Jorge Mira: “A aproximação de Galiza a uma melhor competência no espaço lusófono tem uma utilidade inquestionável”



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Foto: Fuco

Neste ano 2021 há 40 anos desde que o galego passou a ser considerada língua co-oficial na Galiza, passando a ter um status legal que permitiria sair dos espaços informais e íntimos aos que fora relegada pola ditadura franquista. Para analisar este período, iremos realizar ao longo de todo o ano, uma série de entrevistas a diferentes agentes sociais para darem-nos a sua avaliaçom a respeito do processo, e também abrir possíveis novas vias de intervençom de cara o futuro.
Desta volta entrevistamos o físico, investigador e divulgador científico, Jorge Mira.

Qual foi a melhor iniciativa nestes quarenta anos para melhorar o status do galego?
O Xabarín Club. Esse acervo de programaçom infantil da TVG, no momento de maior esplendor, era mui seguido por milhares de pessoas. E o mais importante, a maioria gente nova, num momento de crescimento pessoal quando se estabelece o prestígio percebido das línguas que nos rodeiam.
Menção especial tenho para o extraordinário labor de dobragem que se fez nas series estrangeiras. Nomeadamente, a dobragem de “As bolas do dragón” marca um fito na historia da TVG.
Estou a falar de algo que aconteceu há 20 ou 30 anos, na época previa à era da transmissão de vídeos por Internet, que está a mudar todo o paradigma televisivo. A conquista desse espaço é fundamental e deveria ser prioritária (esse é, de facto, um dos alicerces fundadores da CRTVG).

Se pudesses recuar no tempo, que mudarias para que a situação na atualidade fosse melhor?
Falar com um físico de recuar no tempo é-che complicado, porque a física proíbe tal cousa… Piadas à parte, para certos assuntos procuro não cair no tentador erro de julgar o passado com os olhos do presente, que é uma operação que sai barata.
Em principio um pode pensar que se deveria ter apostado por uma maior presença nos meios de comunicação, mas quando boto a vista atrás e se somamos os formatos digitais, até parece que essa presença era maior há 20 ou 30 anos do que agora.
Também se pode pensar nos debates que houve a finais dos anos 70 e princípios dos 80 para fixar a norma do galego. Eu daquela era mui novo, e apenas posso opinar desde a distância temporal e com as referências que me transmitiram, desde logo; mas polo que me teve contado algum dos atores essenciais desse processo, se calhar seria bom um melhor entendimento. Seja como for, devemos valorar se estabelecermos uma normativa para o galego afastada da realidade da rua poderia conduzir a um maior efeito fugida dos galego-falantes (isso que se escuta às vezes: “esse galego normativo não é o real”).
No fundo, cumpre não esquecer que a situação do galego depende duma coabitação com o castelhano, um polo atrativo de grandíssimo poder. Voltando para a linguagem física, uma ideia interessante é especular com os efeitos de compensação derivados do fortalecimento do polo atrativo desde o português, que de certo modo fizesse balanço de forças. Certo é que esses balanços de forças nem sempre são instáveis, como uma pelota no cume duma montanha: ou cai para um lado ou para o outro. Isto é um reto de investigação mui interessante para a sociofísica.

A situação do galego depende duma coabitação com o castelhano, um polo atrativo de grandíssimo poder. Voltando para a linguagem física, uma ideia interessante é especular com os efeitos de compensação derivados do fortalecimento do polo atrativo desde o português, que de certo modo fizesse balanço de forças.

O efeito da magnitude das forças para aplicar sobre o sistema é algo que também não é claro para mim, de facto não me atrevo a valorar se haveria mudar algo ou não. A força que tem o castelhano provêm dos falantes, por mera osmose, e até diria que o faz à margem da boa consideração que estes tiverem sobre o galego. No jogo de contrapesos que se estabelece, o temor é que a tensão de forças sobre o galego acabe por o separar da cidadania e por o converter em algo como o latim da baixa idade meia: uma língua investida em honra e respeito, mas só utilizada por uma minoria em certos espaços de elite e academia, quanto o grosso da população se move por outros lares…

Que haveria que mudar a partir de agora para tentar minimizar e reverter a perda de falantes?
Disso falo nos meus artigos de investigação, como Interlinguistic similarity and language death dynamics, An analytic solution of a model of language competition with bilingualism and interlinguistic similarity, Non Trivial Coexistence Conditions for a Model of Language Competition Obtained by Bifurcation Theory e Coexistence in Exotic Scenarios of a Modified Abrams–Strogatz Model.

