Eduardo Maragoto principia nova série de vídeos para Nós Televisión

Depois da série de três vídeos “O galego explicado em Portugal”, que alcançou no YouTube as 16 visualizações em seis meses, o presidente da AGAL chega ao contributo número 24 inaugurando a nova série “Pode o português ajudar o galego?”.



A colaborações de Eduardo Maragoto com os videoblogues do canal Nós Televisión chegou ao contributo número 24 inaugurando umha nova série chamada “Pode o português ajudar o galego?”. Nos Vlogues de Nós Televisión também intervêm outros comunicadores e comunicadoras galegas para tratar assuntos relacionados com a política e a sociedade, centrando-se os contributos de Maragoto em diferentes questões relacionadas com a língua.

No vídeo lançado ontem, o primeiro da série de três “O português pode reforçar o galego?”, o presidente da AGAL explica que a adoçom de umha ortografia comum galego-portuguesa facilitaria o uso recíproco de textos escritos e audiovisuais com os países de língua portuguesa e que isso reforçaria o nosso léxico e as nossas estruturas gramaticais. Mas como se produz esse reforço? Isso é o que Eduardo Maragoto explica com um exemplo gramatical (o infinitivo flexionado), mas em próximos vídeos também serám usados outro tipo de exemplos, como os lexicais.

O galego explicado em Portugal

Segundo explicou o autor ao PGL, mesmo com a nova série começada, será ainda preciso fazer mais algum vídeo para a anterior “O galego explicado em Portugal”, pois fôrom muitas as consultas recebidas no canal de Nós Televisión relacionadas com as explicações dadas nos vídeos, de maneira que o próprio canal de televisom selecionará algumhas para serem respondidas polo presidente da AGAL. Nesta série é explicado a pessoas portuguesas como podem reconhecer o galego, a história comum do galego e do português e o que é o reintegracionismo. Os vídeos pretendem ser didáticos e neles convivem o sotaque galego e o português para melhor ser percebida a explicaçom por quem nunca visitou a Galiza.

 

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  • Venâncio

    É interessante ver como o Eduardo Maragoto se dirige a portugueses em português (e num excelente português), e constatar que isso tem sentido. Não teria sentido nenhum eu dirigir-me a brasileiros em brasileiro (e eu acho que até o conseguia), pois seria simplesmente ridículo.

    Curioso é também o vídeo sobre o aproveitamento do português para reforçar o galego, concretamente no uso do infinito pessoal (como nós chamamos). Não sei se ele tem razão no uso residual dele pelos galegos reais. A julgar pelo que leio aqui no PGL, por exemplo em entrevistas e crónicas, receio que esse modo (e não “tempo”) saia mais espontâneo na boca dum rural que na dum reintegracionista.

    Se assim for, talvez conviesse mais os reintegracionistas não esperarem pelas sonoridades portugueses, e abrirem os ouvidos e os olhos mais à sua volta, para o que outros galegos dizem e escrevem.

    • Eduardo Maragoto

      Fernando, teria todo o prazer em discutir contigo sobre isto… mas depois de fazeres um par de viagens à Galiza. Assim nom dá. 😉

      • Venâncio

        Eduardo, terei o maior gosto. Mas já fiz 10 viagens à Galiza (e também só essas, por circunstâncias da vida) e posso afiançar-te que não sou inteiramente desprovido de ouvido.

  • Venâncio

    Terei de ser mais crítico com o presidente da AGAL quanto ao conteúdo dos vídeos. Neles Maragoto faz uso dum discurso enganador. Se essa é a razão de existência do Reintegracionismo, só pode declarar-se a sua rotunda falência. Eu explico.

    O Eduardo, expondo o que são o Reintegracionismo e o Galego, fala sempre, sempre em “ortografia”. A mensagem, e mensagem enganadora, é que Galego e Português só se distinguiriam pela ortografia. Mais uma vez: se é isso o que a AGAL conta aos seus afiliados e aos outros galegos, está a tentar enganar e vai pagar caro por isso.

    Vejamos. O Português o Brasileiro distinguem-se, e distinguem-se muito, na morfologia, na sintaxe, no léxico, na semântica, na pragmática. Isto é ciência pública. Mais ou menos explicitamente, qualquer falante de português o sabe.

