conformado por umha poética tremendamente pessoal.

Bem sabemos que numha obra literária nada é casual, o escritor atribui a cada umha das palavras umha funçom mágica, sedutora, para com as mesmas nos interrogar sobre as razons do que nos conta. E de agradecer ao narrador o seu estilo fluente e directo à retina do leitor, que o conduz além da imediatez do texto; porque para Momám expressar as circunstancias da condiçom humana nom é um exercício estilístico mais, mas si umha ética solapada na palavra. A sua escrita só pode ser o resultado dumha estudada depuraçom lingüística que decorre tempos e espaços invocadores nos quais interroga. Os textos de “Ocidente” tornam-se mais poderosos à medida que as personagens reflexionam com as suas contradiçons inerentes a toda existência que pretenda ser livre. Através da narrativa dos relatos percebemos a interrogaçom sobre as condutas humanas que o autor fai sua e quere também fazer-nos cúmplices da mesma.

Deparemos no relato de “Ocidente” intitulado: “Não há ninguém perto de si”, escrevido com um feitio plástico e ricaz, Nele Momám elabora umha estória inesperada onde tempos e espaços estám misturados num discurso para nos mostrar aquilo que é agachado ainda que padecido. A linguagem está determinada por umha rítmica directa e sedutora. A personagem central encarnada numha mulher, Ameline, marca e vértebra todo o desenvolvimento dos acontecimentos narrados desde umha sexualidade livre até nos apresentar a barbaridade da guerra.

A linguagem literária de Momám é poderosa pois nom se serve da mesma para agochar as cousas senom para nos apresentar espidas de toda retorica. Através dos acontecimentos vividos polas personagens revela-nos aquilo que tentam vender como um sucesso mais exposto em dous segundos na ecrá dum noticiário de televisom, resultando ser só umha justificaçom para nos vender publicidade. Identifico-me com o jeito de contar de Alberte Momám, emociona-me. A escrita dos textos está cheia de presente e passado, desvelando que talvez o homem nom seja outra cousa que o grande mono assassino.

 

Jose Alberte Corral Iglesias

Jose Alberte Corral Iglesias

Nascim em Monte Alto (Corunha) há umha porrada de anos (26 de Fevereiro 1946), nos meus sonhos Monte Outo, porque aquele bairro cheio de luz hoje nom existe. Entre o esforço e a pressom dos meus pais saim de aprendiz de randa e fum fazendo os meus primeiros estudos. Logo colhim o rego e findei Professorado Mercantil e Licenciatura em Ciências Económicas. Como a minha vida foi em certa medida um pécio no meio dos oceanos, ainda cursei jornalismo na U.C.V. de Caracas. No ano 1963, na minha primeira mocidade, co-fundei junto com um pequeno grupo de gente a Agrupaçom Cultural O Facho. Posteriormente militei em organizaçons clandestinas na luita contra a tirania clerical-fascista do franquismo e pola construçom dumha sociedade anti-capitalista; o que me levou a fugir para o Chile de Salvador Allende. Com o Plano Condor auspiciado por Washington, apoiado polo Vaticano, e realizado polos exércitos do Cono Sul; a tortura, o terror, a morte, fizérom-se donos daqueles territórios. Depois de intensas experiências no Chile e na Argentina, rematei na Venezuela onde residim até a morte do tirano, Franco.

Obra
Pessoal: Del Amor y la memoria, poesia em castelhano (1ªed. Ateneo de los Teques-Venezuela, 2ª ed. Emboscall-Vic); Palavra e Memória, poesia (Agal-Galiza. 2º ed. Emboscall-Vic, em catalá); A carom da Brêtema, poesias (Agal-Galiza); Do lusco-fusco, relatos (Baia Edicións-Galiza); Detrás da palavra, poesia (Agal-Galiza); Buracos no espelho, relatos (Agal-Galiza); O livro de barro, poesia (ToxosOutos-Galiza); Janela Aberta, relatos (Através-Galiza); Gume de navalha, poesia (Emerxente-Galiza); A Pena do Vigia, relatos (Guímaro Editora-Galiza), Horas, poesia (Baia Edicións).

Em parceria: Sempre Mar, (A. Cultural Benito Soto – Galiza); Antologia poética – XX Festival da poesia do Condado (S.C.D. Condado – Galiza); Antologia poética – XXIV Festival da poesia do Condado (S.C.D. Condado – Galiza); Versos no Olimpo – O monte Pindo na poesia galega ( Toxos Outos – Galiza); Xabarín 18 (EEI Monte da Guía – Galiza); 18 Dezoito ( Círculo Poético Aberto – Galiza).
Jose Alberte Corral Iglesias

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  • Joám Lopes Facal

    Agradecemos as notícias da república poética, Alberte. Mais ainda as procedentes de um destemido editor que acolhe a variedade das falas e frequenta o pensamento livre