Como vedes, assinalo que, para modelarmos a dinâmica galego-castelhano, há dous parâmetros fundamentais: o prestígio percebido pela comunidade de falantes para cada uma delas e a perceção da distância que as separa (o prestigio é um parâmetro que sintetiza um  cúmulo de perceções que atribuem diferentes virtudes às línguas).
Quanto ao prestigio médio percebido, no meu grupo de investigação temos medido que é menor para o galego, algo que imagino que é óbvio para a maior parte da gente (olho, nem toda!), mas a possibilidade de que se poda chegar a quantificar como nós fizemos é algo muito satisfatório. Por isso, a primeira cousa para mudar é evidente: melhorarmos esse prestígio.
Como é que se faz isso? Também com estratégias que todos sabemos: presença do galego nos formatos médios de comunicação veiculares na gente de menos de 30 anos (isto inclui o apoio de pessoas referentes para essas faixas etárias). Para os de mais idade creio que é menos vital.
Quanto a distancia galego-castelhano, é-che um ponto no que cumpre ainda um debate. Nalguns trabalhos preliminares estamos a medir que, nas cidades onde o prestigio do galego caiu a pique, a distância percebida entre galego e castelhano é mui pouca. É dizer, é como se o facto de perceber que o galego é umha versão apenas uma miga distinta do castelhano (algo assim como um dialeto) fosse na sua contra e faga que o galego acabe diluído no castelhano.

Nalguns trabalhos preliminares estamos a medir que, nas cidades onde o prestigio do galego caiu a pique, a distância percebida entre galego e castelhano é mui pouca. É dizer, é como se o facto de perceber que o galego é umha versão apenas uma miga distinta do castelhano (algo assim como um dialeto) fosse na sua contra e faga que o galego acabe diluído no castelhano.

Há anos fui convidado pelo Instituto d’Estudis Catalans para falar no seu programa de conferências magistrais, a fim de expor o meu trabalho. No debate posterior escutei pela primeira vez o termo “galleguització”: o efeito atraente que o castelhano tem sobre a norma do catalão, que estaria a provocar um processo de diluição da língua catalã na castelhana. Do próprio termo o que se entende é que, para eles, o galego era uma língua mais afetada por esse processo de diluição no castelhano.
Seria uma solução provocar um afastamento da norma com respeito ao castelhano (é dizer, adotar o paradigma luso), na busca dum corta-fogo?
Não sei. É possível mudar a norma num minuto, mas haveria de valorar qual seria a resposta inercial da massa de falantes. Seguiriam essa mudança ou, pela contra, afastariam-se do galego?

Seria uma solução provocar um afastamento da norma com respeito ao castelhano (é dizer, adotar o paradigma luso), na busca dum corta-fogo?
Não sei. É possível mudar a norma num minuto, mas haveria de valorar qual seria a resposta inercial da massa de falantes. Seguiriam essa mudança ou, pela contra, afastariam-se do galego?

Nos nossos artigos de investigação temos analisado a estabilidade do sistema galego-castelhano e comprovamos que, se a distancia galego-castelhano aumenta, a capacidade de coexistência das duas línguas mingua (é dizer, a existência do galego passaria a um ponto instável). A questão é a parte quantitativa da pergunta. Essa mudança na capacidade de coexistência seria muita ou pouca? Seguimos a investigar…

Achas que seria possível que a nossa língua tivesse duas normas oficiais, uma similar à atual e outra ligada com as suas variedades internacionais?

