PETISCOS DE ANTIMATÉRIA

Por uma língua patrimonial sem castelhanismos: resposta às teses do livro de Fernando Venâncio



fernando-venancio

O livro Assim nasceu uma língua do Professor Fernando Venâncio tem partes de grande interesse e com importantes achegas. Na minha opinião, as principais teses defendidas são as que descrevo a seguir:

– No século XV, o português do eixo Lisboa-Coimbra, que Venâncio chama de meridional e lusitano, foi-se afastando do nortenho, ao mesmo tempo que se transformou na língua da corte e das elites, sendo a base do português padrão atual.

– O galego da Galécia, também chamado de português nortenho, é a língua genuína descastelhanizada e a origem patrimonial do português. Na idade média não havia galego-português, mas só galego. Portanto, o português não nasceu com a aparição do reino medieval de Portugal. Daquela, falava-se galego além e aquém do Minho.

– Tanto o galego genuíno como o português foram castelhanizando-se, mas os processos de castelhanização foram divergentes. Não entraram os mesmos castelhanismos nas duas línguas/variedades. Em Portugal houve uma influência cultural por parte de Castela durante vários séculos, que fez com que se importara muito léxico castelhano, e na Galiza houve uma influência política, social e cultural que também influiu na castelhanização da nossa variedade embora o acerbo lexical castelhano que entrou aqui é diferente do que entrou no país vizinho.

– O galego do norte de Portugal afastou-se do galego da Galiza quando o primeiro foi submetido ao português meridional sofrendo então a castelhanização lexical deste e as inovações fonológicas lusitanas. Deste jeito, vai desaparecendo o galego genuíno, é dizer o tronco comum do qual descendem as duas línguas galegas castelhanizadas: o português meridional e o galego da Galiza.

– A norma RAG é uma tentativa científica para descastelhanizar o galego da Galiza à procura do galego genuíno e patrimonial, enquanto a AGAL (ou mais bem a facção radical) visa a tornar o galego em português meridional, que é, como já foi dito, outra variante castelhanizada e muito afastada do galego genuíno patrimonial.

– O ideal do reintegracionismo radical é construir o português da Galiza baseando-se na variante culta meridional. Isto é visto como um perigo por Venâncio pois é uma correia de transmissão do espanhol para o português. Os castelhanismos do galego da Galiza entrariam no português de Portugal através do português da Galiza (quer dizer, através do galego reintegrado).

– Os processos de afastamento são, na história das línguas, uma tendência habitual. As variantes tendem a afastar-se até mesmo tornar-se em línguas diferentes com o passar do tempo. Este afastamento aconteceu entre o galego e o português meridional, e isso vai acontecer entre este e o brasileiro.

Chama a atenção que, no conjunto desta argumentação, os dous processos de castelhanização sejam analisados como processos comparáveis que se encontram na mesma dimensão argumentativa. Ora bem, os empréstimos castelhanos do português, como os galicismos e os anglicismos, são estrangeirismos lexicais que entram na língua por assimilação cultural ou de contiguidade geográfica, produto do contato entre diferentes culturas, umas mais influentes que outras dependendo do contexto histórico. No caso galego, devemos falar de substituição duma língua por outra a todos os níveis: fonético-fonolóxico, morfológico, lexical, sintático, pragmático, e mesmo em aspetos mais formais como a ortografia ou o estilo. Esta substituição começa polo registo culto e vai amodo, passeninho, aos poucos, produzindo-se em todos os âmbitos de uso linguístico.

Chama também a atenção, e muito, que o professor Venâncio considere a possibilidade de que o galego, uma vez inserido na lusofonia, poda castelhanizar o português. Seria a primeira vez na história que uma variante minorizada no seu próprio Estado tenha influência sobre uma variante consolidada e suportada por um outro Estado. Uma das hipóteses das reintegracionistas, talvez errada mas não absurda como a anterior, é que se ativaria o fenómeno contrário: o galego, como variante fraca, poderia descastelhanizar-se porque o português, variante forte, faria de correia de transmissão de palavras genuínas galegas já perdidas nos diferentes âmbitos de uso, especialmente no culto ou formal. No plano ético, acho antes bem triste que o autor do livro receie do contágio duma língua em estado de emergência e prestes a desaparecer por substituição. Os falantes de línguas minorizadas somos muito sensíveis a este tipo de argumentações sem empatia emocional.

“Chama também a atenção, e muito, que o professor Venâncio considere a possibilidade de que o galego, uma vez inserido na lusofonia, poda castelhanizar o português”

O professor afirma que as variantes tendem a afastar-se num processo natural de evolução histórica (por exemplo, português e brasileiro). É uma observação sem dados que a suportem. Num artigo recente de Pichel et al. (2019) observa-se, com dados quantitativos e estatísticos, que a distância entre línguas próximas por elaboração não sempre está a crescer, pois há períodos históricos em que divergem e outros em que convergem. Se as línguas próximas (por exemplo, português e castelhano) não sempre tendem a afastar-se, também pode acontecer o mesmo com as variantes internas duma língua, que devido a diferentes fatores, voltariam a aproximar-se e a convergir. De todos os jeitos, hoje em dia, em todo o mundo, o processo maciço e global que está a acontecer não é a rutura de variedades em diferentes línguas, mas a substituição de línguas dominadas polas dominantes. Este processo dramático é o causante da rápida desaparição da riqueza linguística mundial, e é o que está em jogo no caso do galego. A tarefa de aproximarmos duas variantes que se foram afastando é só uma estratégia que alguns pensamos pode ser efetiva para atingirmos a finalidade desejada: evitar a substituição do galego da Galiza polo castelhano.

Dito isto, acho que podo afirmar que existe um objetivo comum que todas compartilhamos para evitar a substituição, nomeadamente a descastelhanização do galego. Tanto Venâncio e os defensores do galego autonomista, como os reintegracionistas moderados e radicais, todas procuramos levar a cabo esta tarefa de descastelhanização. Se o Professor Venâncio considera importante que o galego patrimonial não deve herdar os castelhanimos lexicais do português meridional, eu não tenho nenhum problema em aceitar isso. Também não tenho problema nenhum em construirmos uma norma galega diferente da brasileira e da portuguesa e mesmo botar abaixo o Acordo Ortográfico, mas insisto, sempre e quando visemos a descastelhanizar o galego a todos os níveis linguísticos e em todas as suas manifestações.

Tomando em conta a lista de 190 castelhanismos do português que o Professor Venâncio nos enviou amavelmente num dos comentários ao meu anterior artigo no PGL, figem o seguinte estudo. Quantifiquei a presença desses castelhanismos num corpus português, nomeadamente, a Wikipédia portuguesa atual, cujo tamanho é de 238.252.458 palavras. Como a frequência agregada total dessas palavras é de 73.818 ocorrências (prévia lematização do corpus), a percentagem total de castelhanismos lexicais é de 0,03%, tendo em conta que, entre eles, aparece a palavra “pesquisa” cuja frequência (mais de 22 mil ocorrências) é um terço do total dos castelhanismos. O resto de palavras da lista têm frequências muito baixas.

Devido a que não disponho duma lista de castelhanismos lexicais da norma autonomista (que incluiria, por exemplo, “nervioso”, “celos”, “ventá”, “pantalón”, “braga”, “bolígrafo”, “osíxeno”, “neurona”, “aire”, etc), figem um outro experimento de carácter morfológico. Calculei a percentagem de palavras com os sufixos castelhanos “-ción” e “-ble” na Wikipédia galega, composta por 54.020.106 palavras. Neste caso, a agregação de ocorrências chegou a 799.763, que representa o 1,4% do total do corpus. Quer dizer, a pegada castelhana num aspeto da morfologia do galego tem muita mais influência e presença na nossa língua do que os castelhanismos, listados por Venâncio, no português. É óbvio que a troca de “ñ” por “nh”, de “ll” por “lh”, de “ción” por “çom” não permite descastelhanizarmos automaticamente os níveis lexical, sintático e pragmático. Só com isto, não imos conseguir que a gente deixe de escrever “ao melhor esto não mola”. Ninguém pode negar que “se cadra isto non presta” é muito mais galego do que a anterior frase, que é um evidente decalque do espanhol, mesmo se o primeiro foi escrito com grafia portuguesa e o segundo com grafia castelhana. A ortografia é independente da língua. No entanto, os poderes políticos e os estados usam as grafias para unificar ou fragmentar línguas, como bem explica o Professor Bastos num recente artigo em Nós Diario. Portanto, manter o “ñ”, tirar fora o “ç” e introduzir a acentuação castelhana não são decisões que ajudem ao processo de descastelhanização que todas procuramos.

Do meu ponto de vista, o histórico debate sobre a unidade linguística é independente do processo de descastelhanização. Uma vez descastelhanizado o galego, pode haver gente que continue a acreditar legitimamente que são línguas diferentes pois o galego patrimonial e descastelhanizado manteria formas genuinamente galegas (ver tabela abaixo).

Português meridional Galego descastelhanizado Castelhano peninsular
Se calhar trabalha muito Se quadra trabalha arreo A lo mejor trabaja mucho
Vou preencher o formulário Vou cobrir o formulário Voy a rellenar el formulario
Vocês não comeram nada Vós nom comestes nada Vosotros no habéis comido nada
Talvez avançamos, aos poucos Seica avançamos, passeninho Quizás avanzamos, despacio

Como foi dito, uma vez descastelhanizado o galego patrimonial, o debate sobre a unidade do português de Portugal, brasileiro e galego continuará, sem dúvida, existindo. Muitos cenários são possíveis: talvez ideologias muito nacionalistas procurarão quebrar a unidade, mas é provável que volte a tendência à procurar acordos lexicais e ortográficos na língua formal, ou seica é possível que se constituam várias normas fortes dentro dum sistema policêntrico. Mas este é o âmbito da política linguística. Fora desse debate (que é bem interessante e no que eu sempre continuarei a participar apoiando a unidade), o que muitas pessoas queremos é um galego genuíno descastelhanizado, e pedimos que não se trave esse processo arbitrariamente na morfologia e na ortografia. Esta ideia começa mesmo a avançar entre os setores mais autonomistas: Alfredo Conde, num recente artigo, já acha bem a troca do “ñ” e “ll” por “nh” “lh”. Esse é o caminho.

E já para rematar, na página 227 e seguintes, Fernando Venâncio introduz uma interessante lista de castelhanismos encontrados em textos reintegracionistas. Um leitor português que desconheça a realidade galega poderia pensar que só as reintegracionistas cometemos esse tipo de erros, pois nunca se menciona a qualidade do galego no âmbito autonomista. A situação do galego é caótica e desesperada em todos os âmbitos. No entanto, é pertinente informar que, segundo um estudo realizado há dous anos, o uso do infinitivo flexionado nas publicações reintegracionistas do PGL é mais frequente que nos jornais brasileiros e muito próximo dos jornais portugueses. Frente a esta riqueza morfo-sintática genuinamente galega, o seu uso em médios com normativa autonomista está desaparecendo. Deixo isto a modo de conclusão e para que reflitamos sobre as estratégias mais eficientes a seguir para minimizar o processo de descastelhanização.

