HANS ANDERSEN, PARA PROMOVER A LEITURA DAS CRIANÇAS



O dia 2 de abril comemora-se em muitos lugares do mundo o Dia Internacional do Livro Infantil e Juvenil. Uma jornada que, sem a menor dúvida, se deve celebrar em todos os estabelecimento de ensino dos diferentes níveis educativos, pela enorme importância que tem o fomento da leitura entre as crianças e os jovens. Um tema que, infelizmente, muitas vezes esquecemos. É fundamental organizar nas aulas atividades pedagógico-didáticas, de tipo lúdico e artístico ao redor da leitura e da sua promoção, com atividades atrativas, inovadoras e motivadoras. Acho que a figura que escolhi desta vez para a série de grandes vultos da humanidade, que iniciei no seu dia com Sócrates, é uma das mais adequada para lembrar esta jornada comemorativa específica. O depoimento, dedicado ao grande escritor de literatura infantil, e em especial de famosos e formosos contos, o dinamarquês Hans Christian Andersen, faz o número 94 da série.

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PEQUENA BIOGRAFIA

A brasileira Dilva Frazão, magnífica redatora de biografias de grandes figuras educativas e culturais, elaborou no seu dia uma dedicada ao escritor de literatura infantil e juvenil Hans Ch. Andersen, que pelo seu interesse, temos a bem reproduzir no presente depoimento.

Hans Christian Andersen (1805-1875) foi um escritor dinamarquês, autor dos contos infantis, Soldadinho de Chumbo, Patinho Feio, A Pequena Sereia, A Roupa Nova do Rei, entre outros. Hans Christian Andersen (1805-1875) nasceu em Odense, Dinamarca, no dia 2 de abril de 1805. Filho de um humilde sapateiro, que lutou nas guerras napoleônicas e voltou gravemente doente à sua terra natal morrendo pouco depois. Ficou órfão de pai com apenas 11 anos. Precisou abandonar os estudos e começou a escrever contos e pequenas peças teatrais. Com 14 anos acompanhou a apresentação de uma companhia de teatro que se apresentou em sua cidade. Tomou uma decisão e resolveu partir. Com uma carta de recomendação e algumas moedas seguiu para Copenhague em busca de emprego. Tímido, desajeitado e inexperiente demorou a encontrar quem lhe desse emprego. Atraído pelo teatro, insistia a escrever peças. Duas delas chegaram às mãos de Jonas Collin, um conselheiro de Estado, que lhe ofereceu uma bolsa de estudos. Durante seis anos frequentou a Escola de Slagelse. Praticamente adulto, sentia-se constrangido entre os colegas bem mais jovens e muito menores que ele. Estava com 22 anos quando terminou os estudos. Para sair de uma crise financeira escreveu algumas histórias infantis baseadas no folclore dinamarquês. Pela primeira vez os contos fizeram sucesso.

Entre os anos de 1835 e 1842 o escritor escreveu seis volumes de contos infantis. Em suas histórias buscava sempre passar os padrões de comportamento que deveriam ser seguidos pela sociedade. Mostrava muitas vezes o confronto entre o forte e o fraco, o bonito e o feio etc. A história da infância triste do patinho feio foi o tema do mais famoso –e talvez o mais bonito– dos contos criados por Hans Christian Andersen. Embora adulto, escrevia numa linguagem ao mesmo tempo atraente e acessível ao mundo infantil. Seus contos foram divulgados rapidamente dando-lhe a fama que ele procurou durante tanto tempo. Apesar de ter escrito poesias e romances, seus livros infantis foram os que lhe deram fama e foi aclamado em toda a Europa. Quando regressou ao seu país, foi recebido com grandes festejos e logo se viu cercado de amigos.

