CARTAS MEXICAS

A Nova Vanguarda de novo é Cientifico – Filosófica e… Espiritual



 

 

Os estados desarmónicos, tais como as guerras, a fome, a miséria, os conflitos sociais, as injustiças, as doenças, as pragas e inúmeros outros aspetos negativos da existência, sejam eles de ordem pessoal ou de natureza coletiva, não são e não poderiam ser frutos da Criação Divina. Todos os aspetos negativos que observamos em torno de nós, são sempre o resultado do mau uso do livre-arbítrio de que o Homem dispõe.(…) Quando emitimos pensamentos desarmónicos, estamos agindo como um deus criador perverso, embora nem nos apercebamos do fenómeno… Mais cedo ou mais tarde, nos aperceberemos dos seus efeitos (…) Quando os homens se equilibrarem internamente e passarem a exercer um maior controle sobre as suas ações, emoções e pensamentos, por certo a Natureza responderá positivamente gratificando a Vida que se tornará cada vez mais bela e davidosa, fornecendo em abundância tudo quanto precisamos sem haver pragas daninhas que venham destruir os frutos do esforço e trabalho realizados.

(Roberto Luciola – Fiat Lux)

Alexandre Brea, começa seu artigo intitulado “Sobre ciência e espiritualidade”, na revista Asteriskos nº14, com uma magnífica reflexão do filosofo romeno Emil Cioran:

As nossas verdades não valem mais do que as dos nossos antepassados. Depois de ter substituído os seus mitos e os seus símbolos por conceitos, julgamo-nos mais “avançados”; mas esses mitos e esses símbolos não exprimem menos que os nossos conceitos. A Árvore da Vida, a Serpente, Eva e o Paraíso significam tanto como: Vida, Conhecimento, Tentação, Inconsciente. (…) e, se os deuses já não intervêm nos acontecimentos, nem por isso tais acontecimentos são mais explicáveis nem menos desconcertantes: apenas, um aparato de fórmulas substitui a pompa das antigas lendas, sem que por isso as constantes da vida humana se encontrem modificadas, pois a ciência não as apreende mais intimamente que os relatos poéticos.”

Da como a impressão de que os seres humanos temos avançado lentamente, conforme corresponde aos nossos ciclos evolutivos, numa tentativa de requintar nossa conduta individual e social, ao tempo que íamos descobrindo e conhecendo melhor, tanto o meio que nos rodeia, como nossa própria realidade interna.

Desde o controlo dos primeiros instintos mais animalescos, ate as tentativas de controlar e guiar, mais adequadamente, nossas emoções por meio da razão; chegamos em longo percurso histórico a desenvolver, mais adequadamente nossas habilidades cognitivas. Ao tempo que aperfeiçoávamos tanto nossa ração, como nossa intuição… Ate finalmente com o surgimento do Renascimento a Europa e o Ocidente, tomaram posse como centro do mundo, para iniciar o período mais racionalista da historia conhecida.

Com a chegada do Reino de Castela às Antilhas, a chegada de Portugal ao Japão e a circum-navegação de Magalhães, as rotas de navegação pelo orbe, ficavam abertas à colonização e dominação do mundo pelas nações mais fortes do “velho continente”.

Em esse contexto de Renascença, as descobertas obviamente foram influenciadas pelo próprio espírito da época: voltado à vontade de revalorização dos referentes culturais clássicos, olhados desde uma ótica muito racional. Aquela visão contagiosa que fotografou Jacob Burckhardt, em 1867 no seu livro “A Cultura do Renascimento na Itália”, definindo seu ímpeto como de “descoberta do mundo e do homem”.

Posteriormente o Século das Luzes, promovido pela elite intelectual europeia, focaria precisamente a atenção “no poder da razão”. Spinoza, Locke, Bayle, Descartes e o mesmo Newton, enraizariam fortemente essa ideia (tão preciosa e precisa para época).