Paulo Gamalho

Paulo Gamalho

Paulo Gamalho nasceu em Freixeiro (Vigo) em 1969. É licenciado em Filologia Hispânica pola USC e Doutor em Linguística pola Université Blaise Pascal, França. É docente-investigador especializado em linguística computacional.
Paulo Gamalho


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  • Ernesto V. Souza

    Que cousas, Paulo… quem cuidava… XD

    Que bem o passades com os vossos robôs contadores…

    Apertas,

    Ernesto

  • José Ramom Pichel

    Fantástico Paulo. Resposta científica e matizada. Obrigado!

    • trouleiro

      … resposta “desde”? Deve ser um galicismo …..

      • José Ramom Pichel
        • trouleiro

          Mais mon cher monsieur, on le savait déjà que les isolacionnistes sont des francophiles acharnés… c’est juste parce que nous voulons arrêter cette connerie que nous nous sommes constitués en reintegrationnistes, n’est-ce pas? On sait que les Espagonels disent “desde” quand nous disons “depuis”, mais les Italiens disent “da” et les Tugas, eux, disent “de”. À quoi sert de parler comme les espagnoles en écrivant comme les portugais? C’est encore plus con, tu piges?

          • trouleiro

            Au demeurant les vaches espagnoles parlent peut-être le portugais mieux que le français…

          • Venâncio

            Vachement bien dit, l’ami international.

  • http://www.madeiradeuz.org madeiradeuz

    “Precissam” deve ser também galicismo, ou? Ou galinhacismo 😉

    • trouleiro

      A minha memória visual, especialmente ortográfica, é muito por riba da média, mais é longe de ser perfeita. Ele-como poido eu saber quando escrever “s” e quando “ss”, se o galego oral tem, em contraste co português, sesseio? O lusófono pronuncía /s/ ou /z/, o galego sempre /s/ (afora os que thetaizam à espanhola). “Galiza” em galego “desthetaizado“ (ou dessespanholizado) soa como ”Galissa / Galiça“. ”Precisar“ como ”precissar“, tanto tem.

      Já tens preparada algumha pedagogia pra resolver este problema (só um de moitos) ou teremos que andar pola vida em diante cum correutor ortográfico ao lombo … ?

      • Estevo

        Como resolves b vs v?

        • trouleiro

          Nom tem soluiçom, por isso eu nunca corrigiria a quem erra aí. O mesmo co “ss”, “s”, “z”, “ç”. Paciência e permissividade, tanto tem “estávades / estáveis” como “estabades”, entende-se o mesmo …
          O ghicho que me corrigiu é um bem conhecido argueireiro da ortografia lusista. Pra ele a língua devem ser as letras …

  • Joám Lopes Facal

    Excelente apologia e equánime atitude de diálogo.
    Gostei muito do artigo, Paulo, e até mesmo da engraçada gralha de acerbo, por acervo, (lexical castelhano) que lhe dá ao tal acervo, umha atinada reviravolta que lhe acai que nem pintada. Um bom contributo ao diálogo Norte-Sul.

  • Venâncio

    Paulo,

    Agradeço de coração a atenção dada à modesta obrinha. Reagirei mais detidamente assim que puder. De momento só estes breves apontamentos:

    – a castelhanização do português (que percorre toda a história da língua, até hoje!) vai bem mais longe do que só o léxico, abarcando alguma morfologia e muita fraseologia (locuções, construções),

    – mesmo no léxico, essa castelhanização foi imensa e, como digo no livro, «Só entre 1500 e 1600 o português incorporou 248 adjectivos de fabrico espanhol», e esses foram os que contei e os que sobreviveram na língua actual, juntem-se-lhes os muitos mais substantivos e os muitíssimos verbos (com isto cai por terra esse cálculo de 0,03%),

    – não sei onde se encontrará qualquer afirmação minha de “receio” de que o galego, por sua vez, contamine de espanhol o português, mas sim a constatação, largamente documentada, de que o “português” dos lusistas radicais já está contaminadíssimo de espanhol.

    De momento fico por aqui.
    Vai um abraço grato.

    • Venâncio

      Vale a pena dar uma olhadela aqui:

      https://www.pglingua.org/opiniom/artigos-por-data/6091-o-portugues-diverte-se-em-espanhol

      Pode descarregar-se o PDF original. Veja-se onde.

    • Venâncio

      Acrescento dois pontinhos:

      – claro que os autonomistas também se servem de muito espanhol, mas, na pena de gente militantemente contra essa situação, tanto castelhano é escandaloso,

      – não sou eu (pobre de mim) quem constata o processo de afastamento entre Português Brasileiro e Português Europeu, já que qualquer linguista brasileiro ou português o observa, e eu recordo no livro que, por exemplo na sintaxe, o PE está bem mais perto do Galeg-RAG que do PB.

      • Venâncio

        Eu sei que, para um galego, é difícil dar-se conta daquilo que é diferente em Português Brasileiro e Português Europeu.

        Vou dar alguns exemplos gramaticais (muito simples) das chamadas “restrições”, isto é, aquilo que não é permitido numa Norma, podendo sê-lo noutra.

        Assim construções preferidas em Português Brasileiro (em negrita) não existem (não são permitidas, são a-gramaticais) em Português Europeu (em romano).

        Onde ela mora?
        Onde mora ela?

        Quando eles chegaram?
        Quando chegaram eles?

        Para onde ele vai?
        Para onde vai ele?

        Onde ele vai se instalar?
        Onde vai ele instalar-se? / Onde se vai ele instalar?

        Porque o Universo é como é?
        Porque é o Universo como é?

        Ela se casou.
        Ela casou-se.

        Eu a vi.
        Eu vi-a.

        Ele irá se arrepender.
        Ele irá arrepender-se.

        Estamos nos habituando.
        Estamo-nos habituando.

        O jornal ela comprou.
        Ela comprou o jornal.

        Me esqueci.
        Esqueci-me.

        Nos rendemos.
        Rendemo-nos.

        Esse filme eu vi.
        Eu vi esse filme.

        Se vira.
        Arranja-te.

        Não quero te ver.
        Não te quero ver. / Não quero ver-te.

        Me leva na feira.
        Leve-me ao mercado.

        O que você falou?
        Que disseste?

        Não vai.
        Não vás.

        Seu endereço.
        O seu endereço.

        Em nossa cidade.
        Na nossa cidade.

        Vi o pai de vocês.
        Vi o vosso pai.

        “Me deixa ser a sombra de seu cachorro”. (Jacques Brel)
        “Deixa-me ser a sombra do teu cão”.

        • Venâncio

          Acredito que, em princípio, tudo isto seja invisível à Maquinaria-Pichel.

        • Carlos

          Todos os exemplos colocados reforçam a ideia de galego e português de Portugal seguirem, no campo sintático, exatamente a mesma lógica. Regem as mesmas regras em TODOS os casos referidos. Assim sendo, tal como Venâncio tem indicado em várias ocasions, é o brasileiro quem, nesta área, se afasta das duas variedades europeias da língua, a galega e a lusitana.
          Ainda bem que, afora certas escolhas lexicais, o português (ao menos o de Portugal!xD) nom é “um perigo espanhol para o galego” 😉
          Continuemos a interagir com mais intensidade com os nossos parceiros de além-Minho! 🙂

          • Ernesto V. Souza

            afasta-se do Português formalizado, mas não de focalizações possíveis como marcas de atenção ou rotura intensificativa no galego…

            é dizer o Brasil formalizou exceções como norma… hoje “impossíveis” no português… mas possíveis… se a moda deixa ou dá no galego, ou nalgum diaeto ou xíria do galego… que é mais livre…

          • Carlos

            Si! 🙂
            O meu comentário ia com um certo tom descontraído e brincalhom, umha vez que, numha recente conversa com o Venâncio, ele afirmava que, atendendo ao ámbito lexical, o português era “um perigo espanhol para o galego”. Para além de me parecer excessiva a sentença, eu aqui apenas frisava o facto de galego e português de Portugal partilharem estruturas sintáticas, aspeto que, portanto, longe de supor um perigo, pode ter um ótimo efeito sobre o galego, blindando o que nos é próprio face a indesejáveis intromissons do castelhano.
            Abraço!

          • Venâncio

            Sem dúvida nenhuma, Carlos. O contacto com o português pode, do ponto de vista gramatical, ser uma bênção para o galego. Quanto ao aproveitamento lexical, ele põe certas condições, que eu expus detidamente nesse artigo de 2010 (que não teve eco algum na Galiza), onde lancei a fórmula dum “enxebrismo internacional”.

    • Paulo Gamalho

      Caro Venâncio, peço desculpa porque estou com muita carga de trabalho e nom consigo acompanhar o fio da discussom. Quanto aos castelhanismos do Português, continuo a insistir. Eu assino para já qualquer acordo para elaborar um padrão galego sem castelhanismos, removendo mesmo todos os que estám no Português. Nom teria problema nengum. E repare que eu formo parte dos reintegracionistas radicais 😉

      Quanto ao receio de que o galego contamine de espanhol o português, no artigo digo que o Fernando acredita que “Os castelhanismos do galego da Galiza entrariam no português de Portugal através do português da Galiza (quer dizer, através do galego reintegrado)”. Acho que essa ideia é transmitida em várias partes do livro. Sublinhei esta frase da página 242:
      “esse mítico ‘português da Galiza’ é uma correia de transmissão para o nosso idioma. O resultado é o desfiguramento do português sob um molde intrinsicamente corruptor…”

      Sim, coincido, é um escándalo o nosso nível de castelhanização. Imagine logo como deve de ser o galego da gente que nom é militante. As minhas crianças, em infantil, aprenderam (com diferentes professores) as letras do galego em feminino: a ‘b’, a ‘c’… Mestres e mestras que ensinam a língua galega a todas as crianças. É só um exemplo entre milhares. É um cancro linguístico e todas sofremos desse mal.

      Por último, o brasileiro está a afastar-se mesmo sintaticamente. Com certeza. Mas a minha reflexom era mais bem historicista. O facto de agora afastar-se nom significa que podam achegar-se no futuro. Nem sempre as línguas/variedades estám num processo de continuo afastamento ao logo da história. Temos provas publicadas em revistas científicas sobre a evoluçom discontínua (processo com afastamentos e convergências) das línguas em elaboraçom. Mas nom é isto o que me preocupa. É apenas uma constataçom.

      Um abraço

      • Estevo

        Quanto ao receio de um “português da Galiza” contaminar de espanhol o português de Portugal: já lim alguém no Twitter tirar essa mesma conclusom. Nom tenho o livro diante e falo de memória, mas lembro ter pensado que algumha passagem do livro deixava aberta, sem fazê-la explícita nem desmentí-la, essa interpretaçom. Eu próprio achei-na moi improvável por congruência com outras ideias do texto, mas talvez nom sobrasse desmentí-la explicitamente numha futura ediçom.

  • Paulo Fernandes Mirás

    Bem falado, concordo totalmente. É mais, eu mesmo escrevi no Facebook do Venâncio um dos argumentos aqui expostos, o de “a norma é indiferente” à hora de vermos os castelhanismos no galego.

  • Ângelo Cristóvão

    Parabéns, Paulo Gamalho. Artigo indulgente perante tanto despropósito e erros reunidos num só livro.

    • Venâncio

      Ângelo,

      Chega de tiradas de franco-atirador. Já era tempo de informares os teus compatriotas dos meus “despropósitos” e dos meus “erros”.

  • Ernesto V. Souza

    Uma cousa e um pouco por discrepar…

    Que importância real têm os castelhanismos/castelanismos na língua?

