QUOD NIHIL SCITUR

A Galiza como tarefa – pêndulo



texto originalmente publicado em A Viagem dos Argonautas

Na ilusão de liberdades, na miragem digital e na enchente de informação que chegou com internet talvez esquecemos, imprudentemente, aquele mito conservador, ou ameaça escolar, da história ser pendular. Assim, em nada, diremos: houve um tempo em que a internacionalização, o intercâmbio quase imediato de dados, a comunicação e a tolerância anunciavam belos futuros.

O mundo não é racional, nem justo, nem ordenado, nem lógico, advertidos estávamos. Hoje, se estamos a enxergar o horizonte, percebemos a retirada acelerada do mar que anuncia a chegada das altas ondas da reação. Intolerância, irracionalidade, destruição do outro, fronteiras, invadem tudo; assolagam e fecham os espaços possíveis à circulação da comunicação e das ideias. Tudo em nome de uma aparente democracia, liberdade de escolha, mercado e singularismos. Discursos que agacham a velha tentação da uniformidade, a homogeneização, o controlo interno e adscrição local e política da inteligência, da cultura em espaços fechados, controlados pelos estados e com o menor movimento e circulação possível.

Há não tantos anos pensávamos que internet serviria para criar comunidades de usuário supranacionais, ou supra-estatais, comunidades de interesses, troca cooperativa ou âmbitos. E cuidávamos que era fundamental, para essa circulação aberta, a existência de grandes línguas internacionais. O Inglês básico e simplificado devorava tudo, nomeadamente ante a dispersão geográfico-política do castelhano. Mas a língua portuguesa  também estava aí, a um click de distância física que desintegrava séculos de preconceitos culturais, educativos e fronteiras imaginadas.

Quando menos para os galegos parecia abrir-se um universo inteiro, e com ele, por primeira vez na história contemporânea, a possibilidade de criar ao vivo a língua literária, a língua de cultura, do povo e para o povo. E acontecia, mesmo com a resistência e choque dos diversos defensores do local, num contexto novo e dentro daquele velho sonho ecumênico, do galego universal integrado no espaço lusófono, que reivindicara Guerra da Cal.

Hoje, a redefinição em mercados estatais-nacionalistas, o controlo e geo-localização, obrigada, com ajuda comercial é já a norma e o horror. É dar um simples passeio pelas redes para observar como afeta à construção do pensamento. Como reforça, a base de hastags, de circulação de temas, imagens e tópicos repetidos, de consumo e temáticas de uso, de descarregar versões e corretores ortográficos, o nacionalismo banal dos estados.

Aviso anterior a 1911 na parede da Igreja do Carmo, no Porto. (origem: Wikipédia)

Aviso anterior a 1911 na parede da Igreja do Carmo, no Porto.

E é muito interessante como este reacionarismo afeta a construção das línguas, desses padrões internacionais possíveis: como passamos de modelos nados em culturas progressistas, tolerância e circulação internacional, com tendências a padrões internacionais a redefinições estatais.

Como, em paralelo ao controlo por parte dos Estados da internet, com a ajuda das grandes empresas e corporações, com essa crescente obsessão pela geolocalização e a definição publicitária e sindicação de interesses, as línguas que há uns anos entraram na onda da internacionalização recuam à sujeição nacional.

Eu diria que o Português, hoje, entrou plenamente nessa dinâmica de separação linguística em fronteiras, por pressão do controlo dos estados. No canto de alentar a ideia ecumênica, os mais dos esforços correm aplaudidos em dar fôlego e categoria de símbolo a pequenos marcos. Numerosos dos nossos amigos portugueses, galegos e brasileiros infelizmente alinham – em nome da originalidade, a democracia, as saudades e a reivindicação nacional das singularidades locais – com estes tempos, a cada dia mais escuros, de reação, de controlo e de fronteiras estatais.

Acho que vivemos, por uns anos, o sonho de uma língua internacional, feita para circular as gentes e os conhecimentos. Isso assustou as autoridades que sempre têm intelectuais de serviço. O processo foi parecido com a imprensa no XVI: um flash de humanismo cosmopolita seguido de uma reação brutal e controlo dos estados, do que, por outra banda, nasceram definitivamente aquelas línguas nacionais que tinham um Estado ou uma Igreja.

A China foi uma potência marítima muito antes dos europeus se largarem ao mar. Também o velho Reino do Meio deixou apodrecer aqueles grandes navios capazes de cartografarem os oceanos e apostou pelas navegações de cabotagem curto e o feche nas suas fronteiras.

Ernesto V. Souza

Ernesto V. Souza

(Crunha, 1970). Formado como filólogo, publicou algum trabalho sobre história, contexto político e cultural do livro galego das primeiras décadas do século XX. Em 2005 começou a colaborar com o PGL e a vincular-se ao reintegracionismo. É sócio da Associaçom Galega da Língua e membro da Academia Galega da Língua Portuguesa; entre 2016 e 2019 foi Diretor do Portal Galego da Língua.
Ernesto V. Souza

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  • Ângelo Cristóvão

    Caro, há indícios que permitem dar-te a razão ao afirmares que “o Português, hoje, entrou plenamente nessa dinâmica de separação
    linguística em fronteiras, por pressão do controlo dos estados. No canto
    de alentar a ideia ecumênica, os mais dos esforços correm aplaudidos em
    dar fôlego e categoria de símbolo a pequenos marcos”.

    Lei do pêndulo. No caso do Brasil, em termos políticos parece claro que está governando o nacionalismo. Também Portugal nunca deixou de ter como discurso essencial e essencialista a ideia da “norma nacional”, algo que parecia ultrapassado, e a insistência em salientar a diversidade ou mesmo a divergência.

    Talvez o único que possa fazer de contrapeso é a comunidade dos escreventes, os intelectuais e escritores e os académicos.
    Na história da Europa temos o exemplo da República literária, arquétipo e protótipo, um de cujos inventores ou promotores foi Erasmo de Roterdão, o mesmo que escrevera a “Carta sobre a tolerância”, como apelo aos seus colegas escreventes em latim para tentar ultrapassar o conflito que tinham visto desenvolver-se durante muitos anos: as guerras de religião, aproximadamente entre 1550 e 1650. Foi o exemplo de como criar uma comunidade por cima das diferenças de crenças, línguas e ideologias. Publicavam em revistas comuns e, entre outras curiosidades, estava penalizado guardar as descobertas ou invenções para si próprio. Era obrigado partilhar essa informação. Com todos os defeitos que tinha, era uma forma de criar a humanidade conscientemente, propositadamente, não como reflexo da natureza. A cultura era, portanto, o oposto à natura, era o esforço por melhorar o que tinham recebido dos seus predecessores. Isto até pode ajudar a entender o dilema da língua da Galiza. Entre o modelo de língua culta, cultivada, e a legitimidade da suposta natureza (a tal fala viva) oprimida por esse modelo de língua “artificial”. Claro que a ideia da língua reduzida à fala é do mais reacionário que podemos imaginar.

    Voltando ao anterior, houve quem disse que a Respublica Litterarum foi realmente a criação da Europa. Por certo, houve portugueses participando nas Acta Eruditorum, e provavelmente nenhum galego. A história que se seguiui foi em parte uma transferência de tecnologia dos conhecimentos existentes e acumulados durante séculos, escritos em latim europeu, para as que seriam, pouco mais tarde, línguas nacionais, e aí começaram novamente os marcos a ser importantes. A chamada ilustração galega, de que o Padre Feijoo é posto como exemplo, mesmo com a sua atitude tremendamente elitista, era um eco dessa República Literária, dessa ideia de humanidade em construção, para a que resultou essencial a ideia da língua como instrumento de comunicação. Reitero, nos antípodes da ideia de língua como natureza essencialista.

    Entre o globalismo e o nacionalismo, a questão coloca-se, portanto, para os que temos algum interesse no assunto e nos dedicamos a escrever, com maior ou menor frequência, sobre estes temas, em decidir o que queremos construir e onde colocamos os limites entre “nós” e “eles”, e até que ponto precisamos de colocar limites, fronteiras e marcos.
    Abraço e parabéns polo artigo.

    • Ernesto V. Souza

      pois… obrigado eu… apertas

      • https://pglingua.org/index.php abanhos

        Ângelo, o nacionalismo não é o que governa Brasil, nacionalista era a identidade do Partido de Lula.
        Hoje o Brasil está sob governo da famíglia Bolsonaro e mílícias de bandidos ao serviço do que os USA mandar e os evangélicos abençoarem.
        O candidato USA no Brasil é Moro, ele que é o juíz corrupto certificado, Moro, que é quem logo virá.
        Brasil como projeto, renunciou a não ter futuro…aceitará o que outros marcarem bem guiados pelo astrólogo de cabeceira das novas lideranças brasileiras
        https://www.youtube.com/watch?v=pT2scj9CrRY

        • Ernesto V. Souza

          Não seria extraordinário que tivesses razão… primeiro a França e depois a Inglaterra fizeram o possível nos séculos XIX e XX para que Espanha e Portugal não se desenvolvessem plenamente como estados modernos e democracias (para empecerem o desenvolvimento delas como potèncias económicas e centros)… o mesmo que fizeram no Oriente e o mesmo que os USA fizeram a partir da segunda metade do XX na América do Sul e no Oriente também…

          Não interessa que Brasil se modernice, se democratize, reparta a riqueza e seja um estado moderno… não interessa a Lusofonia…

          • https://pglingua.org/index.php abanhos

            a elite brasileira é muito brasileira, porám muito pouco patriótica, adoram o de fora e sentem um grande desconforto com o povo brasileiro, a sua imensa maioria, como bons brasileiros pensam sempre a curto termo, e que venha algum milsgre a acontecer…Mas onde esteja Miami e os USA…isso é que é viver…

          • trouleiro

            Ós grandes capital, de matriz anglo-americana, como xa demonstrara hai moitos anos o Carroll Quigley (“Anglo-American Establishment“) non lhes interesan duas cousas:
            1) Qualquer rival ao seu domínio, seja em torno dum continente (Gadaffi- banco de africa, ) cultura-religion (arabes, islam) ou mesmo lingua (francofonia, etc)
            2) Qualquer país cum sistema social anti-elitista (Benesuela, Bolibia …) que funcione como alternativa ao vigorante elitista de exploraçom e dominio.

            O provlema é que as elites lusófonas (se tal cousa eisistir) tamen estãn contra esa segunda cousa. Por iso sempre apoiarán a primeira cousa, o dominio anglo-americano. Mas non admira: iso mesmo está a faser o sicopata francés Macron e a EU.

            Un mundo multipolar, coa China e a Rusia, o Iran e demais potencias regionais, non lles presta tanto, tem demasiados riscos pra sua hegemonia …

          • Venâncio

            Trouleiro, escreves: “as elites lusófonas (se tal cousa existe)”.

            Oh, se não existem! E estão em lugares de comando, tendo conseguido atrelar a si poderzinhos partidários brasileiros e portugueses para (é só um exemplo) imporem essa mixórdia do AO90.

            Agora, isso de as elites lusófonas serem, também, medularmente hispanófilas, eis, insisto, o que me supera o entendimento.

            Do que não me faço ilusões é do profundo desprezo que as elites espanholas nutrem pelas lusófonas. Qualquer docente universitário, pelo Planeta afora, pode testemunhar-to.

            Mas, se calhar, a coisa é simples, e o hispanholismo das nossas elites é só uma forma de masoquismo. Quanto mais me bates, mais gosto de ti.

    • trouleiro

      Vós-outros lusistas sondes soio un pion pequeniño, cuase insignificante, no xogo de aloumiños da servidom. As elites brasileiras, como che explicou o ghicho abaixo que escrebe tan ben en portunhol, soio se interesam en perpetuar o seu proprio dominio; pra iles o modelo de padrom portugués lusitanisante é o millor aliado, por ser de dificil acesso á massa da populassom. A propaghanda do Acordo Ortográfico axuda a criar esa ilusom de esistencia dun padron internacional que dá prestixio e utilidade …. mais a quem?: Ós ricos de sempre, ás elites. A maioria, os nobos probes, teñen que recadar as migallas do chau, esa é a sua esperansa, ter a sorte de apanhar u-a mighalla meirande ou ghañar a lotaria. A linguística e a ortografia é mais un instrumento de dominio e servidom da humanidade. A lusofonia só é un rescaldo do imperialismo, e de resto no futuro non vai pasar de subserviente do imperialismo anglo-saxon.

  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    excelente texto, com muita miga…mais uma vez compraramos algo que não nos venderam
    com certeza
    “Acho que vivemos, por uns anos, o sonho de uma língua internacional, feita para circular as gentes e os conhecimentos. Isso assustou as autoridades que sempre têm intelectuais de serviço. O processo foi parecido com a imprensa no XVI: um flash de humanismo cosmopolita seguido de uma reação brutal e controlo dos estados, ”


    “Hoje, a redefinição em mercados estatais-nacionalistas, o controlo e geo-localização, obrigada, com ajuda comercial é já a norma e o horror. É dar um simples passeio pelas redes para observar como afeta à construção do pensamento. Como reforça, a base de hastags, de circulação de temas, imagens e tópicos repetidos, de consumo e temáticas de uso, de descarregar versões e corretores ortográficos, o nacionalismo banal dos estados”.

    • trouleiro

      Nas “ex-colonias” africanas nom precisam da lusofonia uniformizante. O português é lingua-franca, e non é preciso domina’lo pra se entenderem. Mesmo un galego descastrapisado coma mim nom tem problemas pra se comunicar con eles no meu barallete galego-português. Sodes uns ronchas, abedes acabar todos no lar de idosos sen deixardes de falar como bos adeprenderon a falar: coma os espanhois bem educados …

  • trouleiro

    E quem é que fai mover o pêndulo? Som as mesmas forças que o levam cara ũa banda e a contrária. O modelo de língua internacional é só ũa versom mais moderna do modelo de língua nacional. Ainda no século XIX muitos receavam a xebra do
    inglês, em duas ponlas. Só a convergência dos interesses neo-imperialistas de Londres e Nova Iorque (convergência apenas conseguida após muitas rifas) deu no modelo de nova língua franca, ou língua internacional “par excellence“, cos seus
    imitadores francófono, hispanófono e mesmo lusófono. O sistema de exploraçom
    hierárquica do home, ou servidom humana, baseado na concentraçom de poder e
    controlo em mui exíguas elites (ver Noam Chomski, “Manufacturing consent”),
    chegou a ũa nova fase do sistema capitalista, ou Globalismo. O mercado global
    de servos precisa dũa língua global, e mesmo permite (por enquanto) outras
    línguas internacionais.

    Quem fala em “galego internacional” está a demonstrar, simplesmente, um estado de auto-consciência pouco evoluído, está a reproduzir os esquemas de pensamento
    imprentados nele por esses dominadores. A inteletualidade é apenas o exército
    de legitimadores do sistema de destruiçom da humanidade. Som servidores
    privilegiados, mas servidores. Só a deturpaçom de qualquer padrom de língua
    significa um passo em diante na liberaçom da mente, do ego e consequentemente
    da nossa servidom. Os escravos criárom os crioulos, como meio de se entenderem
    entre eles e nom o serem polos seus amos. Esse é o caminho. Imaginar um padrom
    internacional da língua como meio de liberaçom do povo é apenas reproduzir os
    esquemas de colonizaçom mental e controlo com que todos fômos imbuídos. Nom é preciso escrevermos ou falarmos como fam as gentes que moram do outro lado do oceano, ou noutro continente. A nom ser que tenhamos um interesse de tipo capitalista, claro.

    • trouleiro

      Cômpre comessar por se liverar, cada perçoa, desses esquemas e padrões de pensamento. No eido linguístico, isto implica deturpar quanto possivel todo padrom de língua que se estea a empregar. Mais em concreto, empregar letras e acentos gráficos de maneira diferente, sem empecer a comunicaçom. Izemplos:
      “A lavaxem cerevral das perçoas começa na casa, co’s pais”
      “O sistema educatibo é em realidade ũa fábrica de cidadaõs submiços e ubedientex, clasifiquados segundo a sua aptidom pra serbirem o sistema”
      “Os inteletuais som xeralmente lacazâens cu-a grande nesecidade de alimentassom do ego-pròprio”

      E na fala, deturpar a fala que se deprendeu na casa e na escola, usando sotakes e expreçôes diferentes. Quem fala e escreve como lhe aprenderom è um escravo e mais non o save. Quem propukna qualquer um nobo padrom de língua baseado nos modelos eisistentes è un escravo e servidor dos amos glovalistas, e mais non o save.

      • Venâncio

        Ganda Trouleiro,

        Estás coberto de razão. Mas, atenção, não caias na falácia ortográfica.

        O que hoje leva o português (como um dia o latim) a caminhar irreversivelmente para a diversificação em normas, depois em variedades, e futuramente em línguas, pouco ou nada tem a ver com a Ortografia.

        O que já hoje separa o brasileiro culto do português culto (para a eles me cingir) tem muito mais a ver com o léxico, com a semântica, com a gramática, com a pragmática… Enfim, com tudo aquilo que move os idiomas. E, por fim, os cria.

        • trouleiro

          A leia da ortografia presisa ser espricada un chisquinho: ela é un código bastante complicado (nu’as linguas mais ca noutras, claro) que requer intenso aprendisado. Isto significa duas cousas: 1) u’a uniformisason das mentes e dos individuos, pra millor poderen ser susseptiveis de seren dominadas, 2) u’a aseitason da autoridade, do criterio da autoridade e do àbito de submison ao poder.
          Iso fai que alguns (xa sabemos quen) cheguen ao extremo de confundir lingua con ortografia, ou de pensar que certos usos ortograficos produzen a unidade da lingua. É mais u’a ilusion, produto da lavaxe cerebral que todos sofremos xa no seio familiar e despois na escola na vida social en xeral.

          O obxetibo que eu proponho é esnaquiçar as línguas nacionais (que como dis som as que realmente esisten) ao contrario de as arrexuntarmos en lingoas internacionais, como propugnan os lusistas e demais globalistas. Ese é un dos primeiros pasos pra se liberarmos como ser humanos.

          É claro que em moitos ambitos temos que empregar os padrões estabelecidos, mais non nos ambitos sociais en que o uso errado do codigo lingusitico non supoña prejuizo.

          Um padrom de lingua nacional ou internacional (se tal cousa existise) nom deixam de ser o mesmo instrumento de dominio hierarquico. É a mesma cousa, soio muda a escala e o nivel menor ou maior de uniformidade. A nacion tamem è produto do sistema de alienaçon e servidom da humanidade.

          • Venâncio

            Eu tenho dificuldade, Trouleiro, em seguir-te nessa ‘leitura’ da norma linguística como reflexo do Poder. Numa lógica extrema, eu deveria envergonhar-me por estar aqui a exprimir-me neste derivado daquele idioma que hordas cristãs, armadas até aos dentes, vieram trazer às nossas pacíficas paragens. Quero eu dizer: não existem línguas, ou sequer normas, politicamente limpas. E, então, se tudo está contaminado, tudo é igualmente singelo.