Benjamin Franklin e Thomas Jefferson, a transportariam ate América, onde os homens sonharam fazer realidade aquele pensamento de Immanuel Kant, quando afirmara: “O iluminismo representa a saída dos seres humanos de uma tutelagem que estes mesmos se impuseram a si. Tutelados são aqueles que se encontram incapazes de fazer uso da própria razão independentemente da direção de outrem”. Acrescentando: “Tem coragem para fazer uso da tua própria razão!” – Axioma que se tornaria em Epíteto do Iluminismo.

A bela Europa crescia projetando o poder “libertador” do individualismo sobre a base da razão. Convertida em Cetro geográfico do mundo, sua gloria e vaidade levou-a a menosprezar outras achegas culturais ainda pujantes em outras latitudes (que foram convertidas adrede em passado); chegando a difamá-las como menos valias, atrasadas ou mesmo anti-cientificas. Foi o modo em que o mundo ocidental, incluindo a nova potencia global americana, após a II Guerra Mundial, cresceu, fortaleceu-se e projetou ser poder, levantado pela razão e a força do indivíduo, como ser independente e novo sujeito da historia. Essa cosmovisão tinha e tem seu referente no sistema económico que sustentava aquele universo: o culto ao livre mercado (alegoria da liberdade de oportunidades, para o indivíduo, a coletividade e, o direto pessoal a criar riqueza, dentro dum sistema auto-proclamado como mais justo, evoluído e livre. Associando continuamente liberdade a livre impressa). Mas que finalmente virou em teatro que ocultava o poder incubado nas finanças.

Este período, que abrange desde meados do século XIV ate inícios do atual século XXI, correspondia sem dúvida ao despertar, crescer, assentar-se e expandir-se do Poder Global Ocidental, Mercantil e Financeiro, hoje em plena decadência.

­Dai que como segue afirmando Alexandre Brea, no seu referido artigo da “Asteriskos”, nos séculos XVIII e XIX semelhava que a física tinha solucionado todos os problemas aos que se enfrentara. Newton desenvolvera umas teorias satisfatórias da gravitação e da mecânica, que logo aperfeiçoaram Lagrange e Hamilton, e Clerk Maxwell unificara o eletromagnetismo.

Neste contexto é normal o nascimento do positivismo filosófico, corrente anti-metafísica e que só tinha por válido o conhecimento empírico. Muitos dos integrantes deste movimento prognosticaram o progresso indefinido da ciência (racionalista).

A ascensão do Ocidente, como a de todo império nos seus começos, aparentava ser imparável. Mas toda espiral em expansão, contem dentro de si uma espiral em contração. De forma que as culturas que são centrais em um determinado momento, elaboram também dentro desse centro, o germe cientifico – cultural, que será no seu devido tempo trasladado ao outro novo centro geográfico, em outra distante latitude, onde esta nova visão mais atualizada, poderá renovar e dar aços a uma renovada humanidade.

Isso parece que está agora acontecer, desde há já quanto menos uma década. O germe dessa nova espiral, que cresce no ventre do ocidente, para logo ser inserido numa terra mais fértil, quando definitivamente o mundo ocidental vire em decadência, tem sido trabalhado, tal vez, desde o princípio do seu nascimento; mas foi a inícios do século XX, quando o alemão Max Planck introduziu a ideia de que a energia era quantizada, que surgiu definitivamente a luz.

Heisenberg, com o seu principio da incerteza; Niels Bohr, com o seu novo modelo atómico, e seus princípios de correspondência e complementaridade; junto com Albert Einstein, Louis de Broglie, Schrödinger ou Wolfgang Pauli, mudaram para sempre a visão do mundo, inaugurando sem eles saber uma nova revolução, que hoje está a desenhar uma nova vanguarda cientifico – cultural, para esta humanidade em transição.