foto_jorge_mira_conferencia_normal1A nível global, não estou certo, pelo aumento da entropia e confusão que poderia produzir no corpo de falantes. Além disso, sendo prático, vejo-lhe utilidade, pessoalmente abofé, e vou pôr exemplos: o meu diretor de tese, José Rivas Rey, foi o fundador e primeiro diretor do Instituto de Nanotecnologia de Braga. Esse é o maior centro de investigação de Portugal, nado do cume hispano-luso de Évora, em 2005, como símbolo da união dos dous países. Quando o Presidente de Espanha e o Primeiro Ministro de Portugal resolveram a sua criação, escolheram o professor Rivas Rey para dirigir a  construção, e eu teve a honra de ser designado, junto com o professor Luís Liz Marzán, membro da sua equipa assessora, no marco da Secretaria de Estado de Investigação (para nos entender, o equilíbrio político foi: ente hispano-português situado em Portugal com gestores galegos). Nos anos seguintes, os galegos da equipa compreendemos o ótimo de termos uma boa competência numa variante do galego mais próxima à língua portuguesa… Isso é algo óbvio para mim a dia de hoje: dirijo o projeto de cálculo de expansão da Covid-19 financiado pelo Governo de Espanha em Galiza, e estamos em simbiose com o projeto homólogo que financia o Governo de Portugal  (cuja líder e uma professora da Universidade de Aveiro), e no dia a dia do trabalho os galegos botamos de menos uma maior mestria na comunicação com os portugueses.

Dirijo o projeto de cálculo de expansão da Covid-19 financiado pelo Governo de Espanha em Galiza, e estamos em simbiose com o projeto homólogo que financia o Governo de Portugal  (cuja líder e uma professora da Universidade de Aveiro), e no dia a dia do trabalho os galegos botamos de menos uma maior mestria na comunicação com os portugueses.

Não descubro nada à gente leitora deste portal quando digo que o português é uma língua hegemónica: a 7a do mundo por número de falante como língua materna e a 9a por número de falantes totais. Por isso, qualquer medida que inclua uma aproximação de Galiza a uma melhor competência no espaço lusófono tem uma utilidade inquestionável. Invoco-o como um razoamento prático, por se outras rações mais vinculadas ao sentimento não forem dabondo. A língua portuguesa tem origens em Galiza (algo que as elites da filologia em Portugal esquecem muito mais do que imaginamos), e não deveríamos perder essa oportunidade estratégica. Há um par de anos organizei um foro no Conselho da Cultura Galega sobre a hora oficial e convidei um colega sevilhano e o responsável da hora oficial portuguesa. Quando estávamos os três físicos juntos, tínhamos de falar em inglês, mas quando o sevilhano marchava, ele falava em português e eu respondia em galego. O lógico.


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  • ernestovazquezsouza

    Pronto. Mais uma vez fica claro o caminho e o futuro que vai emergindo depois de tanta névoa:

    – Triunfo do Galego ILG-RAG, necesário nos espaços institucionais, editoriais, educativos, culturais e editoriais com uma recuperada tendência de correção definida pelo abandono do radicalismo isolacionista e por maior contanto com as teses reientegracionistas e frequência com português.

    – Uso crescente de Português de Portugal ou Brasil, como 2ª língua estrangeira preferente, para usos académicos, comerciais internacionais restringido a uma elite.

    – Desaparição gradativa do Reintegracionismo cumprido o seu papel de advertência e correção do modelo ILG-RAG e de impulso da incorporação e recuperaçao da língua portuguesa na cultura galega .

    • José Luís Maceira

      Evidentemente, a partir do momento em que o Reintegracionismo considera já legítimo o emprego do galego ILG-RAG (à maneira de padrão local ‘luxemburguês’), resignando-se a ver o ‘Português’ apenas como forma internacional da língua (=pouco menos que língua estrangeira), o Reintegracionismo perde toda a razão de existir.

      • Ângelo Cristóvão

        Havia um cura pároco que dizia missa, mesmo a homilia, com muita intensidade. Um dia foi ao bar e comentou aos fregueses, entre copos de vinho, que já não acreditava, que tinha perdido a fé. E disse:
        “Deus é bom, mas o diabo não é assim tão mau”.

