Jorge Amado, escritor do Brasil a quem sempre recusaram o Nobel



Jorge Amado em 1991, em Salvador, Bahia Artur Ikishima/VEJA

Jorge Amado em 1991, em Salvador, Bahia Artur Ikishima/VEJA

De forma bem injusta, o Comité sueco do Prémio Nobel nunca teve o detalhe de premiar um literato brasileiro, sendo o Brasil um dos países do mundo com um elenco de escritores muito importante e verdadeiramente excecional. Também é verdade que, agás nas últimas décadas quando algumas associações de escritores e a Academia de Letras se preocuparam por fazer propostas, os diferentes governos brasileiros ao longo dos anos nunca tiveram a sensibilidade precisa de apoiar que algum dos seus literatos fosse nomeado para um prémio que tem um reconhecimento mundial. De facto, o único escritor premiado da nossa língua foi em 1998 o português José Saramago. Por isto, com Guimarães Rosa iniciei uma minissérie de artigos dedicada a grandes escritores brasileiros e portugueses, e outros lusófonos. Jorge Amado, ao qual dedico o presente depoimento, foi o eterno candidato para muitos dos que admiramos a sua grande obra, embora, infelizmente, não fosse assim para o Comité do Nobel. Os seguintes depoimentos serão dedicados a Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, Joaquim Maria Machado de Assis, Érico Veríssimo, Bernardino Machado, Jorge de Lima e Gilberto Freyre, entre os brasileiros, e José Saramago, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Fernando Pessoa, Miguel Torga, Aquilino Ribeiro, Gil Vicente e Almeida Garrett, entre os de Portugal.

ALGUNS DADOS BIOGRÁFICOS

“Quando eu morrer, vou passar uns 20 anos esquecido”, dizia o grande escritor brasileiro Jorge Amado, no jornal Folha de São Paulo, em 6 de julho de 1991 aos seus entrevistadores Marilene Felinto e Alcino Leite Neto. O dia 10 de agosto de 2012 cumpriram-se os cem anos do seu nascimento, acontecido no ano 1912 na fazenda Auricídia, em Ferradas, distrito de Itabuna no Estado brasileiro da Bahia. Amado faleceu a 6 de agosto de 2001 na capital, Salvador, depois de deixar escrita e publicada uma obra literária magistral. “Escrever é transmitir vida, emoção, o que conheço e sei, a minha experiência e forma de ver a vida”, tinha dito no seu momento o grande literato lusófono, um dos melhores que usou sempre nas suas obras a nossa língua internacional. É um verdadeiro prazer ler os seus famosos e formosos romances e, em especial, Cacau (1933), Jubiabá (1935), Capitães de Areia (1936), Gabriela, cravo e canela (1958), Dona Flor e seus dois maridos (1966), Tenda dos milagres (1969), Teresa Batista cansada de guerra (1972), Tieta do Agreste (1977) e Tocaia Grande: a face obscura (1984).
Na maioria dos romances citados, o seu autor elevou à categoria de lendas histórias das plantações do cacau de toda a área da Bahia, onde nasceu e criou a maior parte da sua obra literária. Em que as protagonistas principais quase sempre são as mulheres. São também muito formosos os seus contos, os guias e livros de viagens e os escritos para crianças. O único livro poético que publicou em 1938, lindo de verdade, foi A estrada do mar. Também só escreveu uma obra teatral O amor do soldado Castro Alves em 1947. Em 1934 traduziu para o nosso idioma o romance Dona Bárbara do venezuelano Rómulo Gallegos. Os seus mais de trinta romances foram traduzidos ao longo dos anos para cinquenta idiomas da Terra, e também alguns em braille.
É possível que Jorge Amado, o grande romancista, seja o literato brasileiro e lusófono mais universal e conhecido no mundo, e aquele de quem mais se têm difundido os seus escritos. Pelos que recebeu, tanto no estrangeiro como no próprio Brasil, infinidade de prémios, dos quais quero destacar especialmente o “Brasília de Literatura”, em 1982, pelo conjunto de toda a sua obra, e o “Camões” em 1995. A Academia Brasileira de Letras nomeou-o, com todo o merecimento, académico em 6 de abril de 1961, ocupando a cadeira número 23, da qual o patrono fora José de Alencar, outro grande escritor.
A sua foi uma vida cheia de vicissitudes, determinada, tanto pelas suas ideias progressistas, como pelo contexto histórico e político nos anos em que viveu, ao passar o Brasil por infinidade de processos sociopolíticos, democráticos umas vezes (os menos), e ditatoriais, e mesmo fascistas, noutros (os mais). Nestes, entrou por várias vezes no cárcere e inclusive teve que exilar-se, tanto na Argentina e Uruguai, como na França e na Checoslováquia. Por um tempo curto, entre 1945 e 1947, foi eleito deputado federal de São Paulo. Ao assumir o mandato na Câmara foi muito importante a sua intervenção, pois as suas emendas sobre a liberdade de culto religioso no Brasil, foram aprovadas. Ainda é hoje o dia que se agradece em todo o país a ação de Jorge Amado neste tema que, antes de ser aceite e legislado, criava problemas muito graves de setarismo religioso, especialmente por parte da igreja católica, contra outros cultos de outras religiões cristãs e não cristãs.

