AS AULAS NO CINEMA

FILIPE SANTO, O MÚSICO DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE



Dentro da série que estou a dedicar às mais importantes personalidades da Lusofonia, onde a nossa língua internacional tem uma presença destacada, e, por sorte, está presente em mais de doze países, sendo oficial em oito, dedico o presente depoimento, que faz o número 120 da série geral, ao músico e cantor de São Tomé e Príncipe, chamado Filipe Santo, nascido em 1959 na localidade de Madalena da ilha de São Tomé. Um conceituado músico são-tomense e um dos grandes embaixadores musicais do país na diáspora europeia. Fez parte de diversos agrupamentos musicais em São Tomé e Príncipe, dos quais se destacam África Verde, Tropic Som e Os Leonenses. Para além do trabalho como produtor musical no estúdio Equa-Som, o multi-instrumentista tem uma bela parceria como músico acompanhante da poetisa Olinda Beja. Seu último trabalho, “Lagaia“, é uma homenagem à interculturalidade que a nossa língua conhece tão bem. Este é o depoimento número oito da série lusófona.

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PEQUENOS DADOS BIOGRÁFICOS

Filipe Santo (Madalena-São Tomé), nasceu a 5 de janeiro de 1959 e é uma referência da música africana e um dos responsáveis pela divulgação da música de São Tomé e Príncipe pelo mundo. O seu nome completo é Filipe Cupertino Espírito Santo. As suas canções retratam temas diversos como o amor, a vida quotidiana dos Santomenses, a corrupção, e a sociedade em geral. Um dos momentos marcantes da sua carreira foi o ingresso na banda Santomense Trópic-Som, em 1985, onde atuou como guitarrista, compositor e intérprete.

Em Lisboa, a sua experiência musical começou, nos anos de 1990, pelo Dúo Camu&Lipe, com o qual participou em vários programas televisivos em diversos canais Portugueses. Estreou-se na discografia em 1995 ao participar, como compositor e intérprete convidado, no álbum Coração em África de Camucuço & Cª, editado pela Discossete. Músico acompanhante da poetisa Olinda Beja. Lançou o seu primeiro Álbum a solo “MUSA” produzido pela Equasom no ano 2002. A digressão do álbum incluiu concertos na Tunísia, Portugal, Alemanha, França, Brasil, Espanha, Suíça, Itália e outros países. Em 2015 lança o segundo álbum Lagaia e que contou com a participação de vários nomes da música Africana. Com o “Lagaia” Filipe Santo foi o grande vencedor da segunda edição do STP Music Awards (2016).

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Filipe Santo é um artista reconhecido nos países que falam o nosso idioma e um verdadeiro embaixador da música do seu país. Os seus trabalhos de difusão dos ritmos de raiz de São Tomé e Príncipe permitiu-lhe vencer nos STP Music Awards em 2016, os prémios musicais de maior prestígio nesta república africana.

Filipe atuou no sábado, dia 12 de maio de 2018, em conjunto com a dupla galega VooDoo na cidade de Lisboa, celebrando o Dia das Letras Galegas no Centro InterCulturaCidade. Desta maneira, a melhor música africana e galega reuniu-se sobre o palco lisboeta. Perante um público absorto pela voz de Belém Tajes, o baixo de Maritxinha e a voz e guitarra de Filipe Santo, os artistas anunciaram a sua vontade de que dessa noite surgisse um novo projeto em comum. Filipe Santo esteve em Burela há alguns anos, uma experiência da qual guarda lembranças muito gratas e que gostaria de repetir. Desde o Grandes Vozes foi animado a voltar e a passar pelo estúdio. Na altura foi entrevistado por Marco Pereira e Edilson Sanches.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS

  1. Mamã África.

     Duração: 5 minutos. Ano 2015.

     

  1. 1. Musa.

     Duração: 6 minutos. Ano 2014.

     

  1. 2. Wolo wolo. Patchi di Rima. Parceria com Filipe Santo.

     Duração: 5 minutos. Ano 2012.

     

  1. 3. Filipe Santo: Amôle tê fôça.

     Duração: 6 minutos. Ano 2011.

     

  1. 4. Lagaia. Conversas ao sul.

     Duração: 5 minutos. Ano 2015.

     

  1. Manuela.

     Duração: 4 minutos. Ano 2011.

     

  1. Prefiro a fantasia.

     Duração: 5 minutos. Ano 2017.

     

  1. Êia Paxênça.