        A frase vinha a calhar com a filosofia do povo. Havia quem dizia que era uma forma de realismo, uma forma de adaptação psicológica a longos séculos de derrota. Foi a altura de comprovar se realmente a mensagem resistia aos erros dos sacerdotes.

  • Arturo Novo

    Uma entrevista muito reveladora e que require de muita atenção. Por um lado, este soneirão de Baio, para não polemizar, não se posiciona a favor ou em contra do reintegracionismo. E não lhe falta razão, o reintegracionismo, como tal proposta normativa, não deixa de ser uma hipótese. E como tal hipótese, nunca comprovaremos a sua verdadeira utilidade até que seja uma realidade aceitada polos organismos que nos representam oficialmente dentro da sociedade. Como disse, por um lado não se manifesta, mas polo outro, se lemos atentamente, bem claramente nos diz o útil que nos seria aos galegos dominar a norma portuguesa, e o fácil que seria para nós aprendê-la. Que melhor resposta queremos?

  • Galician

    Interessante entrevista mais o entrevistado parece algo perdido quando fala de como melhorar o prestígio do galego (não sei se fala do idioma em si ou dos falantes do idioma). E o prestígio dum idioma ou duma variante dum idioma (que deriva do prestígio dos seus falantes) tem a ver (aqui e em qualquer lado) com o capital que possuem esses falantes (capital num sentido amplo tal como explica Bourdieu, basicamente, económico (dinheiros), cultural (objetivado, institucionalizado ou incorporado), social e como sinte-se de todos (relacionamentos) e como síntese e aglutinamento de todos os anteriores o capital simbólico (prestígio).

    Haveria que fazer um estudo rigoroso sobre a distruição do capital entre os utentes de galego e os de castelhano para ver se a distribuição real se corresponde cos preconceitos que há sobre essa questão.

  • Ângelo Cristóvão

    Para perceber adequadamente, cabalmente, uma situação de ‘línguas em contacto’, é preciso usar as técnicas adequadas. No caso que se comenta, a observação e registo dos factos, em termos positivistas, reclama uma explicação causal. Por exemplo, “o galego morre” é uma frase descritiva. Ora bem, o galego morre de morte morrida ou de morte matada?

    A língua é um facto social. Tem uma grande parte de construção, de projeto.

    • Ângelo Cristóvão

      A mesma ideia da língua como construção, como projeto, é dissonante com a ideia de galego divulgada nos meios institucionais, e no sistema de ensino, conforme à qual o galego é algo dado a preservar tal como chegou a nós. Qualquer mudança seria uma espécie de artifício que viria a corromper a essência da fala popular, único critério de autenticidade.
      E essa diferença de conceção foi vista e registada em toda a Europa nos últimos séculos. É a diferença entre língua popular e língua nacional.

      A Galiza chegou tarde a muitas cousas, também à criação das línguas nacionais. Houve quem propôs um atalho para fazer as cousas mais fáceis (mais próximas do castelhano) e já vemos qual é o resultado.

  • Saleta Gil

    Pergunto-me que pensa o entrevistado sobre a adocao do fuso horario UTC±00:00 para a Galiza, alinhado com Portugal e UK entre outros.

    • Arturo Novo

      Por outras entrevistas que li dele, creio que está em contra. Ele defende o atual fuso horário para Galiza.

      • Saleta Gil

        Em base a ciencia?

        • Arturo Novo

          Até onde eu sei e compreendi, que igual não compreendi tudo o bem que seria necessário, acho que ele defende o atual fuso horário para a Galiza por razões de caráter de conveniência social.

      • Galician

        Então os britanicos e portugueses são os que estão errados e o que acerta é ele… Será que alí não há “cientistas”

        • Saleta Gil

          Nao me referia a mudanca horaria. mas sim ao fuso horario.

          As vezes, a ‘ciencia’ nao e tao universal e as interpretacoes dos cientistas venhem sempre limitadas polo metodo ou modelo que se empregue. Por exemplo, de um estudo estatistico so se podem concluir correlacoes numericas entre variabeis, mas dificilmente relacoes causais. Isto significa que do ponto de vista estritamente estatistico, uma doenca infecciosa poderia ser causada tanto pola bacteria como polo anticorpo.