Em 1933 é criado por Olga Froebe-Kapten o GRUPO ERANOS, na Ascona, na Suíça. Este coletivo vai dar assas em este sentido, ao reunirem diversos especialistas das mais diversas áreas (desde a psicóloga, religiões comparadas, biologia à mesma física).

Augurando uma incipiente aliança ciência – espiritualidade, que vai aparecer, mais tarde, em pleno século XXI, como referente essencial das novas atuais vanguardas. Foram convivas do Eranos os maiores especialistas das época, em estas áreas. Entre os que figuravam pessoalidades de grande renome como: Rudolf Otto, Paul Tillich, Jung, Joseph Campbell, Sukuzi, Mircea Eliade, Shrödinger, e o próprio Niels Bohr.

Esta nova vanguarda atual, tem também muito agradecer também a pessoalidades como Eugene Wigner, físico teórico e matemático que recebeu parte do Prémio Nobel de física em 1963, quem afirmou: “que não é possível formular as leis da mecânica quântica duma forma plenamente coerente, sem uma referência à consciência”. Ou ao físico James Jeans, que em 1943 chegou a salientar: “que o fluxo de conhecimentos está caminhando em direção a uma realidade não mecânica”, mesmo concluindo: “que o universo começa a parecer-se mais com uma grande mente do que com uma grande máquina”. Dai que outros físicos quânticos cheguem hoje a afirmar que “o universo é mental” e que nossa observação “afeta a realidade”. RC Henry, professor de Física e Astronomia da Universidade John Hopkins, vai inclusive um bocadinho mais além, ao argumentar: “O universo é imaterial-mental e espiritual”

Dean Readin, do Institute of Noetic Sciencies, dos EUA, está já investigando abertamente a influência da mente no comportamento da matéria à distancia. E o físico brasileiro Gabriel Guerrer está precisamente a trabalhar sobre “a ontologia das interações consciência-matéria”, tentando mudar o velho esquema da ciência clássica que considera a consciência com um simples produto do cérebro.

A mudança da psique, dai derivada (como previu Khrisnamurti), vai ser sem dúvida o motor desta grande revolução, que vai achegar esperança e dar uma nova alternativa a esta humanidade, que a dia de hoje se encontra decaída, sem perspetivas. Rodeada de crises interligadas: sociais, políticas, económicas, ecológicas, energéticas… Que não são senão, os sintomas externos (os efeitos), duma causa única: a crise de modelo orientador, dominador e do centro geográfico ocidental, que comandou ate o de agora os desígnios desta já velha humanidade.

Este humilde artigo, pretende humildemente resgatar os diálogos do grupo Eranos, e na medida das suas possibilidades achegar ao publico esta nova realidade, que pode e deve para bem mudar as nossas vidas. Tirar nossa consciência do mundo material, da ânsia por conquistar, possuir. Do medo a não sobrevivência, e substituir esses impulsos destrutivos, por novas energias criativas baseadas mais no modelo social descrito por Piotr Kropotkin, no seu insigne livro: “Ajuda mútua: um fator de Evolução”, que nas velhas receitas levadas à frente, da cruel competição por meios de subsistência, levadas a frente pelas interpretações erróneas da doutrina darwinista; ou as teorias económicas tiradas dai por Thomas Malthus. Teorias que à seguir seriam aplicadas na biologia para explicar a Evolução das espécies e, mais tarde, na sociologia para justificar, por exemplo, os horrores das guerras imperiais. Todo um edifício cientifico – filosófico elaborado para legalizar o poder central Britânico e, agora o do seu substituto o Império Financeiro Americano, virando já a Império Ocidental.

Pela contra Kropotkin defende a importância do instinto de apoio mútuo como um dos principais fatores de Evolução progressista, tanto entre animais quanto entre seres humanos. Enfatizando o autor que cooperar em sociedade limita a luta física, animando ao desenvolvimento, em grupo e individualmente, das faculdades intelectuais e morais, que elevam a ética social, ao estimular entre os colaboradores um sentido maior da justiça, da compaixão e a assimilação de apoio mútuo favorecer uma maior compreensão das interações humanas e, dos humanos com a natureza.