            Temos de dispor-nos a pensar assim. Caso contrário, entramos na paranóia duma cidadã brasileira com quem andei às turras no Face, que nem de longe está sozinha, para quem tudo quanto se diferencia do sacrossanto padrão lusitanizante é fruto da cizânia petista da Globo. Sim, uma paranóia e pêras.

            Tu pões os lusistas e os globalistas no mesmo prato da balança. Eu teria mais cuidado, não falaria em globalistas mas em imperialistas. Porque é preciso ser muito mas muito ingénuo, para não perceber que ronda por aqui um imperialismo de raiz espanhola ‘qui ne connaît pas son nom’.

            E por fim: o discurso da “unidade” é sempre o recurso dos fracos. Ou não sabias que todo o Poder é medroso, e por isso se arma, a começar com a ideologia?

          • trouleiro

            Non é só a norma linguistica, mais tamen a religion controladora das mentes, a historia deturpadora e criadora de mitos exaltadores da mente egoica, o Sistema socioeconomico de concentrason de riqueza e poder nuas poucas maos, a propaganda chamada jornalismo, etc. Os jornalistas, profesores e inteletuais son bos serbidores deste sistema que, é cada vez mais claro, está a nos conduzir ao colapso civilizacional. Todos eses componentes conforman o Sistema de escravidom humana, que é o que hai que pôr en queston. Substituir un componente por outro (por exemplo, a norma linguistica: o galego-português polo espanhol na Galiza, ou o portugues “internacional” polo nacional) non adiantanada, porque o sistema continua a funcionar da mesma maneira, so mudou uma
            porca e un pistom … O autor deste artigo está apenas a propugnar un novo piston e umha nova porca, sen questionar o sistema …

  • Venâncio

    Ernesto,

    Uma pessoa lê isto e não acredita nos próprios olhos:

    «As línguas que há uns anos entraram na onda da internacionalização recuam à sujeição nacional. Eu diria que o Português, hoje, entrou plenamente nessa dinâmica de separação linguística em fronteiras, por pressão do controlo dos estados».

    Estamos, aqui, em pleno Universo Paralelo. Isto poderia ter sido escrito por um falante de latim do ano 500 D.C., lamentando ver o seu idioma repartindo-se por variedades, que um dia serão línguas.

    Quem tal coisa escreve, terá de lamentar que também português, e castelhano, e francês, e italiano, e romeno, tenham saído da “onda de internacionalização” e entrado na “dinâmica de separação linguística em fronteiras”.

    Como dizemos em Portugal: “ou há moralidade ou comem todos”. A não ser, claro, que Universos Paralelos nos acolham.

    • https://pglingua.org/index.php abanhos

      Não há pior entendedor que aquele que é blocado pelo seu preconceito.

      • trouleiro

        Bravo, eu non saberia descrebirte milhor ….

    • Ernesto V. Souza

      Fernando… eu claro que lamento… não que existam os vulgares, mas que o Latim desaparecesse como língua comum de cultura na Europa.

      A mim parece-me fascinante o jeito e os processos pelos que em determinada altura histórica e num processo imparável as chancelarias e depois os estados homogeneizaram e recriaram os vulgares como línguas de estado e identificador nacional.

      Parece-me fascinante, mas não deixo de ver nesses processos, política de estado e interesses de elites concretas.

      Hoje andamos noutra fase histórica mas as dinâmicas políticas nacionais internacionais e os interesses das elites continuam na mesma e definindo as línguas.

      As cousas foram de um jeito, como resultado de complicados balanços, sortes, casualidades, coincidências, protagonistas transtornados e de absurdidades diversas, bem puderam ser doutro… tantas cousas não seriam por 5 minutos antes ou depois ou milímetros arriba ou abaixo.

  • Venâncio

    Importaria isto: que quem aqui vem perorar acerca duma “internacionalização” do Português soubesse do que fala. É que jamais o Português conheceu tal fase. Nunca o Português foi, nem pretendeu ser, uma língua “internacional”, e só começou a imaginar-se tal, quando outras (o Francês,o Espanhol) assim se apresentaram.

    Nisto, a questão ortográfica é esclarecedora. Em 1911, Portugal teve pela primeira vez uma ortografia definida, e tão-só para a área pública e o ensino. Sim, em Português, jamais existiu uma “ortografia histórica”, uma invenção ideológica do Reintegracionismo galego.

    Mas, muitíssimo mais importante: nesse ano de 1911, Portugal definiu a sua ortografia, sem qualquer contacto a esse respeito com o Brasil! Na realidade, só em 1945 houve uma tentativa conjunta nesse sentido, a que, seguidamente, o parlamento do Brasil se recusou (e com toda a razão, do ponto de vista técnico).

    Historicamente, nunca Portugal impôs o seu idioma às colónias (que desprezava, que só explorava). Nunca os portugueses tiveram uma “política linguística” a respeito delas.

    Isto teve um efeito único: criar um idioma idioma multipolar, regido independentemente. Os únicos movimentos que foram em sentido contrário foram sempre os reaccionários. No Brasil, o parnasianismo, a ditadura dos anos 30 (“anti-modernista”) e o luso-tropicalismo de Gilberto Freyre. Em Portugal, o saudosismo, o salazarismo e a “Lusofonia” (de facto uma invenção portuguesa tardia, no arrasto da Francofonia e da Hispanofonia). Nenhum movimento progressista, brasileiro ou português, se meteu nestas trapalhadas.

    Seria, pois, bom que os senhores galegos que inventam uma História para o Português se informassem da realidade histórica dele. E não projectassem sobre ele a história do Espanhol.

    Mais em geral (e andei a dizer-vos isso durante tantos anos): seria bom que o Reintregracionismo galego, de uma vez por todas, deixasse de inventar um idioma português à sua medida.

    • Ernesto V. Souza

      Obrigado Fernando, a cousa não ia consigo, devo dizer antes de mais.

      Acho que levamos anos avondo de conversa para saber perfeitamente que ambos estamos, efetivamente, em universos paralelos, ou menos dramaticamente que compartilhando tempo e espaços não distantes fomos escolhendo bandos diferentes.

      Da minha parte, com isto não tenho qualquer problema, nem consigo nem com ninguém, seria absurdo que todos pensássemos igual e menos em assuntos de tanta amplitude e perspectiva que são inabarcáveis e impossíveis para uma única pessoa… todos podemos e devemos ir dizendo e demonstrando no possível os nossos projetos e intenções e é bom que outros venham nos rebater, corrigir e retificar e para que outros mais tirem proveito.

      Sem dúvida, há cousas nas que provavelmente tenha razão, outras nas que muita gente concorde e goste ouvir, ou venha com a passagem do tempo demonstrarem-se verdadeiras, e há muitas mais cousas das que escreve e descreve com tal maravilha que – não fosse pela pequena questão de dizerem justo o contrário do que eu venho dizer e trato de demonstrar – que acreditaria sem problema por igual que me deleitam e admiram.

      A mim não me vai poder convencer para que baixe do meu burro, porque eu firmemente acredito nesse sonho de inventar um idioma português (e uma história também) à medida da Galiza e dos galegos, e por outra banda como eu não pretendo convencer a ninguém de nada e menos a quem não deseja ser convencido…

      Mas fico na deletação dos seus raciocínios, uso magistral da língua e habilidade polêmica e como diria o bom Facal, se me dessem a escolher eu escolheria a cordial companha e quase amizade derivada de tanta conversa.

      Meu bom Fernando, havendo como há tantos temas dos que debatermos e
      conversar, penso seja perdermos tempo enganchar mais uma vez nesta
      silveira. Ambos sabemos onde nos posicionamos e o público leitor também
      conhece sobradamente as nossas preocupações, situação e argumentos.

      Apertas e saúde,

    • trouleiro

      O sistema presisa de inteletuais pra funcionar. Uns son mais “serbidores” ca outros, mas todos juntos fan con que o sistema funcione. Igoalmente cos funcionarios do estado. Mui poucos indibiduos son libres de non servir o sistema, chame-se X ou Y. Recordemos: un sistema que nos está a conduzir à guerra e ao colapso civilizacional. Só uns poucos inteleutuais e jornalistas denunciam o SISTEMA (Chomsky, Russia Today, Michel Collon, Max Blumenthal … ) A maioria deles serbem pr’alimentar a ilusom dun debate que non muda rem. Un exemplo é o uso da coitada da quinzela Greta Thunberg, pra milhor separar o ecologismo do questionamento do SISTEMA (=capitalista, heirãrquico). E o lusismo en realidade é outra maneira de Greta Thunberg. De facto é a melhor carta do isolacionismo e, sobretodo, do SISTEMA, porque tem as mentes ocupadas en minhoquices, e portanto mais doado de controlar e de se servir delas, MAIS ESCRAVAS.

      • Venâncio

        Eu seria menos taxativo, Trouleiro. Mas provavelmente estás a ver o essencial.

  • Venâncio

    Ernesto,

    Ele há-de haver uns dez anos, falei eu, aqui nestes esconsos do PGL, da inexistência de traduções “luso-brasileiras” de literatura, de ensaio, de utilização de maquinaria. E sabes o que um iluminado comentou então? Ah, isso é porque os brasileiros e os portugueses “têm preguiça” de lerem uns a tradução dos outros…

    Podes acreditar: um dos pilares ideológicos do Reintegracionismo galego é o negacionismo da existência das normas linguísticas do Português Brasileiro (PB) e do Português Europeu (PE). Todas as tuas intervenções aqui, tal como as do Ângelo Cristóvão, partem desse negacionismo. Ele está igualmente na base das soberbas construções dos vossos sociolinguistas. Sim, as normas linguísticas do PB e do PE são o ângulo cego do vosso movimento, e poderão ser um dia o factor do seu colapso. Não terá sido por falta de aviso.

    Repara. Um brasileiro ou um português apercebe-se, ao fim de uma linha e meia dum texto, de qual a origem dele. Nisto, o mirífico AO90 não veio modificar nada. Mas vós não. Não estais informados daquilo que constitui as normas cultas do PB e do PE, e muito pior: não quereis estar informados. E porquê? Porque isso seria o fim desse sonho, teu e vosso, dum idioma “galego-luso-brasileiro”.

    Mas é tarde, amigo. É tarde para PB e PE recuarem para… para onde? Para onde nunca estiveram. Sim, foram as ideologias que conseguiram convencer os unitaristas portugueses e brasileiros de que algum dia estavam a servir-se duma norma única. Hoje, os últimos unitaristas hão-de chamar-se Ernesto, Alexandre, Ângelo, António, Celso, maila figura que me porá em tribunal se eu a nomear.

    É tarde, sim. A sintaxe do Português tomou já formas irredutíveis dum lado e doutro do Grande Charco. A sintaxe, mais a morfologia, e o léxico, e a pragmática. É tudo isto, e é muito, o que impede as traduções “luso-brasileiras”, e há-de impedi-las cada vez mais.

    Eu podia detidamente exemplificá-lo, fazendo aqui uma demonstração daquilo que brasileiros escrevem e portugueses nunca escreveriam, e vice-versa. Mas não teria sentido. Eu serei sempre incapaz de romper por essa carapaça ideológica espanhola (sim, medularmente espanhola) que vos impede de perceber uma outra realidade, a do Português, uma realidade que vos parecerá sempre a dum fracasso, mas é tão-só a doutra História.

    Enquanto vos mantiverdes assim, só vos restará isso mesmo: sonhar.

    Um abraço amigo.
    Fernando

    • Ernesto V. Souza

      Mas Fernando… eu não nego que isso tudo não seja evidente, demonstrável, quantificável e verdadeiro… as diferenças existem….

      O único que digo, uma e outra vez, e que isso das normas de Portugal e Brasil, para os galegos, para a Galiza e para o processo de construção do galego moderno é – até onde eu chego – absolutamente irrelevante… Cheguem a ser Brasil e Portugal mundos irreconciliáveis entre eles… isso nem nos afeta nem preocupa, nem teriamos que entrar de arrasto e como armas nessas polêmicas suas, nem menos deveria condicionar o nosso discurso e construto.

      É mais não condiciona, porque não interessa, porque não imos aprender cada uma dessas normas… quitando que alguém quiser publicar ou entrar no espaço cultural nesses países… de feito os únicos que polemizam a respeito são os que emigrados num dos sistemas fazem parte e entram no balburdio, opinando normalmente com a gente com a que andam…

      A mim não me interessa mais esse debate. Não vejo sentido nem produtividade nele… Nem tenho mais interesse em nenhum outro a respeito da norma, o padrão ou a ortografia… passo… Que cadaquem faça o que ache, o que lhe pete, ou aquilo do que seja capaz…

      Eu apenas sonho com uma língua galega moderna e trato de a escrever. Acho que este esqueleto no que escrevo, é a fórmula mais pragmática e possível que – nas minhas limitações, pesquisas e experimentações – encontrei, e acho que com correções de gente de mais saber é o melhor dos modelos para navegar cara o futuro.

      Saúde,

      • Venâncio

        Ernesto,

        Desejo-te boa viagem rumo a esse futuro… viagem em que não terás companhia, dado que procuras construir uma fórmula, por definição, individual.

        Só quero lembrar-te que as normas cultas PB e PE não são questão de “polémica”, de “debate”. São realidades linguísticas, descritíveis e já muito bem descritas

        Que os galegos estejam informados, ou não, acerca delas, é problema seu. Mas o não quererem estar informados é uma forma de desprezo por um idioma que dizem prezar tanto.

        • Ernesto V. Souza

          Prezado Fernando, mais uma vez… existem essas diferenças e são interessantes, maravilhosas, fascinantes… Ficamos informados, e mesmo se não soubéssemos já o senhor nos teria convencido, tenha por seguro.

          Mas conceda que para os galegos cultos, afeitos como estamos a ler a nossa língua em ensaios de mil normas contemporâneas e diversos dialetos históricos, que podemos ler literatura medieval a pelo, que frequentamos literatura portuguesa clássica e do século XIX como se fosse atual; que podemos pervagar sem muita ajuda de dicionário pelas literaturas africanas e também pelos vídeos populares do youtube sentindo-nos mais identificados aí que com as escritas académicas e jornalísticas à moda de Portugal e Brasil…

          Para nós, não tem qualquer importância que exista um Português de Portugal e ou Português do Brasil… quer dizer existem e é algo do que uns e outros estão orgulhosos…, bem aí…calemos e ouçamos o que tenham a dizer…

          mas a nós galegos, pelas nossas circunstâncias históricas, pela nossa construção rota uma e outra vez, dependente do castelhano e criolulizada… o que nos interessa defender é que existe a língua portuguesa… uma língua histórica, vária, diversa, viva… e que o galego é parte dela…

          • Venâncio

            Parece-me significativo que tenhas escrito essas últimas linhas, e não, como eu próprio escreveria:

            «O que me interessa defender é que existe a língua galega… uma língua histórica, vária, diversa, viva… e que o português é parte dela…».

            Escrevi um livro de 300 páginas para contá-lo ao Mundo. 😉

          • Ernesto V. Souza

            Mas isso é perfeitamente lógico… não vejo qualquer contradição…

            Os galegos temos neste momento de defender mais ou menos o que eu digo, e bem haja e fiquemos por tanto muito obrigados se os portugueses de bem vão e começam a defender justo isso que o senhor diz e que tanto nos reconhece…

            Saúde,

  • Luis Trigo

    Há uma singularidade ortográfica que põe em causa o AO90 na Galiza e enche de perplexidade qualquer português – como se o racional do critério das falas cultas não fosse suficiente. Sendo a ortografia por definição normativa, em que norma se baseia um galego para escolher “ô” em vez do “ó” em palavras como económico? Não se trata apenas do reconhecimento da impossibilidade unitária na ortografia, é a expressão do reconhecimento de uma realidade brasileira e de outra portuguesa/africana e da invisibilidade galega na definição normativa… já nem falo em grafias que antes eram iguais e agora se tornaram diferentes. É neste terreno que a norma se transforma em arbitrariedade… Não sendo eu normativista, como está na natureza do próprio AO, trata-se de uma incoerência que fica a moer.

    • Luis Trigo

      Acrescentaria ainda que a necessidade de tolerância não se verifica na homogeneidade, mas sim na diversidade….

    • Ernesto V. Souza

      Os galegos uma vez renunciamos a NON… assim grafado… o resto importa pouco ou nada… vai tudo uma arbitrariedade e uma novidade… que resolve apenas em função do corretor que escolhamos a cada momento… e de ver como grafam as ferramentas e nos espaços que frequentemos… sem mais problema nem mais volta…

      Agora é tomar essa medida, para sobreviver… ou não tomar e ficar debatendo detalhes… se sobrevivemos, cousa que é mesmo para duvidar, já os sobreviventes poderão aprimorar talvez com alguma lógica, apelo à tradição ou sentido…

  • Luis Trigo

    Deve-se também ter em conta que a internet foi vista como uma oportunidade para o desenvolvimento de localismos, pela diminuição dos custos de publicação. Assim pensava Amadeu Ferreira, um dos grandes impulsionadores do mirandês, ele próprio um influente mirandês na diáspora em Lisboa.

    • Ernesto V. Souza

      Sim, claro… isso também pensava eu nos inícios da internet, agora a minha visão é mais e mais escura…

  • Paulo Gamalho

    Gostei muito do artigo. Obrigado, Ernesto!

    • Ernesto V. Souza

      Obrigado, Paulo, um prazer.

  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Estamos em tempos de mudança para o que eu chamo: O futuro neofeudalismo.
    Em 1970 viu a luz o livro de Toffler O Choque do futuro.
    https://en.wikipedia.org/wiki/Future_Shock
    Onde nos apresentavam um novo paradigma cheio de otimismo.
    em 1980 apareceu sob um impulsionamento do Presidente Carter e o clube de Roma, a agenda 2000
    https://pt.wikipedia.org/wiki/Clube_de_Roma
    apresentavam-nos uuturo, que fazia visíveis os problemas da sustentabilidade e o do limite de recursos.
    Mas bem pronto é sob impulsionamento da nova agenda neoliberal e a deslocação industrial (o neoliberalismo é para o liberalismo, o que os muçulmanos são para o cristianismo)
    https://www.nosdiario.gal/opinion/author/carta-aberta-a-margaret-thatcher/20130620180625016323.html
    Que tudo ia correr fantásticamente, iriamos para uma sociedade descentralizada no energético e na tomada das decisões. Porém e a medida que tudo se desenvolve assistimos a uma nova centralização e cada vez mais incontrolável, por exemplo as instituições públicas, podem se dirigir ao utende, onde ele estiver, sem necesitarerem ter já escritórios deslocalizados.
    O atendimento telefónico das empresas e instituições passa a ser centralizado, os padrões centralizadores comem os nossos direitos, ante a impotência do utente. Os escritórios descentralizados a cada passo tem menos copetências, pois já desde o centro se pode fazer tudo.
    E a cada problema que isso gera pede-se mais centralizazão, por ex. o think tank galego A Coz da Gz com o agrupamento de concelhos (que a sua vez aceleraria o despovoamento) e justo ao contrário mais unidades competenciais teriam que se re-constituidas e não confundir o compartir com o desparecer).