          Tera alguma publicacao cientifica sobre o fuso horario da Galiza?

          • Galician

            Eu nao sei que classe de artigos científicos precisas para ver que isto é uma aberração: https://uploads.disquscdn.com/images/73d948bf14407b7a216b02963f56e40652d37bc66de654704186f08a18dc330f.png

          • Saleta Gil

            Ola Galician.

            Eu ainda nao disse o que pensava, so fiz perguntas. Acho que e mais importante saber o que opina um divulgador cientifico, com plataformas varias para a difusao da sua mensagem e que sustem que baseia as suas posicoes em evidencia cientifica.

            Existe uma ideia generalizada de que as afirmacoes que se fazem no nome da ciencia sao inquestionaveis. E isto nao e verdade. O metodo cientifico e muito util, sim, mas so se se (re)conhecem as suas limitacoes. Para alem de que a ciencia, sobretudo se e mainstream, esta frequentemente ao servico da ideologia/capital/poder imperante. Por exemplo, no livro “The Search for Nefertiti” que estou a ler agora, descrive-se como no seculo XIX e comecos do XX era frequente catalogar mumias de homens com genitais masculinos conservados como mulheres porque tinham o cabelo longo ou levabam perucas de cabelo longo. Nao podiam ser homens. Outro exemplo, uma cientista que trabalha para a Big Pharma e que escreve regularmente para um jornal nao academico chegou a afirmar nalgum dos seus artigos de divulgacao que o RoundUp de Monsanto e igual de toxico que o cafe! Nesta entrevista, apelar ao aumento da entropia em um debate sobre linguas nao faz muito sentido. Se este e o criterio, tornemo-nos todos em falantes monolingues de ingles.

            Bom, sobre a questao do fuso horario, depois de ler a sua entrevista e conhecendo muito superficialmente a sua defesa da mudanca horaria, seria logico que se tivesse posicionado tambem a favor do fuso horario UTC±00:00 para a Galiza. Incluso seria de maior rigor cientifico que se ocupasse primeiro do fuso, que cria um desfase horario todos os dias do ano, antes que da mudanca horaria, que nos afeta so uns quantos meses. Suspeito que essa questao poderia ter sido obviada por incomoda. Suponho que e mais conveniente centrarse em questoes inocuas para o status quo. Mas, se efetivamente esta em contra, entao quereria conhecer a ‘evidencia cientifica’ na que se apoia.

          • Galician

            Já sei homem que o método científico determina muitas vezes o resultado duma pesquisa, todo cientista que se precie deveria saber o básico de filosofia e sociologia da ciencia, já não digo conhecer em profundidade a Kuhn, Lakatos (o mais interessante pra mim), Feyerabend ou Popper mais polo menos saber que a ciencia (sem deixar de ser ciencia) é também muitas vezes um instrumento ao serviço da ideologia e dum programa ideológico.. Formação científica sem formação humanística leva ao mundo em catastrofe que temos …

          • Saleta Gil

            Acho que mais importante que a formacao humanistica, que eu nao tenho, e a honestidade…

          • Galician

            Honestidade é também reconhecer que um determinado programa de pesquisa porde responder a uns criterios ideológicos e busca uns resultados concretos em função desses criterios ideólicos que determinam o resultado final. Mais para isso hai que ter uma visão mais global sobre o assunto que nem todos os cientistas, engenheiros e demais pessoal de ramas técnicas tem porque não se lhes ensina isso nos programas de estudo…

            Ti ves aqui alguma materia que trate esses temas? https://www.usc.gal/es/centros/fisica/programas.html?plan=12703

          • Saleta Gil

            A visao global as vezes e simplesmente nao conveniente. Sacrificar status, prestigio, seguridade laboral ou trabalho, financiamento, etc. por um gramo de honestidade… Eis o dilema!

