Madalena Gamalho: “O caminho natural vai ser achegarmo-nos à conclusão de que o galego, ou é galego-português, ou é galego-castelhano”



foto_m_gamalhoFoi em 2015, estudando português na Escola de línguas de Ponte Vedra onde Madalena atopou a conexom entre a lusofonia e a música. Ao pouco já estava a fazer concertos com a banda redondelã Nota Bene. Depois, em 2016 criou a banda Os Meninos, um projeto que nasce com a ideia de oferecer ao público versons das músicas de Portugal, e também outras de criação própria. Atualmente continua neste projeto, aprofunda na sua faceta como compositora e solista, e é uma das 10 finalistas do Musicando Carvalho Calero.

Como vês o panorama musical galego?
Acho que na Galiza há grande variedade de projetos de qualidade, em todo o tipo de estilos e géneros. Vivemos numa terra cheia de artistas! E acho que temos de oferecer as nossas músicas ao mundo. Bom, é certo que a internet ajuda, mas penso que é preciso pôr o foco a nível internacional.
Por outro lado, é importante apoiar a cultura, e não só a partir das instituições, mas também a nível social. Sabemos que viver da música não é sempre fácil, e menos nestes momentos que estamos a passar. Por isso é necessário cuidar os nossos artistas, técnicos de som, iluminação… em definitiva todas as pessoas que trabalham por fazer possível os eventos culturais. E para isso não deveria ser um sector precarizado.

Por que te animastes a participar no concurso “musicando Carvalho Calero”?
Inteirei-me do concurso por redes sociais, e pensei que era ótimo para me apresentar. Tinha todo o verão para preparar as músicas e, sinceramente pensei: “Este concurso está feito para mim”. Foi quando comecei a musicar várias poesias de Carvalho Calero. Depois, decidi-me por “Todo o mundo é teu”, para participar como solista, e também com “Cá estou” para participar com a banda os Meninos.

Que opinas de que se lhe dedique o dia das letras a Carvalho Calero?
Nem pensei que ia a acontecer isso, na verdade! Acho que foi um logro importante do reintegracionismo e creio que o caminho natural vai ser esse, quer dizer, o de achegarmo-nos à conclusão de que o galego, ou é galego-português, ou é galego-castelhano.

Sabes que Carvalho defendia umha grafia convergente com o português e nom a espanhola… A AGAL hoje defende umha soluçom binormativista para que se posam usar-se ambas normas ortográficas. O que achas desta possibilidade?
Acho que noutros países já está a acontecer, e não vejo porque não. Penso que seria muito enriquecedor fornecer maiores possibilidades, e isto, aliás, permitiria colocar a nossa cultura no mundo.

O binormativismo já está a acontecer noutros países, e não vejo porque aqui não. Penso que seria muito enriquecedor fornecer maiores possibilidades, e isto, aliás, permitiria colocar a nossa cultura no mundo.

Que potencial pensas que poderia haver de abrir a produçom musical galega cara os países lusófonos?
Pois muito potencial, claro! Acho que já estamos no caminho de abertura, mas ainda resta… Pela nossa parte, os artistas galegos  devemos ter presente que Portugal pode oferecer, e de facto oferece, espaços para partilhar as nossas criações. Este é um aspecto de tantos a explorar no mundo lusófono em geral. Além disso, é preciso podermos aceder com facilidade aos conteúdos produzidos em Portugal, por exemplo. Precisamos de ter referentes para aprender, comparar, criar… Eu, pessoalmente, quando descobri o que se estava a fazer lá no âmbito musical, pensei: “como pode ser que não tivesse conhecido isto antes?” Portugal não pode estar tão longe.


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