    Os povos a toda escala que não forem quem de rachar com os fortes sedenhos que os atam, e criar as suas próprias realidades estatais, morreram sem remédio….pois todo o que se fazer não servirá mais que para contentar e calmar os condenados.

    Com grande beleza literária, com essa mestria que ele tem o Ernesto enxerga o que o arrodeia e nos apresenta nua a realidade que se vai configurando a nossa volta.

    • trouleiro

      Essa leitura, na que concordo, suporta a tese de que o globalismo é inimigo do nacionalismo, e portanto argumenta pra que pequenas nações como Portugal se segurem na sua própria identidade, em vez de se deixar engadar pola homogeneizaçom da língua portuguesa no interesse dos capitais transnacionais (que som quem está atrás desse modelo e do AO). Üa aproximaçom Galiza-Portugal, em todos os sensos, e dirigido por e pra o povo (democracia direta e socialismo real) seria o nosso verdadeiro correlato. Galego-português, com duas variedades, a galega e a portuguesa, comprensíveis entre si, ou mesmo coa nossa adopçom do português (dumha maneira pragmática, nada academicista). E isto é incompatível co vosso modelo e discurso de «língua internacional» …

      • Venâncio

        Trouleiro,

        Interessante discussão, que provavelmente tem sentido no plano das mentalidades e da organização da sociedade.

        Mas acho que vês bem. Um “modelo internacional” do português só existe, e existirá, na mente de galegos crentes e sonhadores (mesmo quando simpáticos). Nem sequer os reaccionários unitaristas portugueses e brasileiros acreditam nele.

        Mas macacos me mordam: eu daria uma perna e uma orelha para saber o que isso poderia ser, esse “modelo internacional” do idioma. O linguista em mim vibra já de borboletas só de pensá-lo.

        Como sabes, sou um simples historiador do idioma. Ocupo-me dos seus materiais e da história deles. Para algumas pessoas, isso é conhecimento dispensável, e até abusivo para o seu entendimento do mundo, não é? Porreiro. Sejam felizes.

        Só que eles mesmos se acham competentes nessas matérias linguísticas que tanto desprezam. Isso é uma forma de cinismo, e o cinismo é uma forma de desistência.

        Abraços.

        • trouleiro

          Pra um espanhol, um italiano, um francês, etc, o português brasileiro e o de Portugal som a mesma cousa. Nom atingem a ver as diferenças, ainda menos a ordená-las em dous
          sistemas diferentes. Mas o mesmo ocorre co inglês americano e o britânico a qualquer nom inglês falante.

          Coido que esse desconhecimento leva os lusistas a criarem-se a ideia de que a ortografia pode sancionar essa “massa familiar e comprensivel“ de português como uma só, e nom duas. É uma análise superficial, e que serve mui bem os propósitos propagandísticos/ proselitistas de enfrentar a língua espanhola de igual pra igual … nesta briga todos “jogam duro” …

          Mas aqui entramos tamém no eido da psicologia humana. Conheço esse tipo de mentalidade, tenho-o encontrado noutra língua de similares caraterísticas e saúde terminal. Estes lusistas respondem a um tipo psicológico determinado e mui raro: inteletuais puristas, universalistas, ”iluminados”, radicais, chamados por si próprios a manter a guarda pola língua nas mesmas muralhas mais arredadas da civilizaçom
          … ninguém haverá arredá-los dali …
          Aperta!

          • Venâncio

            Trouleiro,

            Esses lusistas que descreves são os piores “amigos” que um brasileiro ou um português desejaria ter. São galegos, provavelmente dizem-se de Esquerda, mas praticam o mesmo discurso que o mais rabioso e cavernícula brasileiro ou português tanto preza.

            Eu só os desculpo (sim, ao ponto de lhes dirigir a palavra e os cumprimentar) porque são um grupo de ignorantes, que vivem numa realidade que criaram e onde se sentem felizes e quentinhos.

            A chatice é que falam em nome do Reintegracionismo, mesmo quando, oh maravilha!, repudiam tal conceito e quando deixaram de chamar-se reintegracionistas.

            Portugal desconhece-os. Ou só ritualmente lhes presta alguma atenção. Mas, como em todas as paranóias, essa circunstância é justamente motivo de mais firmes se manterem na sua bolha.

            Abraços.

          • trouleiro

            Eu tivem hai algum tempo umha liorta no facebook cum cidadao português, ultranacionalista, e tamém no youtube. Já ouvira falar (precisamente ti) desse tipo de “aliado”. Acho que ele morava em Estrasburgo, a trabalhar nalgum trelo da UE. Fiquei horrorizado. Nom sabia que se podia ser mais lusista ca os lusistas galegos … mas abofé que se podia, mádia leva!
            O “gajo” dizia que os nacionalistas e os reintegracionistas galegos estavamos a roubar e falsificar a história de Portugal. Que a língua nascera a sul do Minho, onde os mais antigos documentos xurdírom, e apresentava ringleiras e ringleiras de escrita pra demonstrá-lo. Aliás, os galaicos eram em realidade lusitanos! Acusou-me de espanhol, de escrever em portunhol, e cousas piores. Eu, que cuspo no espanhol coma nengum lusista fai. Nengum dos galegos nesse debate saiu pra defender o “honor” dos galegos. Contentavam-se de que um português nos considerasse portugueses. Cousa que a mim me apraz tamém, mas nom quando vai acompanhado da negaçom total do feito diferencial galego. Afinal acabei escrevendo-lhe em galego-español (tampouco lhe poupei os insultos, admito), despoixas mais de dez anos de eu nom fazer umha tal cousa. Nunca coidara que ia eu chegar a esse extremo.
            É um simples exemplo pra ilustrar só os mecanismos psicológicos que “xordem“ no contato entre lusismo galego e ultra-direita portuguesa, no nacionalismo extremo da cor que seja. Mas foi umha sorte, serviu-me de aviso …

          • Venâncio

            Sim, vários sectores extremistas da Direita Portuguesa têm um particular carinho pela Galiza. Alguns acham, até, que Portugal a deveria “reconquistar” (como se jamais a Galiza tivesse sido portuguesa…). Facto é que tudo isso é música a certos ouvidos reintegracionistas, que imediatamente entram na dança. Sem perguntar-se quem dança do outro lado.

          • Venâncio

            Trouleiro,

            As diferenças entre brasileiro e português superam de longe as existentes entre estado-unidense e britânico. Existem no Brasil dezenas de construções sintácticas, frequentes e cultas, que em Portugal são impossíveis, e vice-versa. E tu sabes que a sintaxe é a coluna vertebral dum idioma.

          • trouleiro

            A verdade é que tamém entre inglês americano e britânico as diferenças som muitas, abonda com pegar num dicionário ou vocabulário visual. Mas mui possivelmente sejam maiores entre português brasileiro e europeu, como dis. Na fraseologia som tamém mui frequentes. De resto, as “forças centrípetas” na lusofonia som muito menores que na anglofonia, que é língua franca mundial e tem dous centros, o Reino Unido e os EEUU muito melhor avindos e coordenados que o Brasil e Portugal …

          • Venâncio

            Importa não confundir “sintaxe” (as normas de construção das frases) com “fraseologia” (as combinações habituais entre categorias gramaticais). A sintaxe é decisiva para a identificação dum idioma. É aí que brasileiro e português mais nitidamente se opõem.

            Sim, Portugal jamais se interessou em difundir a sua língua nas colónias. Contentou-se com atingir a minúscula elite culta. E, relembro, quando estabeleceu a sua ortografia, em 1911, não consultou sequer o Brasil. E o Brasil pagou e paga na mesma moeda. São linguisticamente duas realidades.

          • trouleiro

            Com certeza, mas a fraseologia, e o léxico e a semântica, tamém criam barreiras na comunicaçom se nom hai familiaridade … eu tenho visto numa livraria um manual de português nas suas duas variedades pra anglófonos. Era um tixolo do demo, todos os diálogos em duplicado, com cadansua bandeira, portuguesa ou brasileira … em realidade todos os métodos de português som duplicados, como o “Assimil”, porque quem quiger ir pró Brasil tem de aprender o português dali …

          • Venâncio

            Claro, no caso do Português quase tudo é oferecido em “duplicado”: Português (Portugal) e Português (Brasil). Traduções, programas digitais, Facebook, dvd’s. Tem de ser assim: cada comunidade deseja ser servida na sua norma.

            Eu fui professor de Português para estrangeiros durante 40 anos. Ensinava a norma europeia e informava devidamente sobre a norma brasileira. Mas seria sempre impossível ensinar as duas. E muito menos reduzi-las a uma só… o rosado sonho galego. 😉

          • trouleiro

            Mistérios da “norma do Acordo Ortográfico” ou do “galego internacional”, lol, cousa de meigas!
            Lembro-me dum brasileiro de visita em Portugal que me dizia que lhe chocara que em Portugal as persoas falavam todas “culto” (ou um termo similar) … levou-me algum tempo entender o significado disso …

          • Venâncio

            Mais uns mistérios do “Acordo Ortográfico”…

            Sabes quem publicou os únicos livros redigidos no monstruoso AO de 1986? Galegos.

            Sabes quem são os únicos no Planeta a dizerem escrever “em Acordo”? Galegos.

            Na Espanha, muito dissidentes. Fora dela, lambendo as botas ao Poder.

          • Ernesto V. Souza

            Quando falamos em língua vem com política, quando nós falamos de política e estratégia vem com linguisticas…

            Trato de explicar há muito… Porque o Acordo é fundamental para os galegos… Se há que tragar sapos, tragam-se… o Acordo é uma reforma global, um reset, só por isso foi e e é para os galegos uma oportunidade histórica aderir.

            Mas também e por fora das questiozinhas técnicas menores, acentos, e grupos cultos é a declaração de que a língua é uma, com variantes e não que são várias que derivam a separação inevitavelmente.

            E isso para o galego é fundamental, porque no galego entra tudo com facilidade, cousa que tenha sabor e permita ritmo, pegamos nela. Tanto tem que venha do Brasil caipira, da Angola profunda ou do Portugal mais académico (ou vice-versa)… faz sentido em quanto entra em circulação no galego (mesmo que desloque o sentido e uso original) e pode-se viralizar e por na moda… miremos sem ir mais longe esse OBRIGADO que Nestor Rego espetou aí no Parlamento espanhol…

            Até cá o galego literário (galego que depois foi construindo os germolos de língua oral culta) foi-se constituindo com partes características e expressivas, com modismos e sintaxes tiradas da fala viva, mas também, dos autores galegos anteriores, da literatura medieval e da clássica portuguesa…

            A questão é que, primeiro a circulação de impressos portugueses e brasileiros, numa minoria, e depois maciçamente internet, foi disponibilizando mais e mais “replacement parts”…

            O reintegracionismo é uma máquina de reconstruir o galego e tem a estratégia certa…

            Eu comparo com as estratégias entre os Panzer e os Sherman e os T-34… os primeiros eram máquinas maravilhosas, obras de engenharia, um a um não tinha comparativa… o problema estava nas avarias, reparações e no consumo de materiais e combustível.

            Os tanques alemães precisavam de tripulações muito especializadas, de engenheiros mecânicos, ferramentas e oficinas especializadas, normalmente longe da fronte… eram sólidos, mas complexos nas suas montagens… os tanques americanos e soviéticos eram mais fracos, menos blindágem (mas mais autonomia de combustível) e estavam feitos de partes facilmente desmontáveis e substituíveis fabricadas constantemente em fábricas fora da linha de bombardeamentos…

            Por tanto a lógica da guerra era clara… não importava gastar um monte de tanques aliados simplesmente para avariar um alemão…

            De que nos vale uma língua galega, isolada, pura, magnífica e soberana como um Tiger ou um Ferrari? quando precisamos para ganhar esta guerra recâmbios e combustível…

            Um galego compatível com qualquer parte e modelo da lusofonia, e até com um pontinho de crioulo castelhano vai continuar na batalha pela sua sobrevivência social… simplesmente avonda com que venham neofalantes equipando-se de partes cá, lá ou acolá…

          • trouleiro

            Daquela estás a falar da construiçom duma norma galega, uma norma galega de português, baseada num método ecléctico e espontáneo. O Acordo Ortográfico seria o vosso marco de referência teórico, apenas como símbolo da unicidade da língua portuguesa. Isso nom é incompatível coa existência de duas normas de português, e da criaçom duma terceira, a galega. Acho que explicardes isso vos evitaria muitos problemas e vos abriria a muitas mentes. Os vossos gurus do purismo lusista, falando como falam da “norma do acordo ortográfico” ou do “galego internacional” estám-vos a prestar um desserviço.

          • Venâncio

            Ah, Trouleiro. Já em 2004 eu lhes falava assim, encorajando a criação duma “Norma Galega Forte” (como a chamei). Não me deram ouvidos. Riram-se como alarves. Hoje é tarde. A AGLP dinamitaria qualquer tentativa. Para isso foi criada.

          • trouleiro

            Nom me deixa surpreso, isso que dis. Já ouvim que algum dos criadores da norma AGAL original chamou essa sua (partilhada) criaçom de “Frankestein”. E ninguém milhor que o senhor Fontenla pra o explicar no Ciberdúvidas, em que qualifica a norma AGAL de “portunhol 2” … enfim, teremos que ignorá-los!

          • Venâncio

            Sim, tinha-me esquecido essa do Fontenla, uma autêntica vergonha, vir denegrir aos olhos dos portugueses a Norma Agal, o único produto linguístico reintegracionista apresentável, o único também que poderia hoje servir para uma proposta binormativista.

            Parabéns, senhoras e senhores da AGLP. Conseguistes destruir a única riqueza que tínheis. Restam-vos, agora, a retórica e a demagogia.

          • trouleiro

            sim, mas os radicais tipo lusistas respondem a um tipo psicológico sempre existente neste tipo de lideiras. Nom tenhem mais jeito. O problema se quadra nom é com eles, que já se desmarcárom do campo principal de loita, o problema é que do isolacionismo nom hai muitos que cruzem o campo. O outro dia acho que um ghicho, um professor de economia de Compostela, deu esse passo. De quando em vez hai-nos que saem, mas o problema é que muitos deles parecem dar um passo “extra-longo”, e ignorando a norma AGAL começam a escrever diretamente em português … se quadra nom vas muito errado quando dis que a AGLP destruiu a única riqueza (esperança, diria eu) que tinhamos ….

          • Ernesto V. Souza

            Não dinamitaria… nem poderia, nem quereria… a contrário. Se existisse essa possibilidade, mesmo que remota, de construir essa norma a AGLP nunca teria vido a existir…

            A questão é que, nas condições atuais ninguém tem como criar essa norma galega forte… Isso é o que teria que estar a fazer o ILG-RAG com a AGAL e com pirados solitários como muotos de nós, desde 1980… teria de ter seguido Carvalho Calero e colocar todos os recursos institicionais e humanos nesse projeto…

          • Venâncio

            Muito me contas, amigo. A AGLP anda a pavonear-se cá fora com um “Léxico da Galiza” que ela mesma nunca usa dentro de casa. Que esperar dela senão dinamite do melhor?

            Mas compreende-se. Eu sei como esse “Léxico da Galiza” se originou. Se quiseres saber como foi, pergunta ao sr. Banhos.

          • Ernesto V. Souza

            Eu sei como foi, que participei… A AGLP trata de meter um pé, simplesmente. 😉

            “Que não se usa” é tópico, usamos mais e melhor galego que muita gente que escreve em ILG, por idade, por leituras e por gosto…

            Repeti-lo, uma e outra vez, acarão de palavraria como fanatismo, gurus, radicais, não faz que seja mais verdade, por muito que a gente fique com estas cantigas… e essas retóricas feias, disso é que eu falo, são o signo dos tempos, essa imitação e escola de teor reacionária da que falo… a mesma cousa que faz a ultra-direita e serve para meter num pacote tudo quanto se deseja destruir, bestializando, desumanizando e ridiculizando, para poder etiquetar de terrorista ou de fanático e condenar o conjunto…

            E não… menos dramas… sobrevivemos, o reintegracionismo sobreviveu o apartheid e a travessia no deserto, construiu, faz e reclama tribunas e espaços, simplesmente para dizer o seu discurso, mais nada. Que entre no debate. Que se debata, estude, que entre no modelo as suas achegas e propostas…

          • Venâncio

            Ernesto,

            Podes ter participado na feitura do “Léxico da Galiza”. Acredito, claro. Mas não sabes como ele caiu no regaço da AGLP.

            Depois: dizes que a AGLP usa o seu Léxico. Não sei onde. Certamente não em escritos publicados. Talvez em escritos secretos. 😉

            E não venhas dizer-me que o galego que usais, por exemplo aqui em artigos e crónicas no PGL, tem mais “qualidade” que aquele usado em outros portais galegos. Tem mais português, isso sim.

            Que eu entre no debate, dizes-me tu? Mas que andei, homem, eu fazendo nos últimos 15 anos aqui?

            Não, Ernesto: qualquer reintegracionista lúcido (e eu conheço e falo com alguns) sabe que a AGLP constituiu uma “radicalização” do discurso reintegracionista, o que significou: a partir de agora, Português e acabou-se.

            Tu, que és de boa-fé, não te dás conta de quanto a AGLP desestabilizou a Agal. Mas essa desestabilização é um dado objectivo, com a debandada dum bom número de valiosos elementos (hoje na AEG) e o abandono da sua ‘norma’.

            A abertura da Agal ao autonomismo, que ia sendo iniciada por Penabade, foi radicalmente frustrada pelo núcleo que iria formar a AGLP. Se não viste isso, acredita-me. Eu não nasci ontem.

          • Ernesto V. Souza

            Não usamos galego? ah carambas… bom, quem sabe, talvez eu me confunda… mas a minha impressão é outra…

            Tanto tem, já virá algum Gamalho ou Pichel, medir léxico e estruturas galegas com os seus robôs contadores e sairemos da dúvida.

            A AGLP é pouca gente. A AEG é pouca também. Não podem desestabilizar nada, mesmo querendo, tudo o mais incordiar, nos comentários, nos foros e no facebook. Mas escolheram construir e fizeram cousas impensáveis… São valiosas. Porque a gente nelas é valiosa. Para além tomaram efetivos incómodos e incomodados no reintegracionismo e os motivaram a trabalhar e a desenvolver projetos e estratégias que o reintegracionismo inteiro não podia ou não queria assumir.

            A norma AGAL continuou e continua a ser maioritária entre os reintegracionistas. A Via Penabade é suspeitosamente coincidente com a Via Maragoto & cia, que nunca participaram da via AGLP e que estiveram no núcleo dirigente da AGAL dos últimos 20 anos…

            O reintegracionismo é diverso. É a sua natureza e efeito da sua história.