A sua foi uma vida cheia de vicissitudes, determinada, tanto pelas suas ideias progressistas, como pelo contexto histórico e político nos anos em que viveu, ao passar o Brasil por infinidade de processos sociopolíticos, democráticos umas vezes (os menos), e ditatoriais, e mesmo fascistas, noutros (os mais). Nestes, entrou por várias vezes no cárcere e inclusive teve que exilar-se, tanto na Argentina e Uruguai, como na França e na Checoslováquia.

Em 1937, em Salvador de Bahia, por serem considerados subversivos, foram queimados mais de 1500 exemplares de livros dos seus romances, sendo preso em Manaus no Estado de Amazonas. A censura de seus livros terminou em 1943. Em 1956 abandonou o Partido Comunista brasileiro a que pertencia, depois de conhecer as atrocidades cometidas na Rússia por Stalin, um dos maiores ditadores da história mundial. E também para se dedicar mais ao que sempre gostou: escrever, tal como explicou na altura.

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Caricatura por J. Bosco

Em 1933 casou com Matilde Garcia Rosa, com a qual teve uma filha chamada Eulália Dalila, que faleceu em 1949. No ano 1944 divorciou-se de Matilde, e no seguinte ano de 1945 passa a viver com a escritora Zélia Gattai. Com esta teve em 1947 um filho, João Jorge, e em 1951 a filha Paloma. Esta, em 1995, iniciou o processo de revisão da obra de seu pai, com um novo projeto gráfico para os livros e novas edições dos mesmos. Em 13 de maio de 1978 Jorge Amado oficializou a sua união com Zélia, na casa do seu amigo e pintor em Itapuã, Calasans Neto. Vários netos e netas do escritor continuam trabalhando hoje no resgate e promoção da obra de seu avô.
Amado teve grandes e importantes amigos. Entre eles há que destacar principalmente Graciliano Ramos, outro grande romancista, autor dos formosos romances Memórias do cárcere e Vidas secas, que foram levados ao cinema no seu dia com grande sucesso. Também foi grande amigo de outros escritores brasileiros, como Drummond de Andrade, Érico Veríssimo, Guimarães Rosa, Gilberto Freyre, Jorge de Lima e Mário de Andrade. Dos portugueses Ferreira de Castro e Saramago, do galo Sartre, do chileno Neruda, do colombiano Garcia Márquez e do cineasta do novo cinema brasileiro Glauber Rocha. Eu ainda não me explico o porquê de a Academia Sueca não lhe ter concedido a Jorge Amado o Prémio Nobel de Literatura, como bem merecia, antes do que muitos outros. Como tampouco me explico a maldição que esse grande país que é o Brasil tem para que nunca um dos seus cidadãos tenha sido premiado pela Fundação Nobel nas diferentes modalidades dos prémios: literatura, medicina, física, química, economia e paz.
O que mais o merecia no âmbito da literatura era Jorge Amado. Do qual sabemos que, em 1967, a União Brasileira de Escritores (UBE), presidida na altura por Peregrino Júnior, apresentou em Estocolmo a candidatura formal de Amado para que nesse ano lhe fosse concedido o prémio, embora o escritor recusasse a proposta. No seguinte ano, a UBE volta a fazer a proposta à Academia Sueca e Jorge Amado aceita com a condição de que a mesma se faça junto com a do romancista português seu amigo Ferreira de Castro. Comenta-se que também em 1988 esteve a ponto de ser premiado e, oficiosamente, parece ser que ficou com dous votos menos que o egípcio Naguib Mahfouz, que afinal foi o premiado nesse ano.