    É dizer: têm importancia como marcadores de uma subalternidade política e social. Se desaparecesse a condição de subalternidade (como desapareceu no caso do português) por via política,… que importância têm?

    Isto é: estao aí e podem ser mesmo muitos, até o ponto de ser a nossa base atual um crioulo, mas…

    No caso galego se desaparecesse a subalternidade… com ponhamos por caso, um processo de independência ou uma politização maciça pro-soberanista falante e neo-falante, de um par de gerações, transcorridos uns anos… que importância teriam?

    Para que descastelanizar? se o importante é a soberania? Ou dito doutro jeito, a soberania com castelhanismos dá outro sabor à lingua…

    Apertas,

    • Estevo

      A castelanizaçom é, junto com a substituiçom, um dos processos que levam à desapariçom das línguas minorizadas. Seica o aragonés desapareceu principalmente desse jeito. Os castelanismos importam porque a língua importa. E para moita gente a língua importa em si própria, nom só como instrumento para a soberania. Para algumha gente a soberania é mormente um instrumento para proteger e prestigiar a língua e cultura.

      • Venâncio

        Caro Estevo: compreenderás, então, que um português médio (eu, como exemplo) se pergunte por que é tão marginal o “desejo de independência” entre os actuais galegos, mesmo quando assumido como simples utopia. Em suma: eu pergunto-me.

        • Estevo

          Eu também me pergunto. 🙂

          Haverá gente melhor capacitada para responder isto, mas eis as minhas impressons:

          Antes de mais, se nos estranha o baixo “desejo de independência” da Galiza é porque comparamos co País Basco e com Catalunha. Andaluzia e Astúrias talvez tivessem razons para albergar um “desejo de independência”, mas em comparaçom com estas, Galiza nom parece tam resignada.

          A diferência mais obvia da situaçom catalã e basca com respeito à galega é a cumplicidade ativa da burguesia (e até a igreja) local com o projeto nacional, no entanto que a burguesia galega é espanholista.

          Outro factor crucial é a direita espanholista ter sido muito máis hábil em cooptar culturalmente o nacionalismo. O PP de Fraga nom tinha nada a ver com o PP de Astúrias, País Basco ou Catalunha. Para avaliar o potencial (nom realizado, é claro) independentista da Galiza nom chega com constatar os modestos resultados do BNG; faremos bem em observar quanto os partidos estatais assumírom traços do nacionalismo.

          Acho este artigo esclarecedor, até para compreender algumhas das contradiçons da institucionalidade cultural autonómica.

          https://www.nosdiario.gal/opinion/carlos-c-varela/projeto-gramsciano-manuel-fraga/20170210203715054850.html

          • Venâncio

            Sim, caro Estevo, um excelente artigo, este do encarcerado Varela,que só agora pude ler.

          • Estevo

            Felizmente, já excarcerado.

      • Ernesto V. Souza

        A língua importa? a língua importa se há povo, se há nação… e vontade de Estado…

        Para mim é a contrário… eu nisto penso como com os sionistas e com a língua dos judeus…

        Apertas,

        • trouleiro

          Se os portugueses tivessem pensado coma ti no século XVII hoje Portugal nom existiria … e os portugueses seriam tam espanhóis, em mentalidade, coma ti.
          Nom se pode ser espanhol e português ao mesmo tempo. Velaí o que nom entendedes, nunca entenderedes, os lusistas.

          • Venâncio

            Palmas longas e em pé.

          • Ernesto V. Souza

            Aplaude o que? Um nick anónimo que não faz mais que me insultar e ameaçar, sem ter qualquer motivo, apenas porque não concorda com o que eu digo? sorte que essa arma é imaginária, porque se fosse real talvez vinha e me passeava…

            Sou eu o que está a dizer que os portugueses tiveram primeiro vontade política de se independizar no século XVII, depois é que a sua língua assimilou e deixou em pouco os castelhanismos que adquirira…

            Por isso digo que a caça de castelanismos, no galego é uma ficção, e irei mais longe: direi que é uma perca de tempo e que ademais é a escusa do isolacionismo para aparentar que faz algo na defensa do galego.

            A batalha da língua só vai ser ganha na política e na sociedade. Só pode ser ganha por soberanistas e independentistas conscientizados. Com castelhanismos e neo-falantes, porque nestes momentos os castelhanismos fazem parte – queiramos ou não – da língua que podemos escrever.

            Saúde

          • Ernesto V. Souza

            A história não tem volta, mas também não tem paradura. As idades de ouro são fantasias que nos construimos em presentes que nos esmagam…

            Com a língua igual. Esta é a minha língua, feita como a de todos os galegos cultos: com farrapos herdados, inzada de castelhanismos e com remendos históricos, literários e do Português…

            Deixem a gente fazer. Há infinitas vias. Cultivem a que mais gostem… Mas não neguem e ataquem as poucas iniciativas e pessoas que vão criando estratégias e caminhos que apontam o futuro.

          • trouleiro

            Tendes o direito de portunholizar o galego. Cada quem que faga como lhe petar. Mais eu tenho o direito de rir do vosso portunhol. E eu vou continuar a rir do portunhol, é umha cousa que me divirte. Bloquea este pc se queres, a mim tanto che me tem, tenho acesso a outros.

          • Venâncio

            Ernesto,

            Eu aplaudi o Trouleiro (um belo galeguismo, não é?) porque o conheço. Não há mistério nenhum. O Xavier A. anda por aqui há muito tempo, sempre camuflado, sempre lúcido e sempre independente.

            Tem publicado livros em “reintegrado” e tem uma pronúncia do galego de corar de inveja a muitos.

            O PGL conhece o IP dele.

          • Ernesto V. Souza

            No sei quem é o Xabier A. nem me importa. A mim ninguém me chama baldréu, profeta, louco nem me manda calar a boca desde o anonimato covarde…

          • Venâncio

            «Anonimato covarde»? Eu não sei quem é o “Carlos”, e tu provavelmente não sabes quem é o “Estevo”… É a vida na Internet, de que tanto gostas.

          • Ernesto V. Souza

            Se repara eu falo pouco com esses nicks anónimos… salvo que saiba seguro quem são… esses não sei e não gosto… desconfio e normalmente à terceira ou quarta réplica deixo de falar com eles…

            Do resto o seu amigo já se manifestou à brava. No sei que eu lhe fez nem que enormidades digo… Por mim pode continuar a dizer e rir de nós quanto lhe pareça, a brincar com pseudónimos e ips diversas e a me insultar, se lhe praz, sei que não teria valor de mo dizer a cara, em pessoa…

            Apertas para si… mas para mim que escolhe mal os amigos…

            Saúde,

          • Venâncio

            Ernesto,

            Oa amigos é outro assunto. Tenho amigos que nunca quereria perder, mas de que me envergonho. Que fazer? Tu sabes?

          • Ernesto V. Souza

            nem idiea… eu tenho pouquíssimos amigos… nenhum por estas partes…

          • trouleiro

            Justificardes e tolerardes os contatos, mesmo amizades, coa extrema direita portuguesa. Velaí a enormidade vossa. Se algum dia vinherdes a sair do vosso tobo (tam tobo coma o meu, só que o vosso é coletivo) haveredes de explicar essas “amizades perigosas”.

          • Carlos

            Ei, um momento! Essa é umha meia verdade, Venâncio.
            Nom nos conhecemos pessoalmente, si, mas deves lembrar que no ano passado, quando amavelmente me proporcionaste um artigo teu para ler, eu apresentei-me sucintamente, precisamente para nom ser todo tam anónimo.
            Podes revisar o e-mail para o comprovares 🙂

          • Venâncio

            É verdade, caro Carlos, essa minha “meia verdade”. Vi agora as mensagens que trocámos em finais de Junho passado. Um abraço. Não “liguei” as duas informações.

          • Carlos

            Bom, nom estava a pensar nessas, mas nas que trocamos em janeiro do ano passado. Nesse primeiro momento já me apresentei brevemente.
            Bom sábado!

          • trouleiro

            beiçom. Umha pequena achega, esta, sim, com pouca ideologia:
            http://galegopralusofonos.blogspot.com/2016/06/diferencas-entre-galego-e-portugues-i.html

    • trouleiro

      Exatamente: esse é o principal argumento isolacionista. Os extremos se tocam.

  • Mário J. Herrero Valeiro

    Sinceramente, esse senhor NÃO sabe nada da realidade linguística (isto é, sociolinguística) galega, apenas conhece PALAVRAS. É um filólogo decimonónico, um lexicógrafo muito limitado. Esse senhor NÃO sabe nada de falas híbridas, de mistura de códigos, de alternância de línguas, de manipulação do código, de nada que tenha a ver com a sociolinguística interacional ou com a análise crítica do discurso. É uma perda gigantesca de tempo e forças tentar debater com ele, porque NADA entende do que se passa na Galiza . É um nacionalista decimonónico português que pensa que as línguas são simples palavras (e como essas palavras se ordenam no discurso, sendo benévolos). Não há possibilidade de debate “científico” com ele. É pura ideologia: não quer que uma banda de galegos e galegas possa ter a menor influência na SUA língua. Admiro a vossa paciência. Esse senhor pensa como um académico político, age como um académico político e, sobretudo, relaciona-se como um académico político, juntando-se ao poder centralizado e atacando, com muito ressentimento (que não entrarei a explicar aqui), as duplamente marginalizadas margens… Nesse sentido, é um triste monolingue do poder (lembrando um muito velho artigo do Celso Álvarez Cáccamo).

    • Venâncio

      Mário, sinceramente, não te conhecia esta faceta cómica.

      [Eu sei, Doutor Mário J. Herrero Valeiro, que me ameaçaste com tribunais, se eu jamais te citasse o nome em público. Pois venham daí os verdugos!]

      Este senhor que aqui escreve nunca pretendeu ser mais que um historiador do léxico do português. Começas agora a compreender alguma coisa?

      Este senhor nunca teve a menor pretensão de entender a Galiza, quando vós próprios vos andais arranhando mutuamente dia e noite. Mas escreveu em 2010 (há dez anos!) um extenso artigo, numa conhecida revista galega, em que expunha uns princípios que poderiam reger o aproveitamento do léxico (estás a ver?) português a favor do léxico galego.

      Este senhor acaba de publicar um livrinho de 300 págs., já com 4.000 exemplares impressos, e quase todos comprados, dos quais não poucos na Galiza. E que fez este senhor? Aquilo que andou anos a pedir-vos que o fizésseis. Um livro sobre a Galiza e o galego para portugueses. Nunca o fizestes.

      E ele acabou fazendo-o à maneira dele, mostrando como o galego foi a primeira língua do Reino de Portugal, como o galego se formou séculos antes de Portugal existir, como o galego poderia hoje existir ainda que nunca Portugal tivesse existido.

      Não sei se as mentes portuguesas irão aguentar esta “mudança de paradigma”, mas facto é que a recepção tem ultrapassado tudo quanto eu poderia supor, na imprensa escrita (duas vezes 5 estrelas, em jornais de referência) e digital, na rádio e na televisão.

      Do que podes ter a certeza é que (junto com o meu colega e amigo Marco Neves) nunca, desde Rodrigues Lapa, se falou e se leu tanto sobre a Galiza em Portugal.

      Acredito que certos lusistas se sintam incomodados na sua lusopatia e neste protagonismo dado à Galiza. Mas, quanto a isso, nunca eu me fizera ilusões.