     Duração: 5 minutos. Ano 2014.

     

Nota: Em 24 de maio de 2018 foi publicado no PGL um depoimento sobre Filipe Santo (com entrevista incluída), que pode ler-se nesta ligação.

O SEU DISCO LAGAIA APRESENTADO EM LISBOA

O novo disco do Filipe Santo, conceituado músico são-tomense e um dos grandes embaixadores musical do país na diáspora europeia, foi lançado no Clube B.Leza de Lisboa. Lagaia foi o nome dado a este novo trabalho que representa a originalidade e a apropriação de várias culturas da qual o cantor tem estado em contato e sabido entusiasticamente incluir no seu repertório os mais variados estilos. A sonoridade mergulhado em variadas interpretações, tornou o trabalho final do álbum uma homenagem à multiculturalidade, um conceito da qual o cantor sempre viveu na primeira pessoa, cujo um dos argumentos foi por ter nascido e crescido entre as duas ilhas do arquipélago que sempre foram o ponto de encontro, cruzamento e influências de muitas culturas e identidades.

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O trabalho também regista uma grande atenção às línguas nacionais, as letras sempre pautadas com ensinamentos de vida são incorporados num ritmo contagiante que torna impossível ficar indiferente. Clube B.Leza que tem sido um espaço de referência na difusão da música africana em Portugal, ganhou cor ao longo de uma noite que transbordou muitas emoções aos presentes que puderam se inebriar com os ritmos são-tomenses como socopé, bulawê, rumba dentre outros que abraçaram as sonoridades brasileiras e antilhanas, tornando o evento num momento único e especial.

O SEU PAÍS: SÃO TOMÉ e PRÍNCIPE

Segundo um depoimento de Wagner de Cerqueira e Francisco (Brasil), que resenhamos a seguir:

País africano, São Tomé e Príncipe não possui nenhuma fronteira terrestre e está localizado no golfo da Guiné, no Oceano Atlântico, a mais de 300 mil metros dos países mais próximos (Gabão, Guiné Equatorial e Camarões). A nação integra a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, visto que o português é o idioma oficial.

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Em 1470, Portugal iniciou o processo de colonização em São Tomé e Príncipe. A colônia foi utilizada como entreposto comercial, sobretudo de escravos capturados na África. Os colonizadores também introduziram o cultivo de cana-de-açúcar, utilizando mão de obra escrava. Após 490 anos sob domínio português, os movimentos de independência se fortaleceram a partir de 1960 e, em 1972, surgiu o Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP). A autonomia nacional foi obtida em 1975, e o MLSTP assumiu o governo do país como partido único.

O território, montanhoso e coberto por florestas tropicais, é formado por duas ilhas principais (São Tomé e Príncipe) e várias ilhotas. A maioria da população reside na capital, São Tomé. Conforme dados da Organização das Nações Unidas (ONU), aproximadamente 50% dos habitantes vivem abaixo da linha de pobreza, ou seja, com menos de 1,25 dólar por dia.

A principal atividade econômica de Tomé e Príncipe é a produção de cacau. Entretanto, o turismo e a exploração das jazidas de petróleo descobertas no fim da década de 1990 proporcionaram um aumento significativo na captação de recursos financeiros.

    Dados de São Tomé e Príncipe

    Extensão territorial: 964 km².

    Localização: África.

    Capital: São Tomé.

    Clima: Equatorial chuvoso.

    Governo: República com forma mista de governo.

    Divisão administrativa: 2 ilhas e 7 distritos.

    Idiomas: Português (oficial), línguas regionais.

  Religiões: Cristianismo 95,5% (católicos 80%, independentes 7%, outros 8,5%), outras 3,3%, sem religião e ateísmo 1,2%.

    População: 162.755 habitantes. (Homens: 80.609; Mulheres: 82.146).

    Composição: Africanos 95%, eurafricanos 4%, portugueses 1%.

    Densidade demográfica: 168,8 hab/km².

    Taxa média anual de crescimento populacional: 1,6%.

    População residente em área urbana: 61,43%.

    População residente em área rural: 38,57%.

    Analfabetismo: 12,1%.

    Esperança de vida ao nascer: 65,2 anos.

    Taxa de mortalidade infantil: 64 óbitos a cada mil nascidos vivos.

    Domicílios com acesso a água potável: 86%.

    Domicílios com acesso a rede sanitária: 24%.

    Índice de Desenvolvimento Humano (IDH): 0,488 (médio).

