A Galiza como parte da cidadania lusófona?

Comunicação no V congresso da Cidadania Lusófona em Lisboa



V Congresso da Cidadania Lusófona1

Fundação Meendinho (Da Galiza 2)

Lisboa3 Novembro de 2017

 

Falar da Galiza como parte da Lusofonia, era algo, como pouco, muito esquisito até bem recentemente, em que organizações como a que presido -Fundação Meendinho, ou a Academia Galega da Língua Portuguesa, e outras, tem trazido à tona esse término, e tem defendido que a Galiza em quanto terra que partilha língua com Portugal, tem que estar nas organizações e no mundo, que Portugal construiu, o da nossa própria língua e cultura, libertada da subjeção às alfândegas do castelhano.

E bem certo que o termo lusófono, é em Portugal uma construção ideológica histórica, vinda a tona no seu momento, como contraste ao peso que a Galiza, em quanto tal, teve na construção da nacionalidade e o estado português.

Portugal é o construto, em palavras de Alexandre Herculano, dos homens do norte, da Galiza bracarense, é dizer do cerne histórico da própria Galiza, frente aos intentos de serem submetidos pelo Compostelanismo4.

Porém ao acabar usufruindo a norte do Minho, o termo de Galiza e galegos, a sul havia, que construir uma identidade, que pouco a pouco se faz mais contrastiva com a parte que ficou submetida à Castela e consequentemente esmorecendo5, como bem exprime o primeiro gramático da língua portuguesa, Fernão de Oliveira, quando na obra declara que a Galiza perdida a corte, a língua esmorece, pois para ele, é nesse ambiente privilegiado da Corte, onde se cuidam e depuram as palavras.

A quebra bem afortunada6 do espaço comum, não empeceu que nos primeiros séculos da monarquia, até D. Afonso V, e o trágico resultado da batalha de Toro de 1486, Portugal nunca deixou de aspirar a reintegrar nas fronteiras do reino à Galiza inteira7.

Galiza era termo das divisões administrativas romanas, logo consolidado no primeiro reino dentro do império romano, que nasceu em 411 em Braga8 (o galicense regnum), e consolidado ainda mais ao largo do longo período que as tropas e gentes do norte usaram para libertar à península do jugo muçulmano.

O centro desse território galego, sempre foi o espaço entre os rios Douro e Oitavém, o mesmo espaço no que no ano de 868 se vai constituir o condado de Portucale. Nascido nessa espaço privilegiado que é o Porto,que deu nome a Galiza (Cale/calecos) e a Portugal, Portus-Cale9.

Lusitânia é outra denominação administrativa romana, do território do atual Portugal ao sul do Douro e de muitos outros espaços hoje formando parte das terras de cultura castelhana. E o seu papel mais alargado na história foi como província eclesiástica seguindo o desenho imperial romano e com o seu cerne e cabeça fora dos lindes de Portugal, nas terras hoje de língua castelhana.

O sucesso de Portugal -mundo lusófono-, contrastivo e identificador de Portugal, foi bem grande, e não é casual que a grande epopeia dos descobrimentos de Luís de Camões, fosse intitulada Os Lusíadas.

Mas o termo lusofonia era muito caro ao integralismo português, de facto o peso que isso dava a esse termo, fazia que fosse recebido com bastante apreensão, não na Galiza, mas sim no Brasil e até rejeitado pelos movimentos independentistas das antigas colónias portuguesas, que o 25 de abril libertou, ao se identificar com um saudosismo, e uma certa pretensão de superioridade portuguesa frente aos outros povos que compartem a sua mesma língua e cultura.

Porém a reivindicação democrática da Lusofonia, após abril, o sentimento de partilharmos todos uma mesma realidade cultural, plasmada na criação da CPLP10, e no sentido de igualdade que dela nasce, faz que hoje o termo Lusofonia seja uma clara afirmação de um mundo cultural, com o seu particular jeito de olhar o mundo, tal como corresponde a sua comum língua portuguesa.