      Vive longamente e sê feliz.

      • trouleiro

        Aí falaches, meu!
        Apesar de seres amigo dos isolacionistas … FORÇA VENÂNCIO FOR EVER!

        • Venâncio

          Trouleiro,

          Não te enganes a meu respeito. Os meus mais antigos, e mais perduráveis, amigos galegos são reintegracionistas. Tu próprio pertences aos mais duradoiros… através de todos esses avatares.

          De resto, o PGL sabe perfeitamente quem tu és. Ou onde voltas sempre à saúde. 😉

    • Joám Lopes Facal

      Obstruir o debate com um discurso de autoridade é abafar o argumento a impulso do desrespeito. A tua tese, que eu tanto aprecio, dá para muito mais. Paixom nunca rima com razom.

      • Mário J. Herrero Valeiro

        Eu não debato. Nem com ele, nem contigo. Não debato com nacionalistas linguísticos, quer sejam espanhóis, portugueses nem galegos. Precisamente porque confondem razão com fé.

        • Joám Lopes Facal

          Entendido

        • Venâncio

          Interessante, chamares-me “nacionalista linguístico”, a mim que exponho os pés de barro dos mitos fundadores de Portugal e do português. Estás-te a passar, coisinho.

  • Saleta Gil

    Paulo, parabéns pelo artigo.
    Poderias calcular a percentagem de palavras com as que este senhor Venâncio se refere a ele mesmo, ao seu livro e às suas atividades nos seus comentários? Só como curiosidade. 😀

    • Ernesto V. Souza

      XD XD XD XD

    • Venâncio

      Minha Senhora:

      Não tenho a honra de conhecê-la, mas humildemente a remeto para o título e o conteúdo deste artigo do dr. Paulo Gamalho. Ou não leu ainda?

      Depois: a senhora conhece (além de Marco Neves) algum português que nos últimos 30 anos tenha escrito um livro sobre a língua da Galiza?

      Finalmente: a senhora conhece algum outro estrangeiro que tenha publicado tantos ensaios no PGL?

      Isto, só pra dar-lhe uma ideia da situação. E, por favor, baixe um nadinha a crista, tá?

  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Excelente Paulo, muito bom trabalho. Adorei
    Venâncio confunde existência de palavras castelhanas com castelhanização, e no da quantificação da frequência do uso.., Que te vou dizer…

    • Venâncio

      Que te vou dizer? Digo-to eu, Alexandre: que tu conheces estas matérias como eu conheço o marciano arcaico. Não te faças de sábio em terreno de que, como mostras, não percebes a ponta dum corno.

      • Venâncio

        P.S.

        Agradeço que um colaborador “em boa consciência” da Ultra-Direita portuguesa não se ocupe mais de mim, um democrata.

      • https://pglingua.org/index.php abanhos

        Venâncio, a mim já todo me foi dito por ti, com esta tua sábia afirmação.

        //O que é “extremista”, e vergonhoso, é ver galegos lambendo as botas dum idioma que, afinal, é só a continuação do idioma deles.//

        Após dito isso sobram debates e discussões, salvo com bons apreciadores dessa sábia sentença como o teu amigo e conselheiro sobre o galego, Alonso Montero

  • Ernesto V. Souza

    está muito interessante o PGL…

    O bem que passamos e o muito que todos nos parecemos…

    XD

    saúde

  • Ernesto V. Souza

    Prezado Paulo, estimado Fernando & al…

    Cada dia gosto menos de como estes debates
    descarrilam… vou apagar todos os meus comentários neste artigo, dado
    que nem são queridos nem produtivos…

    Algumas ideias já as desenvolverei se posso como artigos.

    Que tenham um bom dia…

  • Saleta Gil

    Quanta agressividade masculina! Faço notar que todos os que aqui se exprimiram com insultos e berros cibernéticos são homens… Espero que a coisa mude no futuro,
    fundamentalmente por respeito a todos os que visitam o PGL.

    • trouleiro

      Quanta complacência na auto-ignorância. Recordas-me a Glória Lago, cos teus apelos às «formas». Nem um só argumento deche, afora um ataque ad-hominem (contra o Fernando Venâncio) sem qualquer justificaçom ou argumento racional.

      Mas foi umha boa ajudega moral aos teus gurús lusistas, ao 90 % masculinos, e um estímulo aos seus opositores … parabens!

      De resto, o teu apelo a que «a coisa mude no futuro, fundamentalmente por respeito a todos os que visitam o PGL.» nom deixa de ser umha chamada à censura à libre expressom. Em comparança co teor dos comentários cibernéticos em qualquer outro saite, este nom é especialmente agressivo. Mas se o que querias aqui era colocar a tua agenda feminista de desforra … good try.

      Se quadra pra ti esta lideira da identidade linguística do galego é umha moda ou um aspeto inteletual ou politico, mais pra outros é algo mais vital.

  • Venâncio

    Senhores & amigos,

    Prometi voltar ao exame deste artigo do Paulo Gamalho. Tenho a dizer, e a repetir, que me agrada imensamente que o livro seja objecto de atenção no PGL. Já o foi em outros lugares na Galiza, mas o PGL é-me particularmente querido, não em último lugar pela disponibilidade sempre mostrada para publicar, ou republicar, trabalhos meus.

    Este ensaio de Gamalho pressupõe uma leitura atenta do volume, e também isso me é grato. Contudo, várias afirmações, nesse, não correspondem à realidade dos factos. Darei exemplos.

    1.
    Contra o que Gamalho afrima, em parte nenhuma do livro eu designo o Português como “lusitano”. Isto parece ter pouca importância, mas tem muita. Houve, em Portugal, nos anos 1950 e em Coimbra, uma forte tendência anti-galega (tendo por principal figura Manuel Paiva Boléo, grande inimigo de Rodrigues Lapa), que propalava a origem “lusitana” do Português, com Coimbra como centro originário. Nunca, mas nunca, eu chamaria “lusitano” ou sequer “luso” ao meu idioma.

    2.
    Escreve Gamalho «O galego da Galécia também chamado de português nortenho […]» Ele não afirma que eu assim tenha chamado ao Galego, mas parece sugerir que é linguagem minha. Não é, e nunca o seria. Historicamente, o Galego foi difundido em Portugal, mas jamais a língua da Galiza poderia receber um nome, o de Português, que nunca teve. Houve certamente, nos séculos XVIII e XIX, graças à enorme emigração galega para Portugal, e no regresso dela, uma importação de portuguesismos. E essa mesma grande presença galega introduziu, nos usos linguísticos portugueses, um bom número de galeguismos. De tudo isto eu falo detidamente no livro, dando exemplos.

    3.
    Diz Gamalho que não dou “dados” que suportem o processo de afastamento de Português Brasileiro e Português Europeu. O livro não foi feito para isso. Para um leitor português, essa matéria é pacífica. Até o ‘pai’ do Acordo Ortográfico de 1990, o professor Malaca Casteleiro, elenca, num prefácio à edição portuguesa do dicionário Houaiss, um bom número de diferenças. O processo de afastamento iniciou-se já há séculos, mas só por volta de 1850, com os romances de José de Alencar, ele saiu à luz do dia, com grande incomodidade dos reaccionários portugueses. Hoje, a Norma do PB está adequadamente descrita, e as crescentes diferenças estruturais com a do PE já não podem ser camufladas.

    Este é, eu sei, um tema tabu para o Reintegracionismo galego. Não admiram as reacções sempre defensivas que o tema suscita. A invenção reintegracionista do “luso-brasileiro” é a amostra mais visível desse incómodo. E podemos crer que, por volta do ano 600 d.C., algures na Lusitanidade, algum movimento “reintegracionista” terá erguido brados contra o processo de desmembramento do Latim em italiano, occitano, francês, catalão, castelhano e… galego.

    Por aqui me fico, com um abraço grato.
    Fernando

    • Ernesto V. Souza

      Isso sim é interessante para o debate. Fico grato de que a cousa se reconduza a intercâmbio de opinião e contraste de ideias.

      • trouleiro

        Tanto tem quem eu som, e tanto tem que tenhas apagado os teus comentários.
        Alguém ainda está à espera que ti, o Cristobo e mai-lo Banhos ceedes nas vossa declarações anteriores de justificaçom da colaboraçom / amizade coa extrema-direita portuguesa.

        Sim, essa SALAZARISTA e NEGADORA DO GALEGO.

        Se tivesses a vergonha que dis ter, responderias a estas acusações CONCRETAS, em vez de andares a apagar os teus comentários (entre os quais um em que defendias a existência dos filo-salazaristas no reintegracionismo).

        • Ernesto V. Souza

          Mas eu que calho lhe pisei?… fiz alguma cousa contra o senhor ou a sua família?

          Todo o mundo sabe que eu com essas cousas cativas não tenho nada a ver… Nem é preciso dizer… qualquer pessoa neste espaço, até o Venâncio vai garantir…

          Venha homem… relaxe… e venham as pazes… dous não brigam se um não quer… e eu não quero…

          ps. essas acusaçoes pensei que eram parvadas e as minhas respostas eram retranqueiras… não apaguei, estão nos comentários no meu artigo do outro dia. lá era a minha casa… mas cá apaguei, porque o artigo é do Paulo e o debate do Fernando e eu não me queria, nem devia, reconheço ter me entremetido…

          • Venâncio

            Ernesto,

            Às três da madrugada, não paro de rir.

            O meu amigo “Trouleiro” é realmente fabuloso. Em todos os sentidos. Nunca nos encontrámos na vida, mas guardo ciosamente todos os mails que trocámos. Agora vejo que é também um grande ficcionista.

            Mas um ficcionista irresponsável. O sr. Banhos, que já está inteiramente lelé da cuca, vai agora ter um problema matrimonial.

            Acabo de enviar ao meu amigo ########## um urgente alerta para este artigo. O pobre, no seu exílio moçambicano, tem direito a alguma diversão europeia.

          • Venâncio

            Constata-se, entretanto, que o sr. Banhos continua presa do seu delírio, dando agora conselhos de tratamento a um “##########” que só existe na sua confusão mental.

            E deu-se uma baixa em campanha: a do amigo Ernesto, que não aguentou a sanguinolenta cena, porventura a mais hilariante na longa vida do PGL.

            Que um diálogo entre dois sisudos linguistas, o sr. Gamalho e eu, tenha dado azo a esta interrupção colorida e burlesca, eis o que me desperta para a realidade do Mundo. Ele existe vida, e que vida, para além da Linguística.