            Se esses episódios fossem assim trágicos, hoje andaria fraco, debilitado e dividido em fações em guerra… mas isto era justo o que aconteceia nos 90, quando era inoperante e fazia rir…

            Mas nunca mais vivo, nem ativo, nem espalhado, andou… nunca tão longe, nem a tanta gente chegou…

            Isto é uma obviedade, por tanto, deve ser que essas crises foram boas… ?

          • Venâncio

            Ernesto, eu seria um criminoso se fosse arrancar-te das tuas crenças. Tu tens direito a elas. Já fui longe de mais nessa via criminosa. Vou-te deixar tranquilo. E afasto-me de novo.

            Só ajunto que eu nunca disse que a AGLP não escreve galego. O que disse é que não faz uso do seu “Léxico da Galiza”.

            Mas já que estamos nisto: não, realmente a AGLP exprime-se em português, filtrando tudo quanto pudesse cheirar a galego. E isso é uma pulhice, uma sem-vergonha, e uma contrafacção.

            Além disso, se leste o meu livro, terás visto quanto espanhol (em ortografia portuguesa) o Boletim dessa congregação admite.

            Abraços.

          • Ernesto V. Souza

            Tudo bem…

            Isso é o que lhe disse no primeiro comentário. Que a cousa não ia consigo. Que cadaquem tem as suas opiniões e projetos e cada um e a gente que nos lê sabe onde estamos, quem nos acompanha e onde pode nos encontrar.

            Não li. E, francamente, não vou ler.

            Apertas,

          • trouleiro

            Nesta altura compre esguardar as cousas um chisquinho de longe, e concluirmos:

            1) O galego está fundamente castelanizado assi como em recuo fronte ao espanhol.
            2) O modelo linguístico oficial e as políticas públicas nom dam parado, ou mesmo reforçam, estes processos de castelanizaçom e recuo.
            3) O reintegracionismo nom tem calhado na sociedade, continua a ser minoritário e de matriz inteletual / político-radical.
            4) Dentro da minoria marginalizada do reintegracionismo hai umha tendência a propugnar a estratégia de Rodrigues Lapa, de fazer do padrão de Portugal o padrom culto do galego.
            5) Hai algumha iniciativa no campo “oficialista” cara a apertura ao reintegracionismo, umha menor marginalizaçom (ou mais “tolerância”) dele nos meios públicos e jornalísticos e algumhas inciativas culturais (Ponte nas ondas, Cantos da maré) nom oficiais.

            Pra além disso Espanha e o espanhol continuam viçosos como sempre em Galícia. Boa tarde de domingo!

          • José Ramom Pichel

            Concordo com a Norma Galega Forte, porque a Norma Galega está feita para ser Débil frente o castelhano, e só Forte frente o português. Alfredo Conde, ex-conselheiro de cultura e escritor está falando de utilizar o “nh” e o “lh” para abrir a porta a essa relação com Portugal, o Brasil, etc. E isso é uma grande mudança simbolicamente. Quando compreendas que só escrever com “ñ” e “ll” é chave para não debilitar simbolicamente o castelhano na Galiza compreenderás tudo. Repara no catalão e na história da substituição simbólica do “ñ” polo “ny” ou no euskera que ainda mantendo o “ñ” e o “in” (“inh”), não periga a sua enorme distância frente o castelhano. Nunca falas destes assuntos (também linguísticos), porque tens poucos conhecimentos sobre os processos das políticas linguísticas no Reino de Espanha. O reintegracionismo e o autonomismo galego têm esses conhecimentos. Cada um com orçamentos diferentes, mas têm. Outro conto é como reagimos frente os mesmos dados, e como achamos que devemos sair da mesma.

          • José Ramom Pichel

            Autonomistas e reintegracionistas concordamos em muitos assuntos, mais do que pensamos, porque só pensar que é preciso um padrão para o galego é concordar muito na Galiza. Se nos anos 80, o post-franquismo (Decreto Filgueira) não desse uma viragem ao acordo que tinham autonomistas e reintegracionistas com Carvalho Calero, hoje estaríamos noutra etapa. Primeiro porque para as pessoas falantes de galego e não só, ler materiais de Portugal seria o habitual. Agora mesmo a língua maioritária na que se le na Galiza é o castelhano, mesmo em ambientes culturais. Segundo, porque não seriamos educados em que o português é um lugar do que devemos fugir, uma das grandes ameaças para o galego. Este assunto oculto é muito desconhecido em Portugal. E portanto, compreenderias porque ainda com as tuas propostas para uma Norma Galega Forte, ninguém as tem em conta começando polo autonomismo, e porque ainda havendo o princípio 4 das Normas ILG-RAG que já fala do que tu falas muito antes do teu artigo em Grial, pouca gente a implementa. O pensamento científico consiste em desconfiar do observado, e saber que a ciência não é verdade, mas exacta. Esta semana, na TVG para toda Galiza em horário de máxima audiência saia isto: “Voltar” é um lusismo, ou seja algo do que devemos fugir. http://www.crtvg.es/informativos/correcto-dicir-voltar

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          • Venâncio

            Ernesto,

            Só quem está muito longe da realidade da língua portuguesa pode dizer que “o Acordo é um reset”. Acredito que, para galegos órfãos de segurança linguística, o célebre “Acordo Ortográfico de 1990” seja uma bóia de salvação. Mas é-o só de modo ilusório.

            Não te pergunto para que vos vale linguisticamente esse AO. Para nós, brasileiros e portugueses, não nos vale de nada. Com AO90 ou sem ele, continuamos tão longe como já estávamos (nalguns pontos, ironicamente, mais longe ainda) e continua a não serem possíveis textos “luso-brasileiros”.

            Se não existem textos “luso-brasileiros”, menos ainda existem textos “galego-luso-brasileiros”. Estás, pois, enamorado pela nuvem de Juno.

            Dizes, também, muito lampeiro: «O reintegracionismo é uma máquina de reconstruir o galego». Como publicitário, és imbatível.

            Mas repara: não existe entre vós ninguém que pudesse tornar isso realidade. Nem os vossos sociolinguistas, nem os vossos lexicógrafos, muito menos os vossos ideólogos.

            Um idioma é um maquinismo imensamente complexo. É um emaranhado de estruturas, de materiais, de processos.

            Tudo o que tu dizes em matéria linguística, aí acima, é duma enternecedora ingenuidade. És uma máquina de produzir sonhos, e só gente irresponsável pode ficar maravilhada com o que escreves.

            Portanto: ou o Reintegracionismo galego assume, duma vez por todas, que é um movimento de activistas, ou terá de encontrar rapidamente um linguista que lhes consiga aquilo que não tem em casa.

            Ernesto: fala-nos de História, em que és tão inspirador. No terreno da Língua, és um náufrago que se imagina rodeado de troncos salvadores.

            Abraços.

          • Ernesto V. Souza

            eu sou feliz assim… 🙂

          • Venâncio

            Não duvido nada.

          • trouleiro

            Fernando, acho que hai que entender o “projeto” do autor do artigo como o único possível: a oficialidade, coa sua tradiçom e maquinarìa, so tem interesse na perpetuaçom do existente. O povo galego, em realidade, nom existe, pois as gentes som antes de nada espanholas (em falares, mentalidades e identidade própria). O reintegracionismo só pode construir a partir da marginalidade. As tentativas de introduzir o reintegracionismo no “oficialismo” tenhem mui limitado poder, por enquanto acabárom sendo neutralizadas (o que foi da tua proposta de “enxebrismo internacional”, por exemplo?). Como começo dua nova via, ua exigua minoria militante a escrevinhar pola internet e publicar alguns livros na sua prõpria editora, nom se pode fazer mais. Segundo vam alargando o seu círculo, nos seus usos informais, esse modelo de neo-galego-português (que eu persoalmente, da minha estética, acho laido e aportunholado) vai xurdindo. E pra haver um linguista tem que haver primeiro umha lingua …

          • Venâncio

            Dizes muito bem, Trouleiro. «Pra haver um linguista tem que haver primeiro umha lingua». O que o Ernesto faz aqui (e por exemplo também o Penas no diário Nós) é imaginar-se um Português que serviria de veículo para o pensamento dos galegos. Imaginam-no, criam uma bolha de ilusão.

            Só que esse Português não serve aos galegos. O Português, esse modelo linguístico que Portugal desenvolveu, foi criado exactamente CONTRA o Galego (exponho-o detidamente no meu livro ao longo de vários capitulos).

            O que engana muito é que, à son insu, o Português conservou muitos materiais de feitura galega: na estrutura, no léxico, na sonoridade, e até em miudezas de pronúncia como “tamém”, “inda”, “ó” (ó sábado, dei ó pai), “coa”, “digò” (diga-o) e bastantes outras. Tudo isso engana muito. Mas o Português desgarrou-se do Galego, e não há nem orações, nem discursos, muito menos demagogia, que voltem a reuni-los.

            Mas há outra coisa: mesmo reintegracionistas empenhados exprimem-se, na escrita e na fala, num Galego de péssima qualidade, contaminado dum Espanhol atroz. E é isso que me faz descrer do seu “projecto”.

            Perante isso, a retórica encorajadora, o ‘pep talking’, do Ernesto («O reintegracionismo já ganhou a partida») e doutros é uma forma de triunfalismo barato que até a gente amiga, como eu, envergonha.

            Portanto, e repito: se os reintegracionistas não arranjarem depressa um linguista que apresente um modelo viável de “Galego Reintegrado” (de que a antiga Norma Agal, hoje Norma AEG, é um bom começo), vão passar os próximos anos e decénios a enganar o Mundo e a si próprios.

          • trouleiro

            Levas toda a razom. Talvez deveriam «encarregar» o Freixeiro Mato e os da sua escola (polo menos um tal Rei) a juntarem forças co Carlos Garrido, Fagim etc, pra (re)escreverem a gramática do próprio Freixeiro ou a do Carbalho Calero em chave reintegracionista. Umha espécie de “crowdfunding de trabalho“. Despoixas ”O modelo lexical galego“ tamém prestava umha escolma de fraseologia galega, a somar todo isso ao dicionário estraviz e demais trabalhos existentes do reintegracionismo …

          • https://pglingua.org/index.php abanhos

            Excelente, que jeito claro e preciso tens de colocar as cousas no seu sítio.
            As vezes acontecem até milagres, e poderia-se aguardar que alguém entendesse.
            Mas é como o jogo aquele que de crianças se jogava, onde se repetia o que outro dizira e não dizira até o virar tolo.
            Se falas em língua é política e se falas em política é língua, mas o resultado e sempre o mesmo…incomodar

            Porque onde estejam os Ilg e Rag esses é que deram com o caminho certo…e além disso tem algo de grana e sempre se pode apanhar algum almoço de graça.
            Venâncio gostas aos de la Voz e tratam-te bem…Eu estaria muito preocupado

          • trouleiro

            Eu acho o facto de um jornal espanholista coma a Coz gostar dum dos poucos linguistas portugueses que estudam o galego, e que mesmo ousam dizer que o galego e o português som a mesma língua, preocupante … pro espanholismo.

            Acho o facto de alguns reintegracionistas terem vencelhos coa extrema direita portuguesa (mesmo que seja tragando sapos) … preocupante pros galegos.

          • Venâncio

            Falaches, Trouleiro.

          • Venâncio

            Banhos,

            Os da Voz gostam de mim, os da RAG gostam de mim, os da Galaxia gostam de mim… Tal como sempre gostaram do Lapa e sempre o trataram bem. Acouga, home.

          • José Ramom Pichel

            No espanhol europeu e espanhol da Argentina, por exemplo também acontece isso. Funcionam como variedades separadas, embora haja materiais culturais que circulem entre um lado e outro, quase sempre na literatura, pouco mais.

          • Venâncio

            A sério, José Ramom? Arranjas–me uma tradução ARGENTINA de Dan Brown? 😉

            A sério mesmo: o que te diz o facto de não existirem traduções “luso-brasileiras” de literatura, quando Brasil e Portugal editam por ano, cada um, centenas de obras?

          • Ernesto V. Souza

            Fernando isso tem a ver como o protecionismo, estudam os economistas, não os linguistas…

          • Venâncio

            Ernesto: duma vez por todas, ou me tomas a sério como linguista, ou isto acaba mesmo aqui.

            No Brasil, não existe MERCADO para traduções feitas para portugueses, em Portugal não no existe para feitas para brasileiros. Um LEITOR brasileiro não está disposto a consumir os modos de exprimir-se dum português, e vice-versa.

            Do ponto de vista da tradução (de literatura, de dvd’s, de indicações de uso de máquinas-de-lavar), PB e PE funcionam como LÍNGUAS DIFERENTES.

            E para acabar de vez: venha algum reintegracionista com a fórmula para traduzir em “luso-brasileiro”. Ficaria, num instante, multimilionário.

          • Ernesto V. Souza

            Pois isso Fernando… é justo uma das características e também um dos efeitos do Protecionismo e de interesses de controlo em ambos os mercados…

            A língua… os linguistas… tenho de rir outra vez…

            O “consumidor” não está disposto? Nesta fase histórica do capitalismo em que vivemos? e daquela por que no que não se paga, tipo youtube, facebook, blogues, sites comunitários… esse bloqueio não acontece?

            você em que mundo vive?

          • Venâncio

            Ernesto: a questão é mesmo grave. Os reintegracionistas galegos têm um ângulo cego, que lhes impede ver que o PB tem o seu léxico, a sua morfologia, a sua sintaxe, a sua pragmática. E que o mesmo acontece no PE.

            Isto é: o PB tem a sua Norma, o PE a sua. Trata-se, pois, de Normas linguísticas, e de nada mais.

            Por favor, PGL: peçam uma vez ao Gamalho,ou ao Pichel, ou ao Corredoira, que vos MOSTREM o que são as duas Normas linguísticas do Português. Para não andarmos ainda anos e anos nesta conversa de chacha.

          • Ernesto V. Souza

            Têm, claro que têm… mas são irrelevantes as diferencias… e mesmo que fossem imensas…

            por que apostar por elas, por que defender, por que fazer questão de duelo e guerra civil por elas?

            Cá há um processo mais complexo e interesses que nada têm a ver com as normas, as línguas, os compromissos ou os interesses dos consumidores…

            O Acordo nasce, seródio de uma cultura de esquerda e de internacionalização anterior (dos 50 até primeiros 70), mesmo que os seus protagonistas finais e o produto cheguem tarde e mal (o poder sempre chefia quando chega a hora e os imortais aparecem quando as batalhas já estão decididas nas altas esfereas do poder)… o que hoje vemos cavalga na fase de reação iniciada a fins dos 70 e embarca em outras lógicas e interesses do capital…

            Há gente de boa vontade, linguistas e eruditos que defendem o que eles consideram… mas uns e outros estamos submersos no Zeitgeist do nosso tempo… apanhados por ventos que nos arrastam e influídos pelos nossos contemporâneos…

            Passou o dia e passou a romaria… tudo bem… debatemos já sobre o passado recente e não estamos a ver o presente… mas tanto tem nada vai importar do que ambos debatamos ou deixemos de debater…

            Saúde

          • Venâncio

            Que gasto de retórica, Ernesto. Metes pena, meteis pena.

            Para começar: nada disto tem a ver com Ortografia. Eu não falei sequer nela. Mas tu saltaste logo com o Acordo… Ortográfico.

            Depois: este tipo de discussão acontece só aqui, nesta espaço galego-reintegracionista, onde não aparece nenhum linguista (onde estão os vossos linguistas, sempre tão caladinhos nestas questões?), e eu tenho de explicar as coisas mais triviais.

            No espaço da língua portuguesa, nada disto é objecto de discussão, porque as diferenças PB-PE são da ordem do óbvio linguístico.

            Sabes porque é que vós pondes isto à discussão? Porque, no momento em que aceitásseis que PB e PE são duas normas linguísticas consolidadas e irreversíveis, cairia por terra o vosso constructo ideológico da Santa Unidade da Língua Portuguesa.

            Enfim: só teria sentido discutir estas questões com os vossos linguistas. Mas, ou eles não existem, ou não querem nunca vir aqui discutir.

          • Ernesto V. Souza

            Mas Fernando… isso é o que eu digo… e o mesmo que me diz vale para o seu empenho, só é dar a volta ao casaco:

            Porque, no momento em que aceitássem que PB e PE são duas normas linguísticas que entram num Acordo, cairia por terra a impôrtancia, sentido e valor de uma Norma nacional galega…

            e é mais… eu entendo que a sua defesa do isolacionismo galego e todo o seu construto com o galego tem a ver com essa defesa de duas normas linguísticas consolidadas entre dusa variantes de diferenças ridículas… porque se aos galegos, que têm um crioulo, sim e verdadeiramente distante… os defensores dessas normas nacionais para Portugal e Brasil… ficam com pouco argumento…

            Portanto concedo que defenda o que acha justo… e entendo que empregue nessa defesa toda arma, mesmo as de destruição em massa e propaganda miscradora…

            P.s. A ciência, e a cultura nunca estiveram na Universidade, nem nos linguistas profissionais… são gentes de ordem e de serviço, doutores capazes de defenderem o que cumpra e à moda… Erasmo ria deles e hoje, na universidade atual bem podemos rir deles…

            cumprimentos,

          • José Ramom Pichel

            É assim como dis Fernando. No entanto, achas que a distância entre o espanhol europeu e o espanhol da Argentina (que tem se calhar a morfologia verbal mais distante do europeu) é mais distante que as normas do PE e do PB?

          • Venâncio

            Eu não “acho” nada, Zé. É a nossa realidade. E ela é muitíssimo diferente da do Espanhol.

            Só que eu não posso, numa caixa de comentários, expor essa vasta realidade linguística, que mete morfologia, sintaxe, léxico e semântica, e ainda a importantíssima pragmática.

            Informai-vos. Pedi aos vossos linguistas que vos informem.

          • José Ramom Pichel

            Tou nisso 😉 Serás informado 😉

          • Ernesto V. Souza

            Mas Atenção… a distância entre o espanhol de Argentina (e Uruguai) é mais ou menos que a que tem o castelhano de México, Chile ou de Cuba (que tradicionalmente por questões comerciais, políticas e editoriais são sistemas librários independentes do da Espanha?)