Entidades como o MIL, vem a colocar a Lusofonia num alto patamar de entendimento e de solidariedade.

Como construir na Galiza a condição de realidade lusófona

Na Galiza nos últimos tempos e dum jeito que haveria de resultar incrível -e até blasfemo- para os vultos do galeguismo que nos antecederam11, está-se popularizando Lusofonia e a nossa pertença a ela, com uma naturalidade que não deixa de produzir espanto, pois a sua aceitação por elites galeguistas não se está a traduzir, nem o mais mínimo, na sua assunção por alguma parte do nosso povo nem a sua existência nos meios main streem, o qual fala-nos dos graves problemas da normalidade clínica, na que vivemos, na Galiza.

Qual é a realidade que se vive na Galiza

Pois o sucesso, a cada passo mais acelerado, de Castela nos deglutir no âmbito da sua cultura, a nós imposta como dominante.

O Processo de normalizacion da língua e cultura dos galegos e galegas, levado avante por castela/espanha e suas instituições e seus servidores regionais, consistiu na defesa dos localismos e dialectalismos, frente a língua castelhana universal, na defesa duma realidade fragmentada e local, na defesa e imposição de uma língua galega submetida às alfândegas do castelhano, e dele dependente. De facto promover o “galego” era fazer uma espécie de castelhano em galego nesse processo de (a)nomalização.

Além disso as línguas vivem, se as pessoas vivem nelas, e neste mundo globalizado são miles as línguas e espaços culturais que estão a entrar em crise. São muitas as línguas, -a mais original criação do gênero humano-, entre as 1500 reais que há no planeta, que estão a desaparecer dia após dia, e que se vão enterrando na medida em que se enterram os seus falantes.

Em Castela/espanha temos uma escola nacional, nacionalizadora, que garante o pleno conhecimento e domínio da língua castelhana a todos as pessoas do estado.

Essa língua que é a única oficial do estado, ainda sendo o estado pluri-nacional. E o castelhano, de acordo ao artigo 3 da Constituição, tem todos os súbditos, (castela/espanha é uma monarquia, e os cidadãos nas monarquias são súbditos), a obriga da conhecerem.

Na Galiza a escola conseguiu o que não conseguira a pior das repressões, que as gentes ao norte do rio Minho deixem de terem o português como a sua língua nacional.

A Galiza tinha um modo de vida tradicional que vivia na sua língua, esse modo quebrou, esmoreceu, desapareceu aos poucos mas de jeito muito efetivo.

A sua língua para os falantes passa a ser um retalho esburacado e muito limitado, absolutamente dependente do castelhano, com o que enchem ocos valeiros e fazem remendos.

Essa língua já não é apreciada como um instrumento útil e sim como um andarilho deficiente que ainda pode servir para fazer contos de taverna, mas não como língua que se transmite aos filhos.

Quando numa língua quebra a transmissão geracional, sabemos que com os idosos imos enterrando-a pois as novas gerações chegam no castelhano simplex da escola e dos meios -em castelhano- que estão absolutamente presentes no ambiente de todos os lares, ao longo de todas as horas do dia e da noite.

Neste momento a língua, além de ser ela muito mais deficiente do que o era há 30 anos, é língua minoritária entre os menores de 35 anos, que cada dia estão mais e mais instalados e tem mais internalizado o castelhano. Se a analise a fizéssemos entre os falantes de menos de 15 anos, a situação é pavorosa.

A Galiza a norte do Minho é hoje um povo envelhecido, que aceita morrer o mais estupefacientemente que possa.

Há remédio para isso.

Sim há remédio, que castela/espanha se desintegrar12, que seria o único jeito até para os que gostem da unidade, de construir um estado pluri-nacional empático e respeitoso.

Na Galiza há umas crescentes elites lusófonas, mas sem instrumentos de intervenção social efetivos.

É questão indiferente isso a Portugal?