    O Galego e o Português distinguem-se ainda mais do que Português e Brasileiro. Com uma única excepção: a sintaxe. Sim, sintacticamente o Português está mais próximo do Galego que do Brasileiro.

    Pergunto: porque é que o presidente da AGAL esconde esta realidade? Porque é que continua sempre a falar como se toda a nossa diferença fosse só de ortografia?

    • Eduardo Maragoto

      Desculpa, Fernando, por nom ter tido tempo para responder antes. Na verdade, deveria dizer-che para reveres o vídeo de novo, porque ele contém a resposta, é disso que fala. Nom obstante, respondo aqui também: talvez che facilite a compreensom. A ortografia é o aspeto onde mais facilmente pode intervir a política linguística para reduzir ou contribuir a nom acentuar outras diferenças gramaticais e lexicais. Como tu dizes, e eu nunca escondo, nem neste vídeo nem quando tenho ocasiom, elas existem.

      • Venâncio

        Então, caro Eduardo, já era mais que tempo que as pusésseis em evidência, essas outras diferenças de Galego e Português. E, sim, que as valorizásseis. Isto é, que tivésseis uma atitude de fundo de promoção do Galego tal como ele é.

        Dirás que o fazeis. Não, não fazeis. Vê os livros do Carlos Garrido, e os mil cuidados com que ele pega algum vocabulário galego. Vê esse utilíssimo “Léxico da Galiza” da AGLP, que ela mesma, nunca, nunca jamais, usa. E um artigo meu em que expus, em pormenor, o proveito que o léxico galego poderia ter do português foi simplesmente ignorado. Sim, a vossa atitude de fundo face ao Galego é de reserva.

        E tenho de recordar-te um daqueles momentos-zen das nossas vidas, neste caso da minha. Quando em 2006 fiz uma conferência na Irlanda sobre o Galego, e nela inseri uns elementos de “comparação” com o Português, tive aqui a maníaca reacção dum conhecido sociolinguista reintegracionista de como tinha eu ousado comparar (!) Galego e Português.

        Não, a vossa subordinação do Galego ao Português é demasiado sistemática, demasiado inequívoca, para não ser escandalosa.

        É já a altura de te perguntares, Eduardo, por que é que o Reintegracionismo galego não tem nenhum interlocutor em Portugal.

        • Eduardo Maragoto

          Compreendo a tua revolta contra o reintegracionismo tal como aqui a expões, mas a missom do reintegracionismo nom é afirmar as diferenças entre os falares a norte e a sul do Minho: é precisamente a contrária. Afinal, é isso que distingue os dous extremos neste debate cultural, havendo quem vê (e fomenta) semelhanças e quem vê (e fomenta) diferenças. Na síntese (atrevo-me a dizer: no binormativismo) está o futuro do galego.

          • Venâncio

            Por amor de Deus! Porque retorces o que eu afirmo? Eu ponho em destaque as diferenças com a finalidade de afirmar o Galego, aquilo que vós sistematicamente não fazeis. Talvez porque a correcção política (o respeito pelos gurus) não vo-lo permite.

            Aliás, a melhor maneira de afirmar as particularidades galegas, e portanto de dar-lhes atenção, e portanto de defendendo-as, é comparando com o Português.

            Porque é que estas coisas óbvias e comezinhas vos são tão estranhas?

          • Venâncio

            Na realidade. vós os reintegracionistas (desde o presidente da Agal até àquele presunçoso sociolinguista) só aceitais comparar Galego e Português… desde que não se indiquem diferenças.

            Isto, que entre Português Brasileiro e Português Europeu seria simplesmente ridículo, achais vós muito natural entre Galego e Português.

            Quem vos entenderá jamais?

  • Venâncio

    Só mais uma coisa. O Eduardo diz a certa altura que durante séculos o Galego não foi escrito. É verdade que não foi impresso. Mas hoje conhecem-se vários textos em galego, que permitem concluir que o Galego continuou a ser escrito! Trata-se de quadras, de adágios (muitos adágios), de pequenas peças de teatro, de cartas.

    O que verdadeiramente me espanta, e até me enche de vergonha alheia, é ver como, sistematicamente, o Reintegracionismo procurar dar uma imagem diminuidora do Galego. Auto-ódio, chama-se isso. Mas, se o Reintegracionismo se baseia num auto-ódio. mais numa visão idílica do Português, mais num desconhecimento do próprio Galego como língua… o que restará ainda?