            Não sei se sabem que o mercado Argentino e o espanhol em livros e publicações nunca romperam plenamente… mas sim por exemplo o Colombiano, o Venezuelano (do século XIX), que o Mexicano e o Cubano são independentes e que o Chileno é difícil para nele circularem livros espanhóis…

            O Argentino sempre teve relação com Espanha (pelas características do seus mercado, pelas comunidades de emigrantes, pelos editores e livreiros primeiro galegos e depois, a meados do século XX catalães) e é dele que circula por América o livro editado na espanha…

            Mas em Colombia, Venezuela… que sempre foram mais na senda de Andres Bello… a língua até chegou a ter norma e ortografia diferente… e não digamos mercado para o livro…

            Reparem… e circulam na Espanha livros editados em México, Chile, Venezuela, Colombia ou Cuba…? não… são raros…

          • José Ramom Pichel

            De novo, o de sempre. O teu pensamento é pouco de cientista. Um exemplo, uma lei. Desconheces completamente o mercado das traduções do espanhol europeu e de América Latina, que tem mais variedades que o português. Eu também não sou nenhum perito nisto. Cada linha de produto tem o seu mercado: literatura local (México, Argentina como mercados mais forte), literatura internacional, ensaio, traduções de ensaio, localizações de software com variedades por países. É tudo mais complexo do que queres simplificar. https://altraducciones.com/blog/traduccion-espanol-america-latina#2

          • Venâncio

            Zé, eu venho desde há 30 anos em contacto directo com o sistema de traduções de e para o português. Nunca jamais achei uma tradução duma literatura estrangeira para “luso-brasileiro”.

            Todas as traduções, e são muitas centenas, são feitas como se só PB, ou só PE, existisse. Isto é: neste terreno (que mexe com um imenso material) são duas línguas diferentes.

            Porque é que vens sempre com a situação do espanhol, se ela é essencialmente diferente desta nossa?

          • José Ramom Pichel

            E tu porque insistes em que eu digo isso? Estás a ler o que a gente escreve?

          • José Ramom Pichel

            As diferentes variedades do espanhol (europeu, e todas as variedades latinoamericanas) não funcionam 100% separado, mas na maioria dos tópicos (ensaio, audiovisual e localização especialmente) sim.

          • Ernesto V. Souza

            Que interessante esse link, meu… eu tenho essa impressão, é… e temos visto em direto essas campanhas da Windows e a Mac Donald…

            Eu lembro as impressões, a as conversas com escritores, livreiros, professores de literatura e editores Cubanos, Uruguaios, Brasileiros do Sul, Argentinos… e pelo visto e observado, naquelas viagens da minha mocidade pela América… e lido depois tanto nas Crónicas, biografias e estudos sobre os Neira Vilas, Seoanes, Cuadrados, Losada, Avilés de taramancos… pelas bibliotecas das doações e expólios de emigrados ou colecionistas do livro galego-americando… e em artigos diversos sobre a história do mundo editorial na Espanha e nos países de língua castelhana…

            Saúde,

          • Ernesto V. Souza

            Mas estou a pensar… Afinal não tem nada de estranho… que as realidades sejam aparentemente diferentes… o mercado Brasileiro é tamanho e é um, o das repúblicas americanas em castelhano, é grande, em conjunto, mas caso por caso, pouco pode competir com o da Espanha…

            Se o Brasil fossem 10 ou mais repúblicas… suspeito que seria cuspidinha a dinâmica e o mercado, a relação e papel de Portugal e portanto a realidade de produção, venda, consumo e tradução ( e a imagem que se teria da língua)…e se a América do Sul fosse uma ou duas… seria o mesmo conto…

          • José Ramom Pichel

            Pode que Dan Brown tenha uma só versão para o espanhol (desconheço). Cortázar e Garcia Márquez são lidos em versão original na Espanha. Também escritores/as espanhois não são adaptados para Argentina. O engraçado é que quando lemos qualquer autor/a latinoamericano, nem sempre compreendemos completamente o texto, sobretudo se é descritivo ou tem muito vocabulário. No audiovisual o espanhol europeu e espanhol latino-americano funcionam como sistemas diferentes. O que fazer com a oralidade em América Latina? Escolhem todas as variedades para os filmes? Cada empresa decide cousas diferentes. De facto Walt Disney estudou o impacto de usar um espanhol americano (próximo das falas Colombianas), e como era percebido polo resto. Finalmente foi isso que decidiu. Fernando, humildade e prudência, são os signos dos cientistas. Eu compreendo, que queres ajudar os galegos e agradeço, mas desde a humildade sempre ajudarás mais 😉 Vai mais com o nosso carater

          • Venâncio

            Repito: não tem sentido vires falar duma realidade inteiramente diferente da nossa. Não adiantas puto com isso.

          • José Ramom Pichel

            Como medes isto?

      • https://pglingua.org/index.php abanhos

        Outeiro, o que faz a uma língua ser internacional, não é simples declaração de vontade, o que faz uma língua internacional é como circula essa língua entre espaços afastados e como se acabam percebendo as elites de formarem uma comunhão comunicativa.
        Ná língua portuguesa, o que está por trás do AO é um tentar porem as elites ou parte delas uns alicerces de uma convergência comunicativa.
        Infelizmente a cousa não está dando certa, e o espaço vai para uma fragmentação. O posicionamento a respeito a Galiza é também um bom medidor de onde é que se colocam.
        Portugal e a sua língua, com uma Galiza espanhola e pertencendo a um espaço fragmentado, não tem futuro.
        https://a.gal/Agalia/039.pdf
        A Galiza, fronteira de Portugal com Espanha, por Alexandre Banhos, ” , , , , 259-268

        • Ernesto V. Souza

          E também é interessante como nela e por ela, podem circular utentes de países que não têm a língua portuguesa como nativa ou ainda no currículo educativo.

          Para mim uma das grandes revelações, a começos da internet era ver gentes conseguindo se comunicar em um Português que não era nem do Brasil, nem de Portugal… Lembro interações com descendentes de portugueses e com franceses, norteamericanos, hispanos, suíços, japoneses… havia espaços, revistas e nomeadamente sites desportivos, educativos, de jogos e de software livre… e era e é interessante ver vídeos, no youtube, de africanos e de brasileiros, falando de ferramentas, de construção, de inventos, de jardins…

        • Venâncio

          O sr. Alexandre Banhos, do alta da sua retórica profética, acaba de proclamar a morte de Portugal e do português:

          «Portugal e a sua língua, com uma Galiza espanhola e pertencendo a um espaço fragmentado, não tem futuro».

          Essa postura vétero-testamentária do sr. Banhos já teve dias melhores. Há 25 anos, disse tão-só que a «perda» da Galiza por parte de Portugal não justificava «optimismo algum a respeito do futuro do Povo Lusitano».

          Assim termina o artigo da Agália de 1994 para que nos reenvia aqui acima. E assim terminava o seu artigo incluído em Galiza e Portugal: uma só nação, de 1997, volume editado em Lisboa pela editora Nova Arrancada, do “Partido Nacional Renovador”, da Ultra-Direita Portuguesa.

          Pois bem: passados mais de 20 anos, já era tempo de os reintegracionistas galegos que tão animosamente colaboraram com os fascistóides do meu país nos darem uma explicaçãozinha. Aos reintegracionistas decentes. Aos outros galegos. A nós, portugueses, cuja morte se anuncia.

          • trouleiro

            Importante achega. O senhor Banhos reproduz os mesmos esquemas que caraterizam todo político profissional: prestes a se aliar co demo se der qualquer ganho. Esse tipo de persoas nom vai ajudar a sociedade, com eles imos continuar na mesma. Nom abonda com ter razom, hai que ter certos escrúpulos éticos. Na democracia direta (ver por exemplo Etienne Chouard na França ou Richard Wolff nos EEUU) a influência deste tipo de personagens é irrelevante …

        • trouleiro

          Eu estou a falar dũa revoluiçom, nas mentalidades e na sociedade, nom nũa simples remodelaçom do
          mesmo sistema. Falas em que a internacionalidade da língua é determinada por como ela circula entre espaços afastados. Falas em como se acabam percebendo as elites em termos de formarem uma comunhão comunicativa. Pois bem, ambos e dous fenómenos só ocorrem em sociedades organizadas hierarquicamente (“como se percebem as elites”) e sob um sistema capitalista transnacional (“como circula essa língua entre espaços afastados”).

          Estamos daquela a esguardar o mesmo sistema, nada disso milhora a sociedade nem a arreda do seu caminho autodestrutivo. Estamos simplesmente nũa leia de elites, que à maioria das persoas, sobretodo às novas gerações despossuídas, tanto lhes tem.

          Segundo a sociedade se vai empobrecendo e as desigualdades acentuando, o que interessa é oferecer ũa verdadeira alternativa. Se cairmos, como eu acho que vai acontecer, em tempos de grande crise, compre ter ũa alternativa ao sistema capitalista neo-liberal/neo-feudalista, que o supere e nom simplesmente lhe mude as palavras e as ortografias e lhe troque as relações capitalistas com Madrid com outras igualmente desiguais e hierarquicas com Lisboa, Brasil ou o que for …

          Desse ponto de vista, acho que o modelo de galego-espanhol, castrapo oficial ou como se lhe queira chamar, é mais ajeitado como modelo de língua nũa sociedade reorganizada e revivescida ca o vosso modelo centrado nas inércias da história e no purismo fetichismo / linguístico.

          • https://pglingua.org/index.php abanhos

            antes do capitalismo existir já havia elites, nas sociedades comunistas que existiram ou se declararam como tais já as havia, e na sociedade após do capitalismo também as haverá.

            Sobre esse moralismo que te gastas, deverias te informar Outeiro, do curioso debate que se produziu, acho que em 1913/14 entre Lenine e Freud (lenine morava em Viena).

            Sobre o do relacionamento com a extrema direita, lembrades-me ao Gonzalez Pons (dum partido de ladrões certificados), acusando ao independentismo catalã de serem da extrema direita, pois entre os seus mais firmes apoiadores estão todos os grupos flamengos, incluso a extrema direita, e isso além de chamar-lhes de ladrões.

          • trouleiro

            Nom estou na tua onda, pola mesma razom que a tua, a vossa onda, nom vai atingir mais de ua exígua minoria. Se se tratar de abandonar o alvo de construir ua sociedade menos desigual e autodestrutiva, daquela a vossa alternativa tem rivais muito mais poderosos e com bases muito mais largas. A grande maioria das persoas só aspiram às necessidades básicas que o sistema promete (mas nom dá): casa, alimento, emprego, algum dinheiro e tempo extra pra lazer. A vossa alternativa, altamente inteletual e ideológica, nom oferece nengumha melhora aí.

            Quanto ao elitismo no comunismo, estás a confundir capitalismo de estado com verdadeiro comunismo, o qual nunca chegou a existir na URSS ou na China, nem na Venezuela.

            Se acreditas na inevitabilidade do sistema hierárquico em toda sociedade humana, estades a cavar a vossa própria cova: a maioria seguirá o mais forte, e nom uns iluminados coma vós. O elemento hierárquico tal como o conhecemos é um dos cancros de toda sociedade humana, e a nom repensarmos as nossas sociedades em termos igualitários e democráticos continuaremos nas dinámicas de guerra e de destruiçom do ambiente. Nom hai nada de “natural” nem de “inevitável“ nas hierarquias, só os que estam no alto delas (ou os que aspiram a estar, coma ti) acreditam nisso e querem fazer-nos acreditar nisso.

            Tampouco acreditas nos princípios éticos, decerto que justificas as visitas dos hierarcas catalães a Israel …

            O vosso nível de consciência está demasiado deturpado polo ego, nom fai sentido debater convosco, nem ouvir a vossa propaganda.

            E nom sei quem será esse ”Outeiro“, mas tanto me tem …

    • Ernesto V. Souza

      Ando nestes dias a ler isto, e a pensar muito no que conta… coincide bem com muito do que ambos imos pensando… a escuridade, o polemismo idiota, dramático e agressivo, a falta de tolerância dominam tudo… quando na realidade importa pouco o que digamos e defendamos, o que importam são os modos e o jeito em que integremos os pensamentos, as maneiras, as gentes diferentes…

      https://aviagemdosargonautas.net/2020/01/16/a-galiza-como-tarefa-petroleo-ernesto-v-souza/

      • trouleiro

        Eu acho tam ruins aqueles que se negam ao diálogo coma aqueles que pretendem dialogar, escoitando o interlocutor mas em realidade já determinados no seu pensar e vieiros e sempre autoconvencendo-se e pra continuar do mesmo jeito e mais juntando-se com aqueles que pensam da mesma maneira. Logo despois vem o autovitimismo …

        Quanto ao petróleo, nom só é o Médio Oriente que mudou pra pior, mas ainda o mundo inteiro: ele acabou coa nossa farmacopeia tradicional.
        https://www.corbettreport.com/bigoil/

        “As the 20th century drew to a close, it was obvious that for the powerful cartel that built the oil industry — the Rockefellers, the Rothschilds, the British and Dutch royal families — it was no longer about oil, if it ever really was. The takeover of education, of medicine, of the monetary system, of the food supply itself, showed that the aim was much greater than a mere oil monopoly: it was the quest to monopolize all aspects of life. To erect the perfect system of control over every aspect of society, every sector from which any threat of competition to their power could emerge.”

  • Ernesto V. Souza

    Com tudo, sabemos que o reintegracionismo já ganhou a partida. Ganhou o dia que decidiu construir e ganhou o dia que generoso abriu a mão… é o único discurso verdadeiramente galeguista, no ronsel de Castelao, Otero Pedrayo e os grandes da Galiza… permanece alumeando o caminho…

    https://www.nosdiario.gal/opinion/miguel-penas/um-projeto-global-lingua/20200117141448089745.html

  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Não serás tu um desses extremistas Fernando?.

    O reino de Portugal até 1479 sempre tentou incluir o terrítório da Gz a norte do Minho no mesmo reino.
    A igreja primaz de Portugal é Braga, por ser antes da Gz, e Braga continuou sendo primaz de grande parte da Gz a norte do Minho (excepção de Compostela e pouco mais) até 1492. Ano em que a Isabel I de Castela, faz depender toda a igreja da Gz, que não constituiu Portugal, de Valhadolide. E a quem se lhe tiravam fundamentalmente as competências…pois a Braga.
    O testamento de Afonso Viii da Gz leão também enveredava com a unificação do reino.
    E as fronteiras do condado portucalense não eram as atuais dos dous grandes estados peninsulares (há outro mais pequeno, Andorra), estavam bem mais ao norte.

    • Venâncio

      Que grande novidade! Sempre o Poder português quis alargar o reino… Tudo isso me interessa a ponta dum corno.

      O que me interessa é que o Galego foi criado num território que era galego, e só galego (Ivo Castro scripsit), que isso se deu muito antes de Portugal existir (Esperança Cardeira scripsit), que o Reino de Portugal falou Galego durante séculos, e tudo isto faz com que o Português seja, historicamente, um fenómeno tardio.

      O que é “extremista”, e vergonhoso, é ver galegos lambendo as botas dum idioma que, afinal, é só a continuação do idioma deles.

      • Venâncio

        A designação “língua portuguesa” ou “português” não se encontra antes da década de 1430, enquanto o galego já é chamado “galego” num ensaio do catalão Jofre de Foixà em 1290.

        Isto deveria ser importante para um galego. Mas pelos vistos não é.

  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    “O que é “extremista”, e vergonhoso, é ver galegos lambendo as botas dum idioma que, afinal, é só a continuação do idioma deles”
    Isto merece estar num frontispício.

    De Lapa La Voz nunca gostou. Bem que o desqualificou

    Isto ia numa resposta ao Venâncio, mas o disqus não correu bem

  • Luis Trigo

    Eu não consigo comover-me com essas tretas do antigamente é que era bom. Talvez não seja suficientemente galego-português, falta-me saudosismo, detesto bacalhau. Ainda alguém se lembra que houve no início do século xxi uma guerra iniciada no médio oriente com base numa notícia falsa sem media social? uma declaração de apoio ao nacionalismo judaico (sionismo) na primeira grande guerra dirigida a um banqueiro com raízes em Frankfurt que deixou está porcaria toda num caos? Que no advento da imprensa e da reforma se imprimiam folhetos como memes como auto estradas de ódio?
    Se uma pessoa fala em coisas que podem ser técnicas mas que têm impacto na comunicação entre pessoas de nacionalidades diferentes porque querem uma língua internacional, isto não é menor e deviam agradecer que alguém vos diz. Se for só uma pequena questão resolvam-na, dêem soluções. Está lá é um espinho.
    E para mim é absolutamente borrifativo se Portugal esteve mais para norte ou para sul ou para onde quer que seja. É só de mim ou uma permiabilidade à extrema direita com incidentes concretos é muito assustador? Isto tenho a certeza que não é uma questão menor – nem se trata da bazófia de que tu és mais espanholista que eu. Acho mesmo muito grave para não ser respondido ou explicado ou apenas relevado como mais uma acusação política menor… Enfim…

    • Venâncio

      Boa, Luís.

      Eu queria borrifar-me para isto (aproveitando o seu “borrifativo” 😉 ), mas tenho de vir corroborar.

      Sim, os reintegracinistas galegos têm de explicar-nos, sim, a nós, porque é que mantiveram contactos tão próximos com a Extrema-Direita portuguesa e, de caminho, porque é que os seus contactos em Portugal continuam a ser marcadamente de cariz reaccionário e hispanófilo.

      Expliquem-se. Com a ajuda de psiquiatras, se necessário.

      • Venâncio

        P.S.

        O livro publicado pelo PNR incluiu um texto de Rodrigues Lapa, «O problema línguístico da Galiza», nitidamente de interesse ‘reintegracionista’. O grande democrata Lapa (falecido 8 anos antes) teria achado uma pulhice esse namoro com fascistóides.

      • Ernesto V. Souza

        E com o PP galego, não esqueçam. O reintegracionismo tem sido o único coletivo na Galiza capaz de aprovar uma ILP no Parlamento galego com o apoio do PP.

        E não é de duvidar que o reintegracionismo atual teria sabido fazer-se entender com Filgueira Valverde, com Fraga, Franco e até com Millán Astray.

        Portanto e logicamente, como Álvaro Cunqueiro, Lugris ou até Ferrin quando tem o dia bom e falam de cavalos ou de poetas fascistas, podemos e sabemos entender-nos com a sua direita.

        • Venâncio

          Não é disso que se trata, Ernesto. É do crónico namoro e da confluência ideológica que demonstrais com os ambientes mais reaccionários e, repito, hispanófilos, em Portugal.

          • Ernesto V. Souza

            Bom… eu nunca teve problemas com ninguém da direita portuguesa… sempre que fosse gente cultivada… tenho de reconhecer…

            Infelizmente não posso dizer o mesmo de gentes da direita e até da esquerda espanhola e galega com poder…

          • Venâncio

            Nós temos uma expressão excelente para isso: “fugir com o rabo à seringa”. E um belo verbo: “desconversar”.

          • Ernesto V. Souza

            Bom… já sabe que na Espanha chamam a isso, conversa de galegos… 😉

            Mas, não tal. Pensem que por outra parte tem toda a lógica… imos ser sérios… o discurso histórico-político galego, da origem até as parvadas do descolonialismo imitativo da UPG era o velho projeto atlântico… hoje apenas encaixa já com a grande nobreza castelhano-galega a Norte do Tejo, ou com a velha aristocracia portuguesa, emparentada…

            Fantasmas dos Trava, do conde Andeiro, de Pedro Madruga, a fantasma de Diogo da Silva e a uniao íbérica, do regionalismo e do galeguismo dos anos 20…

            quem mais que essa direita reacionária portuguesa poderia comprar hoje a ideia de uma hespanha Atlântica, a Espanha histórica dos rios Atlânticos… a que limite a leste no Ebro?: o velho projeto galego da Galiza com Castela e Portugal, mas sem Aragão (Catalunha, Valencia, Aragão as ilhas), Navarra, nem Bizcaia… ?