Nota: Uma ampla sua biografia pode ser lida na wikipedia. Outra biografia e numerosos dados sobre J. Amado podem encontrar-se na Fundação Casa de Jorge Amado.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS E FILMES

A. Documentários:
0. Cem anos de Jorge Amado.
Duração: 10 minutos. Ano 2012.

1. Jorge Amado: De lá pra cá (1ª parte).
Duração: 14 minutos. Ano 2011.

2. Jorge Amado: Vox Populi (entrevista).
Duração: 63 minutos. Ano 2016.

3. Jorge Amado fala sobre o povo brasileiro.
Duração: 4 minutos. Ano 2011. Produtora: Fundação Casa de J. Amado.

4. Jorge Amado: Uma biografia.
Duração: 2 minutos. Ano 2018.

5. Jorge Amado: Literatura, racismo, política e religião.
Duração: 10 minutos. Ano 2018.

6. Jorge Amado: Vida e obra.
Duração: 7 minutos. Ano 2017.

7. Jorge Amado: Uma biografia necessária em tempos de intolerância.
Duração: 12 minutos. Ano 2019. Fala a autora da biografia: Joselia Aguiar.

8. Especial Jorge Amado (TVBrasil).
Duração: 18 minutos. Ano 2012.

9. Tributo a Jorge Amado.
Duração: 27 minutos. Ano 2018. Produtora: TVBrasil.

10. Jorge Amado (Brasil Escola).
Duração: 9 minutos. Ano 2020. Fala: Helissa Soares.

11. Jorge Amado: De lá pra cá (2ª parte).
Duração: 12 minutos. Ano 2011.

12. Jorge Amado: Seara Vermelha.
Duração: 10 minutos. Ano 2015. Fala: Juliana Matos.

13. Jorge Amado: O país do carnaval.
Duração: 10 minutos. Ano 2017. Fala: Isabella Lubrano.

14. Jorge Amado recebe o Prêmio Pablo Neruda.
Duração: 14 minutos. Ano 2011. Produtora: Fundação Casa de J. Amado.

15. Jorge Amado: A Casa de Rio Vermelho. Curta metragem.
Duração: 11 minutos. Ano 2017.

B. Longametragens (com roteiros baseados nas suas obras):
1. Capitães da Areia. Filme completo.
Diretora: Cecília Amado (2011, 99 minutos, a cores). Vídeo de 2016.

2. Bahia de todos os santos. Filme completo.
Diretor: José Hipólito Trigueirinho Neto (1960, 103 minutos, preto e branco). Vídeo de 2016.

3. Tenda dos milagres. Filme completo (legendas em castelhano).
Diretor: Nelson Pereira dos Santos (1977,136 minutos, a cores). Vídeo de 2016.

4. O Compadre de Ogum. Vídeo de 2016.
Diretores: João Ubaldo Ribeiro e Geraldinho Carneiro (1994, 65 minutos, a cores, TV Globo).

A OBRA LITERÁRIA DE JORGE AMADO

Jorge Amado possui uma vasta obra literária, com aproximadamente 45 livros publicados entre romances, poesias, contos, crônicas, peças de teatro e literatura infantil. Ademais, a sua obra foi traduzida para 50 idiomas do planeta, sendo portanto, um escritor reconhecido mundialmente.

Romances
O País do Carnaval (1930)
Cacau (1933)jorge-amado-capa-livro-jubiaba-1
Suor (1934)
Jubiabá (1935)
Mar morto (1936)
Capitães da areia (1937)
Terras do Sem-Fim (1943)
São Jorge dos Ilhéus (1944)
Seara vermelha (1946)
Os subterrâneos da liberdade (1954)
Gabriela, cravo e canela (1958)
A morte e a morte de Quincas Berro d’Água (1961)
O Compadre de Ogum (1964)
Dona Flor e Seus Dois Maridos (1966)
Tenda dos milagres (1969)
Teresa Batista cansada de guerra (1972)
Tieta do Agreste (1977)
Farda, fardão, camisola de dormir (1979)
Tocaia grande (1984)
O sumiço da santa, romance (1988)
A descoberta da América pelos turcos (1994)jorge-amado-capa-livro-dona-flor

Literatura Infantil
O gato Malhado e a andorinha Sinhá (1976)
A bola e o goleiro (1984)

Biografias e Memórias
ABC de Castro Alves (1941)
O cavaleiro da esperança (1942)
O menino grapiúna (1982)
Navegação de cabotagem (1992)

