Lançamentos em Lisboa de ‘Uma mãe tão punk’ e ‘Politicamente Incorreta’, de Teresa Moure



Esta semana Teresa Moure visita Lisboa para apresentar as suas últimas obras. Quinta-feira, 29 de maio, 19:30 h estará na Livraria Desassossego (R/São Bento, 34), com o lançamento de Uma mãe tão punk (Chiado Editora) e na sexta-feira, 30 de maio, 19:00 h. na livaria Fabula Urbis (R/Augusto Rosa, 27), para o lançamento de Politicamente incorreta. Ensaios para um tempo de pressas (Através Editora).

Uma mãe tão punk

Uma vila qualquer. Uma família como todas as famílias, com os seus rezelos, as suas alianças indestrutíveis, um passado comum e vários segredos por revelar. Sara, a mãe setuagenária, padece a síndrome de Diógenes e envolve-se em lixo. Mas nem sempre é a doença mental o que empuxa a velhice para este desejo perverso pela imundície. Alva, a filha, escreve-lhe, entre amante e amante, correios eletrônicos numa viagem por África do Sul.Pedro, o filho, refugia-se no silêncio e na convenção social. E será Helena, a companheira de Pedro, quem tenha de turrar do fio para entender as razões agachadas que conduzem a um final trágico.Numa sociedade rota, o escalpelo de Helena faz anatomia do nojo e descobre a condição rebelde, necessariamente “punk” dos nossos dias.

 

Politicamente Incorreta

Uma mulher é politicamente incorreta quando diz o que não se espera dela e, ainda mais, quando pronuncia uma verdade não admitida pela opinião pública, pelo felizmente acordado no consenso social. Se alguém −é aPoliticamente incorretapenas um exemplo− insinuar que os poderes eleitos nem sempre nos representam ou que é preciso dedicar-se a sabotar as instituições, ou confiscar as igrejas para torná-las centros sociais, adota uma atitude subversiva que não encaixa no relato admitido pelos meios de in-comunicação. Nessa atitude rebelde lateja o desacato: para o modelo conservador, com as suas hierarquias e os seus interesses inconfessáveis, mas também para os pensamentos supostamente avançados, que se conformam com pôr remendos a um mundo que deve ser reduzido a cinzas. A politicamente incorreta é pessoa incómoda, pode assumir-se. Se atuar assim, desta maneira selvagem e provocadora, é porque acha um prazer inusitado em meter o dedo no olho a quem enunciar verdades que devem ser aceites e repetidas até a saciedade numa realidade em perpétuo fluxo. Esse prazer, como todos, é dissidente. Ameaça. Procura exercer uma crítica radical contra o poder. Procura algo mais formoso do que o poder: a autenticidade.

A autora:

Teresa Moure 4 (foto Eduardo Castro Bal)_Dizem de Teresa Moure que no seu tempo livre escreve. Às vezes mesmo nas paredes. E não falta quem assegure tê-la visto a estragar com graffiti o mobiliário urbano por não dispor dum computador à mão. Entre parede e parede, reparte mimos sem medida, que ela nunca foi comedida nem mesurada e cultiva uma horta abafada de flores de uma beleza mortífera. Ainda que ninguém a visse nunca sem um livro nas mãos, mente a quem a quiser escutar contando detalhes atrapalhados sobre as suas experiências −que apenas ela assegura serem tantas−, e as suas viagens ao longo do planeta, −quase todas imaginárias−. O seu maior desejo seria pastorear uma manada de girafas, mas, como estes teimosos animais não se habituam à chuva galega, está a pensar em inventar algo com que varrer as nuvens negras do céu. Talvez seja certo que escreveu vários textos em galego, porque tem o vício de se comprometer com as causas difíceis. Professora na Universidade de Santiago de Compostela de uma especialidade com o procaz nome de linguística geral, absorve cada dia do estudantado a energia necessária para o peso cruel da existência não a esmagar, nem lhe empeça de se somar a qualquer guerrilha que se levante, insurgente, para construir um mundo melhor.


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