Hans Christian Andersen faleceu em Copenhague, Dinamarca, no dia 4 de agosto de 1865. Devido a sua importância para a literatura infantil, o dia 2 de abril –data de seu nascimento– é comemorado o Dia Internacional do Livro Infanto-juvenil. A medalha Hans Christian Andersen é entregue anualmente aos melhores escritores desse gênero. No Brasil, a primeira escritora a receber a premiação foi Lygia Bojunga. Muitas de suas obras foram adaptadas para a TV e para o cinema.

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Obras de Hans Christian Andersen

Apresentamos a seguir uma listagem dos seus contos infantis mais famosos e mais lindos: A Agulha de Cerzir, A Caixinha de Surpresa, A Casa Velha, A Colina dos Elfos, A Margaridinha, A Pastora e o Limpador de Chaminés, A Pequena Sereia, A Pequena Vendedora de Fósforos, A Princesa e o Grão de Ervilha, A Rainha da Neve, A Roupa Nova do Rei, A Sombra, As Cegonhas, As Flores da Pequena Ida, As Galochas da Fortuna, Cada Coisa em seu Lugar, Cinco Grãos de uma só Vagem, Dentro de Milênios, Ela Não Valia Nada, Histórias Que o Vento Contou, João-Pato, Mágoas do Coração, Nicolau o Grande e Nicolau Pequeno, O Anjo, O Boneco de Neve, O Colarinho, O Companheiro de Jornada, O Guardador de Porcos, O Isqueiro Mágico, O Jardim do Paraíso, O Menino Mau, O Patinho Feio, O Pinheirinho, O Que o Velho Faz Está Bem Feito, O Rouxinol, O Sino, Os Namorados, Os Novos Trajes do Imperador, Os Saltadores, Os Sapatos Vermelhos, Soldadinho de Chumbo, Os Sapatinhos Vermelhos, Uma Família Feliz, Uma História, Livro de Imagens, sem Imagens, Nada Como um Menestrel, O Improvisador e O Romance da minha Vida.

FICHAS TÉCNICAS DOS FILMES E DOCUMENTÁRIOS

  1. O fabuloso Andersen.

     Realizador: King Vidor (EUA, 1952, 112 min., cores).

     Roteiro: Moss Hart e Ben Hecht (história de Myles Connolly). Produtora: Samuel Goldwyn Company.

     Fotografia: Harry Stradling Sr. Música: Walter Scharf (Canções: Frank Loesser).

     Atores: Danny KayeFarley GrangerZizi JeanmaireJoseph WalshPhilip Tonge,Erik BruhnRoland    PetitJohn BrownJohn Qualen e Jeanne Lafayette.

     Argumento: Dinamarca, s. XIX. O sapateiro Hans Christian Andersen tem revoltada toda a rapazada do lugar com o relato das suas fantásticas histórias. O alcaide, pressionado pelo professor, que considera nefasta a influência de Andersen sobre as crianças, obriga-o a deixar a vila. Biografia do célebre escritor dinamarquês, autor de muitos e lindos contos.

  1. Hans Ch. Andersen. A minha vida como um conto de fadas.

     Realizador: Philip Saville (Reino Unido, 2003, 173 min., cores, para TV).

     Roteiro: Kit Hesketh-Harvey (Livro: Hans Christian Andersen).

     Fotografia: John Kenway. Música: Debbie Wiseman. Produtora: Hallmark Entertainment.

     

     Atores: Kieran BewEmily HamiltonFlora MontgomeryJames FoxSimon Callow,Steven BerkoffMathieu CarrièreGeraldine JamesAlison Steadman,Edward AttertonMark Dexter e Hugh Bonneville.

     Argumento: Hans Ch. Andersen (Kieran Bew), um jovem apaixonado pelos contos e as lendas populares, luita por encontrar o seu lugar no mundo e conquistar a Jette (Emily Hamilton), a mulher que ama. No filme, os contos de fadas misturam-se com os episódios da vida do protagonista e servem para ilustrá-los.

  1. Contos de Hans Ch. Andersen. Literatura Fundamental.

     Duração: 29 minutos. Ano 2015.

