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OS LIVROS FALAM | ‘O Galego e o Português são a mesma língua?’ com Marco Neves



O Galego e o Português são a mesma língua? É uma pergunta com poucas palavras e que se pode responder numa só sílaba. Se a dúvida aparecer na nossa boca, talvez necessitemos mais sílabas. O certo — e nisto não há dúvidas — é que precisamos de abanar várias árvores do conhecimento para construir uma resposta bem alicerçada.

É por isto que, neste livro, vamos encontrar reflexões sobre o funcionamento das línguas e sobre o plurilinguismo, percursos pela História da linguagem humana e desta língua em particular e algumas ideias sobre as relações entre as sociedades da Galiza e de Portugal e entre as suas identidades e os seus falares. No fim, será a nossa vez de responder à pergunta.

Numa linguagem muito direta e muito simples em que questões de detalhe técnico e melindre sociopolítico são abordadas de forma muito objetiva e, por vezes, humorística (nada melhor que o humor para aliviar a carga de questões inquinadas), Marco Neves, ao longo de todo o seu livro, aborda todas as dimensões desta questão.

[Do prólogo de João Veloso]

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Através Produtora


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  • Venâncio

    Eis o que escrevi (em «Assim nasceu uma língua») sobre este livro do professor Marco Neves:

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    E, de repente, no ano de 2019, um golpe de teatro. Portugal produz, pela pena de Marco Neves, um livro único, engenhoso duma ponta à outra, recheado de informação, imensamente arguto: O galego e o português são a mesma língua? Perguntas portuguesas sobre o galego. Era o livro de que estávamos necessitados, nós, os que nos interessamos pelo galego, eles, os galegos que se interessam pelo português.

    Parte dum princípio muito saudável: o da continuidade do idioma. Contra a corrente, como se sabe. «O que se passa é que é muito mais fácil notar as pequenas diferenças, que irritam muita gente, do que sublinhar a incrível continuidade da língua ao longo dos séculos». É-nos contada a história linguística da Península, chave para entender a diversidade no interior da Espanha, objecto da estranheza, quando não da resistência, por parte do cidadão português, confortável no seu país perfeito na geografia, na cultura, na unidade política, na língua. Porque não haveria a Espanha de ser um Portugal em ponto maior? O interlocutor português (o livro é, todo ele, um diálogo com essa personagem) sai vivo da refrega, mas com escoriações, e felizmente muito informado.

    O galego, e a Galiza em geral, são a causa maior dos atritos. As patentes semelhanças com o cenário português vêm desafiar ainda mais a necessidade portuguesa de sentir-se único no universo. Ora, é exactamente aí que Marco Neves ‒ que no seu blogue Certas Palavras já, por várias vezes, trouxera o tema à luz ‒ faz finca-pé. Se o português é tão cioso da sua cultura, do seu idioma, da sua ‘unicidade’, há-de ser ele o primeiro a entender por que catalães, bascos e galegos querem, exigem mesmo, ser distinguidos numa massa espanhola demasiado uniformizada.

    Entretanto, com Marco Neves, fomos mais longe. Fomos ao início da linguagem, vimos a impossibilidade de manter a humanidade dentro dum só idioma, examinámos o devir da vasta família linguística, a indo-europeia, a que pertencemos, observámos a mãe latina a prolongar-se em nós e nas línguas irmãs da nossa, passámos em revista a história da Espanha, problema número um de toda esta matéria.

    E o galego, mais o português, são então o mesmo idioma? Não o são? Não vou revelar o desenlace. Só direi que é lógico, ponderado, altamente aceitável. E que não está assim muito longe daquele que, aqui, foi desenhado.

    Saímos, também, muito informados sobre as «batalhas linguísticas» que se travam na Galiza, mormente no atinente à forma escrita, à ortografia. Marco Neves tem, a este pretexto, um conselho muito lúcido a dar-nos: «Andar a propalar a unidade de galego e português em Portugal quando, a esse propósito, nem os galegos se entendem parece-me não só inútil como contraproducente».