Portugal já não é o centro do seu mundo, está de novo agindo no quadro peninsular, e o facto de que ante a proclamação da república catalã, o governo repetir o que lhe foi sugerido desde Madrid, não fala muito além da sua capacidade de intervenção e do seu sentido de futuro.

No ano 1994 dava eu uma palestra em Lisboa13, na que afirmava a Galiza era fronteira de Portugal ante Castela, nela apontava que se a Galiza desaparecer no quadro peninsular como realidade cultural lusófona, até o próprio Portugal seria posto em questão… Desde aquela o conhecimento do castelhano em Portugal se acrescentou, é língua que um percebe que já falam todos os portugueses, e o facto de Castela ainda não renunciar a ter Portugal na sua órbita, faz que na Galiza, todos os lusófonos joguemo-nos muito.

 

Notas:

1Estou em Lisboa, e vocês não sabem que na Galiza além do Minho, como se fossemos também mais uns portugueses, quando pegamos uma joaninha dizemos: Joaninha voa voa, vai levar uma carta ao meu amor a Lisboa, e isso e comum desde a raia até as beiras do mar Cantábrico, é dizer o território todo.

2Da Galiza, entenda-se da parte da Galiza que não constituiu Portugal, e que ficou sob o domínio de Castela (Castela/espanha, nome mais preciso e definidor da sua realidade, que o de espanha).

3Estar em Lisboa falando da relação da Galiza e Portugal é cousa bem gira, e mais quando como galego do Além Minho lembro, que na Galiza quando se pega uma joaninha, dizemos o mesmo que se diz no norte de Portugal, joaninha, voa ,voa, e vai levar uma carta ao meu amor em Lisboa

4António Sergio, Interpretação da história de Portugal. Editora Sá da Costa clássicos

5Portugal teve o seu submetimento a Castela de 1580 a 1640, e ainda sendo breve tempo, e ainda reconhecendo-lhe a condição de reino autónomo, os efeitos não podem ser considerados de menores. O desaparecimento da literatura portuguesa com a excepção da religiosa, e um bom sintoma de isso. Além disso quando se examinam as relações históricas entres as duas grandes línguas peninsulares, o castelhano e o português, achamo-nos com o seguinte: Até fins do século XIII umas mil e quinhentas palavras passam do português para o castelhano. Entre o 1411 e 1640, são perto de 3000 as palavras que se passam do castelhano ao português, e o castelhano é a segunda língua de muitos escritores portugueses, além disso o castelhano vai ocupar muito espaço, por exemplo a toponímia peninsular, e não só, tem um antes e um depois de 1640, bem diferente. De 1640 em diante, é o francês e em menor medida o inglês o que fornecem novos vocábulos a língua portuguesa, e Portugal está de costas ao resto peninsular é o centro do seu próprio universo. A partir de 1985, Portugal volca-se no espaço peninsular, como peculiar jeito de estar na Europa, o seu sistema económico e bancário é ocupado por Castela/espanha. e o castelhano passa a ser de novo a língua que todos os portugueses declaram conhecer, e na que recebem mensagens e informações e entretimento. Nas cimeiras ibéricas a liderança portuguesa adota como língua o castelhano…Mentres o português segue banido da Galiza, ainda que existam boas palavras não houve nenhum feito nem efeito, Castela segue com luva de ferro impondo a sua língua por todo os lado.

6Digo afortunada, pois se Portugal reino não tivesse nascido, hoje a situação da língua acho que seria muito semelhante a do leonês.

7Fernando I, em 1369 reincorpora todo o espaço da Galiza a Portugal- De novo o Mestre de Avis 1386 tem esse objetivo. D. João I volta a ter como objetivo a incorporação da Galiza toda. Os seus intentos e insucesso dão como resultado o tratado de paz com Castela de 1411/ratificado 1432, no que Portugal renuncia a reincorporar à Galiza toda, e Castela renuncia ao Algarve e Portugal. Em 1475 temos a guerra de D. Afonso V com Castela de defesa da legitimidade de Dona Joana como herdeira de Castela, e da reunificação da Galiza toda na coroa portuguesa. A batalha de Toro de 3 de fevereiro de 1476, põe fim as pretensões de Portugal e abre o caminho a construção de uma Castela imperial que acabará senhoreando a maior parte dos reinos e povos peninsulares, com a excepção de Portugal.