     Argumento: Programa com a professora Karin Volobuef, do Departamento de Letras Modernas da Faculdade de Ciências e Letras da Unesp de Araraquara sobre os Contos de Hans Christian Andersen – o escritor dinamarquês que ficou mundialmente famoso por sua literatura infantil em uma época em que havia poucos livros que pudessem ser lidos para crianças. São dele algumas histórias que sobreviveram quase dois séculos como a Roupa nova do imperador, O patinho feio, A pequena sereia e o Soldadinho de chumbo.

     

  1. Hans Ch. Andersen (A Sombra).

     Duração: 33 minutos. Ano 2016.

     

  1. Biografia de Hans Ch. Andersen.

     Duração: 5 minutos. Ano 2015.

     

  1. Hans Ch. Andersen: O homem detrás do escritor.

     Duração: 6 minutos. Ano 2015.

     

  1. Hans Ch. Andersen.

     Duração: 10 minutos. Vídeo da Universitat de Vic, 2009.

     

Nota importante: Muitos dos livros e contos de Andersen foram levados ao cinema por múltiplos diretores, e em diferentes idiomas e países, e também no género de cinema animado. Podem ver-se mais de 70 títulos nesta ligação.

O MUNDO IMAGINÁRIO DE ANDERSEN

Hans Christian Andersen escreveu 156 contos para crianças. Depois do grande sucesso que obteve com a publicação do primeiro livro de histórias, em 1835, descobriu que seu verdadeiro talento estava na literatura infantil. Acredita-se que o autor tinha enormes dificuldades para conviver com os adultos, e que gostava mesmo era de ficar entre os jovens para brincar, ouvir e contar histórias divertidas. Talvez por isso, Andersen tenha desenvolvido a capacidade de criar mundos imaginários tão fascinantes ao universo infantil. Ele apenas representava o dia-a-dia das crianças em seus contos!

Antes dele, porém, no século XVII, um francês chamado Charles Perrault já registrava fábulas destinadas à criançada. Na Alemanha, ainda anteriores a Andersen, os irmãos Grimm fizeram sucesso com as histórias infanto-juvenis que publicaram. Como pode então Andersen ser reconhecido como o primeiro autor da literatura infantil? Bem, porque de fato ele foi o primeiro a criar histórias para esse público. Até então, tais escritores passavam para o papel histórias já inventadas e contadas pelo povo oralmente, com o objetivo de registá-las.

estatua hans andersen

Andersen também costumava caçar histórias curiosas e esquisitas pelas ruas. Mas elas lhe serviam como fonte de inspiração para criar novas histórias. O grande barato nos contos do dinamarquês está no fato de ele atribuir aos seus personagens características marcantes de sua época. Andersen era do povo e, por isso, soube descrever exatamente os desejos da população em seus textos. Naquele tempo, as pessoas valorizavam as raízes de seu país, celebravam as conquistas individuais e a busca pela realização de seus sonhos, e esse período foi chamado como Romantismo.

Não é à toa que o poeta e novelista escolheu personagens frágeis e desvalidos para ilustrar suas histórias: eles exaltavam o espírito individualista da época, isto é: mostravam que cada pessoa era diferente da outra! Se repararmos bem, tal como o patinho que era feio, o soldadinho de chumbo não era igual aos outros, pois tinha apenas uma perna. Já a pequena sereia se apaixonou por um ser humano, mas não podia viver fora da água como ele, pois tinha uma cauda de peixe!

Andersen também se baseou na sua própria vida para criar os contos. Quando criança, era desengonçado e alto demais para a sua idade, o que provavelmente era motivo de riso entre seus colegas. Acredita-se que tenha se inspirado na sua infância para escrever O patinho feio. As crianças já devem conhecer o desfecho da história. Bem, agora que conhecemos um pouco da vida deste autor, temos que saber também que tanto ele quanto o patinho tiveram um final feliz! Afinal não é todo dia que se é reconhecido como um dos maiores escritores da literatura infantil do mundo.