          • Galician

            Essa é outra… Mais a história do mundo não foi feita polos “convenientes”, pensemos também nisso…

          • ernestovazquezsouza

            A história do mundo é uma narração feita para os poderosos e paga pelos poderosos até bem entrado o século XIX… o que aconteceu e o que nos foi transmitido, os verdadeiros protagonistas, inventores, mestres… pode que nunca conheçamos…

          • Galician

            Sim, mais antes do XIX e depois houve muitos poderosos e nem todos nem fizeram história. O poder em si não deixa de ser uma ferramenta (poder para ser ou fazer isto ou aquilo, capacidade para fazer isto ou aquilo…) que não tem um valor moral em si mesmo, o valor moral ou ético vem determinado polo se faz com esse poder. Voltando ao exemplo: “O Magnífico” decidiu utilizar todo o seu poder para quebrar o statu quo da época criar uma revolução cultural que mudaria a história da Europa para sempre. Para mim é uma forma inteligente de usar o poder. Outros com o mesmo poder passaram sem pena nem gloria…

          • ernestovazquezsouza

            Há que ter para além de poder uma vontade de transcendência na história, ou tem de haver gente arredor que lhe queira dar essa transcendência por perceber ou querer ver uma mudança marcante ou programa… é complexo… e sai do tema.

            A entrevista é interessante, para mim descobre, como digo uma realidade de décadas de névoa. O fracasso, a estafa do reintegracionismo. A auto-imolação de tanta gente e a quantidade de palavras sem sentido em escritos e debates instranscendentes… enquanto os pragmáticos (e também os que apostaram pelo português 100%) ganhavam a partida e souberam se situar pessoal e estrategicamente em inmelhoráveis condições para serem agentes nestas décadas por vir.

            Acho que é muito importante entender isto tudo e saber se resituar… a mim levou-me um tempo, mas acho que já…

          • Galician

            Esse é um tema um bocado complexo para mim, No meu caso parto sempre da unidade linguística galego-portuguesa, portanto o galego é português e o português é galego. Com as suas variantes, sotaques diversos, etc. Quanto à forma escrita uso a que hai em portugal mais respeitando sempre os jiros galegos (hai, mais, cousas, pola, dous, etc). Pois soa rídiculo escrever “dois” quando no norte de Portugal também se diz “dous” e cousas polo estilo. Seguir a linha do que dizia Dr Yvo JD Peeters: https://pgl.gal/a-estatalizacao-linguistica-segundo-yvo-jd-peeters/

          • ernestovazquezsouza

            isso são debates do passado… fantasias nas que acreditamos (eis o da estafa) …. em ILG é dous… em português depende para que… podes continuar a escrever para ti como queiras… em código mesmo… mas na realidade para trâmites, trabalho e para as administrações há português (e melhor quanto mais padrão) e galego ILG… tomas ou deixas… o galegoportuguês não existe… podes pregar ou pleitear quanto queiras… mas mesmo que ganhes… tempo perdido…

          • Galician

            Estafa é considerar o português uma língua diferente e separada do galego. Importa-me pouco o que diga o ILG ou o Papa de Roma. Não lhe devo nada a ningúm deles. E claro, nos trámites e em certos contextos uso a norma ILG mais noutros ámbitos não. Mais independente da norma escrita a lingua é a mesma.

          • ernestovazquezsouza

            não se trata de dever ou de ter razão, apenas de situar-se no esquema da realidade para poder intervir…

            mira o nacho da entrevista… catedrático, programas europa espanha-portugal, correspndente da RAg e estrela da TVG…

            ah sim e uma pessoa a quem a AGAL e o PGL consideram importante como para a entrevistar e opinar sobre o acontecido nos últimos 40 anos…

            realismo & pragmatismo há que saber quando se levam cartas más…

          • Galician

            O entrevistado, com todos os respeitos polo prestígio e capacidade de influencia que poida ter é um entre 2,7M de galegos que vivem aqui e outros tantos no exterior. Estava a situar-me precisamente no esquema da realidade, de como vejo o assunto na sociedade, na juventude, nas redes sociais, e tenhem a batalha perdida (o PP -os mais listos- sabe-o e tenta adaptar-se como pode jogando a despistar e a apropriar-se dalguma maneira da idea). O nosso produto é tão potente e disruptivo e viral que só precisa de tempo (aplicando a Lei Paz
            Andrade aceleraria, por isso ralentizam o que podem)…

