Miguel A. Bastos Boubeta: «A um falante de castelhano nom tem porque preocupar-lhe como se grafam outras línguas»



boubeta1Miguel Anxo Bastos Boubeta (1967), é licenciado em CC. Económicas e Doutor em CC. Económicas e Empresariais pela USC. Licenciado em CC. Políticas pela UNED é Professor titular e Secretário do departamento de Ciência Política e da Administraçom. Foi Vice decano da Faculdade de Ciências Políticas e Sociais da USC (Dezembro-2004- Janeiro 2009). É autor de vários livros e numerosos artigos académicos na sua especialidade.

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Para que te vaiamos conhecendo, sabemos que na atualidade és professor titular de políticas na USC. Quais som os teus principais interesses no trabalho profissional e nom só?

Eu agora estou a estudar teoria do estado, teoria do socialismo e estou interessado nos sistemas de segurança social. Também na história do pensamento conservador.

As pessoas do teu âmbito profissional conhecem a existência do reintegracionismo? Se for assim, que opiniom tenhem da estratégia internacional para o galego?

Conhecem sim, mas nom lhe prestam muita atençom. No entanto, já nom se vê da mesma forma que há uns anos. Seria bom dizer, que é visto como mais respeitável.

Sendo de Vigo, como galego-falante, quais pensas serem as razons para que o galego, desde os anos 70, começasse a ser falado cada vez por menos pessoas?

A escola e os meios de comunicaçom. E também acho que certos boubeta3processos de imitaçom social. O galego era uma sorte de estigma social e se querias integrar-te e progredir devias usar o castelhano.

Que foi o que funcionou e que o nom funcionou na ideia de optar por um galego separado do português, desde o estabelecimento da autonomia no ano 1981?

Funciona no senso de que o português ainda pode ter pior perceçom social do que o galego isolado. Nom funciona no senso de que nom contamos com umha língua normalizada e estandardizada que nos permita a comunicaçom internacional. É difícil aceder a livros académicos em galego isolado e o número de traduçons ao galego de grandes obras literárias e pequeno polas próprias dimensons do mercado. Portanto tinhas de recorrer o castelhano para esses usos e assim é difícil construir umha língua culta.

Que visom tinhas da AGAL, que te motivou a te associares e que esperas da associaçom?

Já a conhecia. Foi o amável convite dos amigos o que rachou a minha preguiça.

Pensas que a aprovaçom da Paz-Andrade por unanimidade no parlamento galego (PP, PSOE, AGE, BNG e Grupo Misto) a partir de uma Iniciativa Legislativa Popular (ILP) pode inaugurar novos consensos para o galego, a partir de uma visom internacional do nosso idioma?

Acredito que sim. Contribuiu a eliminar preconceitos e passou a ver-se a integraçom como um elemento positivo, nom como umha excentricidade.

O professor Bastos numa tertúlia televisiva

O professor Bastos numa tertúlia televisiva

Miguel Anxo Bastos é um conhecido opinador em TVs e Rádios de âmbito galego. Tés comentado nalgumha ocasiom na TV que opinas que o galego deveria convergir na escrita com o português. Que opinam os teus companheirxs de programa sobre este assunto?

Em geral concordam, ainda que nom costumamos discutir muito destes temas .

Como professor de políticas, pensas que a promoçom e valorizaçom do idioma na Galiza a partir desta visom internacional poderia ser aceite por todas os partidos do arco parlamentar galego? E do espanhol?

Em principio sim. A um falante de castelhano nom tem porque preocupar  como se grafam outras línguas (de facto nunca ouvim queixas porque o catalam tenha outra ortografia). E um galego falante o que quererá é umha norma estável, que nom mude cada poucos anos, e que umha vez aprendida poda ser usada toda a vida.

Como gostarias que fosse a “fotografia linguística” da Galiza em 2030?

Gostaria de que a velha língua seguisse a ser falada e usada, para além de integrada no seu tronco linguístico.

Conhecendo Miguel Anxo Bastos:
Um sítio web: Mises brasil, Mises hispano
Um invento: a luz elétrica
Umha música: gosto de muitas, mas para trabalhar gosto da música de Enya ou Lana del rey
Um livro: ‘Socialismo’ de Ludwig von Mises (há traduçom para o galego-português)
Um facto histórico: a 1ª Guerra mundial e a guerra de secessom dos USA
Um prato na mesa: Gosto das luras com tinta e em geral dos pratos de colher
Um desporto: Caminhar
Um filme: Gosto muito do John Ford. ‘Que verde era o meu vale’.
Umha maravilha: a origem da vida
Além de galego: Católico

José Ramom Pichel

José Ramom Pichel

José Ramom Pichel Campos nasceu em Santiago de Compostela (1972), mas cresceu em Vigo. Durante anos foi o rosto visível de imaxin|software, empresa de tecnologia linguística focada sobretudo na tradução automática com projetos como Opentrad. Pichel é co-autor, com Valentim Fagim, de 'O galego é uma oportunidade / El gallego es una oportunidad'. Atualmente o seu interesse é ocupado polo audiovisual, com um projeto de documentário em andamento, 'Porta para o exterior', codirigido com Sabela Fernández.
José Ramom Pichel

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  • Heitor Rodal

    “A um falante de castelhano nom tem porque preocupar-lhe como se grafam outras línguas”.

    Com efeito: nenhum gallego deveria preocupar-se por como é que se escreva o galego.