          • Ernesto V. Souza

            É por isso que eu compreendo que logicamente os portugueses com algo de inteligência devem afastar no possível os galegos e a Galiza… que não entrem na lusofonia, nem na órbita de Portugal…

            na parte à direita são uma arma do espanholismo castelhano… na parte galeguista…têm essa teima dos Trava, da Castro e do Andeiro…

            apenas a esquerda marxista independentista isoalcionista pode fazer bem a Portugal e a língua portugesa…

          • Venâncio

            E é com essa direita reaccionária, que comeria vivos a quantos galegos encontrasse, que vos entendeis bem.

            Eu penso que é devido ao espanholismo, que destestais, mas que vos conformou a alma. Sim, existe no extremismo lusista uma nostalgia do império que nunca pôde caber à Galiza e a Espanha realizou. E Portugal, mais a sua língua, são objecto do vosso ‘transfer” (pergunta ao fulano dos psiquiatras, se não souberes) dum império frustrado.

            Nós, portugueses de Esquerda, estamos figuradamente a cagar-nos para um “império”. Divertimo-nos com o histerismo de Agostinho da Silva, e levamos à conta de liberdade poética o Quinto Império e o Saudosismo de Pessoa e Pascoaes.

            Mas a Ultra-Direita portuguesa vive na nostalgia duma PortuGaliza que nunca se realizou. E isso encanta-vos. Ficais-vos babando, ó imperialistas frustrados, e caís refastelados no aconhego que ela vos estendes… Em Acordo Ortográfico, pois claro.

          • Ernesto V. Souza

            Menos duro eu diria… mas é justo isso…

            É um dos motivos pelos que eu não escrevo mais… só poderia entender-me com essa direita reacionária portuguesa ou com fantasmas dos grandes da Espanha de linhagem galega…

            não paga a pena…

          • Ângelo Cristóvão

            Havia tempo que não ria tanto com um fio de comentários do PGL. Agradeço-te, Ernesto, a paciência de aturar esse pessoal.
            Olha, sabes que há um cidadão português que publicou um livro, e anda apresentá-lo em público com grande regozijo do antilusismo. Se tivesse amigos honestos (ou informados) e não simples admiradores interesseiros, já o teriam advertido dos erros, enganos nas datas e disparates que contém. E já teria publicado uma ‘fé de erratas’. Eu já vi alguma. Bom, talvez tenha uma segunda edição e, com a idade, chegue rever as suas fontes de informação, a metodologia e o relato. Porém duvido que tenha esses amigos que se atrevam a contar-lhe a verdade, porque o indivíduo tem o costume de insultar e desprezar a quem lhe oferece diálogo… portanto: laissez faire, laissez passer.
            Muito adequada a canção de Manuel Serrat. O teu é finesse d’esprit.

          • Luis Trigo

            Tenho estado simplesmente a ver a discussão e, como se diz por estas bandas, pela boca morre o peixe. Há comentários tão escabrosos que nem precisam de ser rebatidos, falam por si mesmos.
            Independentemente das novelas e dos erros e erratas, para mim a extrema-direita não é comédia nenhuma, ainda por cima no meu país. Parece-me que há aqui uma cegueira qualquer que que pode estar a manifestar-se numa banalidade do mal…
            Nem vale a pena inventar sectarismos imaginários, para sub-valorizar, trata-se da EXTREMA-DIREITA! EXTREMA-DIREITA! ONDE É QUE ESTÁ A PIADA?

            Talvez a expressão não tenha sido tornada famosa em português, uma coisa tem de ser certa: Não passarão!

          • Ernesto V. Souza

            Um respeito e uma cousa, meu senhor. Informe-se antes onde milita, participa, com quem cavalga e escreve, para quem é referencia essa gente à que endereça sem cuidado os seus apelos.

            p.s. E é importante lembrar sempre, como diria o grande Haro Tecglen, que no caso da Espanha o importante é lembrar e dizer: que passaram e arrecaralho se não passaram e continuam passando…

          • Luis Trigo

            É isso, respeito, muito respeito. Não milito, nem cavalgo, não sigo nenhuma manada, nem clique, nem claque. É incrivelmente desrespeitoso estar em cima da mesa ligações à extrema direita do meu país e achar hilariante. se é para isso que serve internacionalizar, para desrespeitar outras nacionalidades, que sucesso… Da extrema direita do PNR apenas me lembro de perseguição e assassínio de outras pessoas da lusofonia… Realmente…

          • Ernesto V. Souza

            Parece-me bem…

            Bom…quer comprar esse discurso e tópico que lhe vendem? compre… mas a mim não me diga que não me escaralhe a rir pelos cantos…

          • Luis Trigo

            A mim não me vendem nada, não sou consumista. Eu fiquei apenas à espera de um esclarecimento, de uma explicação sobre um assunto grave e a única coisa que vi foi sonsice. Por mim já disse o que tinha a dizer e já ouvi demasiado. Se alguém quer comprar ou vender alguma coisa não sou eu. O certo é que já deu para compreender bastante… e continuem esse riso encenado, diz que faz sempre muito sucesso como estratégia publicitária. plim!

          • Ernesto V. Souza

            Pois daquela é muito simples… Não me leia mais. Não venha na minha casa me exigir explicações de cousas que não têm nada a ver comigo e os meus textos, e a me pretender explicar a respeito do que tenho de escrever, como dizer ou do que me possa rir…

            Conhecemo-nos, acaso, é um vizinho de idade, um parente de respeito, um chefe, um companheiro de trabalho ou militància, uma pessoa à que deva quartos ou me pague?

            Viver para ver… mas claro, está, estão, no seu direito… cada quem acredita e dá ouvidos o que vem disposto a acreditar e ouvir…

            O reintegracionismo e a ultra direta portuguesa… enfim… nós os fascistas…

            …risa dá-me,
            esse nome que nos dás,
            qual s’a un-a moura bem moura,
            branca lh’oisse chamar…

          • Luis Trigo

            Ernesto, que eu saiba a extrema-direita portuguesa está em minha casa a tentar fodê-la. Ainda por cima, o Ernesto quer saber a melhor maneira para falar comigo para ser um bom vizinho. O Ernesto percebe o que é a extrema-direita e prefere ser fiel a ser leal. Ao que parece, trata-se de um assunto em que esteve uma pessoa directamente envolvida, que prefere não se explicar. Eu também consigo compreender que a fidelidade (já que se falou de feudalismos) é um valor importante. Mas é simples e nem sequer tem de ser o Ernesto a explicar. O que se passa com esta treta da extrema-direita?

          • Ernesto V. Souza

            Mas eu que caralho vou explicar ou ter de explicar?

            Escreva isso qualquer pessoa interessada e com uma paixão pelo assunto, um artigo no PGL, ou onde gostem, ou até um livro ou uma tese demonstrando aí com datos sisudos e estudos, notas e detalhe esse relacionamento completo entre a extrema-direita portuguesa e o reintegracionismo nos últimos 45 ou 50 anos. Eu também gostaria de ler…

            Saúde,

          • Luis Trigo

            É isso Ernesto, não tem de ser o Ernesto a explicar nada. Era o que eu estava a tentar dizer. Nem é um fardo que deva carregar. Mas isto é um tópico mesmo muito grave que deve mesmo ser explicado. Até porque não é um diz que disse ou uma saída opinativa. Parece que há artefactos e se não há que seja mesmo refutado.

            Um abraço!

          • Ernesto V. Souza

            Arredemo se não travou aí bem forte… trave, trave se quiser que a perna não é minha…

            saúde…

          • Venâncio

            Ernesto,

            O tema do envolvimento do Lusismo galego com a Ultra-direita portuguesa foi aqui trazido por arrasto duma intervenção de Alexandre Banhos (que chegou a Presidente da AGAL). Calhou ser nestes comentários ao teu artigo. Pode lamentar-se, mas trata-se dum assunto mal resolvido, que poderia surgir em qualquer lugar.

            O sr. Banhos citou, aqui, o seu artigo na Agália, que depois também integrou o volume da vergonha: «Galiza e Portugal – uma só nação», publicado pelo Partido Nacional Renovador.

            E é um volume da vergonha – que deveria ser colectiva, vossa – ainda que aqueles de vós que nele colaborastes, quero eu acreditar, o fizestes numa inocência subjectiva. Mas, objectivamente, é um pecado do Reintegracionismo, e continua um escolho para o vosso contacto com Portugal.

            Ha aqui dois portugueses a exigirem explicações: o sr. Luís Trigo e eu. E queremo-las. Tanto mais que o namoro com os sectores reaccionários em Portugal continua uma constante do Reintegracinismo galego.

          • Ernesto V. Souza

            Parece-me muito bem…Compreendo que os olhos vão sempre onde mais nos doem os ossos.

            Esse que citam e do que fazem questão é um episódio concreto. Desconheço os detalhes e realmente, a mim, não me atinge, nem preocupa… acho anedótico…

            Do resto:

            O galeguismo manteve relações com o monarquismo, com o salazarismo e com a ultra-direita portuguesa: manteve.

            O reintegracionismo manteve relações com o monarquismo, com o salazarismo e com a ultra-direita portuguesa: manteve.

            O galeguismo tem elementos de direita e ultra-direita: teve, tem e terá.
            O reintegracionismo tem elementos de direita e ultra-direita: teve, tem e terá.

            O galeguismo tem partes no seu discurso que podem ser interessantes e atrativas para os monárquicos, para as direitas e extremas direitas de Portugal: teve, tem e terá.

            O reintegracionismo tem partes no seu discurso que podem ser interessantes e atrativos para os monárquicos, para as direitas e extremas direitas de Portugal: teve, tem e terá.

            Agora:

            Podemos dizer que no conjunto do galeguismo esses relacionamentos e discursos são estruturais, estratégicos ou continuados: NON.

            Podemos dizer que no conjunto do reintegracionismo esses relacionamentos e discursos são estruturais, estratégicos ou continuados: NON.

            E digo non, e opino que é pontual e anedótico e, ate onde enxergo, opino, de existir seria um relacionamento contra natura, porque a maioria de uma das partes está na esquerda, no republicanismo e no antifascismo… mas se alguém me demonstra com dados suficientes que é um relacionamento estrutural e preocupante não terei problema em reconhecer…

            Apertas,

          • Venâncio

            Ernesto: o envolvimento do Reintegracioismo galego com os sectores mais conservadores portugueses é “estrutural”.

          • Ernesto V. Souza

            Não o vejo assim…

          • Venâncio

            Tens a resposta acima.

          • trouleiro

            És um indivíduo patético, falas como se fosses o profeta dum povo, mas o povo de que falas em realidade é só ti e os teus correligionários. Deixa de falar em nome do galego e do reintegracionismo co teu vitimismo de elite de alburgueiros. CALA A BOCA, BALDREU.

          • Luis Trigo

            E essa de que passaram e continuam passando é uma constatação verdadeira, mas continuo a saber que lado não escolher. Não vou pedir desculpa por anti-fascismo.

          • Ernesto V. Souza

            Eu também sei que lado escolher. Acompanhar fascistas não me passa nem pela imaginação… Agora, com idiotas nunca…

          • trouleiro

            Que vergonha, pretendedes-vos moivmento social mas já se viu que tendes os reflexos dumha seita ou máfia qualquer …

          • Ângelo Cristóvão

            Prezado Luís Trigo, seria um excesso pedir a um movimento linguístico e cultural como reintegracionismo da década de 80 e início dos 90 o que não podia dar nas duras condições políticas em que se desenvolvia. Pretender exigir a quem aderia ao reintegracionismo nessa altura, com toda a sua vontade pessoal, fazendo o que podia fora das horas laborais, e pagando tudo do seu salário, arriscando-se mais do que deviam, é perder de vista o contexto. Sabe algo do golpe de estado de 1981? Sabe algo das listas negras desses dias de fevereiro?

            Fazer como se, hoje mesmo, estivéssemos nas mesmas condições que os isolacionistas, que usufruiam e continuam a usufruir de todos os orçamentos públicos, apoio político, monopólio académico e tudo o que quiser, é desproporcionado e injusto. Se, além disto, essa atitude e essa exigência ao reintegracionismo vem de uma pessoa com conhecimento do assunto, é a prova da sua desonestidade e vileza. A partir disso, ponto e final.

            Se, nalguma altura, algumas pessoas do reintegracionismo acharam bom ganhar um pouco de visibilidade em Portugal, talvez através dos portugueses menos convenientes, sendo que descobriram tarde que eram do entorno do saudosismo, isso poderia conduzir a algumas perguntas. Por exemplo, onde esteve o PCP durante as últimas décadas? Olá! Há alguém aí? Não posso falar mal do PS, especialmente na época de Mário Soares. Com etapas mais e menos acertadas, tem sido mais “arriscado”, poderia dizer, em relação à Galiza, especialmente quando governou.

            Causa-me muito riso a acusação de direitismo ou de conivéncia com a extrema-direita, portuguesa ou de onde for. É uma acusação ridícula, porque toda a gente sabe que o pessoal do Movimento Lusófono Galego é maioritariamente da margem esquerda. Outrossim é verdade que, desde a época da presidência da Maria do Carmo Henríquez (AGAL), que alguma cousa boa terá deixado, ficou claro que devíamos falar com todos os grupos políticos e ideologias. E este mérito dela é reconhecido por todos. Acho.

            Parece que, na Galiza, o predomínio total do castelhano, em termos linguísticos e culturais, é irrelevante comparado com o tal livro. Acho que era “Galiza-Portugal uma só nação”… só polo título deveria fazer refletir a quem se preocupa tanto desse affaire. Ironicamente, podemos dizer que esse trabalho de investigação jornalística sobre os lusistas desvairados e direitosos deveria levar um prémio internacional. Darei o meu voto.

            Agora a sério. Se a primeira reação é acusar o reingracionismo… isso diz muito de quem desconfia. O reintegracionismo está muito além dessas parvadas. Para informação: até onde sei, esse livro foi publicado apanhando o que lhe interessou ao editor ou organizador, e sem conhecimento nem autorização dos autores galegos. Ficaram a saber depois, com surpresa. Diga-me, onde é que está a piada?

          • Luis Trigo

            Caro Ângelo,
            Bastava uma resposta séria como esta, porque o assunto não tem mesmo piada nenhuma. Melhor seria se partisse de quem esteve directamente envolvido porque é mesmo muito grave e não chega a esclarecer o que se passou se tiver a agravante de não autorização. E já que me replica a minha pergunta, ainda não consegui encontrar a piada. De qualquer forma agradeço a atenção, que é mesmo devida. Talvez seja uma coisa também normal no
            estado espanhol, eu já observei esta normalização do contacto com pessoas da extrema-direita por parte de pessoas da esquerda radical brasileira e fiquei banzado. Mas é-me inconcebível e acho que acontece com a maior parte dos portugueses que isso aconteça em Portugal. Penso que essa não normalização é uma das coisas positivas que temos.

            Saúde!

          • Ernesto V. Souza

            Magnífico Ângelo. Muito bem exposto.

            Saúde,

          • Ernesto V. Souza

            Eu levo desde o primeiro comentário querendo não debater. Mas dá igual que digas que não vai com eles, mesmo que não contestes ou que contestes.

            Tenho dito e repetido. Mas não há maneira. Passa sempre e o que vinha dizer ficou longe e a gente vem por cá escrever artigos, no canto de na principal, que malgasto para o PGL…

            Em determinado momento, por obra de algum encantador, o texto no canto de pêndulo, deveu se transformar por artes de magia num botafumeiro, e aí vai sobre as nossas cabeças, voando e projetando órbitas deslumbradoras e apagando de caminho os cheiros concretos dos humanos sentados nas bancadas de respeito que é a mim o que mais me preocupa.

            saúde,

          • trouleiro

            Nom vos vejo muita diplomacia e savoir faire pra fazerdes amigos na Lusofonia, e ainda menos valores éticos: Nem umha ruim desculpa pola vossa colaboraçom co fascismo português.

            Endebém que arestora já vos caiu a carauta!

          • trouleiro

            Aí falaches, estes lusistas som-che espanhóis de gema, levam a sua espanholice aló onde vam, só entendem o mundo em chave espanhola, nom som quem de se abstraírem dessa colonizaçom mental … nem psiquiatra nem chispas!

    • trouleiro

      Temos que agradecer ao senhor Banhos pola sua franqueza. Agora sabemos que o reintegracionismo radical, ou lusismo, está disposto a aliar-se ao fascimo português polo seu sonho dumha Galiza Portuguesa.

      • Venâncio

        Trouleiro,

        Ignoro o que se passa no interior do sr. Banhos. Só que, a julgar pelo que exterioriza, ele venderia hoje a Galiza ao primeiro comprador português.

        Mas atenção. Ele não está sozinho.

        • trouleiro

          coitados!

  • Mário J. Herrero Valeiro

    Quanto trabalhinho para psiquiatras…

  • Venâncio

    Ernesto,

    O tema do envolvimento do Lusismo galego com a Ultra-direita portuguesa foi aqui trazido por arrasto duma intervenção de Alexandre Banhos (que chegou a Presidente da AGAL). Calhou ser nestes comentários ao teu artigo. Pode lamentar-se, mas trata-se dum assunto mal resolvido, que poderia surgir em qualquer lugar.

    O sr. Banhos citou, aqui, o seu artigo na Agália, que depois também integrou o volume da vergonha: «Galiza e Portugal – uma só nação», publicado pelo Partido Nacional Renovador.

    E é um volume da vergonha – que deveria ser colectiva, vossa – ainda que aqueles de vós que nele colaborastes, quero eu acreditar, o fizestes numa inocência subjectiva. Mas, objectivamente, é um pecado do Reintegracionismo, e continua um escolho para o vosso contacto com Portugal.

    Ha aqui dois portugueses a exigirem explicações: o sr. Luís Trigo e eu. E queremo-las. Tanto mais que o namoro com os sectores reaccionários em Portugal continua uma constante do Reintegracinismo galego.

    O volume está à venda aqui. Não é o sítio mais recomendável. É Salazarismo puro e duro.

    https://alternativaportugal.org/produto/galiza-portugal-uma-so-nacao/

    • Ernesto V. Souza

      Bom… todos temos os nossos pecados: a mim uma vez publicou-me um texto o Conselho da Cultura Galega e duas vezes A Trabe de Ouro…

      O primeiro terminou aí num ricochete imprevisto… e contra a minha vontade. Os outros dous porque desconhecia que nessa revista se censurava os meus amigos reintegratas…

      Do resto… Parece-me muito bem…Compreendo que os olhos vão sempre onde mais nos doem os ossos.