8Domingos Guimarães Marques e outros. Em Braga foi Portugal Gerado. Edição do autor com colaboração da Câmara de Braga no 2011, 1600 aniversário do nascimento do reino.

9http://lamadarcos_mandin.blogs.sapo.pt/7741.html

10Na que afortunadamente, e ainda de jeito limitado já estamos galegos e galegas a norte do rio Minho.

Alexandre Banhos Campo

Alexandre Banhos Campo

Alexandre Banhos Campo (Crunha 1954) é Licenciado em Ciências Políticas e em Sociologia (especialidade de demografia e população) pela Universidade Complutense. Em Madrid foi membro fundador do grupo LOSTREGO.

Post-grau em gerimento de formação e processos formativos pela UNED, e tributários pola USC. Tendo desenvolvido alargadas atividades no campo da formação, em todos os ramos, e também na sua condição de formador.

Tem sido colaborador jornalístico, e publicado inúmeros artigos sobre os temas da sua atividade.

Ligado ao ativismo galeguista na Galiza desde há 40 anos, tendo ocupado diversos postos de responsabilidade em diversas instituições e entidades. Neste momento é do conselho consultivo do MIL, dos Colóquio da Lusofonia e o atualPresidente da Fundação Meendinho.
Alexandre Banhos Campo

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  • Galego da área mindoniense

    Dentro dũa Uniom Europeia (das nações), a Galiza deve estar unida a Portugal. Após tudo, a Galiza foi quem criou Portugal; e inda oje têm a mesma língua (cada vez menos; mais inda assim case todos aceitam que a língua própria, natural e original da Galiza é o galego; e nom o castelão), cultura, tradições…
    Portanto, a Galiza deve fundir-se coa República portuguesa, o que unido a outras movimentos nacionais dentro do continente; teria de formar a Uniom das Nações Europeias (poderia seguir chamando-se Uniom Europeia, mais é pra simbolizar que seria ũa UE bem diferente; por moito que o nome continuar a ser o mesmo).

    • Galego da área mindoniense

      Respeito a capital, dado que estamos em pleno século XXI e terceiro milênio d.C. e que podemos ir a calquer parte da Terra n´apenas ũas oras; coido que poderíamos ponher catro capitais: Braga, Lisboa, Ponta Delgada e Funchal.

      – Braga, devido a que foi a primeira capital de Portugal (a Galiza tamém estaria incluída nisse Portugal)
      – Lisboa, basicamente por ser Lisboa. Foi a capital portuguesa durante moitos séculos.
      – Ponta Delgada e Funchal, devido a sua situaçom geográfica; já que som as capitais dos dous principais arquipélagos portugueses, além d´estarem algo afastados do continente europeu.
      Tamém se poderia ponher por lei que, entre 2 capitais, tem d´aver ũa distância mínima de 300 quilômetros em linha reta (coma se fosse traçada cũa régua).

      Ũa capital por cada ano, e iriam-se alternando sucessivamente num ciclo de 4 anos; que é o que dura ũa legislatura normal, garantindo assim que os deputados passem por tôdalas capitais do país. Ademais, que os políticos da República estejam obrigados a passar por catro capitais têm vantagens; já que isso significa que nom se limitam a ficar em Lisboa e permite que possam conhecer melhor a situaçom de todo o país em geral. E segundo que nom se poderia centralizar tudo em Lisboa (meios econômicos, sociais, linguísticos, educativos, ideológicos…), já que averia outras 3 capitais cos mesmos direitos ca Lisboa. E se as capitais progredirem, tamém o têm de fazer as vias de comunicaçom entre ilas e as suas zonas circundantes. E, já de passagem, progredimos todo Portugal; conseguindo assim um Estado descentralizado de fato sem necessidade de regiões, províncias, comunidades ou autonomias.

    • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

      Nom creio que essa nossa uniom a Portugal seja o que o autor do artigo propom: ele mais bem fai referência à «Hespanha» do Castelao. Com efeito, nessa re-ordenaçom peninsular Portugal seria mais umha naçom, acarom da Galiza, Catalunha, Castela e Euskadi. A Galiza e Portugal partilhariam um espaço cultural e linguístico comum, no quadro mundial da Lusofonia.

      No entanto, o que ti propós vai além … e ao mesmo tempo fica aquém … uniom política mais com dous padrões linguísticos? Inviável, e mais contraditório …

      De resto, nom se pode criar umha sociedade mais justa tendo coma referência um conceito de natureza colonialista, como é o da Lusofonia. Cumpre basear-se no próprio, e admitir que a fragmentaçom e esgalhamento das línguas é um processo positivo, como que de biodiversidade.

      Como exemplo: no padrom que ti empregas, ou no que o autor do artigo emprega, hai umha cheia de elementos alheios a qualquer um dos padrões portugueses. Som «castelanismos» diferentes dos castelanismos do português. E muitos deles (embora nom todos) som legítimos, da mesma maneira que os inúmeros galicismos do inglês, por pôr um exemplo, som legítimos. A percura do pureza, dum suposto estado «virginal», é um preconceito mui vulgar e que nom presta. E mais faguer mentes de recriar o passado é mais umha forma de servilismo inconsciente.

      • Galego da área mindoniense

        É ũa opiniom pessoal, bem sei que nom é exatamente o que pensa o autor; por isso comentei. Ora bem, o conceito de “Hespanha”,. coido que é algo obsoleto nos tempos odiernos. Na época do Castelao nom existia a Uniom Europeia, cousa que si existe agora. O que á que procurar é na Uniom Europeia estejam tanto Euskadi, Catalunya como outras nações; que istas estejam completas (a Galiza deveria estar com Portugal, a Catalunya nom se deve limitar à comunidade autônoma, à Alemanha que lhe devolvam o que lhe amputárom na Segunda Guerra Mundial na medida do possível…) e que cumpra cos seguintes valores: liberdade, igualdade, fraternidade, democracia, transparência, separaçom de poderes, anulaçom de privilégios… E estaria bem aproveitar a tecnologia atual pra que os próprios cidadãos possam participar na votações das leis, aprovando-as ou reprovando-as.

        Inviável? Somente pra que nom estiver disposto n´executá-lo.

        • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

          É mui difícil ter um estado com dous padrões de língua, pois apareceriam muitos problemas de entendimento entre os cidadaos dumha e outra parte, haveria documentos num padrom e outros noutro, enfim, seria bastante caótico … por isso mesmo todo estado tem um só padrom. Na tua proposta política, já que logo, terias que abandonar o teu padrom e adoptar o de Lisboa, que é o mais consolidado … o qual alhearia os galegos, ca o padrom de Lisboa nom nos presta bem nem somos quem de dominá-lo. Essa nova diglossia criaria inúmeros problemas sociais, de aprendizado e mesmo psicológicos. O irredentismo político que propós, e que já foi proposto antes (a famosa «Portugaliza») só é possível adoptando o padrom de Lisboa. A nom ser que os portugueses decidam mudar o seu padrom pra o aproximar do galego … mais que ganhariam com tal cousa? É como se nós mudássemos o nosso padrom pra o aproximar do galego medieval … Em qualquer caso, a deriva portuguesa linguística, e sobretudo cultural (no senso largo), fai contraditório querer umha aproximaçom do português ao galego. De facto, isso mesmo sabem-no bem os reintegracionistas radicais, ou lusistas, que por isso propugnam a adopçom do padrom português (possivelmente o lisboeta) como o nosso próprio. Esperar dos portugueses que se aproximem de nós é como esperar que os brasileiros se aproximem dos portugueses, ou os americanos dos británicos …