          • ernestovazquezsouza

            vás dado… lamento dizer…

          • Galician

            Acho que entendiste mal quando disse “é questão de tempo”. Não disse que tenham a batalha perdida agora, nem em 10 anos nem em 15, referia-me a um horizonte temporal de algumas (3, 4, 5…) décadas (mais que são algumas décadas numa história de 20 séculos?). No entanto hai factores (internos do próprio movimento e externos ou gerais) que poderiam acelerar o processo. Quais? Algúns que me venhem à cabeça agora:

            Factores externos que jogam a favor:

            – Aceleração da integração europeia e entre a Galiza e o Norte de Portugal (e Portugal em geral), o que irá aumentar o contacto, trocas de todo tipo e conhecimento mútuo.

            – A firme aposta de Portugal por ganhar o futuro (já é lider da UE nas I+D+i em PEMES superando aos países nórdicos) que deixará a esperpéntica e falida Espanha para trás em pouco tempo. Aumento do prestígio de Portugal entre os galegos.

            – Lei Paz Andrade (está aprovada, um milagre… Algúm dia terá que ir aplicando-se, se não é com uns será com outros)

            Factores internos ao reintegracionismo:

            – Necesidade de melhorar e profissionalizar enormemente o marketing e a comunicação. Por muito disprutiva e inovadora que seja a tua ideia, se não tem tracção, impulso, custa muito mais chegar à gente. E aqui creio que deveria explicar-se o assunto desde dous pontos de vista ou focagens:
            – O pragmático: O português tem muitos milhoes de falantes, que bom é para nós, etc (do que fala o entrevistado)
            – O puramente linguístico: Explicar porque o galego e o português são linguísticamente o mesmo (o marketing e a pedagógia aqui é muito fraca, (no velho PGL estava muito melhor, com muita mais informação ao respeito e mais clara, aqueles artigos de Fagim, Cáccamo, etc.. precisa melhorar muito isso))

          • ernestovazquezsouza

            Acho que és tu quem não entende.

            O isolacionismo ganhou a partida.

            A ninguém lhe interessa mais nem o discurso do galego-português nem o de um padrão galego reintegracionista.

            O reintegracionismo, reconhece o modelo ILG para o galego. Propõe um binormativismo.

            O mundo institucional resposta que o que admite é manter o modelo isolacionista como língua nacional, institucional e da administração e para alguns casos em âmbitos internacionais que se use o português.

            A solução, ou o acordo possível, parece óbvia (o que apontei no primeiro comentário), é o mais pragmático e fecharia todas estas décadas de conflito.

            O isolacionismo fica na mesma, ou vai admitindo correções mínimas…
            Aceita-se o uso do português (padrão) no estatus de língua estrangeira peferente para espaços restringidos e o seu uso, fica numa elite.

            O reitegracionismo passa, pouco a pouco, a História…

          • Galician

            Eu cada dia vejo mais gente aqui na Galiza a usar a norma portuguesa como galego, que o ILG seja reconhecida também como galego (de facto é), não significa nada. Será que vivemos em mundos diferentes

          • ernestovazquezsouza

            Será…

          • Galician

            Acho que estás demasiado focado no que acontece nas instituições de poder, no statu quo… Mais está batalha tem que ser ganha na sociedade, por massa crítica, aí é onde hai que focar todos os esforços, em convencer mais e mais gente, as instituições terám que adaptar-se, que remedio.

          • ernestovazquezsouza

            acho que deliras… a sociedade? e como chegas a ela?

          • Galician

            Como chega qualquer empresa vender o seu produto. Não haverá canais para chegar à sociede hoje em dia, meu deus. Não serás ti o que deliras?

          • ernestovazquezsouza

            pois sorte…

          • https://pglingua.org/index.php abanhos
          • Jonny
          • Saleta Gil

            A visao global as vezes e simplesmente nao conveniente. Sacrificar status, prestigio, seguridade laboral ou trabalho, financiamento, etc. por um gramo de honestidade… Eis o dilema!