    Moeda: Dobra.

    Produto Interno Bruto (PIB): 175 milhões de dólares.

    PIB per capita: 912 dólares.

    Relações exteriores: Banco Mundial, FMI, ONU, UA.

UMA SÍNTESE IMPORTANTE SOBRE SÃO TOMÉ

São Tomé e Príncipe, um país insular africano perto da linha do equador, faz parte de uma cadeia vulcânica com rochas e formações de corais impressionantes, além de florestas tropicais e praias. Na maior das ilhas, São Tomé, está localizada a Lagoa Azul. O Parque Natural Ôbo, uma reserva na selva com grande biodiversidade, cobre grande parte de São Tomé e distingue-se pelo Pico Cão Grande, uma rocha vulcânica semelhante a um arranha-céu.

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São Tomé e Príncipe, oficialmente República Democrática de São Tomé e Príncipe, é um país insular localizado no Golfo da Guiné, na costa equatorial ocidental da África Central. Consiste em dois arquipélagos em torno das duas ilhas principais, as ilhas de São Tomé e Príncipe, que distam perto de 140 km uma da outra e a perto de 250 e 225 km da costa noroeste do Gabão respetivamente. Outros países próximos são Camarões e Guiné Equatorial.

As ilhas de São Tomé e Príncipe estiveram desabitadas até a sua descoberta pelos exploradores portugueses Pedro Escobar e João de Santarém em 1470. Gradualmente colonizados pelos portugueses ao longo do século XVI, eles coletivamente serviram como um centro comercial vital para o Comércio atlântico de escravizados. O rico solo vulcânico e a proximidade com a linha do Equador tornaram São Tomé e Príncipe ideal para o cultivo de açúcar, seguido mais tarde por outras culturas de rendimento tais como café e cacau; a lucrativa economia de plantação era fortemente dependente de escravos africanos importados. Ciclos de agitação social e instabilidade económica ao longo dos séculos XIX e XX culminaram na independência pacífica em 1975. São Tomé e Príncipe, desde então, permaneceu como um dos países mais estáveis e democráticos de África.

Com uma população de 204.454 habitantes, segundo o censo de 2018, distribuídos em uma área total de 1001 quilómetros quadrados, São Tomé e Príncipe é o segundo menos populoso Estado soberano da África depois das ilhas Seicheles, bem como o menor país de língua oficial portuguesa. Seu povo é predominantemente de ascendência africana e mestiça, com a maioria praticando o catolicismo romano. O legado do domínio português também é visível na cultura, nos costumes e na música do país, que fundem influências europeias e africanas.

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Descobrimento

Não se tem registo de ocupação humana nas ilhas de São Tomé e Príncipe anterior a 1470, sendo que as marcações históricas dão aos portugueses João de Santarém e Pêro Escobar o título de descobridores das Ilhas. Os navegadores portugueses exploraram as ilhas e decidiram que seriam boas localizações para as bases de comercialização com o continente. A ilha de São Tomé foi descoberta em 21 de dezembro de 1470 por João de Santarém, no dia de São Tomé; 27 dias depois, em 17 de janeiro de 1471, no dia de Santo Antão, Pêro Escobar chega à ilha do Príncipe. Príncipe foi inicialmente chamado de Santo Antão (“Santo António”), mudando o seu nome em 1502 para a Ilha do Príncipe, em referência ao Príncipe de Portugal para quem foram pagos impostos sobre a produção de açúcar da ilha.

O primeiro assentamento bem-sucedido de São Tomé foi estabelecido em 1493 por Álvaro de Caminha, que recebeu a terra como uma concessão da coroa. Príncipe foi liquidado em 1500 sob um arranjo semelhante. A atração de colonos mostrou-se difícil, sendo assim, a maioria dos primeiros habitantes foram “indesejáveis” enviados de Portugal, a maioria judeus. Com o tempo, esses colonos encontraram no solo vulcânico da região o local adequado para a agricultura, especialmente o cultivo de açúcar.

 Colonização portuguesa

A cana-de-açúcar e o cacau foram introduzidos nas ilhas e escravos africanos foram importados mas a concorrência da colónia portuguesa do Brasil e as constantes rebeliões locais levaram a cultura agrícola ao declínio no século XVI. Assim sendo, a decadência açucareira tornou as ilhas entrepostos de escravos.

