Maria Aldina: “O livro mostra a diversidade e complementaridade das investigações linguísticas nos dois lados da fronteira”

Maria Aldina fala do volume 'Estudos atuais de Linguística Galego-Portuguesa', uma recompilação de textos que mostram o estado da questão na investigação a ambos lados do Minho.



Este ano, a editora Laiovento apresentou ao público um contributo da Área de Filologia Galega e Portuguesa da Universidade da Corunha e o Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos da Universidade do Minho. Estudos atuais de Linguística Galego-Portuguesa (Laiovento, 2019) é um conjunto de contributos editado por Xosé Manuel Sánchez Rei e Maria Aldina Marques. Esta última comenta em declarações para o PGL como o presente volume ajuda a mostrar as linhas de pesquisa atualmente abertas nas duas instituições, diversas e complementares.

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Em 2015 a UDC já participara com o Departamento de Estudos Portugueses e Lusófonos da Universidade do Minho para apresentar as principais linhas de investigação linguísticas no livro Novas perspectivas linguísticas no espaço galego-português. Que conclusões foram tiradas desse trabalho?

É verdade. Esta obra coletiva, publicada na Universidade da Corunha em 2015 é a primeira de três obras publicadas no âmbito do projeto Pontes Interuniversitárias que me foi proposto pelo professor Xosé Manuel Sanchéz Rei. O objetivo principal era aproximar, ainda mais, as duas universidades e dar visibilidade à investigação em Ciências da Linguagem produzida pelos seus investigadores. Assim, o primeiro volume, Novas perspectivas linguísticas no espaço galego-português, foi publicado pela Universidade da Corunha, o segundo, As Ciências da Linguagem no espaço galego-português – diversidade e convergência, foi da responsabilidade da Universidade do Minho e o terceiro, Estudos atuais de linguística galego-portuguesa, voltando à Galiza, foi publicado pela Edicións Laiovento, o que muito nos agradou.

Uma primeira conclusão, que sobressai de um simples folhear do livro, é a diversidade e complementaridade das áreas de investigação feita nos dois lados da fronteira. Uma segunda, que decorre da leitura de cada contributo, é a qualidade da investigação que aí é apresentada e reflete a qualidade do trabalho continuado, realizado em cada universidade.

Quais foram os critérios para escolher os trabalhos? 

Em primeiro lugar, escolhemos investigadores, cuja obra já publicada atestava a qualidade da sua investigação. Quisemos, também, abrir a porta a investigadores jovens, mas cujo trabalho, conhecido dos organizadores ou dos autores convidados, se mostrava promissor.

Que fotografia toma o livro do estado da questão nas investigações linguísticas sobre o espaço galego-português?

O resultado geral alia, portanto, a qualidade e a atualidade da investigação sobre a linguagem e as línguas, com destaque para o Galego e para o Português Europeu.

“O conhecimento passivo de duas normas dá um primeiro passo na aproximação dos falantes duma área linguística ampla”

Conhece o modelo binormativista proposto desde a AGAL? Como linguista, quais são as suas impressões a respeito desta proposta e a sua possível potencialidade na sua aplicação social?

Conheço um pouco. É apenas como linguista que me posso pronunciar. E vou fazê-lo a partir do pressuposto de que todas as medidas que visam preservar a diversidade linguística são bem-vindas. Quer se trate da diversidade interna de uma língua, quer se trate da diversidade das línguas existentes e que, socialmente, têm estatutos tão diversos. O binormativismo, como sabemos, tem vantagens e desvantagens, ou, pelo menos, pode ser considerado a partir de duas perspetivas divergentes entre si. Vou pela parte positiva e considerar que, desde logo pelo conhecimento passivo das duas normas, e depois no seu uso ativo, se dá um primeiro passo na aproximação dos falantes desta área linguística ampla que compreende a Galiza e o norte de Portugal.


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