Outros
A estrada do mar, poesia (1938)
Bahia de Todos os Santos, guia (1945)
O amor do soldado, teatro (1947)
O mundo da paz, viagens (1951)
Do recente milagre dos pássaros, contos (1979)
O milagre dos pássaros, fábula (1997)
Hora da Guerra, crônicas (2008)

JORGE AMADO E O CINEMA

Jorge Amado é, sem dúvida, o literato lusófono mais adaptado para o cinema e a televisão. A sua neta Cecília Amado levou há poucos anos como diretora ao cinema o seu romance Capitães da Areia, que teve a sua estreia em outubro de 2011 e participou numa edição do festival de cinema de Chicago. Pela sua parte, Globo TV emitiu no seu dia uma nova versão do romance Gabriela, cravo e canela, em formato de “telenovela”, pelo que no Brasil são todos grandes apaixonados.

A obra literária de Jorge Amado teve numerosas adaptações para o cinema e a televisão e, em menor medida, para o teatro. Em 1937 Jorge Amado fez o papel de pescador no filme Itapuã, dirigido pelo destacado documentarista Ruy Santos. Nove anos mais tarde, em 1946, Amado escreveu os diálogos do filme O cavalo número 13, produzido por Fernando de Barros e dirigido por Luiz de Barros. Ao mesmo tempo redigiu o argumento do filme Estrela da manhã, dirigido por Gino Palmisano e Jonald, e produzido por Afonso Campiglia, em 1950. O produtor italiano Carlo Ponti comprou em 1957 os direitos para levar ao cinema o romance Mar morto, escrito por Amado em 1936, mas o filme não chegou a realizar-se. A Warner mercou em algum momento os direitos para adaptar outras obras do escritor baiano. Em 1962 Amado criou a produtora Proa Filmes, de vida efêmera, pois só produziu um filme, a Seara Vermelha, baseado no romance do escritor. Em 1997 Jorge Amado recebeu o Troféu Filme de Ouro pela sua contribuição ao cinema brasileiro.

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Em Ourense, nos anos setenta e oitenta, pelo Cine Clube “Padre Feijóo”, sob a responsabilidade e labor de quem subscreve o presente artigo, foram projetados vários dos filmes baseados nos romances de Amado. Posteriormente já nos noventa e na primeira década do atual século, foi o Cine Clube “Minho” da ASPGP que, em ciclos dedicados à lusofonia, projetou na Casa da Juventude, nas aulas de cultura das Caixas, no Liceu Recreio e na Faculdade de Educação, ademais de filmes brasileiros de Pereira dos Santos, baseados nos romances de Graciliano Ramos, de Glauber Rocha, Walter Lima, Heitor Babenco, Rui Guerra, Carlos Diegues, Fernando Meirelles e Walter Salles, o formoso filme Tieta do Agreste, baseado no romance de Amado, dirigido por Carlos Diegues em 1996, com uma magistral interpretação de Sônia Braga.
Os mais famosos e lindos romances de Jorge Amado foram levados ao cinema e, no seu caso, à TV, em séries por episódios e capítulos de “telenovela”. A seguir apresento uma listagem com a filmografia relacionada com a obra literária de Jorge Amado, assinalando diretor e ano da realização. No seu caso especifico o título do romance, quando o do filme é diferente.

A. Em Cinema:
1. O cavalo 13 (Luiz e Fernando de Barros, 1946). Diálogos por J. Amado.
2. Terra violenta (Edmond Bernoudy, 1948). Romance Terras do Sem-Fim.

3. Estrela da manhã (Gino Palmisano e Jonald, 1950). Argumento de J. Amado.
4. Seara Vermelha (Alberto D´Aversa, 1964).
5. Capitães da Areia (Hall Bartlett, 1969).
6. Dona Flor e seus dois maridos (Bruno Barreto, 1976). Com canções de Chico Buarque.
7. Pastores da noite (Marcel Camus, 1977). Canções de Walter Queiroz.
8. Tenda dos milagres (Nelson Pereira dos Santos, 1977).
9. Gabriela (Bruno Barreto, 1983). Romance Gabriela, cravo e canela. Canções de Tom Jobim.
10. Jubiabá (Nelson Pereira dos Santos, 1985-87).
11. Tieta do Agreste (Carlos Diegues, 1996). Canções de Caetano Veloso.
12. Capitães da Areia (Cecília Amado, 2011). A diretora é neta de Amado.
13. Itapuã (Ruy Santos, 1937). Documentário no que Amado faz de pescador.
14. O capeta Carybé (Arnaldo “Siri” Azevedo, 1996). Documentário.
15. A Idade da Terra (Glauber Rocha, 1977). J. Amado no papel de 1 dos apóstolos de Jesus.