          Pra mim fai mais sentido o termos dous padrões (três, co brasileiro) com cadansua variedade de língua, cultura e história … a uniformizaçom «da cima» nom me parece que ajude a ninguém …

          • Galego da área mindoniense

            Primeiro, os galegos deveríamos criar o nosso autêntico padrom; dentro do reintegracionismo (enquanto inda estivermos no reino da Espanha). E logo negociar cos portugueses a configuraçom dum padrom nacional ou internacional (isto poderia fazer antes ou após a fusom da Galiza com Portugal). Coido que dous dos aspetos que deveriam incondicionais som a diferenciaçom -ão/-ám/-om (que permitiria conhecer de maneira certa que plural á que utilizar em cada caso) e cantárom/cantaram (o do verbo cantar, é um exemplo). E noutros aspetos, poderia-se seguir o exemplo da atual norma da RAG, e permitir duplas opções. Penso que os linguistas de tôdalas regiões de Portugal (dende o Ortegal até o arquipélago da Madeira) deveriam ser quem de chegar a ũa soluçom coa que tôdolos portugueses, incluídos os galegos, estejam identificados. Mais pra realizar ũa açom de tal envergadura, tem d´aver vontade e ganas de lográ-lo.
            Ademais, ò ponher 4 capitais; permitiria que istas possam fazer de contrapeso a Lisboa, o que inclui o âmbito linguístico. Acho que a cidade que teria maior destaque nista tarefa seria Braga; por ter sido a primeira capital, por ser inda oje ũa das cidades máis populosas de Portugal e por estar na zona “original” do idioma; poderia fazer que o padrom nom admitisse apenas as soluções e falas de Lisboa; e pasasse a ter máis em conta òs galegos (de toda a Galiza, o que inclui òs atualmente conhecidos como “nortenhos”). E inda estariam os 2 grandes arquipélagos, cujas falas (junto às galegas e norte de Portugal) som as máis diferenciadas de Lisboa.

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            A tua proposta revisionista-irredentista entra no eido da fantasia, das realidades paralelas, mais, mesmo no caso fantástico de haver umha certa vontade política e popular nessa linha, seria enfraquecedora e desestabilizadora da língua, por mor dos inúmeros novos e desnecessários castelanismos que o galego introduziria nesse novo padrom (por exemplo, neste teu último comentário introduzes os seguintes: “logo” no senso de “despois”, “com + a” em vez de “com”, “dende” em vez de “de” ou “a partir de”, “ganas de lográ-lo”, em vez de “vontade de consegui-lo”, “fazer de contrapeso” em vez de “contrabalançar”, “ter em conta + a”, em vez de “ter em conta”, “incluir + a” em vez “incluir”, “fazer + que“ em vez de ”fazer com + que“, etc). Isto sem contar o trabalho de ter de escolmar a fraseologia, caso por caso, entre galega e portuguesa, o mesmo co léxico e coa semântica (“jantar” ou “almoço“, por exemplo) e o léxico. Um trabalho de tolos, em que seria impossível concordar em qualquer cousa. A realidade é que o português tem umha norma consolidada após séculos de trabalho de costas ao galego, e querer reverter esse processo vai contra toda lógica e economia.

            Enfim, se estás polo revisionismo e irredentismo lusista, terás de admitir o que todo lusista admite, já desde os tempos do Lapa e ainda antes: que o padrão português culto é o do galego.