      Esse que citam e do que fazem questão é um episódio concreto. Desconheço os detalhes e realmente, a mim, não me atinge, nem reocupa… acho anedótico…

      • Venâncio

        Ernesto: tenho pena, sinceramente pena. Mas tu não és o Reintegracionismo galego. Não és, e não mereces ser, o banco do seu branqueamento.

        • Ernesto V. Souza

          Não se apene por mim… pergunte os seus amigos reintegratas lúcidos e isolacionistas de bem… já saberão lhe dizer que eu sou muito ruim…

          Do resto… vejo difícil suster e trabalhar essa hipótese do relacionamento estrtural do galeguismo/reintegracionismo com a ultra-direita portuguesa… quem lhes dera… mas tudo é possível nesta vida…

          apertas,

          • Venâncio

            Sim, a preferência do Reintegracionismo galego pelos sectores mais conservadores em Portugal é um dado “estrutural”.

            Com quem contactais, e sobretudo a AGLP? Com o MIL (Movimento Internacional Lusófono), com a ACL (Academia das Ciências de Lisboa, de que aliás sou sócio-correspondente, embora pouco activo), com a comandita do Acordo Ortográfico. E esqueço, de momento, esse namoro com os nossos fascistóides.

            Portugal tem bastantes outros sectores, mais arejados, mais críticos, mais sensíveis aos problemas dos espezinhados, como vós vos dizeis.

            Porque não contactais com eles? Porque ficais agarrados a gente que vos vai “come-lo caldo”, mas que depois nunca escreve uma linha a vosso respeito?

            Eu próprio gostaria de ver algum dia um artiguinho de Malaca Casteleiro, ou de Carlos Reis, ou do brasileiro Evanildo Bechara, vossas visitas habituais. sobre… sobre… o Reintegracionismo galego. Por exemplo.

          • Ernesto V. Souza

            também eu gostaria… mas bem se vê, que, pelo momento não achamos jeito…

          • Venâncio

            Ernesto: procurais sistematicamente aqueles que não se interessam por vós. Chama-se masoquismo. E um masoquismo colectivo é perigosíssimo.

          • Ernesto V. Souza

            Fernando… não procuramos ninguém, simplesmente falamos com quem fala conosco…

            Viessem os amigos do ILG-RAG ou do mundo institucional e académico editorial galego às nossas festas, merendas, publicações e conversas, viesse essa bela gauche portuguesa ilustrada… e falaríamos com eles…

            Reconheçamos…São gente muito pontual que nos encontra… uns por amabilidade, outros porque lhes interessará nas suas próprias maquinações e liortas locais, mas é muito pouca… e logicamente na sua maioria gente de fora das centralidades… o que é lógico…porque nós também estamos nas margens…

          • Venâncio

            Exacto, Ernesto: os conservadores portugueses são gente marginal, tais como vós próprios. Por isso vos entendeis tão bem com eles.

            Mas o Reintegracionismo faria bem em perguntar-se porque é que gente como Ivo Castro (o nosso maior linguista) ou António Medeiros (um dos nossos melhores antropólogos), ambos desde sempre interessados na Galiza, se recusam ao contacto convosco, reintegracionistas, e o dizem explicitamente em obras suas.

            Digo-te uma coisa, a ti, ao Joám, ao Ângelo: o vosso desinteresse pela realidade cultural e política portuguesa (como também pela realidade do idioma em Portugal e no Brasil) é igualzinho à sobranceria que os espanhóis em geral nos dedicam. Nisso não vos distinguis.

          • Ernesto V. Souza

            Ok,

            Essa é a sua opinião e interpretação. O senhor saberá porque acha t¡ao importante… Mas eu não compartilho, nem a análise, nem a interpretação nem a valorização que faz…

            Agora, pode-se debater. Pode mesmo perguntar no conjunto do reintegracionismo e do galeguismo… duvido que muita mais gente, sem forçar o raciocínio veja esse relacionamento como algo com que caracterizar o reintegracionismo galego.

            ps. a mim não me espanta que a maior parte da gente no mundo académico e institucional português e brasileiro ignorem o reintegracionismo ou os reintegracionistas… seria maravilha o contrário… primeiro porque esse desinteresse é de dupla via e na realidade, pouco conhecem e se conhecem é por via espanhola, a Galiza, o galego, a sua literatura, história e os galegos; segundo porque existiu por décadas e existe – não sei se lembra – um prolongado apartheid institucional; e terceiro, porque contrariamente ao que o senhor teima em insistir a propaganda geral teima em relacionar o reintegracionismo com o independentismo, com o separatismo e o terrorismo radical…

            Deixe estar Fernando, deixe estar… faça caso do Facal, que é um homem honrado e um amigo leal…

          • Venâncio

            Ernesto: eu só julgava ser-vos útil. Mas enganei-me. Espero não se repita.

    • Joám Lopes Facal

      Tentar relacionar o movimento reintegracionista com fantasias tardo-fascistas é puro desvario, Fernando.
      Quanto a Ernesto, a sua ética céptica e ilustrada mantém-no bem livre de qualquer prédica caudilhista, como ti bem sabes.
      O(s) reintegracionismo(s) só admite(m), critica interna, filológica ou sociológica, fora disto, a sua recusa fica reservada ao curso da história cultural galega da qual constitui um capítulo que esperamos venturoso.

      • Venâncio

        Joám,

        A preferência do Reintegracionismo galego pelos sectores mais conservadores em Portugal é um facto. Estou a repetir-me, mas pelos vistos não o quereis entender.

        O contacto com os salazaristas do PNR foi um episódio (e eu já sugeri que fruto de inconsciência vossa ), mas continua a ser uma nódoa, que tem de ser assumida.

        • Ernesto V. Souza

          ok, se é por isso, eu assumo e peço uma e mil desculpas os amigos de Portugal… foi uma nódoa, uma vergonha, um episódio terrível… pecamos de inocência, de desconhecimento e fomos enganados por esses salazaristas da porra que sabiam muito bem o que faziam…

          Estamos advertidos e temos já quem nos diga…Procuraremos que não passe mais.

          Agora, como dizia a minha avoa… por uma vez que caí…cucadinha (cu-quedinha) me chamaram…

          • Venâncio

            Não carregues sobre ti o percalço alheio. Isso vai desculpá-los de se pronunciarem.

          • Ernesto V. Souza

            … mas quem se tem de pronunciar? alguma pessoa concreta e singular?

            daquela não era pecado original do reintegracionismo inteiro?

          • Venâncio

            Ernesto, escreves: «quem se tem de pronunciar? alguma pessoa concreta e singular?»

            Sim. Que tal se Banhos, e Estravis, e Paz Rodrigues, e Fontenla, e Henriques Salido, e Bieito Seivane, e Gonçáles [sic] Blasco, e Xavier do Lago nos esclarecessem, algum dia, de como se desenvolveu essa colaboração com um partido ultra-direitista português, e nos contassem como vêem hoje este assunto?

          • Ernesto V. Souza

            Acabáramos…

            Repare, se faz favor, que se o mal passo é de umas pessoas concretas… não um problema, característica ou questão estrutural e definitória do conjunto do reintegracionismo dos últimos 50 anos.

            Daquela, se me permite, será a elas por nome próprio a que terá de dirigir as suas críticas e exigir explicações…

            E, isto é algo da natura humana, pode vir dar-se o caso destas pessoas concretas não lhes parecer oportuno dar resposta, e menos reconhecerem o seu erro; e até se poderia dar o extraordinário empenho dalgumas dessas gentes concretas em acharem que o que fizeram foi bem feito e oportuno, da sua perspectiva…

            Como disse antes ao amigo Trigo… tenho de rir, porque a travada é de espanto… mas a perna na que mordem não é minha…

          • Venâncio

            Ri-te à vontade, Ernesto.

            Também te ris quando eu mostro que as vossas preferências vão, desde sempre, para um determinado sector português.

            Mas esse assunto está esclarecido: as marginalidades atrem-se.

          • Ernesto V. Souza

            Bom, o seu é teimar, o meu é gizar no ar e sentar-me a esperar. As cousas que dizemos levará tempo para confirmar. Paciência. Tempo ao tempo e já veremos onde vai dar tudo. Quem sabe se numas quantas décadas não se diz que o senhor tinha razão e eu não, ou vice-versa… ou até entendam os nossos amigos do futuro que dizíamos quase o mesmo…

            Pela minha parte estou já satisfeito e amortizado. Das cousas que eu tratei de ir mostrando, nos últimos 25 anos, cousas que no seu dia me custaram carreira e desgostos, foram já consagradas nos livros e trabalhos académicos, e não poucas até circulam como verdades populares…

            E é bem verdade… e é que não fica outra, às marginalidades só lhes restam as sobras e companhia doutras marginalidades…

          • José Ramom Pichel

            Há mais bombeiros reintegracionistas na AGAL em Vigo que o número de pessoas que comentas, e não por isso gostamos de apagar incêndios, ou também. Tens de ser mais cientista e não extrair uma conclusão a partir de poucos dados, porque sinceramente não é para ter em conta.

        • Joám Lopes Facal

          Digamos que é um amor de perdição; único eco encontrado em Portugal ao problema político-cultural galego que a intelectualidade cosmopolita que assola Lisboa considera talvez de mau gosto, ou quiçá insignificante.

          • Venâncio

            Joám, e se invertesses a questão?

            Muito certamente foram as preferências que o Reintegracionismo desde sempre mostrou pelos ambientes conservadores portugueses o que determinou a posição doutros portugueses a vosso respeito.

            Em todo o caso, em conversas com amigos e colegas, surge sempre a pergunta: porque te preocupas tu com essa gente?

          • Ernesto V. Souza

            É fantasia Fernando… mas perigosa… está a pedir que de Portugal nos venham com uma Operação Jaro mas à inversa…?

            Depois, claro, gentes de boas intenções, como o Trigo, caem no anzol…

            O senhor tem as suas crenças e o seu anti-acordismo. Eu respeito e compreendo que para o seu discurso que na Galiza, mesmo que seja uma minoria ridícula, defenda o acordo e faça dele festas é uma loucura… mas não tudo vale…

            nota:
            https://www.galizalivre.com/2019/11/18/operacom-jaro-umha-tentativa-de-ilegalizacom-da-politica/

            Saúde…

          • Joám Lopes Facal

            Meu amigo, a minha é vocaçom tardia e talvez por isso um bocadinho céptica. À fase agálica, sucedeu-lhe a aégica como confirmaçom de que o galego é o meu único compromisso. Descreio do português panaceia mas adoro-o como utente aplicado com direitos de primogenitura acreditados. Desdenho o galego tetra provincial que só aspira a ser reconhecida língua espanhola mas foi nela em que me criei. De caminho, figem e fago amigos digitais com os que discrepo ou concordo, mas nunca demasiado, como ensina a sabedoria antiga.

          • https://pglingua.org/index.php abanhos

            Meu deus, o que há que ler.
            Bu adam iyi değil, birkaç vida kaybetti

      • Ernesto V. Souza

        Obrigado Joam… aperta 🙂

    • https://pglingua.org/index.php abanhos

      Eu em Portugal são membro do MIL e dos Colóquios da Lusofonia, amigo dos Fenianos do Porto e do Presidente da Câmara de Montalegre Orlando Alves, tratei a Fernando Gomes pte da câmara do porto e pra mim um dos portugueses que melhor entendia a Gz. Sou amigo da presidenta da CPLP. Participei em congressos da Intersindical e do Stal. Fum convidado a falar aos trabalhadores em primeiros de maio em Portugal.
      Quando a começos dos 90 apareceu o grupo portugaliza subscrevim-me aos seus trabalhos e documentos. Eram da extrema direita mas a Gz tem interesses e esse pessoal sem tirar nada em troca, deu naquela altura alguma ajuda. Ainda tenho a algum deles em apreço.
      Relaciono-me também com o Bloco português e alguma gente de todo lado, como o centro português de Vigo.
      Tenho amigos catalães, não poucos, quase todos de Junts e hoje vou ter a ceia com Aitor Esteban do Pnv.
      Tenho bons amigos no Pt br e no pco br…

  • Ernesto V. Souza

    Apanharam-me nuns dias bons dentro do meu atual estado de ánimo sombrio, agradeço as conversas e o debate, porque, francamente, não estava com vontades de falar, de nada, com ninguém.

    Mas passei uns bons tempos nestas conversas. Eu tenho as minhas opiniões e não nego a ninguém que tenha outras e contrárias… apenas eu defendo as minhas e os meus projetos. Não vejo que mal faço, nem que mal fazem os projetos nos que participo…

    Desculpem se não posso tomar a sério o do relacionamento do reintegracionismo com a ultra-direita… mas não mo tomem a mal, para mim é inconcebível, mas como diria o grande Vitor Lourenço… quem sabe, talvez seja eu o que esteja errado…

  • Venâncio

    Ernesto:

    Vós fazeis festas com o Acordo, até as fizestes (publicando livros que o adoptavam) com aquele acordo que Brasil e Portugal em 1986 unanimemente rejeitaram.

    Depois, em 1990, mandastes às urtigas a “ortografia histórica” por que vos batíeis, abraçando, sem uma única reserva, um AO que veio promover a “ortografia fonética”. Sois, ficou claro, uns oportunistas.

    O Portugal mais reaccionário encanta-vos. E quanto mais reaccionário, mais atraente vos é. Ainda no vosso meio é possível, hoje, lamentar um Portugal independente sem que alguma crítica fraterna se faça ouvir.

    Que bom, mas que magnificamente bom, que nunca vos tenhamos tido, nem venhamos a ter-vos, como compatriotas.

    Saúde.

    P.S
    Se alguma vez te interessar saber por que o AO90 é um produto impróprio para consumo, lê isto.

    https://www.publico.pt/2016/08/01/culturaipsilon/opiniao/ao90-a-formula-do-desastre-1739935

    • Venâncio

      E, por um último favor: deixa de dizer que tudo isto são “opiniões” minhas. Aceita a realidade. Ela é chata, mas é tudo o que temos.

      • Ernesto V. Souza

        A realidade sua não é a minha… são universos paralelos. A conversa foi aí que começou… eu adverti que era perder tempo…

    • Ernesto V. Souza

      E dá-lhe… pois nada… como posso convencê-lo que eu nada entendo disto que me fala, e que por mais que me teime e explique tanto me tem… não me incumbe a perfeição, imperfeição do AO, para ortografia idónea ou não em toda a casuística do Português de Portugal e Brasil é algo que não me preocupa, nem interessa… nem emociona, nem desaponta.

      Para mim a ortografia está ligada aos processos de lecto-escrita referidos à construção e a aprendizagem, escolar, muita dela ainda no esquema da ortografia manual…

      Eu, como o amigo Facal sou seródio nisto do reintegracionismo, cético com ele, e reticente. Cheguei a estas praias por acaso. Fiquei. Nunca me bati pelo reintegracionismo, nem pela norma AGAL… Eu eduquei-me no galego de Galáxia, no pre-ILG, no ILG, no reintegracionismo de mínimos… nunca aprendi, nem me interessou o galego AGAL… se escrevesse a mão não saberia escrever nesta ortigrafia em que escrevo… não…

      Por outra banda… tenho claro que não vou aprender português do Brasil, nem de Portugal… nem vou fazer o esforço de exercício idiota de escolante de escola de idiomas de apanhar as diferenças… e não vou me preocupar mais ou menos porque existam 1 ou 4 normas de Português vivas e quem sabe quantas históricas… como não me importa que haja 40 de Galego…

      Eu não vou precisar mais que de uma, ou de nenhuma… aconteceu eu chegar ao reintegracionismo, ver as normas em uso e apanhar a proposta que achei mais simples, mais lógica… aquele eu teria uma fase desencantada e lógica… quem sabe se tivesse chegado romântico e intrépido e teria escolhido outra… e quem sabe se outros caminhos andados não estaria bebendo vinhos com os do ILG… e dedicado a outras cousas…

      São cousas que penso… nada é assim fechado na realidade.. nada é verdadeiro nem definitivo… Eu escrevo textos, solto ideias, reflexiono… que alguém acha interessantes, que apanhe, que alguém quer editar na sua revista ou site, que edite ou publique… que na sua publicação têm normas portuguesas, brasileiras, acordistas, aegistas, agálicas ou ilguentas… pois que corrija ou edite os meus textos se lhe praz… a mim não me preocupa nem me compensa o esforço… não sou professor de português, nem de galego, nem um autor que vaia publicar livros, ou artigos académicos na Galiza, Portugal ou Brasil… e tenha que seguir o trilho em que me deixam…

      • Venâncio

        Que luxo poder falar assim! Eu tenho compromissos com a realidade dum idioma, por acaso meu idioma materno. Não posso recostar-me e dizer: “Façam à vontade. Destruam quanto vos aprouver”.

        Não, eu tenho de reunir energias para que este idioma possa libertar-se dessa casaca mal-abardada que lhe arranjou o PS (partido que aliás admiro, e em que votaria, se fosse cidadão português). Como linguista independente, tenho de o denunciar.

        Esta é a diferença entre nós, Ernesto. Eu tenho um compromisso, profissional e pessoal, com este idioma.

        • Venâncio

          PS 😉

          E tenho um compromisso com o galego, o nosso primeiro idioma. Por isso escrevi um livro de 320 pp., para convencer os portugueses da imensa dívida que têm com a Galiza.

          • Ernesto V. Souza

            Pois isso deve ser… A verdade, eu não tenho qualquer compromisso com o galego… quando era novo achava que tinha um compromisso com a gente galega, da Galiza… e em geral com todos os malpocados e esmagados pelos poderosos… mas logo me demosntram que essas cousas eram fantasias com que nos enganamos e até me explicaram há muito que a minha ajuda e colaboração não era necessária, nem querida… para questões relativas à língua, a história ou a literatura… já havia gente competente e profissional…

            Desejo-lhe sorte, de coração, Fernando e sucessos nas suas denuncias, propagandas e escritas.

            Sem mais, o seu amigo no universo paralelo e comum da internet…

            Ernesto

        • José Ramom Pichel

          Nos não temos compromisso Fernando 🙂

          • Venâncio

            Não tendes compromisso, eu sei-o há muito tempo, José Ramom. E por isso podeis ficar eternamente nesta negação da realidade. Com os vossos irresponsáveis sociolinguistas a conduzir-vos por descaminhos.

          • José Ramom Pichel

            “En efecto, la modernización ortográfica del español, dejando de lado los hitos más importantes de la misma, asienta su superioridad actual distanciándose del espíritu conservador a ultranza de otras lenguas modernas, verbigracia, el francés y el inglés.” https://www.lavozdegalicia.es/noticia/opinion/2001/11/08/rag-lusistas-voluntad-popular/0003_100000007849.htm

          • Venâncio

            Zé, eu não falo em “Ortografia”. Ainda não percebeste?