B. Para TV:

Capa do dvd do filme "tenda dos milagres" por Pereira dos Santos.

Capa do dvd do filme “tenda dos milagres” por Pereira dos Santos.

1. Gabriela (Maurício Sherman, 1961). Telenovela. Rede Tupi.
2. Gabriela (Walter Avancini, 1975). Telenovela. Rede Globo.
3. Terras do Sem-fim (Herval Rossano, 1981). Telenovela. Rede Globo.
4. Tenda dos milagres (Paulo Afonso Grisolli, M. Farias e I. Coqueiro, 1985). Minissérie da Rede Globo.
5. Capitães da areia (Walter Lima Jr., 1989). Minissérie da Rede Bandeirantes.
6. Tieta (Paulo Ubiratan, R. Boury e L. F. Carvalho, 1989). Telenovela. Rede Globo.
7. Tereza Batista cansada de guerra (Afonso Grisolli, 1992). Minissérie da Rede Globo.
8. Tocaia Grande (Régis Cardoso e W. Avancini, 1995). Telenovela. Rede Manchete.
9. Dona Flor e seus dois maridos (Mauro Mendonça Filho, 1997). Minissérie da Rede Globo.

A PALAVRA DE JORGE AMADO

Apresento a seguir uma antologia das suas mais lindas frases:
-“Mesmo não sabendo que era amor, sentiam que era bom”.
-“A sorte me acompanha, tenho corpo fechado à inveja, a intriga não me amarra os pés, sou imune ao mau-olhado”.
-“Na vida só vale o amor e a amizade. O resto é tudo pinoia, é tudo presunção, não paga a pena…”
-“O amor eterno não existe. Mesmo a mais forte paixão tem o seu tempo de vida. Chega seu dia, se acaba, nasce outro amor. Por isso mesmo o amor é eterno. Porque se renova. Terminam as paixões, o amor permanece”.
-“A alegria daquela liberdade era pouca para a desgraça daquela vida”.
-“A poesia não está nos versos, por vezes ela está no coração. E é tamanha. A ponto de não caber nas palavras”.
-“Não pode haver criação literária mais popular, que fale mais diretamente ao coração do povo do que a trova. É através dela que o povo toma contato com a poesia e sente sua força. Por isso mesmo, a trova e o trovador são imortais”.
-“Tudo que é bom, tudo que é ruim também termina por acabar”.
-“Se viver não é fácil, conviver é um desafio permanente”.
-“Não possuímos direito maior e mais inalienável do que o direito ao sonho. O único que nenhum ditador pode reduzir ou exterminar”.
-“Milagre de amor não tem explicação, não necessita”.
-“A solução dos problemas humanos terá que contar com a literatura, a música, a pintura, enfim com as artes. O homem necessita de beleza como necessita de pão e de liberdade. As artes existirão enquanto o homem existir sobre a face da terra. A literatura será sempre uma arma do homem em sua caminhada pela terra, em sua busca de felicidade”.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os documentários e filmes citados antes, e depois desenvolvemos um cinema-fórum, para analisar o fundo (mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.
Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Jorge Amado, excelente escritor do Brasil e eterno aspirante ao Prémio Nobel. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.
Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino um Livro-fórum, em que intervenham alunos e docentes. São muito interessantes as suas obras comprometidas com as causas sociais dos cidadãos, e entre elas Cacau (1933), a favor dos trabalhadores recoletores de frutos, Suor (1934), a favor de um mundo melhor e contra as desigualdades, Os subterrâneos da liberdade (1954), contra todas as ditaduras de ontem e de hoje, e Tenda dos milagres (1969), contra o racismo, um tema hoje de grande atualidade. Qualquer destes títulos pode escolher-se, por ser de grande interesse. Também podiam valer as suas obras relacionadas com o contexto da zona de nascimento e vida de Amado, o estado da Bahia, como por exemplo Bahia de todos os Santos (1944), que é uma espécie de guia-roteiro, ou Tieta do Agreste (1977), livro em que é apresentada a luita de uma mulher da Bahia. De todos os livros citados, no Brasil existem numerosas edições dos mesmos por diferentes editoras.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.


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