Maria João Pires, destacada pianista portuguesa



maria-joao-pires-foto-9Dentro da nossa série de artigos de “As Aulas no Cinema” estamos a dedicar vários depoimentos àquelas mulheres que no mundo lusófono destacaram em alguns campos da cultura, da ciência e do ensino. É verdade que são os campos da educação, a música, a canção e a literatura, aqueles onde dentro do mundo lusófono, têm destacado mais mulheres. Como é o caso da grande pianista portuguesa de fama mundial a que dedicamos o nosso presente artigo. Por isso, dentro da série que estou a dedicar às mais importantes personalidades da Lusofonia, onde a nossa língua internacional tem uma presença destacada, e, por sorte, está presente em mais de doze países, sendo oficial em oito, dedico este depoimento, que faz o número 147 da série geral que iniciei com Sócrates, a uma magnífica pianista com uma amplíssima obra e muitos discos editados, conhecida como Maria João Pires, nascida no ano 1944 em Lisboa. Com este depoimento, a ela dedicado, completo o número trinta e cinco da série lusófona.

PEQUENA BIOGRAFIA

A pianista portuguesa Maria João Pires nasceu em 1944, em Lisboa. Atuou em público, pela primeira vez, com apenas quatro anos de idade e, com cinco anos, deu o seu primeiro recital de piano. Pouco tempo depois, apresentou-se no Teatro Nacional de Madrid. Estudou no Conservatório Nacional, onde se tornou professora de Piano. Em 1970, em Bruxelas, conquistou o 1.º prémio no Concurso Internacional Beethoven, promovido pela União Europeia de Radiodifusão. O seu talento artístico foi reconhecido mais rapidamente no estrangeiro do que em Portugal, especialmente no Japão, onde obteve um enorme êxito. A sua gravação integral das sonatas de Mozart foi distinguida com três prestigiosos galardões internacionais. Também gravou várias obras de Chopin, de Bach e de Beethoven. Em 1984, foi escolhida para tocar no Festival Mozart, de Salzburgo. Reconhecida a nível mundial como uma excelente intérprete de composições de Mozart, a pianista criou em Belgais, Castelo Branco, um centro para o estudo de artes. Em 2002, foi galardoada com o prémio do Conselho Internacional da Música (IMC), organização pertencente à UNESCO, pelo empenho e dedicação, sempre demonstrado, à música e ao seu ensino, e, em 2006, com o Prémio Internacional de Música D. Juan de Borbón, concedido pela fundação com o mesmo nome.

Reconhecida a nível mundial como uma excelente intérprete de composições de Mozart, a pianista criou em Belgais, Castelo Branco, um centro para o estudo de artes. Em 2002, foi galardoada com o prémio do Conselho Internacional da Música (IMC), organização pertencente à UNESCO, pelo empenho e dedicação, sempre demonstrado, à música e ao seu ensino, e, em 2006, com o Prémio Internacional de Música D. Juan de Borbón, concedido pela fundação com o mesmo nome.

Foto: MARCOS D'PAULA/AGENCIA ESTADO/AE

Foto: MARCOS D’PAULA

De nome completo Maria João Alexandre Barbosa Pires, nasceu em Pena-Lisboa a 23 de Julho de 1944, e conta com a dupla nacionalidade portuguesa e brasileira (naturalizada em 2010, pois residiu no Brasil desde 2006).
Filha póstuma de João Baptista Pires, natural de Mogadouro-Carviçais, e de sua mulher Alzira dos Santos Alexandre Barbosa, natural de Porto. É irmã de Hugo Alexandre, Maria Regina e Maria Helena Alexandre Barbosa Pires. Muito cedo aprendeu a tocar piano: aos cinco anos deu o seu primeiro recital e aos sete tocou publicamente concertos de Mozart. Com nove anos recebeu o prémio da Juventude Musical Portuguesa. Entre 1953 e 1960 estuda com o Professor Campos Coelho no Conservatório de Lisboa. Prossegue os estudos musicais na Alemanha, primeiro na Musikakademie em Munique com Rosl Schmid e depois em Hanôver com Karl Engel.
Maria João Pires torna-se reconhecida internacionalmente ao vencer o concurso internacional do bicentenário de Beethoven em 1970, que se realizou em Bruxelas. Fez na sua carreira numerosas digressões onde interpretou obras de Bach, Beethoven, Schumann, Schubert, Mozart, Brahms, Chopin e muitos outros compositores dos períodos clássico e romântico. Maria João Pires é convidada com regularidade pelas grandes orquestras mundiais para tocar nas melhores salas de concerto, apresentando-se regularmente na Europa, Canadá, Japão, Israel e nos EUA.