          • José Ramom Pichel

            Ainda não percebeste tu do que falo e do que falamos 😉 Ainda não percebeste onde vivemos 😉 Ainda não percebeste que “GALIZA” é um lugar irreal, e que o lugar onde moramos chama-se “GALICIA” e que está em Espanha. E que artigos como estes saem cada vez que a RAG se quer achegar linguisticamente e timidamente ao português, ou se preferes ter uma Norma Galega Forte. Ainda a estas alturas não percebeste nada di sto. E o pior, que achas que percebeste, e não tens a mínima humildade de dizer, não sei disto. E nunca vais dizer como sim dizem outras pessoas em Portugal com mais humildade e modestia: galegos e galegas contem o que aí acontece, que quero aprender para melhorar as minhas observações como cientista da língua.

          • Venâncio

            Estás a ser injusto, Zé Ramom.

            Eu não tenho, de certeza, a percepção dum galego, e nunca a terei. Mas ando convosco há tempo suficiente para poder informar os portugueses interessados acerca duma realidade deveras complexa.

            E porra, Zé. Eu andei anos pedindo-vos que escrevêsseis um livrinhos falando aos portugueses da vossa realidade. Cheguei a dar ao Fagim uma lista de pontos de interesse (a que chamamos ‘tópicos’, mas não à espanhola), e nem assim.

            Que mais queres que eu faça?

          • José Ramom Pichel

            Que este é um trabalho COLECTIVO e que de nada vale, acusar a ninguém de FALTA DE COMPROMISSO. Tu pensas que se eu fosse PORTUGUÊS estaria falando disto contigo????? Estaria fazendo tradutores automáticos neuronais. A minha língua nao teria nenhum perigo. Dedicaria-me ao meu que é a tecnologia e a música, ou às criptomoedas. Tu pensas que se Facal ou Ernesto fossem Portugueses estariam falando disto contigo??? E Xavier Alcalá? Camilo Nogueira? Tu pensas???? Tu és o que estás a ser injusto com todos nós

          • Venâncio

            Achas, José Ramom Pichel, que, se eu não estivesse genuinamente interessado em vós, andaria aqui anos e anos a falar convosco?

            Já me vi daqui escorraçado. Certo sociolinguista vosso disse várias vezes a meu respeito “Don’t feed the troll”. Outro da mesma laia acaba de sugerir aqui “This user is blokked”. São ameaças de alto coturno, meu.

            Mas, pelos vistos, sou aqui um empecilho, uma espécie invasiva. Um estranho em todos os sentidos.

            Pois arranjai outros portugueses que se interessem por vós e informem os compatriotas a vosso respeito. Eu julguei fazê-lo, mas admito que o tenha feito mal.

            Para evitar perigos futuros, eu retiro-me, e deixo o campo aberto para quem o queira ocupar.

            Agradeço que ninguém de vós (a não ser os amigos) me contacte mais, se ocupe sequer de mim. Eu sou-vos um perigo. Tomai cuidado.

          • José Ramom Pichel

            Tu um perigo? Nem isso. É fantástico que galegos leiam o teu livro ou do Marco Neves, talvez do pouco que lerom este ano em português. É fantástico que te interesses polo nosso futuro. É fantástico que comentes os perigos políticos que existem com o relacionamento em Portugal. Eu agradeço imenso isso. É fantástico o que aprendemos de ti de história da língua. É fantástico o teu domínio literário da língua. Mas também deixa-nos que tu podas aprender da Galiza connosco. É isso.

          • Ernesto V. Souza

            Ia dizer eu mais ou menos…

            A gente nunca é perigo, perigo são os sistemas, as estruturas…

            apertas a ambos… e obrigado pela conversa.

          • trouleiro

            Que portunhol mais ridículo, como todo o que escreves. “A gente” em português é “nosotros” em espanhol. “Ia dizer eu” é incomprensível pra qualquer português … a nom ser que conheça bem o espanhol. “Apertas” nom é português, mas galego (sim, essa língua que pra vós nom existe).
            O vosso portunhol é ridículo. Sodes a vergonha do galego.

          • trouleiro

            Dificilmente vai aprender da Galiza e do galego de vós, que ignorades o galego. O que único de vós que vem deprendendo é o espanhol, que abrolha aginha de qualquer escrita ou fala vossa, e mais a vossa mentalidade espanhola.

          • José Ramom Pichel

            Eu quero que nos contes como é Portugal, os caminhos certos e os errados. Não como é a Galiza. Quero que nos continues a contar hipóteses linguísticas muito interessantes, e muito proveitosas. Com isso temos davondo. Deixa-nos fazer na nossa casinha o que poidamos.

          • José Ramom Pichel

            E por acima criando generalizações que a mim pessoalmente me parecem indignantes e injustas. Ligando-nos de forma geral (sem matizes) a TODO um colectivo de pessoas de boa vontade que querem o melhor para a sua língua e a sua cultura com movimentos de extrema-direita em Portugal, sem ter em conta o dano que nos fai a pessoas como eu e muitíssimas que estamos TODO O DIA, pensando em como solucionar que a seguinte geração poda viver nesta língua que amamos. E quando digo pessoas falo de AUTONOMISTAS E REINTEGRACIONISTAS, que queremos o melhor para a nossa língua.

      • trouleiro

        Dedicado aos lusistas e demais fascistas espanholistas gallegos e portugueses: Sabede que nom passaredes.
        Viva o povo português! Viva Galiza ceive!
        https://www.youtube.com/watch?v=qngw6OhDZ0I

  • Mário J. Herrero Valeiro

    This user is blocked. É o único que posso e devo dizer. Fede a maldade.

    • trouleiro

      Os amigos dos salazaristas nom estabades alí, porque nom vos deixárom passar. Nom se pode ser amigo dos fascistas e do povo ao mesmo tempo. A vossa hipocrisia fica patente. És, ti e os teus colegas, patético.

  • https://pglingua.org/index.php abanhos

    Estou abraiado de certo pessoal e a sua teima em estarem todo o tempo a lançar joio, mentiras e invenções, perante qualquer possibilidade de diálogo.
    Hoje vou ter uma gostosa ceia com pessoa bem inteligente e democrata Aitor Esteban, da que seguro tirarei algo de aprendizagem e proveito.

    • Luis Trigo

      Está registado. Nem sequer mostra arrependimento. Espero que informe os seus amigos da esquerda portuguesa e o democrata Aitor Esteban das suas amizades na extrema direita portuguesa…

      • trouleiro

        O pior nom é o que o ghicho esse di e defende. O problema é que os seus colegas o defendem. Se os nazis vinhessem a calhar na equaçom (como por exemplo quadrou na Irlanda) decerto que ele se aliava co’iles, e os fala-baratos lusistas haveriam defendê-lo. Este tipo de gente é patética, embora felizmente irrelevante. CASTELAO ESTÁ A REVIRAR NA COVA SABENDO QUE ESTA GENTINHA PRETENDE FALAR POR ELE.

    • Luis Trigo
    • trouleiro

      Chamas de mentiras e invenções factos quantificáveis:
      1) Escreveche pra ser publicado por umha editora/organizaçom salazarista.
      2) Colaborache e dis nom haver rem de errado nesse teu colaborar cos salazaristas.
      3) Ninguém no teu clube de lusistas condena a tua atitude.

      E de resto achas correto as visitas oficiais do Mas e do Puigdemont a Israel.

      Endebém que sondes irrelevantes.

  • Joám Lopes Facal

    O ofício de inquisidor sempre foi muito apreciado e competido em Espanha.
    Quando proliferam assaltantes mascarados no caminho da polémica de ideias e que é tempo de retirar-se a tarefas mais aprazíveis.

    • Ernesto V. Souza

      Fair play, sempre, meu amigo… não vale tudo. O que fica é o jogo bonito.

      O resto, são impertinências, mesquindades, perrenchinhas, que na conversa entre adultos ilustrados não encontram eco…

      abraço

      • Joám Lopes Facal

        E ressentimentos mal curados, Ernesto, doença de difícil tratamento.

        • Ernesto V. Souza

          Pois… o que mais tem feridas abertas, e o que menos leva no corpo e na alma umas quantas cicatrizes…

          • Joám Lopes Facal

            Pois é, mas só os espiritos mesquinhos cultivam as feridas

      • trouleiro

        És um hipócrita. Falas de “fair play” quando um dos teus colegas nom agocha o seu filo-salazarismo e nem um só dos vossos correligionários saiu a condená-lo, antes, o defendedes …

    • Luis Trigo

      Caro Joám, vou apenas remeter um artigo recente do bloco de esquerda sobre o que se passava com a extrema direita em Portugal nos anos noventa. E pode ter a certeza que o ressentimento ainda é muito. Eu compreendo que as generalizações são muito injustas. Aprecio que não aceitem paternalismos. Compreendo também que haja essa normalização da extrema direita no reino de Espanha, mas se não aceitam que essa normalização não existe em Portugal há mais de quarenta anos e que isso é um terror para nós o problema é mais vosso que nosso. Ainda assim não posso deixar de relevar os seus valores que muito aprecio, incluindo a sua reserva anti inquisitorial.
      De qualquer modo e independentemente de qualquer divergência circunstancial que tenha consigo, envio lhe os meus cumprimentos agradecido.

      • Joám Lopes Facal

        Amigo Luís, pouco sei dos actuais grupos de extrema direita em Portugal. Em Espanha houve-os, e extremamente violentos, nos começos da democracia. O último episódio, estúpido e extemporáneo foi o do assalto ao Congresso por Tejero, essa risível figura do século XIX.
        A minha trajectória política estivo sempre ligada à esquerda transformadora e à vindicaçom da naçom galega.
        Podo compreender a vossa irritaçom com posiçons que interpretades como conivência com a extrema direita portuguesa que eu acho, afortunadamente, marginal e só potencialmente perigosa, como em Espanha. Vox é apenas um perigoso brinquedo das direitas espanolas que nunca desperdiçam a ocasiom de alentar o golpismo militar, esse bárbaro fantasma do XIX.
        Crê-me, nada há na resistência cultural galega — da qual o rentegracionismo é umha simples emanaçom — conivente com as direitas; é questom genética indiscutível.
        Agradeço o teu interesse, mormente vindo de Portugal, parceiro, nom só em cultura mas também em vivências e problemas partilhados. Saudaçons.

    • Luis Trigo
  • Venâncio
    • Ernesto V. Souza

      Fernando… isso não é pensamento científico… é um desejo…

      Lembra?

      A posse ad esse non valet consequentia…

      • Venâncio

        Toda a questão foi já cientificamente, detidamente, competentemente, estudada em volumes publicados por VASCO GRAÇA MOURA, ANTÓNIO EMILIANO, FRANCISCO MIGUEL VALADA e NUNO PACHECO. Tudo gente do maior formato profissional.

        Na realidade, só o Partido Socialista, e mais exactamente a sua ala conservadora, continua a segurar o AO90. Mas estão no poder.

        • Ernesto V. Souza

          Daquela está a me dar a razão … o Acordo e a ideia da língua internacional emergiu de uma vaga ideia política… não importou nunca a sua idoneidade, qualidade ou ajuste linguístco… e de morrer morrerá porque outro pensamento político a substituirá…

          O AO depende de quem esteja no poder em Portugal e Brasil…

          A ciência e a linguística, as belas palavras dos jornalistas, são um Coro na cena… algumas frases são de antes, e até doutras obras…

          • Venâncio

            Não e não e não.

            Logo em 1990 as universidades portuguesas e centros de estudos consultados, TODOS se declararam contra o AO. Por razões linguísticas e técnicas que expuseram e são públicas.

            Também os autores que citei também o denunciam por motivos linguísticos e técnicos. É só questão de ler.

            Entretanto, nem Angola nem Moçambique aceitaram o AO90. Os livros de estudo do primário e secundário destinados a África continuam a ser impressos em Portugal em AO45. Aquele mesmo em que escrevem muitos, e dos melhores, escritores portugueses.

          • Ernesto V. Souza

            Fernando… em 1980 todavia ríamos da Tatcher, do Papa Wojtyla e de Ronald Reagan… e nos 90 nem sabíamos onde nos levavam…

            O Acordo já chegou tarde ao seu próprio tempo e ideia, e nas mãos de idiotas e incompetentes, ou simplesmente de políticos e aventureiros… concedo…

            Mas, era uma bela ideia, de um outro tempo… Agora é irrelevante, o mundo é outro e bem escuro…

            Mais nada… pêndulo vai, pendulo vem…

            Saúde,

          • Venâncio

            Deus seja louvado! Um começo de sensatez.

          • Ernesto V. Souza

            Tanta volta para nada…

            Vai ser que ou não entendeu bem o meu artigo, ou eu mui mal me expressei… esse é o ponto do texto:

            O Acordo passou sem ser…

          • Venâncio

            Se bem percebi desde a primeiríssima leitura, o ponto do teu artigo foi cantar os louvores (mesmo através de lamentos…) dum Português Unitário.

            É um pensamento imperial, Mas é tarde. É mesmo muito tarde. Já em Quatrocentos os portugueses do Sul se ativeram a criar um idioma de seu 😉 , num processo nitidamente diferencialista em relação ao Galego.

            Se bem vejo, o Reintegracionismo galego baseia-se numa nostalgia do idioma que nunca realizou um imperialismo à galega, projectando essa frustração num Português à medida dos sonhos galegos.

            Eis, em breves traços, a fascinante bolha reintegracionista.

          • Venâncio

            O processo diferencialista português vem descrito no meu livro entre as págs, 105 e 150. E não precisas de dizer que não vais ler. Vais, nem que seja daqui a 50 anos.

          • Ernesto V. Souza

            É difícil que eu vaia retomar certas pesquisas ou estudos desse teor…

          • Joám Lopes Facal

            Um Português à medida dos sonhos galegos…

          • Ernesto V. Souza

            Por fim vai entendendo… mas eu quero esse português (galego) para nós, não para portugueses, brasileiros e africanos… 😉

          • Ernesto V. Souza

            Tarde… ou cedo, Fernando… 😉

            Passam as cousas, os anos e os séculos, apostamos, uma geração perdemos algo, duas não ganhamos, outra ganhamos nada, mas continuamos…

            Nós estamos afeitos… Acontece, o mundo gira… somos os galegos… Como dizia o grande Avilês de Taramancos:

            …Terra querida, que sempre chegas tarde
            ou chegas antes ou despois da História
            e andamos foscos no correr do tempo….

          • Ernesto V. Souza

            Não é o projeto reintegracionista… o reintegracionismo tem esquemas mais simples…

            Essas ideias, sonhos e saudades são, na atualidade, apenas minhas…

          • trouleiro

            … em suma, do teu portunhol. Comovedor.

          • trouleiro

            Aí falache:

            «o Reintegracionismo galego baseia-se numa nostalgia do idioma que nunca realizou um imperialismo à galega, projectando essa frustração num Português à medida dos sonhos galegos.»

            Essa é a milhor síntese do lusismo. Ou, como diria o Castelao, som uns imperialistas fracassados. Mas esses sonhos galegos nom som os do povo, nem os da saudade e degoiro dumha milhor sociedade. Nom. Som os devezos elitistas de reproduzir o imperialismo espanhol, a sociedade hierárquica e capitalista em que eles serám os profetas. Falam de vitimismo e de marginaçom etc, mas com eles no poder nada mudaria, pra além do cultivo do portunhol. Alguns deles mesmo falam de biodiversidade das línguas, e dim-no co seu nojento sotaque castelám e ignorância dos nossos usos linguísticos próprios, desprezando mesmo a existência da língua galega. É nojento.

          • Venâncio

            Bom Trouleiro,

            DEGOIRO: uma palavra galega que eu não conhecia. Reparo que tendes uma especial riqueza na expressão do “desejo”. Como também DEVEZO, sim, e ARELA, e DEGOXO, porventura mais. Quem há-de conservar tudo isso, se os galegos não no fizerem?

          • Venâncio

            Suplementar interesse tem o facto de tratar-se, em quase todos os casos, de DEVERBAIS REGRESSIVOS, a criação gramatical mais especializada. Acresce que o galego tem largas dezenas de verbos exclusivos, muitos deles de origem latina, certa ou suposta. E este “suposta” é extremamente importante, como entreviu Joseph Piel. Exponho isto detidamente no meu livro,

          • José Ramom Pichel

            O AO’90 é um assunto irrelevante para os galegos e as galegas. É muito mais relevante que “emoji” foi a palavra do ano em castelhano.

  • Ernesto V. Souza

    Só mais uma cousinha e deixo.

    Eu não entendo que problemas tem a gente, nem que lhes deu com isto tudo que comentam… não sei que tem a ver comigo.

    Eu acredito que qualquer português é um jeito de galego, por mais que o galego nos mais dos casos não seja considerado, pelo momento como português. O português é uma língua histórica prolongada desde as origens romances e é também uma das minhas línguas de cultura, para mim é um tudo, uma língua universal que já várias vezes foi franca… colhe nele tudo e qualquer explicação diferente é apenas se centrar em detalhes e focalizar concretos… haverá quem faça ou goste… lá eles…

    Eu faço o que posso. Mais nada… nem sei nenhum português, nem há um único galego do que possa tomar de modelo e do que aprender, há muitos e fascinantes escritores… também não sei bem castelhano de Castela, por muito que o castelhano seja também outra das minhas línguas de cultura e possa ler a pelo textos da origem até hoje e de qualquer latitude… e nada se passa…

    Se eu aprendesse no seu dia e escrevesse habitualmente em norma AGAL dos 90, ia continuar a escrever nela, do jeito que soubesse, sem me preocupar das reformas que fizesse a comissom linguística, a AGAL ou um grupo de científicos pagos pelo governo… esqueço em geral as recomendações… e tardo em corrigir todas aquelas cousas que não me saiam naturais.

    Dado que toda a minha obra escrita e publicada antes de 2005 está em norma ILG (e com ela todos os livros em papel que vou publicar) para mim é doado perceber que a minha escrita não variou muito é a mesma… apenas que com os anos o meu estilo é mais fluido, e a minha prosa mais trabalhada…

    Se eu aprendesse em norma AGAL de hoje, ou na de AGAL-AEG, escreveria nela do mesmo jeito…

    Se o que tivesse aprendido fosse o português de Portugal ou do Brasil doutrora continuaria a escrever na mesma…

    Em todos os casos diria o mesmo… ah… reformaram, muito bem… e continuaria a escrever como soubesse ou me petasse, com todos os pequenos erros e castelhanismos que me caracterizam… faria o mesmo se continuasse a escrever em ILG-RAG…

    em nenhum caso teria qualquer problema, para uma escrita formalizada, em que um editor, um corretor me dissessem… olha, Ernesto, escreves antiquado e tens alguns/bastantes erros e incoerências … temos de corrigir…

    eu diria… ok… ah, sim… claro, mas deixa antes de publicardes dar um olho… há cousas que podem ser propositadas…

    Para mim a conversa com gente inteligente é sempre grata… não pretendo convencer ninguém de nada e também não há necessidade alguma de me convencer a mim de nada… sou ninguém e o que eu diga ou pense pouco importa,

    Saúde,