No ano escolar 2014-2015 oferecerá-se português no bacharelato a distância



Carmen Viñas, diretora do IES San Clemente

Carmen Viñas, diretora do IES San Clemente

O IES San Clemente de Santiago é o responsável na Galiza polo bacharelato a distância, nos dous anos de que consta. Até agora as línguas oferecidas no curriculum eram apenas galego, castelhano, inglês e francês. A partir do ano letivo 2014/2015 a língua portuguesa aparecerá entre a oferta educativa na categoria de segunda língua estrangeira.

Tivemos uma conversa no próprio centro educativo com as responsáveis desta feliz novidade, a diretora Carmen Viñas e a docente de galego, agora também de português, Dolores Díaz. Um dos argumentos aduzidos perante a Conselharia e a Inspeção foi a lei para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos coa Lusofonia, aprovada recentemente no Parlamento Galego.

Uma das pessoas chave neste processo foi Marcos Vence, professor de uma secção bilingue em português no mesmo centro. A secção bilingue, lembramos aos leitores e leitoras do PGL, envolve o ensino de dadas matérias numa língua estrangeira. Conseguir uma secção é relativamente fácil dado que para a Conselharia de Educação é uma linha estratégica. Segundo nos comentou a diretora o que já se revela mais difícil é conseguir que enviem uma auxiliar de conversa que no presente caso foi atingido. Ambas as entrevistadas comentaram também que um ponto fraco do ensino a distância é que, por enquanto, não se pode avaliar a expressão oral em nenhuma língua estrangeira.

Dolores Díaz, docente no IES San Clemente

Dolores Díaz, docente no IES San Clemente

Secção bilingue

A respeito da secção bilingue a diretora informou-nos que este ano há 4 alunos do IES a fazer o estágio em Lisboa ao mesmo tempo que 6 alunos portugueses vêm até a Galiza fazer um outro estágio em vários empresas galegas (Araguaney, Televés…).

No IES San Clemente gerem o bacharelato telemático para toda a Galiza. Para poder oferecer português a Inspeção só exigia que não fizesse falta contratar novo professorado e aqui aparece a generosa figura de Dolores Díaz, professora de galego. Na atualidade há por volta de 30 centros de secundário onde se ensina português, sendo quase sempre docentes de galego quem pegam na encomenda, a maior parte das vezes sem lhe serem fornecidos os recursos pertinentes. O ponto fraco deste sistema é a sua volatilidade. Dolores falou-nos de algum caso que conhecia onde começou sendo optativa, chegou a se lecionar em diferentes níveis da ESO, ao se trasladar a professora de centro, a estrutura toda desapareceu. Dolores sugere que se criem vagas com perfil Galego e Português para que em caso de substituições os novos docentes mantenham o ensino de português.

Lei Paz-Andrade

Nos argumentos para solicitar o ensinamento de língua portuguesa tivo muito peso a própria secção bilingue já existente no centro como a lei para o aproveitamento da língua portuguesa e vínculos coa Lusofonia (Lei Paz-Andrade). Atualmente há 2670 alunos e alunas do bacharelato telemático segundo nos conta Dolores Diaz, chegando até 2960 se incluímos os alunos livres. Em 1º de Bacharelato há atualmente 1049 estudantes, sendo uma cifra similar a que no próximo ano letivo poderia escolher o português.

Acabamos pedindo às nossas entrevistadas que arriscassem uma cifra de estudantes de português para o ano próximo. A cifra escolhida foi por volta de 100. No PGL fazemos votos para que esta cifra seja amplamente superada.


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  • Ernesto V. Souza

    Que bom!!! isto sim é verdadeiramente importante e reflete o trabalho e as expectativas de muita gente.

  • Eduardo Monteiro

    É uma boa notícia!
    Claro que os alunos galegos a estagiar em Lisboa falarão português mas será que os portugueses a estagiar na Galiza falarão em galego?

    • David Álvarez

      Aos portugueses já lhes costa falar-nos português aos galegos quando imos a Portugal… Como para falar português na Galiza.