Fez na sua carreira numerosas digressões onde interpretou obras de Bach, Beethoven, Schumann, Schubert, Mozart, Brahms, Chopin e muitos outros compositores dos períodos clássico e romântico. Maria João Pires é convidada com regularidade pelas grandes orquestras mundiais para tocar nas melhores salas de concerto, apresentando-se regularmente na Europa, Canadá, Japão, Israel e nos EUA.

Tem desenvolvido atividade tanto a nível individual (recitais, concertos, gravações) como em música de câmara: dos numerosos êxitos discográficos, destacam-se as gravações Moonlight, com sonatas de Beethoven; Le Voyage Magnifique, integral dos Impromptus de Schubert; nocturnos e outras obras de Chopin; sonatas de Grieg e os trios de Mozart, com Augustin Dumay (violino) e Jiang Wang (violoncelo).
maria-joao-pires-foto-10Foi a fundadora e dirigente do Centro de Belgais para o Estudo das Artes, no concelho de Castelo Branco, de cariz pedagógico, cultural e social. A pianista deixou o Centro em 2006, quando se transferiu para o Brasil. Na ocasião, ela declarou à Antena 2 e ao Aguarrás, ter sofrido muito ao tentar implementar o seu projeto em Portugal. As atividades do Centro de Belgais foram encerradas em 2009. No Brasil, adquiriu uma casa em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, estado da Bahia, onde passou a residir desde 2008. Depois de solicitar a nacionalidade brasileira, em 2010 foi-lhe concedida e assim conta com dupla nacionalidade, pois nunca quis recusar a cidadania portuguesa, como teria sido anteriormente noticiado, e voltou em 2017 para seguir com o Centro de Belgais. No passado ano de 2019, com o apoio da catalã Ibercamera, presidida por Josep Maria Prat, decidiu criar um festival anual musical, sob o nome de “Dias de Sabedoria”, que tem como sede o mosteiro beneditino de Santa Maria de Cervià de Ter, na comarca do Gironés da Catalunha. Tema que a animou muito o ser nomeada “Doutora honoris causa” pela Universidade Pompeu Fabra.
Maria João casou com o germano Ernst Ortwin Noth, com quem teve duas filhas, Joana Benedita e Maria Madalena, nascidas respetivamente em 1967 e 1968. Posteriormente casou com o fadista João Ferreira-Rosa, que faleceu em 2017, do qual também se tinha separado no seu dia.
A 9 de Agosto de 1983 foi feita Dama da Ordem Militar de S. da Espada, a 4 de Fevereiro de 1989 foi feita Comendadora da Ordem do Infante D. Henrique e a 9 de Junho de 1998 foi elevada a Grã-Cruz da Ordem Militar de S. da Espada. Em 1989 ganhou o Prémio Pessoa.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS

0. Concerto de Chopin para Piano, por Mª João Pires.
Duração: 45 minutos. Ano 2018.

1. Maria João Pires: Conversa com Paulo Branco e Luís Caetano.
Duração: 29 minutos. Ano 2019.

2. Maria João Pires: No silêncio de uma nota.
Duração: 60 minutos. Ano 2013.

3. Maria João Pires, pianista.
Duração: 7 minutos. Ano 2015.

4. Maria João Pires descobre o som.
Duração: 80 minutos.

5. Maria João Pires.
Duração: 20 minutos. Ano 2017.

6. Maria João Pires, em direto com a orquestra da Suêcia.
Duração: 4 minutos. Ano 2016.

7. Atuação na Universitat Pompeu Fabra de Barcelona.
Duração: 12 minutos. Ano 2019.

A SUA DISCOGRAFIA BÁSICA

Durante a sua vida musical de pianista chegou a editar mais de trinta discos, nomeadamente nas casas discográficas Deutsche Grammophom (da Alemanha) e em Erato (da França). Os seus discos mais importantes editados, de que também há edição em CD, são os seguintes:maria-joao-pires-capa-disco-do-seu-primeiro-recital
-Mozart: Piano Sonatas (3 discos, 1985).
-Mozart: Piano Concertos (1985).
-Schubert: Piano Sonatas (1988).
-Beethoven: Piano Sonatas (1988).
-Mozart: Grandes Concertos para Piano (1991).
-Chopin: Piano Concertos (1992).
-Schumann: Peças para Piano (1994).
-Mozart: Sonatas para Piano (1994).
-Bach, J.S.: Partitas e Suite (1995).
-Mozart: Sonatas para Piano (1995).
-Mozart: Concertos para Piano (1995).
-Mozart: Sonatas para violino (1995).
-Schubert: Sonatas, scherzo e momentos musicais (1995).
-Chopin: Concertos para Piano, Prelúdios e Noturnos (2 discos, 1995 e 1996).
-Schubert Impromptus: A Viagem Magnífica (1997).
-Mozart: Trios para Piano (1997).maria-joao-pires-capa-disco-chopin-1
-Schumann: valsas, romances, arabesco e concertos para piano (2 discos, 1999 e 2000).
-Mozart: Concertos para Piano (2002).
-Bach: Concertos para Piano (2003).
-Schumann: valsas e cenas de crianças (2007).
-Mozart: Concertos para Piano (2008).
-Beethoven: Sonatas para Piano (2009).
-Antologia M.ª João Pires-1989 (2013).
-Schubert: Antologia (2013).
-Beethoven: Concertos para Piano (2014).