        • https://pglingua.org/index.php abanhos

          Trouleiro é ##########.
          Conhecim ao ##########e seu irmão, se nom me engano no Iii Congresso Internacional da Língua galego-portuguesa na Gz, 1990 ou quiçá fosse antes no II congresso.
          Eram uns rapazes muito espabilados e sábios já. O trabalho de elementos como eles e outros também bem valiosos, fijo possível a brilhantíssima atuaçom da Meendinho em Ourense ainda sem comparança.
          Ao chegar o século XXi coincidim bem amiude com ele em Madrid, durante quatro anos trabalhamos muito juntos, e tenho que dizer que combinavamos bem os dous, muitas horas e almoços compartimos. As cousas feitas em conjunto eram muito melhores que se fossem feitas por mim ou por ele, e sempre foi assim.
          A nossa relaçom foi bem intensa e entendiamo-nos muito bem. José Manuel tinha em mim e eu achava nele, um bom amigo para tudo o que se quiser.
          No ano 2007 eu fum presidente da Agal e ele o Secretário, entendiamo-nos de maravilha.
          Fiquei muito apenado de não poder assistir a sua boda, mas figemos-lhe um presente que sabiamos que ia gostar.
          O trabalho juntos foi bem intenso, e o sucesso induvitável que houve durante a gestom sob a minha presidência, deve-se a todos, e especialmente a##########.
          Havia tanta confiança que nalgum caso que ficou enfermo, ia-lhe comprar a comida e levar os remédios.
          Eu afirmara repetidamente com ele e com bem mais gente, especialmente no Conselho. Que pronto deixaria a presidência da Agal e que ele reunia as melhores condiçons pra ser o proximo presidente. Era novo e havia que trazer as novas geraçons.
          No ano 2004 esteve o Fernando Venâncio na Galiza, e eu recibim-no na minha casa e o tratei do jeito que trato a todo o mundo, bem, e fornecendo-lhe qualquer cousa que precisar. Até penso que fum eu que colocou ao ##########em relacionamento com Venâncio.
          Venâncio é pessoa que pode ser agradável, dizer cousas interessantes, mas é absolutamente venenoso, intrigante e muito má pessoa. Que as vezes possa fazer algo bom nom lhe tira o seu veneno.

          Sendo presidente da Agal acordamos impulsionar e colaborar pra que vinhesse a nascer uma Academia galega da língua portuguesa. Muitas vezes tinha falado com ##########do português da Gz. Acho que me acompanhava numa jornada europeia da administraçom no INAP em Madrid, falava um sueco, um austriaco, um holandês, e uma portuguesa que ia falar da situaçom dos servidores públicos em Portugal, os seus ordenados e a sua reforma e os ordenados dos reformados. A diretora geral como boa portuguesa a falar em madri, ia usar o castelhano. Eu, e penso que com ajuda do ##########, convencemo-la pra usar o português. A Traduçom foi horrivel, ninguém entendeu nada. Mas a hora das perguntas eu pedim falar, e digem: Como galego, e hoje que se usou a minha língua, o português, vou-lhe fazer a pergunta, ha tradutores, em português.

          Como um resorte se ergueram uns quantos bárbaros na sala, como português, será galego….mas manteve me firme. (########## poderia informar como representando a espanha eu usava o português…acabava sendo aceite como muito esquisito…e sempre com os parabens dele.

          Ao acabar o ato fum arrodeado por civilizados espanhois agindo ao seu civilizado modo.

          Muito comentamos ##########e eu sobre o efeito do nome da língua, pois nom é integrável no projeto da espanha, uma Gz que desse simples jeito se afirma não espanhola.

          A nossa direçom da Agal fez uma campanha de projeçom da Gz em Portugal de grande sucesso. Uma vez lembro o josé ramom pichel a dizer-me, como o faz, estamos os galegos e a agal em todos os meios portugueses, até nos jornais de graça.

          Esteve todo o reintegracionismo junto em Lisboa.
          ##########sempre me comentava do que tratava com Venâncio, que acabou por ser uma espécie de conselheiro áulico.
          Depois de novembro de 2008, ##########começou a fazer reparos no que se fazia, sofria muito, começava a ter problemas com todo tipo de companheiros, lembro uma bronca irracional com o Vítor Lourenço.
          Começou a haver problemas até com as atas, apareceu o joio nas reuniões.
          Isso acelerou o processo do Conselho de dar os passos pra ser substituído.
          Eu ao José Manuel considerava-o um amigo, que além de mais cousas penso que me tinha que conhecer bem, eu ademais de amigo tinha por ele um grande carinho fraternal, podia contar comigo para o que precisar.

          Foi minha mulher a que me convenceu a romper de jeito total com ele, dizia, o estás passando mal e ele tem problemas que não vás poder resolver.
          Atualmente trabalha em Maputo e eu desejo-lhe todo o.melhor pra ele, e segue como é óbvio em total combinaçom com Venâncio que o manipula e o usa, dum jeito bem sujo.
          ########## câmbia muito de niks, mas sempre que aparece Venâncio o saca pra dizer asneiras que ele ri… Como se nom fossem dele, do próprio Venâncio e seu veneno.

          • Ernesto V. Souza

            uff… fico sem palavras… não sabia nada disso tudo que contas… quanta gente rota e queimada fica no caminho do reintegracionismo…

            espero que um dia a não tardar muito ganhemos a partida, porque nem vai merecer a pena… tanto fracasso pessoal, tanta gente que toleou, tanta miséria e amargura…

            apertas

          • trouleiro

            Hai muitas mais cousas que nom conta, nem eu quero contar, porque outramente isto torna-se num saite XXX …
            Mas já que contamos lembranças, moito antes de ir pra Madri e Maputo, quando eu estava no Vietname …
            https://www.youtube.com/watch?v=Jts9suWIDlU

          • trouleiro

            E já que queres fazer público as cousas privadas, porque nom as contas todas? Por exemplo, quando tua mulher se botou a mim aquele dia que marcharas comprar-me os remédios? E ti nom desaprovaches dessa relação, ou, porque nom contas isso tamém, aqui em público?
            E quando eu che deixei bem claro que nom queria saber de ménage à trois, que me bastava com tua dona, ti te remontache e liscache batendo a porta, ele-nom contas isso tamém?
            Por isso lisquei eu pra Maputo, pra nom ter que te acusar de assédio sexual. Porque daquela eu ainda nom odiava os lusistas. Mais agora é demasiado tarde, nom vou agochar o meu ódio por todos vós, cos todos os vossos tils de nassalidade desnecessários e homosexualidade sem cancelas.
            Eu tamém tenho amigos entre os Salazaristas, em realidade isso nom é problema (o João e o Manuel perguntárom-me por ti o outro dia, num jantar de irmandade que tivemos cos colegas neonazis de Cabo Verde).
            O problema é que sodes uns devassados, ides-vos afundir nos infernos, exatamente coma a Atlántida, que ninguém se lembra dela já (embora eu estea a ler um livro sobre ela nestes dias).
            Sayonara

            José Manuel “Maputo ceive” Outeiro.

          • Venâncio

            ;-))))) És um ficcionista e pêras, grande X.A.

          • trouleiro

            Obrigado Fernando, mas se eiqui hai algum ficionista de mérito, esse é o senhor Banhos.

            Repara: toda essa história do tal Outeiro (coitado) e seu irmão, a sucedida campanha em Portugal e o português falado em Madri, a doença e os remédios fraternais, a tua mentoria venenosa sobre ele, as liortas co tal Vítor Lourenço e demais lusistas … nom hai fiçom que que se poida igualar à realidade. Eu só fum amarrando as pontas soltas que me levárom a sua dona.

            PS – se ti riches, nom podes imaginar eu … venham os tribunais!

          • Venâncio

            “Trouleiro”, caro X.A.,

            É nítido, foi-o sempre, que para o Banhos e Cia. o idioma constitui factor secundário, Caso contrário, já teria atentado no modo como te exprimes. que nunca seria o do vero ##########.

            Não porque o ########## desconheça o Galego lídimo em que rediges. Conhece-o como poucos. Mas tu tra-lo para este nosso patamar aqui, que é o duma conversa sábia e cinzentona.

            O que é triste é que um ex-Presidente da AGAL venha botar cá pra fora velhos traumas, diante de tão inesperada e boquiaberta audiência. Alguém amigo deveria chamá-lo à razão. Só que a correcção fraterna não é o bem mais encontrável nestas paragens.

          • trouleiro

            Isto aquelava-se de maneira civilizada:
            https://www.youtube.com/watch?v=cRdgcFL0Jfk

          • https://pglingua.org/index.php abanhos

            Trata-te. O ódio vai acabar contigo

          • PGL

            Fôrom editados vários comentários em que se afirmava um utilizador ser X ou Y pessoa. Isso é absolutamente desnecessário para o debate.

            Também fôrom apagados comentários de um utilizador que insultava gravemente várias pessoas.

            Cumprimentos.

    • trouleiro

      Acho que foi fulcral que um defensor da ortografia portuguesa “tout court“, coma o Gamalho, tenha dito num artigo do PGL que:

      «Também não tenho problema nenhum em construirmos uma norma galega diferente da brasileira e da portuguesa e mesmo botar abaixo Acordo Ortográfico»

      Nengum dos lusistas deste foro fijo um comentário ao respeito. Houvo um que apontou pra um meu erro ortográfico, e mais outro que dixo:

      «Parabéns, Paulo Gamalho. Artigo indulgente perante tanto despropósito e erros reunidos num só livro.» … sem dar nengum argumento a favor ou em contra do que está a questionar um dos seus mais “badalados” principios por estes eidos.

      E o senhor Banhos, coma sempre, amolando o pataco e jogando a bola fora, ao mencionar-te ao lado dum hiper-isolacionista.

      A propaganda desta gente é dabondo ruim.

      PS pra lusistas: o significado do português / galego ”ruim“ nom é exatamente o mesmo de ”ruin“ em espanhol. Nom vos encabuxedes sem motivo.

      • Venâncio

        Se bem percebi, o “ruin” castelhano é moralizante, enquanto o galego/português fica no terreno do inadequado ou insatisfatorio.

  • Venâncio

    Caro Paulo Gamalho,

    A sugestão de “libertar” o Galego, e de caminho o Português, dos seus respectivos castelhanismos tem de ter em conta algumas condicionantes.

    E abro já um parêntese para lembrar quão importante seria, alguma vez, um magno simpósio, em que entrariam galegos e utentes de castelhano e português, e em que se debateria uma questão premente mas nunca encarada com a seriedade que se impõe: que relação mantêm exactamente Galego e Português com o Castelhano. Por mim, já tentei dar-lhe resposta, mas a minha voz, tenho de constatá-lo, não chega longe.

    Uma coisa é absolutamente nítida: enquanto um falante galego seria, em princípio, capaz de identificar os castelhanismos de que dispõe, isso seria, para um falante de Português, impossível, pois ele ignora liminarmente o Castelhano.

    Dou três exemplos coloridos. Eu posso advertir os meus companheiros de idioma de que boquiaberto, ponteagudo e cabisbaixo são criações da Meseta que os falantes de Português adoptaram. E depois? Eles olham-me com olhos vazios e passam a questões que deveras os interessam.

    Quero dizer: a atitude cognitiva de galegos e falantes do Português diante do Castelhano é inteiramente diversa e irredutível. Sendo assim, a proposta de banirem dos seus usos os materiais castelhanos que gerações anteriores vieram adoptando, essa proposta é, no caso dos falantes de português, totalmente inviável.

    Eu gostaria de saber como poderiam os galegos ir-se afastando dos seus castelhanismos. Acresce que eu tenho ideias sobre isso e já as expus há dez anos. Mas importaria conhecer, aqui, a perspectiva da linguística galega.

    Um abraço.
    Fernando

    • Venâncio

      Quero lembrar (como insistentemente recordo no livro) que o processo de castelhanização do Português vai bastante mais longe que a simples importação de lexemas, que foram, como é sabido, uns largos milhares.