Para acrescentar esta unidade ciência, filosofia – espiritualidade, o doutor Stuart Hameroff, da Universidade de Tucson e seu colega Roger Penrose, físico-matemático da Universidade de Oxford, afirmam que nossas almas estão contidas em estruturas denominadas microtúbulos, que habitam em nossas células cerebrais. Acrescentado que em experiências próximas à morte os microtúbulos perdem seu estado quântico, sem por isso ser destruída sua informação; essa informação simplesmente se distribui e se dissipa pelo universo. Estas pesquisas juntam-se às de outros cientistas como Rick Strassman quem chegou a verbalizar que a entrada da alma no corpo se produz através da glândula Pineal. Todas são interessantes achegas, que estão a dar mais força àquelas ideias tão controversas, que no seu dia espalhou o cientifico indiano Amit Goswani, quando escreveu seu polémico livro “A física da Alma”

Deste tipo de visão, surge a ideia que pretende avançar o novo projeto da fraternidade mundial, dentro também da Galiza. A paz, como referencia da longa caminhada do indivíduo, em seu particular e da humanidade, no seu conjunto na procura da libertação final. Aquela calma que dota o indivíduo e coletividade precisamente paz interior e de paz social.

Fiquem todos e todas convidadas e este projeto: formar uma nova humanidade. Cada um desde seu respetivo posto de trabalho, associativo, político, cultural, social. Dentro da família, com os amigos, mudando dinâmicas… Construindo a fraternidade universal entre os povos, as línguas e as culturas… Deixando de culpar sempre de nossas criadas desgraças aos outros.

Nós escolhemos estar em um estado de oposição, no qual opostos, em combate, são possíveis (assim que todos contribuímos ao sofrimento que inunda o mundo). Como resultado dessa tendência na sua máxima expressão surgiram as intermináveis guerras, não somente as físicas, senão também as psíquicas, anímicas: aquelas que minoram a vontade dos outros e violentam o espírito de todos. Com estas dinâmicas nos convertemos ora em oprimidos, ora em opressores: voando dum lado para outro, numa tentativa de derrotar sempre ao inventado inimigo.

Observa com o coração e poderás apreciar que aquele que caminha a teu lado simplesmente é a parte de ti, que tu ainda não conheces. Esquecidos desta realidade prevaleceu o ódio, o ressentimento, a ira: o medo que impede o aberto amor. Confundindo a liberdade de escolher e criar com liberdade de impor, escolheu por nós a fúria e criou por nós o medo. Saber que as reações adversas somente são necessárias, quando a mente vive dividida, entre eu e ele, nós e os outros, a casa e o vizinho, a nação e o estrangeiro; é um primeiro enorme passo.

A Inteligência universal tem criado um plano magistral harmonioso, mesmo que nós, pelo livre arbítrio, as vezes façamos planos alternativos, para experimentar aquilo que desconhecemos. A vozes que estes planos do medo fabricam em nossas mentes não são a Voz da Verdadeira Vontade, que nos foi inserida quando partimos da fonte ao nascer. Em nome dessa voz universal é que fala o amor, a vontade natural, o Espírito Santo- o Awen celta, a Essência em Nós, a centelha universal inteligente (como cada quem quiser nomeá-la). Chegar a compreender essa fonte da eterna vida precisa dum logo caminho: um longo acordar profundo, dentro de nós mesmos. Somente atingindo este despertar poderemos encontrar, em nosso interior, a paz, que logo projetaremos no mundo.

E essa paz se espalhará a sua vez, desde nosso espírito ate a sociedade em forma de filosofia, ciência, arte. Aquilo do que estão agora a falar as novas vanguardas.


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  • abanhos

    Os seres humanos avançamosbem depressa
    Uma recomendável leitura
    o gene egoista pdf