ENTREVISTA DE MARICEL CHAVARRIA A MARIA JOÃO PIRES

Em fevereiro de 2019 a jornalista de La Vanguardia de Barcelona publicou uma entrevista que fez à pianista portuguesa, algumas de cujas passagens tenho por bem reproduzir a seguir.
Porque é que continua a fazer concertos em Espanha, embora tenha decidido reduzir a sua agenda nos últimos tempos?
Porque gosto muito de Espanha, onde me sinto como na minha própria casa.

maria-joao-pires-foto-1Qual é a razão de criar um festival musical na Catalunha?
Há mais de 25 anos que tenho um verdadeiro desejo artístico de ter um festival que nos devolva a arte, a questão do que significa arte, tanto para os artistas como para a gente em geral. Nos últimos 24 anos a arte foi usada, por não dizer “abusada”, como objeto comercial que se pode comprar e se pode vender. Porém, há limites, e superados estes limites, torna-se absurda. Eu queria ter um festival onde pudéssemos reavaliar os nossos limites. A ideia deste festival é voltar à pureza, que não importem os grandes nomes. “Dias de Sabedoria” expressa a minha preocupação sobre a forma de voltar a respirar e levar o silêncio à sala. Reencontrar as nossas almas e o nosso espírito. Temos uma grande sorte de que a Ibercamera catalã tenha querido colaborar, porque sem o seu apoio não se teria podido criar. Nem encontrar o espaço, um local pelo qual me apaixonei desde a primeira foto que vi. O mosteiro de Santa Maria de Cervià é o símbolo da sabedoria, o silêncio e o respeito. A ideia do festival “Dias de Sabedoria” é voltar à pureza, e que não importem os grandes nomes.

Nos últimos 24 anos a arte foi usada, por não dizer “abusada”, como objeto comercial que se pode comprar e se pode vender. Porém, há limites, e superados estes limites, torna-se absurda. Eu queria ter um festival onde pudéssemos reavaliar os nossos limites.

Para a localidade de Cervià do Ter, com uma população de 900 vizinhos, a norte do Gironès, trata-se de uma grande notícia. O mosteiro tem uma acústica extraordinária e a localidade conserva o seu património de forma exemplar. Qual vai ser o programa musical da primeira edição do festival?
Temos pedido à gente que mantenha a sua criatividade durante toda a sua vida. Na primeira edição imos render uma homenagem ao espírito do local, lembrando a sua vocação espiritual e transferindo-a para os valores artísticos. Um grupo de mulheres vão ser as “guardiãs da criatividade”. Três vão ser as pianistas: a arménia Lilit Grigoryan, a chinesa Jiana Peng e eu mesma, e também a soprano de Alepo Talar Derkmanjian, e uma atriz por determinar que vai ler umas cartas de Beethoven. Os assistentes aos concertos vão poder escuitar peças de Bach, Arvo Pärt, Mompou, Kurtag, Komitas, Chopin, Liszt e Beethoven, entre outros.

A jornalista portuguesa Diana Ferreira publicou no Diário Público a 27 de janeiro de 2019 uma ampla e interessante entrevista que fez a Maria João Pires, que merece a pena ler, o que pode ser feito entrando aqui.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um cinema-fórum, para analisar o fundo (mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.
Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Maria João Pires, uma excelente pianista de Portugal. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros, discos CD e monografias.
Seria interessante realizar no nosso estabelecimento de ensino uma Audição musical, fazendo antes uma escolha antológica das peças dos grandes músicos interpretadas ao piano por Maria João Pires. Existe uma ampla discografia desta pianista, com múltiplas edições em CD, da qual podemos selecionar as peças mais interessantes e formosas por ela interpretadas, especialmente de Mozart, Schubert, Chopin, Schumann, Beethoven e J. S. Bach. Entre cada três peças escuitadas por alunos e docentes, estaria bem comentar alguns dados da vida, pensamento e obra da nossa pianista.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.


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