      • E. Vazquez Souza

        Prezado Fernando,

        Interessante isso. Eu tenho uma outra interpretação a respeito. Como apontei, justamente valendo-me do exemplo e estratégia assimilativa, apoś idependência política e social de Portugal, acho irrelevante para o galego os castelanismos/castelhanismos e portanto uma perca de tempo e uma ilusão demorante o esforço na caça de castelanismos…

        Porém não vou debater mais nestes foros. Não aguento esses comportamentos e o teor violento e irracional destes diálogos, não sei que pretendem. Se tenho tempo escreverei um artigo a respeito. E de qualquer jeito, se quer debater comigo ou intercambiar ideias, faça, por favor por correio privado.

        Atenciosamente,

        Ernesto

        • E. Vazquez Souza

          Como já leu, apago o comentário também, saúde

          • Venâncio

            Ernesto Vázquez Souza fez aqui um comentário adequado e atencioso, como é seu timbre. Respondi com a gratidão correspondente. Mas era tarde. Ele já tinha apagado o dele, impossibilitando o meu. Assim funcionam estes sistemas. Para o pior e para o melhor. Fica um abraço… que seja ainda legível.

          • E. Vazquez Souza

            Sem problemas, o dito… abraço

  • evazsou2

    Cansei, a sério, desta nau dos loucos… eu baixo nesta parada…

    Fiquem com bem… mas comigo nunca mais.

    saúde,

  • Celso Alvarez Cáccamo

    Obrigado pelo artigo, meu. Gostei muito. Bolacha, acepipes, presunto, porreiro. Há que acabar com o galego. De vez. Viva Salazar.

    PS: Não respondo a pessoas bloqueadas.

    • Luis Trigo

      Eu não vejo nenhum português ajuizado de esquerda ou direita a dar vivas a Salazar, como piada que seja. Como sabe, o Salazar ajudou o Franco. Desafio-o também a dar vivas a Franco. Eu não seria capaz de o fazer em qualquer circunstância, nem como piada surreal. Tal como a do Salazar ficará consigo. Apenas não consigo ver ninguém de Portugal ou da lusofonia a apreciar este humor…

      • Celso Alvarez Cáccamo

        Leia as acusações falsas que certa gente faz sobre que os “lusistas radicais” galegos são amigos da extrema direita portuguesa, e compreenderá a ironia. Não é humor não: é consequência da loucura dessas insidiosas acusações contra certos galegos, por mentes doentes que só produzem discursos doentes.

        • Luis Trigo
          • Venâncio

            Caro Luis [eis-me sem acentos],

            Claro que esse volume de 1997, editado pelo PNR, em que colaboraram meia-duzia de lusistas, foi alucinacao minha.

            O nome da editora, Nova Arrancada, tipicamente de Ultra-Direita, saltou da minha adoentada fantasia.

            Mas tente a pagina da editora, procure “GALIZA PORTUGAL UMA SO NACAO”, e pode ver-me a materializar objectos escritos. 😉

            Esse Celso saiu-nos um brincalhao.

          • Luis Trigo

            Sim, Fernando, Venâncio, não vale tudo. Talvez este pessoal ignore o que aconteceu a Alcindo Monteiro pouco antes. Ou as perseguições que ainda hoje são notícia. Eu estou quase sem palavras, não há justicação nesta fuga para a frente que inclui dizer as maiores barbaridades. Ainda é pior que… Nem sei…

          • Mário J. Herrero Valeiro

            Luís, com licença, acho que não está a entender os comentários do Celso. A retranca galega pode ser complicada, é um tipo particular de ironia própria dos historicamente derrotados. O reintegracionismo é transversal: infelizmente, conheci algum reintegracionista nazista e, felizmente, conheço muitos reintegracionistas anarquistas. A análise do senhor Venâncio (não sei o que escreve aqui, por saúde mental) é, simplesmente, uma mentira insidiosa. O reintegracionismo é ideologicamente plural, como o isolacionismo (que abrange da extrema-direita espanhola a uma parte do independentismo galego, designadamente a estalinista). O desconhecimento da situação sociolinguística e glotopolítica galega que demonstra o senhor Venâncio é quase absoluto. Ressentimento, ignorância, interesse ou demência. Saúde.

          • Luis Trigo

            Eu consigo compreender a transversalidade do reintegracionismo, não consigo ser condescendente com ligações à extrema direita do meu país. Se querem ser transversais na vossa retranca dêem vivas a Franco. Eu continuarei a não achar piada, mas assim a coisa fica só convosco.
            Saúde

          • Mário J. Herrero Valeiro

            Eu também não sou condescendente… Poderia mesmo explicar debates internos há muitos anos relacionados com essas ligações (com um indivíduo português de extrema-direita, um!). Mas a questão é que essas ligações foram absolutamente intranscendentes e vinculadas à atuação pessoal de alguns indivíduos isolados. Portanto, não há relação do reintegracionismo, movimentação transversal e plural, com a extrema-direita portuguesa. Há, sim, reintegracionistas, um, dois ou três, de extrema-direita. Há muitos mais reintegracionistas anarquistas. Que o senhor Venâncio fale da relação entre anarquismo e reintegracionismo… Não sei se me explico… Saúde.

          • Estevo

            Hai um livro do daquela líder do PNR co logótipo da AGAL? Participou a associaçom da apresentaçom desse livro? Todo o mundo comete erros, mais o primeiro passo para perdoá-los e passar página é reconhecê-los e repudiá-los.

          • Mário J. Herrero Valeiro

            Caro anónimo, desconheço de que estás a falar. Podes esclarecer? Entrei tarde na AGAL. E já não sou sócio. Eu estava a falar de um mínimo debate na Associação de Amizade Galiza-Portugal em que alguns deixamos bem clarinho que, com o fascismo, nada. Só a sua destruição. Seja como for, tenho como norma não debater com anónimos.

          • E. Vazquez Souza

            Não entendes… ?

            Ui sim… ponhamos o capirote a todos os que pecaram, os que atentaram contra a nossa única verdade e exijamos a sua queima pública; apaguemos o seu nome das nossas listas e retiremos-lhes todos os seus direitos civis…

            Exijamos as associações que se expliquem e que façam declarações públicas rejeitando esses indivíduos e abjurando todos da sua falsa fé e declarando que, sem matizes, todos que aceitamos as proclamas e os manifestos de todas as correntes,
            ideologias e ismos, isso ou seremos também condenados… pois todos têm a verdade única na sua palavra.

            A incapacidade para compreender e só dar ouvido às nossas obsessões, a impossibilidade de compreender matizes é o símbolo do nosso tempo…

            esse reaccionarismo brutal, que nos devora…

          • E. Vazquez Souza

            E sim… caro Mário, que converse com anónimos quem quiser… eu nunca mais…

            Apertas

          • Estevo

            Nom som anónimo, apenas desconhecido aqui. O meu nome é Estevo Urbano Caamanho Castro (o meu BI pom Esteban e Caamaño, por preguiça minha; tamém pom que som espanhol). Som “Estevo” no disqus e twitter, e “euccastro” onde for. Hogano nom uso outros nomes nas redes.

            A minha relaçom pessoal co reintegracionismo organizado é escassa, embora ser sócio da AGAL desde tempos (acho) da presidência de Banhos. No “entorno”, figem parte da comissom geral da Semente Compostela e fum delegado nas assembleias nacionais, cousas que espero poder retomar este ano. Nas reunions para argalhar a escola de primário coincidim com Valentim Fagim (a quem conhecera numha reuniom de boas vindas a novas sócias da AGAL), e polo choio da companheira conheço Miguel Penas. Com o Celso coincidim na Gentalha na primeira reuniom da malograda Mancomunidade Integral Galega, um intento de fazer algo na Gz análogo à Cooperativa Integral Catalã. Nessa reuniom eu nom falei quase nada. Depois daria bastante a nota, mas nom sei se o Celso seguiu as listas de correio e nom me lembra vê-lo em seguintes assembleias. Portanto provavelmente el nom faga ideia de quem som.

            Falo dum dos livros cuja portada aparece aqui:

            https://cronicasgalegas.wordpress.com/tag/lusismo/

          • Mário J. Herrero Valeiro

            Então, quantos reintegracionistas fascistas conheces? Eu mesmo conheci um reintegracionista nazista… E sabes o que era CEDADE? E outros grupúsculos? O reintegracionismo ocupa todo o espaço das ideologias políticas. E? Tudo é ETA? Todos os espanhóis são fascistas porque VOX é fascista? Que debate mais profundamente ridículo e venenoso.

          • Estevo

            O meu interesse e opinions neste tema estám delimitados neste post. Se depois de lê-lo segues pensando isso podemos seguir falando:

            http://disq.us/p/26ylero

          • Celso Alvarez Cáccamo

            Estevo, não, não te situo bem. Estivemos a falar depois daquela assembleia, talvez com Belén? Não, eu não continuei indo, nem estivem em qualquer lista (ou não lembro).

            Quanto ao tema: de novo, o livro existiu e existe, claro. Mas a fonte essa, “Crónicas galegas”…

          • Estevo

            Nunca falamos pessoalmente. Na lista de correio dei bastante a vara, por isso pensei que che poderia soar se estivesses cadastrado.

            A fonte tampouco me inspira credibilidade ningumha. Se a AGAL sacasse um comunicado dizendo que essa portada e essa foto som photoshop, ou que hai qualquer outra manipulaçom aí, eu em princípio acreditarei.

            Mais mesmo que fosse OK Diario: a baixa credibilidade da fonte nom dispensa a necessidade de responder a umha acusaçom dessa gravidade.

          • Celso Alvarez Cáccamo

            Senhor Luis Trigo:

            Conheço perfeitamente o fascismo. Meu avô foi assassinado por Franco. Tenho idade suficiente para ter estado, de moço, no Portugal de Salazar. Lembro perfeitamente a queda do fascismo o 25 de abril de 1974, e como essa revolução foi sentida na Galiza como própria, como a mudança (simbólica) que não tivemos. Sou tão antifascista como você ou mais.

            Imagine que alguém me acusasse de fazer-lhe as beiras à extrema direita espanhola. Não teria qualquer problema em ridiculizar essa acusação, dizendo, por exemplo: “Ej que sí, hombre, carajo. ¡Hay que matar a todoh loj comunistas! Vivajpaña! ¡Viva Franco, Cojones!”.

            Esse foi o tom do meu comentário (outros comentários, nem sei) mencionando Salazar: ridiculizar precisamente aquelas pessoas que, mentindo, distorcendo, manipulando e exagerando, vinculam algum setor do reintegracionismo galego com uma conivência com a extrema direita portuguesa. Pessoas que fazem isso, a generalizarem contra um setor do galeguismo linguístico na base de um ou dous comentários isolados de reintegracionistas isolados, merecem o meu mais absoluto desprezo. Mesmo a etiqueta que eles utilizam, “reintegracionismo/lusismo radical”, é profundamente reacionária.

            Dirija as suas críticas contra quem demoniza assim um setor do reintegracionismo, não contra esse setor falsamente acusado.

            Saúde,

            Celso Alvarez Cáccamo

            PS: Não faço ideia do comentário que tenha feito o senhor Fernando Venâncio à sua própria resposta neste fio, porque de há tempo tenho bloqueado esse usuário, nem sei o que ele diz, escreve ou publica.

