A mudança é contínua. Contínua a renovação



A inquietação emerge porque nós não apreciamos a beleza do contentamento. Nós não reconhecemos o puro prazer de fazer nada. Nós temos uma mente “buscadora de defeitos”, ao invés de uma mente que aprecia o que já está aí, realizado (foi uma sorte ter encontrando este pequeno extrato, num velho papel perdido, dentro daquela gaveta).
Inquietação é sinal de ter perdido a alegria.

Mas a alegria permanece em nós, a espera de que a convidemos a voar, connosco. Simplesmente aceitar o que está a acontecer, como uma lição da vida, que tem a ver com as nossas eleitas passadas, que criaram efeitos no presente; nossas presentes escolhas que criarão  efeitos no futur. E o futuro que será presente, com um olho no passado e um fio no por vir.

Relaxa: Tudo de bom está contigo, toda esta aprendizagem da vida, já está em ti. E o remédio: a mudança. Mudar as velhas caminhadas, iniciar uma nova dança. Criar uma nova narrativa, que evite trazer a nosso diário quebranto, pêsames na rotunda do pensamento, viçado na crítica aninhar acima de nossosonhos mesmo. Essa crítica negativa que nos embrulha num afogado campo de impossibilidades, anulando nosso poder criador, renovador acordar: aos cantos da fraga; aos contos do Maio…

Primeiro passo no caminho certo: apagar, em nosso interior, a velha narrativa gasta, imaginada por  nosso vaidoso intelecto.

Começar o novo livro com um novo pensamento. Mas antes do novo dia, uma nova caminhada iniciar, preciso será também queimar as velhas roupas que nos vestiam com a cor negra da desgraça; com o aroma do mofo. Afogar as velhas naus, em rota sempre nos mesmos turbulentos mares, pesadelos de alçados monstros, dentro da nossa fraca imaginação (de quando em quando covarde) …

O início dum novo ciclo traz consigo o trabalho prévio de despejar, do espaço onírico que é nossa mente: todo nevoeiro.

Sabemos que ninguém pode ser feliz, carregando um excessivo ego. Deixa tua personalidade viver, mas não te identifiques com ela. O dia, que a possas transcender, terá acontecido meu bem, graças a que durante anos, observas-te interiormente, como Presencia Imortal, que visiona, desde o fundo, o teatro magnifico onde se envolve o ego. Observa todos aqueles sonhos, dos quais nos falou Caldéron de La Barca, na sua vida de ensonho. Sonha pois uma melhor viagem, lembrando aqueles versos, do grande poeta espanhol:

Yo sueño que estoy aquí
destas prisiones cargado,
y soñé que en otro estado
más lisonjero me vi.
¿Qué es la vida? Un frenesí.
¿Qué es la vida? Una ilusión,
una sombra, una ficción,
y el mayor bien es pequeño:
que toda la vida es sueño,
y los sueños, sueños son.

Não permitas essa personalidade ilusória, esse sonho ruim,  te obrigue a fechar-te em ti mesmo, ou engrandeça o delírio de dominação, com a conduta neurótica, que deriva a miúdo no narcisismo cego. Ou que estanque tua caminhada, na sombra escura da depressão, sempre perversa…

Lembra Ashtavakra: “O conhecedor da verdade nunca se sente, no mundo, desditoso pois seu próprio ser impregna a totalidade do universo”

Acalma tua mente, medita, sossega. Trava a inercia das destrutivas caminhadas.

Detem-te. Para por um momento a cavalgada – Esse não é o modo de viver nesta inusual casa, a que foste lançado – desde o berço verdadeiro do Logos Ativado.

Está companheiro é uma simples terra de aprendizagem. Se peregrino te quiseres tornar, aluno primeiro deves humildemente aceitar ser, enquanto observar os espelhos, que todo o que te rodeia é, para acordar tua adormecida alma: desde o vó libertador do falcão ate o beijo na flor duma vorboleta desajeitada.

Não perdas, com frequência tua calma, pois somente a calma mental, conduz a claridade. Aquela claridade que dá um pulão de  lucidez, a tua mente que desperta.

Entende que a pressão a que socialmente, os poderes te submetem, gera uma falsa obsessão, que mata tua equanimidade, calada, soletradamente.

Desperta, primeiro ao sorriso do amor, pois ele está carregado de consciência inerente ao mar, à humidade da flor, ao orvalho na semente positiva, imortal – vivificante.

Muda tua perceção. Quem melhor percebe, mais recebe – Entende.

Nova, ilimitada, doce perceção, que pode mudar teu alento. Cambiando teu interior, essa mesma magia, muda para ti o velho livro doente…

Quanto mais e mais nos velhos percursos insistir, mais sofrimento acumulado, na mochila ira crescendo. E mesmo algum dia pode acontecer, que já mão suportes seu peso.

O aluno, não pode viver tentando escrever sempre com a mesma caligrafia, artisticamente isenta de valor acresecentado.