          • Galego da área mindoniense

            Pois eu nom o aceito. Seria um trabalho duro, mais é coma o que atualmente fai Castela pra filtrar e selecionar os anglicismos, estrangeirismos, vulgarismos… Nom tem ūa eficiência do 100% (podemos dizer que isso é impossível), mais tem demostrada em diversas ocasiões a sua eficácia. Seguindo isse exemplo, poucos castelanismos averiam entrar e apenas se istes fossem necessários. E, em poucos casos, até poderíamos ajudar à recuperação de palavras da nossa língua que fôrom substituídas em Portugal; como castelão, repolo ou enxebre. Mais onde teria máis relevância seria na Galiza, já que contribuiria a eliminar moitos castelanismos; inda que isto levaria o seu tempo.
            Respeito ò léxico, poderia-se fazer ūa primeiro seleçom que consistiria em preterir calquer anomalia etimológica. Feito isso, já averiam tantos casos nos que trabalhar. E, por exemplo, no caso que apontache, na minha zona nom existe “jantar”. O almoço sempre foi e é a comida do meio-dia, já que antes apenas aviam 2 comidas: o almoço e a ceia. Isso do desjejum e a merenda som inventos modernos.
            A fraseologia é algo espontâneo e que varia muito da idade, grupo social, zona, ambiente, educaçom, pessoa… o melhor é deixar isse aspeto ò parecer de cada quem.
            Na fonética e sotaque das televisões, rádio… no Brasil, por exemplo, fizérom um íbrido entre as falas de São Paulo e do Rio de Janeiro; e nos filmes dobrados prá América castelão-falante, utiliza-se um sotaque

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            O falar nom tem cancelas, mais quando se fala dum fenômeno social, como o da língua, nom se pode ignorar o sentir das persoas, a sua mentalidade, as suas tradições e referentes culturais, os seus mitos e expetativas, as suas práticas diárias, que nom som, por certo (= com certeza), os desvarios persoais dum tolo qualquer a bater no seu computador segundo lhe chova no dia. Se quadra sabes da polémica que levantou, e ainda levanta, em Portugal o famoso Acordo Ortográfico. Trata-se dumha simples questom ortogrâfica, nada do resto da língua muda … portanto, a tua proposta, tam abrangente e difusa, se a levares a Portugal, nom volves à casa vivo, isso é garantido. Haverias provocar umha revolta que nem a batalha de Aljubarrota.

            Sugiro-che deixar de bater no teu computador e bateres mais o pé por terras de Portugal, pra que entendas um pouquinho mais o trelo este. Dom Quixote estava tolo, sim, mais meteu-se a caminho, nom quedou na casa a ler mais livros … enfim, enquanto nom passares de ser um «maverick» de computador, podemos ficar tranquilos sem temer umha nova guerra peninsular …

          • Galego da área mindoniense

            Respeito òs meus “falhos”, algũus som feitos cientemente e outros, nom; e isses devem-se a que eu nom fum escolarizado na normativa reintegracionista do galego. Inda assim, tento melhorar e aperfeiçoar-me no que acho necessário.

          • http://bagoasnachoiva.blogspot.co.uk/ Roi BêNaChoiva

            Quanto aos castelanismos alheios ao português que ateigam a tua escrita, e a de tódolos lusistas, som prova de que, pra conseguir qualquer confluêcia normativa (do teu tipo ou do tipo oficial lusista) co português, nom abonda co contato intenso coa língua portuguesa: cumpre ignorar o castelám. E enquanto nom houver umha vontade e um programa de banir o castelám da Galiza, será-vos impossível deixardes de misturar o castelám co português. Nengum português consegue escrever ou falar segundo o jeito brasileiro a força de voluntarismo: terá que isolar-se do português européu, esquecê-lo e ir morar no Brasil. Pola mesma, o galego, enquanto estiver em contato co castelám, terá de admitir certos castelanismos (tampouco é preciso ir ao extremo da RAG) que som alheios ao português. A nom ser que queirades umha língua de iluminados ou seres que vivam no éter, a bater no computador e vender algum livro …

      • Galego da área mindoniense

        Respeito à lusofonia, nom estou d´acordo co nome; que acho que deveria ser “galaicofonia” ou similar, ũa denominaçom que visualize melhor o logar do nacimento da nossa língua. Mais sim que concordo co conceito; que nom é máis co equivalente da nossa língua à hispanofonia, francofonia, anglofonia…