          • Luis Trigo

            Não quero arrastar esta discussão, nem entrar numa competição de anti fascismo, ou lembrar familiares q foram forçados a ir para uma guerra colonial num sítio q nada lhes dizia. Eu vi condescendência nesse um ou dois comentários sobre a ligação à extrema direita. Foi apenas isso me que vi. Senti me magoado com essa piada do Salazar e não vou dizer mais nada porque a partir daqui só nos podemos magoar mais.
            Saúde

          • Venâncio

            Caro Luis,

            No autocarro entre Beja e Mertola, viajo falho de acentos.

            O que estes dois academicos da AGLP aqui desenham é uma caricatura da informacao factual que venho dando.

            Em casa, se me der a vontade, pormenorizarei. Vou repetir-me, o que é lixado.

          • Luis Trigo

            Ó Fernando Venâncio, se se vai repetir para que serve? O comentário fumegante foi repetido várias vezes, toda a gente se mostra altamente indignada e parece que o comentário é uma alucinação. Num dos comentários que desapareceu reconheceu se que afinal não seria uma parvada. Eu não quero entrar nesta alucinação. Não tem sentido repetir o q já foi repetido, nem as grandes proclamações. As pessoas ficam com o q dizem… Vá com calma e acalme se. Já foi tudo dito.
            Saúde!

          • Venâncio

            Agradeço penhorado as suas sábias palavras, Luís Trigo.

          • Luis Trigo

            Caro Fernando Venâncio, não vale a pena exasperar nos com coisas q são óbvias – faz nos literalmente perder a razão e dizer coisas que não devemos. Eu compreendo que haja transversalidade nos movimentos e organizações, incluindo idiotas e idiotice. Agora se eu estou a ouvir uma grande idiotice ao meu lado, não vou fazer de conta que não está a acontecer, muito menos se fôr apenas isolado. Vou tentar esclarecer de alguma forma. De qualquer forma eu não diria nada também se não me sentisse directamente afectado. Fazerem me sentir que estou a alucinar… Vamos com calma.
            Abraço

          • Venâncio

            INFORMAÇÃO NECESSÁRIA PARA O ACADÉMICO HERRERA

            Da página com ligação abaixo (tem a capa do vergonhoso livro), destaco e gloso:

            «Un dos participantes [ALEXANDRE BANHOS] chegados do norte do Miño e membro da chamada AGAL, mandou esta comunicación:

            «“Cumpre que Portugal se galeguize, isto é, que seja consciente de que ele nom é, nem foi nunca, concecivel sem a existencia duma Galiza galega, quer dizer, portuguesa. Outra cousa suporia o reforçamento de Castela-Espanha, e nom caberia nesse contexto optimismo algum a respeito do futuro do Povo Lusitano.”

            «Como resumo do falado naquela reunión, publicouse tres anos despois o libro “Galiza Portugal uma só nação”, na editorial que Antonio da Cruz dirixía en Lisboa, edicións “Nova Arrancada”, unha empresa adicada a publicar libros de temática fascista e de defensa da dictadura de Salazar.»

            https://cronicasgalegas.wordpress.com/tag/lusismo/

            Clicar na imagem do livro para ampliar. O carácter salazarista da editora é iniludível.

          • Venâncio

            P.S.

            Conclui-se que Banhos e os seus tiveram 3 anos para ponderar a publicação na editora fascistóide, e avançaram com ela.

          • Celso Alvarez Cáccamo

            Não serei eu quem defenda (todo o contrário) passados contatos e/ou colaborações entre algumas pessoas da Galiza e a extrema direita portuguesa. Como diz o Mário Herrero neste fio, são casos isolados e intranscendentes para o futuro do galego e para a política galega no geral (e portuguesa, sem dúvida).

            O que admira profundamente é que deliberadamente se ignore que a maior aliança e conivência entre um setor da cultura galega e a extrema direita foi e é a representada pola conivência e aliança do isolacionismo linguístico (como ideologia e prática) e o Partido Popular espanhol, chefiado durante anos polo fascista Manuel Fraga Iribarne e hoje polo liquidacionista liberal Alberto Núñez Feijoo. Parece incrível que se destaque o mínimo contato dalguns reintegracionistas com a direita portuguesa e se ignore que é a direita do Capital (galega, espanhola e internacional) que tem interesse no desaparecimento desse pedaço da língua portuguesa geral e da cultura galego-lusófona geral que é chamada de galego, a nossa língua nacional na Galiza. Enquanto se critica o “lusismo radical”, generalizando de maneira indecente, fazem-se-lhe as beiras aos linguicidas do galego.

            Em resumo: há inumeravelmente muitos mais fascistas e ultradireitistas que seguem a ideologia linguística isolacionista do galego, do que “lusistas radicais” ultradireitistas. Vai-se compreender isto de vez, e deixar de envenenar o campo reintegracionista? Suponho que não.

            Saúde.

          • Luis Trigo

            Caro Celso, acho bem que condene as ligações do isolacionismo à extrema direita, assim como gostaria que condenasse as ligações do reintegracionismo à extrema direita e à xenofobia, principalmente as do meu país. Sendo poucas deverá ser ainda mais fácil. Dá para perceber isto? Se até agora não percebeu… Haja esperança. Saúde

          • Celso Alvarez Cáccamo

            Caro Luís, parece um político do Estado Espanhol exigindo outros políticos “condenar explicitamente” a violência da ETA durante décadas e décadas, so pena de ilegalização e até encarceramento. Se não compreende bem o que estou a dizer, é que não compreende ter sido derrotado por um fascismo que nunca acabou (em Portugal o regime caiu; em EspaÑa, perpetuou-se).

            Eu condeno todas as ligações ou conivências comprovadas de qualquer pessoa com a extrema direita.

            Também condeno a demagogia. O reintegracionismo como tal não é reacionário. O imperialismo linguístico (“não me toquem a minha Língua Nacional Portuguesa introduzindo o seu contaminado galeguinho nela”) sim.

            Saúde.

          • Luis Trigo

            O Celso é bom a avaliar as pessoas, mas eu não vou entrar no seu jogo do espanholismo. Parece q já entrou na parte de dizer uma barbaridade aleatória para magoar. Faça o q quiser com a eta, meta a no sitio que achar melhor. Fale me dos jogos olímpicos e da paz no mundo. fique com a sua língua de vaca e nacional e internacional e tretas. O q fica em evidência é a sua complacência com a xenofobia no meu país. É só o meu país e isso importa para mim. Passe bem e bons sonhos

          • Estevo

            https://en.wikipedia.org/wiki/Tu_quoque

            Eu acredito bem que a imensa maioria do reintegracionismo nom aprova esses contatos. Mas essa nom é a questom. Se vários representantes destacados da AGAL(/ALGP?) acedêrom a publicar numha editorial de extrema direita “porque Gz tem interesses”, e se o daquela líder do PNR publicou e apresentou um livro coa AGAL[1], isso parece-me objetivamente sério abondo para exigir umha aclaraçom, repúdia e desculpa oficial e pública da associaçom, até para esconjurar essas generalizaçons e poder passar página.

            [1] https://cronicasgalegas.wordpress.com/tag/lusismo/

          • Celso Alvarez Cáccamo

            Lembro algo da polémica naquela altura. Não faço ideia agora de quais pessoas galegas colaboraram nesse volume. Mas, como dizes tu, “essa não é a questão” AGORA. Agora a questão é que se continua a demonizar o “lusismo radical” (sic), sempre sem indicar nomes mas manchando grupos inteiros, de maneira que a impressão que se dá, tipo “el entorno de ETA”, é que a posição do AO lusógrafa, representada, p.ex., pola AGLP, está alinhada com a extrema direita. Num contraste a três bandas, então, salva-se desta demonização obviamente a posição ILG-RAG, mas também a mais recentemente criada AEG (“-omista”, para entender-nos).

            Como diz o Mário Herrero neste fio, neste novo “cherry-picking”, por utilizar o enquadramento do Valentim Fagim no seu excelente artigo de Praza, não se menciona que o “lusismo radical” também é praticado por independentistas, anarquistas, comunistas… O dado que se oferece é que alguma vez no passado algumas pessoas dalguma associação reintegracionista colaboraram academicamente com direitistas portugueses. A partir daí, generalização. Chama-se intuito de deslegitimar uma posição inteira, ponto.

          • Estevo

            Antes de mais, concordo com que nom cabe acusar nem o reintegracionismo em geral nem ningumha das suas variantes normativas de conivência com o fascismo. Nom conheço ninguém pessoalmente, grafe de qualquer jeito no espectro desde a norma AEG até o AO+padrom português, de quem tenha essas suspeitas. E si, nom é mais lícito acusar a quem escreve em AO+padrom português na Galiza de “compartilhar norma” com quem colaborou com fascistas, do que seria acusar a quem escreve em português em Portugal de compartilhar norma com esses mesmos fascistas,
            ou, como dis, do que seria acusar a quem escreve em RAG de “compartilhar norma” com um fascista e assassino como Fraga etc.

            Eu digo é que aqui hai um assunto que, polo que vou sabendo, nom foi resolto. No artigo que ligo no post a que respondes, de que aliás nom figem maior comprovaçom, aparece a portada um livro do que disque na altura era líder do PNR co logótipo da AGAL, e o artigo di que a AGAL acompanhou a apresentaçom desse livro na Galiza. Suponho que tenha sido algo pontual e que seria impensável um tal episódio repetir-se hoje, mais isso nom dispensa a necessidade de que a AGAL aclare isso e o reconheça como um erro. Ou se hai nesse artigo qualquer cousa de montage, que o clarifique.

            Nom entendo que seja este um caso de cherry picking porque acho que o assunto é grave abondo mesmo que nom permita generalizaçons. Até por ser assuntos ilhados é que deveria ser mais fácil subsaná-lo, como dixo o Luis Trigo.

          • Celso Alvarez Cáccamo

            Estevo, acho que concordamos no geral. OK, não será cherry-picking… se, como dizes, não se utiliza como base para generalizações. Infelizmente, sim que o caso é utilizado demagogicamente.

            Quanto ao necessário esclarecimento por parte da AGAL, nem entro nem saio. No 1994 eu não estava na associaçom (sic). Entrei mais tarde, e deixei-na há alguns anos também, por diversas razões. Em resumo: que tudo isto será questão interna da AGAL, em qualquer caso. A maioria dos “lusistas radicais” não têm (temos) nada a ver com isto nem nada que subsanar.

            Saúde.

          • Venâncio

            Caro Estevo,

            Este documentário não será lido pelo conceituado académico Celso Álvarez Cáccamo, que me bloqueou “no seu PGL”. Mas, se achares adequado, copia para ele isto que aqui te digo a ti.

            O caso do volume Galiza, Portugal: uma só nação (Lisboa, Nova Arrancada, 1997) não é um caso isolado, mesmo sendo antigo. É tão-só o afloramento, decerto o mais gritante, duma tendência observável nos contactos de destacados reintegracionistas com Portugal.

            Essa tendência pode exprimir-se assim: nos seus contactos com Portugal, o Reintegracionismo galego mostra uma estranha preferência pelos sectores conservadores, reaccionários e hispanófilos.

            Sirvam de exemplo dos conservadores o Movimento Internacional Lusófono (M.I.L), de reaccionários os “pais” do AO90 Malaca Casteleiro e Bechara, e de espanófilos o mesmo Casteleiro, Ana Paula Laborinho (em tempos Instituto Camões) e Carlos Reis (altamente medalhado em Espanha e com quem me relaciono). Pode completar-se o quadro com a Academia das Ciências de Lisboa (de que sou sócio), não propriamente figura de proa do progressismo.