Quando um desenho feito for, se ele não servir para expressar nosso mundo verdadeiro, deveríamos aprender a fazer novos planos, mais amplos horizontes – desenhado no meio daquela nossa coracional flor, um pequeno calor no peito.

Pois de tanto insistir em a parede de pedra atravessar, mutas vezes, não somos capazes de entender, que retirando-nos uns  pequenos passos atrás, vamos a ter uma visão mais ampla e concreta. E vamos contemplar, e compreender,  que o muro tem um lugar por onde o acesso é mais facil. Podes por ele passar, sem necessidade de derrubá-lo. Abre essa porta, enfia-te por essa fenda na laje. Caminha sem olhar atrás e, conta te darás, que por trás do granito, existe um campo carregado de abelhas, árvores, como as tílias, que sempre acalmam à alma.

Observa o silêncio desta vez, e entende de Baudelaire sua subtil mensagem, quando no poema Elevação, dous versos nos guiam na vertente da afiançada confiança:

Por cima dos paúes, das montanhas agrestes,

Dos rudes alcantis, das nuvens e do mar,

Muito acima do sol, muito acima do ar,

Para além do confim dos páramos celestes,

 

Paira o espírito meu com toda a agilidade,

Como um bom nadador, que na água sente gozo,

As penas a agitar, gazil, voluptuoso,

Através das regiões da etérea imensidade.

E seja através dessa região da etérea imensidade, que teu espírito descanse, dos forçados trabalhos da material existência. Para, que aí, tu podas comprovar a profundeza da tua força.

Conhece-te a ti mesmo, e conhecerás o universo – adverte aquele aforismo grego, à entrada do Templo de Delfos. Conhece também a magia de teu Un também tornar-se em 3, e esse três desenvolver-se nos 7: dias da semana, notas musicais, pairando no arco da velha. Conhece-te a ti mesmo, no oráculo da cidade de Delfos, umbigo anterior do mundo.

Conhece também aquele celta trisquel, que nos diz – existem três cousas imprescindíveis para viver agora, enquanto em ele permaneces: o tempo, as palavras, e as oportunidades. Três cousas, que nunca devemos negar-lhe a nossa vida, para dela certeza saborear: a serenidade, a honestidade e a esperança. Três defeitos que deterioram toda existência: o orgulho, a arrogância e o mau humor. Três eleitas, que somente a nós nos correspondem: nossos sonhos, nosso sucesso e nosso destino. E aqueles três presentes que a inteligência universal põe no nosso caminho, se soubermos rumar, pelo trilho que somente os audaces empreendem: A autoestima, o amor e os verdadeiros amigos fraternos (aqueles que nunca nos abandonam, e lhe dedicamos este nosso texto)

Finalmente do uno – vamos a tornar-nos três e, deste, às sete Aquelas virtudes reais, que no trabalho interior, minoram ou vencem nossos sete enganos prévios:

A Humildade – contrapondo o Orgulho, soberba, vaidade; para garantir uma correta compreensão de todo ser igual na natureza.. A Generosidade matando a  lasciva avareza.

A Castidade ética, não a repressão sexual, transformando luxúria em amor, vencendo a paixão do corpo, pela elevação da alma, que o prazer, como gozo superior, consente.

A Temperança domando gula, por precaução de viver compulsivamente.

A verdadeira Caridade, despejando da psique a Inveja. E a boa Diligência fazendo trabalhadora à Preguiça, muitas vezes néscia.

1-3-7 / LEI, se consegues ver mais além, nos números, enxerga. LEI, se segues os inúmeros caminhos da natural corrente – desde o fonte ao nascer, ate o rio vigorar, ate o oceano voltar – e no sol meio evaporar – aos céus, eloquentemente. Atende, observando, sem analisar nem julgar. Simplesmente atende, pacientemente observando, encontrarás teu verdadeiro destino, em esta afável, e a cada dia, menos triste e guerreira Terra.

Esta é a Sala das Provações, como Helena Petrovna Blavatsky, nos ensinou em a voz do Silêncio. Seja aquela voz, que dirige teu interior, seja aquele amor, que encaminhe tuas metas…

Podes abrir o livro, meu bom leitor, na página, que realmente deixaste aberta.

“Antes que a Alma possa ouvir, a imagem tem de se tornar surda aos rugidos como aos segredos, aos gritos dos elefantes em fúria como ao sussurro prateado do pirilampo de ouro (…) Porque então a Alma ouvirá e poderá recordar-se. E então ao ouvido interior falará “ (“A Voz do Silêncio – HPB) – Para nós acrescentar: e falando, será ciente.

Artur Alonso Novelhe

Artur Alonso Novelhe

Galego, mas nascido no México, é diplomado pela Escola Pericial de Comércio de Ourense. Exerce como funcionário do Serviço Galego de Saúde do Governo da Galiza. Publicou várias obras de poesia e colabora habitualmente com diferentes publicações, entre as quais o PGL. É sócio da Associaçom Galega da Língua (AGAL) desde os meados dos anos 80 e académico da AGLP.
Artur Alonso Novelhe

Latest posts by Artur Alonso Novelhe (see all)


PUBLICIDADE