A TÉCNICA DOS CONTADORES DE HISTÓRIAS

Contar histórias é a mais antiga das artes. Elas são fontes maravilhosas de experiências. São meios de alargar o horizonte da criança e de aumentar o seu conhecimento em relação ao mundo que a cerca. É através do prazer ou emoções que as histórias lhes proporcionam que o simbolismo, implícito nas tramas e personagens, vai agir no seu inconsciente. Ali atuando, ajudamos, pouco a pouco, a resolverem os conflitos interiores que normalmente vivem. Os significados simbólicos dos contos estão ligados aos eternos dilemas que o homem enfrenta ao longo de seu amadurecimento emocional, quando se dá a evolução, a passagem do eu para nós. A literatura infantil, principalmente os contos de fadas, podem ser decisivos para a formação da criança em relação a si mesma e ao mundo à sua volta.

As diferenças que mostram os personagens bom e maus, feios e bonitos, poderosos e fracos, facilitam à criança a compreensão de certos valores básicos da conduta humana ou do convívio social. Através deles a criança incorporará valores que desde sempre regem a vida humana. Confrontada com o bom e o belo a criança é levada a com eles se identificar, por trazerem em si a semente da bondade e da beleza. Identificando-se com heróis e heroínas, ela é levada a resolver sua própria situação, superando o medo que a inibe e ajudando-a a enfrentar os perigos e ameaças que sente à sua volta.

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As histórias promovem o prazer por ler e o gosto pela leitura: quando a criança aprende a gostar de ouvir histórias contadas ou lidas, ela adquire o impulso inicial que mais tarde a atrairá para a leitura. As histórias são um poderoso recurso de estimulação do desenvolvimento psicológico e moral que pode ser utilizado como recurso auxiliar da manutenção da saúde mental das pessoas que estão a crescer em idade. As histórias instruem, ao enriquecer o vocabulário infantil, amplia o seu mundo de ideias e conhecimentos e desenvolve a linguagem e o pensamento.

As histórias educam e estimulam o desenvolvimento da atenção, da imaginação, observação, memória, reflexão e linguagem. As histórias cultivam a sensibilidade, e isso significa educar o espírito. A literatura e especialmente os contos de fadas como os de Andersen dirigem a criança para a descoberta da sua identidade e comunicação e também sugerem as experiências que são necessárias para desenvolver ainda mais o seu caráter.

As histórias facilitam a adaptação da criança ao meio, pela incorporação de valores sociais e morais que ela capta da vida de seus personagens. As histórias recreiam, distraem, descarregam as tensões, aliviam as sobrecargas emocionais e auxiliam, muitas vezes, a resolver conflitos emocionais próprios. Exemplo: por alguma razão, uma criança é repreendida pela mãe. Não podendo reagir diretamente à “agressão”, identificará a “agressora” na pessoa má do conto. A história funcionará, dessa forma, como antídoto na solução de seus problemas infantis. Será um fator importante na procura do equilíbrio emocional.

Por tudo o assinalado, é muito importante realizar sessões de contadores de histórias, especialmente nas aulas de educação infantil e na escola primária. Com acerto, nos últimos tempos, têm-se desenvolvido atividades de formação dos docentes nesta área e neste campo, e hoje contamos com estupendos especialistas na arte de contar histórias e contos populares às crianças.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os filmes e os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Hans Ch. Andersen e à sua obra literária para crianças e jovens. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.

Podemos organizar no nosso estabelecimento de ensino diversas sessões de contadores de histórias, fazendo antes uma escolha pelos escolares daqueles que considerarem mais interessantes e atrativos dos muitos escritos por Andersen. Depois da escolha, e de realizar a sessão, organizamos também um cinema-fórum com os filmes baseados nos contos que foram escolhidos.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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  • abanhos

    muito bom trabalho