            Esta é certamente a quarta ou quinta vez que, nestes cafundós do PGL, exponho isto. É um panorama que, pelo menos, constitui um afunilamento na relação com a realidade portuguesa.

            Acreditas tu que, se eu associasse o Reintegracionismo galego globalmente a reaccionarismo (como tendenciosamente o dr. Álvarez tenta fazer crer), eu teria andado aqui persistentemente desde 2004?

            Sou maluco, mas não a esse ponto.

            Vai um forte abraço.
            Fernando

          • Estevo

            Caro Fernando,

            Nom vou subverter a decisom do Celso. Se el ler isto e tiver curiosidade polo que lhe queres comunicar, pode ver a página em modo incógnito.

            A minha opiniom sobre os episódios de relacionamento com grupos fascistas já a lestes.

            Quanto à preferência geral que descreves, o Banhos deu umha explicaçom que é das poucas cousas que, ao meu pouco informado ver, fam sentido do que el di: essas som simplesmente as entidades que lhes prestárom atençom. E eles arrepanhárom todas essas “vitórias” sem maior escrúpulo e, polos vistos, até com orgulho.

            A imagem do reintegracionismo, embora a ache importante, nom está nos problemas a que penso dedicar o que me resta de tempo e energias. Por sorte, acho que dependerá cada vez menos da militância e mais da gente que o exerce com normalidade em âmbitos diversos e cotiáns.

          • Venâncio

            Caro Estevo,

            Essa “explicação” do Banhos é, tem de dizer-se, uma clássica desculpa de mau pagador. Esses sectores portugueses em que acharam tanto aconchego são aqueles que menos atenção dão à Galiza, porque indiscutivelmente hispanizantes e nostálgicos do Império. A esse Império pertenceria, também, a Galiza.

            Queres ver o que deveria, há muito, ter despertado a desconfiança dos reintegracionistas, se estivessem menos obnubilados pela “atenção” portuguesa? O facto de essa malta, que vai aí à Galiza reunir-se a eles, nunca, mas nunca, terem escrito a puta duma linha sobre o Reintegracionismo.

            Existem, e tu sabes, na sociedade portuguesa, sectores esclarecidos e progressistas, nada nostálgicos e nada irredentistas, que poderiam ser, em Portugal, interlocutores dum movimento, em si, do maior interesse, como é o reintegracionista. E, é verdade, um ou outro contacto vem sendo mantido, mormente pelo Carlos Quiroga, tanto ali como no Brasil. Mas claramente isso não foi aproveitado.

            Abraços,
            Fernando

          • https://pglingua.org/index.php abanhos

            Não há transversalidades no reintegracionismo, fora das que inventar alguma sacola de veneno, que aliás conhece bem a história,
            A fins dos 80 começos dos 90 nasceu em portugal uma pe

          • Luis Trigo
          • José Ramom Pichel

            Eram os autores e autoras conhecedoras qual o interlocutor em Portugal? Eram os autores e autoras conhecedoras de que isto ia ser publicado nessa publicação sem o seu consentimento? Isto é um assunto muito grave Alexandre cá na Galiza para o 99% dos e das reintegracionistas, e é algo inaceitável numa democracia avançada como a portuguesa. Acho que não estás a perceber a gravidade deste assunto.

          • Celso Alvarez Cáccamo

            Desconheço os detalhes de tudo isso. O que é evidente é que há uma generalização e uma tentativa de deslegitimação, não de pessoas isoladas que teriam colaborado aí, mas de coletivos inteiros (a AGLP), a maioria de cujos membros nem trato tiveram com essas personagens direitistas funestas.

            Mas a mim as “crónicas galegas” que provêm duma fonte frontalmente antilusista já me merecem a mais profunda desconfiança. Para amostra, estoutra tentativa de deslegitimação do lusismo como “pseudociencia” polo mesmo cronista das ligações anteriores sobre o lusismo e a direita:

            “Neste 2020 o día das letras está adicado a Carvalho Calero, unha circunstancia que aproveitan os grupos das pseudociencias lusistas para tentar espalla-las súas ideas, xa que Carvalho para eles adoita se-lo “idéologo” destas pseudociencias.”

            https://cronicasgalegas.wordpress.com/2020/01/12/carvalho-calero-o-que-non-se-conta/

            Esse é o tipo de fontes de que estamos a falar.

          • Mário J. Herrero Valeiro

            Lembro apenas que quando alguns (o Álvaro Vidal Boução, eu próprio…) da Associação de Amizade Galiza-Portugal tivemos conhecimento das vinculações fascistas do tal Araújo, exigimos cortar imediatamente qualquer tipo de relação. Lembro algum debate, algum indivíduo que tinha ainda dúvidas… Na altura, eu não estava na AGAL, não sei o que ocorreu com esse livro. Podemos generalizar, sim: todos os isolacionistas são nacionalistas espanhóis de direita porque foi o nacionalismo espanhol de direita quem legitimou o isolacionismo como doutrina linguística oficializada na Autonomia Galega. É uma barbaridade? Sim, é…

          • https://pglingua.org/index.php abanhos

            se alguém algo sabia, era a Maria do Carmo.
            Mas acho que ninguém devia saber nada

          • Venâncio

            Isso é impossível. sr. Banhos.

            O livro, de 1997, contém as vossas comunicações num simpósio, ou congresso, ou o raio-que-o-parta, organizado pelos fascistas 3 anos antes.

            Tivestes 3 anos para saber com quem andáveia.

          • https://pglingua.org/index.php abanhos

            Por exemplo, postos a sacar as portas dos canzorros, eis um bom exemplo: Quando o saco de veneno entrou na Academia de ciências de Lisboa era presidente Adriano Moreira.

            Sabia o aludido ou apoiava o salazarismo saudoso ao aceitar a honraria, e receber o reconhecimento de quem foi ministro de Salazar. De quem fez o doutoramento na universidade central de madrid, (por hispanofília) e teve vários encontros com o general Franco, e o positivo que falava dele?.

            Sabia que Adriano Moreira sentia-se orgulhoso de que a sua aldeia braganciana quando ele nasceu, pertencia ainda a diocese de Astorga, e gabava o role que Astorga jogou para homens da sua terra.

            É o sacola de veneno salazarista?, e por isso tem a postura de Salazar ao respeito da Gz (ao norte do Minho) e a suas língua?

            Salazar uma das cousas boas que fez, foi acabar com a penetração das dioceses espanholas em Portugal, por exemplo TUI incluía todo o atual distrito de Viana do Castelo. na zona de Bragança… De Vila Real… etc. etc. havia localidades portuguesas dependentes de dioceses espanholas e não só aí.

            No estado espanhol entravam várias dioceses portuguesas, mas no século XVIII Castela acabou com isso (os famosos trés lugares do norte de Cáceres eram religiosamente portugueses).

            E a modificação interna ao estado espanhol das dioceses e seus limites, dá para fazer uma tese de doutoramento de como Castela sempre anda a fiar no mesmo objetivo.

            Ourense perde as Portelas e alguma mais aldeia da Seabra. (Porém não se modifica Astorga).
            Tortosa perde Castelhó, que se passa a Segorbe diocese aragonesa. Ou Matarranha de se passa de Tortosa a Saragosa, ou a modificação de lheida, criando Barbastro….etc etc.

          • Venâncio

            Sr. Banhos,

            Se, por hipótese, com “saco de veneno” se faz referência a mim, sugerindo que eu estaria na Academia das Ciêncas de Lisboa nos tempos da presidência de Adriano Moreira (2008-2010), de facto antigo ministro de Salazar,

            informo que sou sócio-correspondente da ACL desde 2017.

            EXIJO RESPOSTA

            Fernando Venâncio
            .

          • https://pglingua.org/index.php abanhos

            O fascismo é fácil de perceber pelo seu comportamento e natureza. No excelente romance, prémio Goncourt de L. Binet- HHhH-, descrevem-se personagens que são cuspidinhos ao saco de veneno, a ruindade suja e fedorenta.

          • depaso

            Quen desexe coñecer a verdade só ten que ir as hemerotecas, o congreso foi entre o 3 e o 5 de xuño de 1994, e publicouse na prensa unha foto de Estraviz abrazado a Antonio da Cruz, lider da ultradereita da época, cun comentario que dicía algo así como “direita integralista portuguesa e esquerda integracionista galega, lado a lado pelo galego-portugués”, Penso que saíu nunha revista que se chamaba simplemente “Semanario”, tamén había referencias no xornal “Público”, no “Diario de Noticias”, e no “Jornal das Letras”. Agora ninguén sabe nada, pero daquela si sabían.

  • Miguel-Anxo Varela

    Eu som sócio da AGAL desde hai bem pouco. Mas sempre tivem simpatia polo reintegracionismo.

    Penso que o problema dos castelhanismos/castelanismos do galego é realmente importante. Para mim o galego deve tentar fugir do buraco negro do castelhano/castelão antes de sumir totalmente levado por essa força de gravidade imensa.

    Por isso acho que o único futuro do galego está na adopção da ortografia portuguesa e na criação dũa norma “enxebre” (como bem di o professor Venâncio) galega que mesmo pode desbotar os castelanismos que o galego não tem e o português aceitou séculos atrás (o famoso “repolho do cavalheiro castelhano”, por exemplo.

    No tocante a divisão do reintegracionismo, penso que já foi no passado mais grande do que agora. Lembro de ter falado com gente que escrevia português a falar da AGAL e os seus “çom” como falaria um stalinista dos trostkistas… Hoje não vejo tanta rifa entre nós, quitando algum exaltado de quando em vez.

    Respeito às pessoas que escrevem em português com algum pequeno traço galego no meio… pois penso que todos podemos ter cometido erros e os cometemos, tirando muitas vezes cara o castelão e outras cara o português, pois é preciso lembrar que seguramente a maioria não fomos escolarizados em galego-português ou galego reintegrado, senão em castelhano e galego com norma pouco exigente, sem chegar a estabelecer claramente os critérios RAG com a mesma seriedade que se dá à norma RAE do espanhol. Penso que é normal para algumas pessoas que ao passarem a considerar o padrão português tomem as cousas com pouca profundidade e nem diferenciem bem padrão português e brasileiro nem saibam bem onde remata o castelão e começa o galego, tomando formas castelhanas por galegas, galegas por espanholas e com o português no meio em duas normas que só conhecem (ou conhecemos) superficialmente.

    Eu aí podo ver que também meto a zoca. Mas a minha intenção é ir chegando a escrever um galego que esteja o mais isento de castelhano possível e esteja dentro dũa imaginária e desejada terceira norma do galego-português, mais galega do que a norma RAG e por ser mais galega, mais portuguesa também.

    E o mesmo que digo para a escrita digo para a fala. O galego temo-lo muitos de nós desleixado e acastelhanado e penso que cumpre fazermos um exercício de melhora da fonética, da prosódia e o sotaque para agalegar o galego. E que um galego mais agalegado no seu som vai ser também mais semelhante ao português nortenho, pois a maioria dos sons do galego também os temos partilhados com as falas do norte, e infelizmente estamos a perder esses sons pola dissolução no castelhano-castelhano e pola influência dum padrão fonético acastelhanado que ainda hoje é espalhado 24 h ao dia polos médios galegos (TVG sobre todo).