Numa das várias revoltas internas nas ilhas, um escravo chamado Amador, considerado herói nacional, controlou perto de dois terços da ilha de São Tomé. A agricultura só foi estimulada no arquipélago no século XIX, com o cultivo de cacau e café.

“A agricultura só foi estimulada no arquipélago no século XIX, com o cultivo de cacau e café”

Durante estes dois séculos do Ciclo do Cacau, criaram-se estruturas administrativas complexas. Elas compunham-se de vários serviços públicos, tendo a sua frente um chefe de serviço. As decisões tomadas por este tinham de ser sancionadas pelo Governador da Colónia, que para legislar, auxiliava-se de um Conselho de Governo e de uma Assembleia Legislativa. Durante muito tempo o governador foi o comandante-chefe das forças armadas, até que com a luita armada nos outros territórios sob o seu domínio, se criou um Comando Independente. Fora da sua alçada encontrava-se a Direção Geral de Segurança (DGS). O Governador deslocava-se periodicamente a Lisboa, para informar o governo colonial e dele trazer instruções. Na Ilha do Príncipe, em representação do Governo havia o administrador do Concelho com largas atribuições. A colónia estava dividida em dois concelhos, o de São Tomé, o do Príncipe, e em várias freguesias.

Em 1960, surge um grupo nacionalista opositor ao domínio português. Em 1972, o grupo dá origem ao Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe (MLSTP), de orientação marxista. Assim, em 1975, após perto de 500 anos de controlo de Portugal, o arquipélago é descolonizado.

Independência

Após a independência, foi implantado um regime socialista de partido único e as plantações são nacionalizadas sob a alçada do MLSTP. Dez anos após a independência (1985), inicia-se a abertura económica do país. Em 1990, adota-se uma nova constituição, que institui o pluripartidarismo. No ano seguinte, as eleições legislativas apresentam o Partido de Convergência Democrática – Grupo de Reflexão (PCD-GR) como grande vencedor, ao conquistar a maioria das cadeiras. A eleição para presidente contou com a participação de Miguel Trovoada, ex-primeiro-ministro do país que estava exilado desde 1978. Sem adversários, Trovoada foi eleito para o cargo. Em 1995 foi instituído um governo local na ilha do Príncipe, com a participação de cinco membros. Nas eleições parlamentares de 1998, o MLSTP incorpora no seu nome PSD (Partido Social Democrata) e conquista a maioria no Parlamento, o que tornou possível ao partido indicar o primeiro-ministro. Em 2001, Fradique de Menezes tornou-se presidente e prometeu mais colaboração com o parlamento. Em 2003 resistiu a uma tentativa de golpe.

Geografia

As ilhas que formam São Tomé e Príncipe estão situadas no Golfo da Guiné à altura da linha do equador, a perto de 250 km da costa noroeste do Gabão. São Tomé e Príncipe é uma continuação da linha vulcânica dos Camarões na África continental. Uma cadeia de ilhas estende-se desde o Monte Camarões, no continente, até ao mar, no sentido sudoeste, até Bioko, passando por Príncipe, São Tomé e Ano-Bom. Príncipe e São Tomé são ilhas oceânicas, isto é, vulcões que se erguem abruptamente do fundo do mar e rodeados por mares profundos. As ilhas foram formadas de meados ao final do período terciário. Príncipe tem 31 milhões de anos, enquanto São Tomé tem 15,7 milhões de anos.

A zona económica exclusiva do país faz fronteira com a Guiné Equatorial e o Gabão. No noroeste, ela se sobrepõe à da Nigéria. Em 2001, os dois países firmaram um acordo sobre uma zona de manejo comum para a exploração de recursos na área. As ilhas são íngremes, com uma zona de planície limitada. No sul e no oeste há altas montanhas de origem vulcânica, enquanto a paisagem se achata no extremo norte. As montanhas estão fortemente erodidas. O solo, com basalto e fonólito, é relativamente fértil. O Pico Cão Grande é um grande pico vulcânico, ao sul de São Tomé. Ele se eleva por mais de 300 m acima do terreno circundante e o cume é 663 m acima do nível do mar.

São Tomé tem 50 km de comprimento e 30 km de largura, sendo a mais montanhosa das duas ilhas principais do arquipélago. Seus picos atingem 2.024 m.: Pico de São Tomé. Príncipe tem perto de 30 km de comprimento e 6 km de largura. Seus picos atingem 948 m.: Pico de Príncipe. O Equador fica imediatamente a sul da ilha de São Tomé, passando sobre o ilhéu das Rolas.

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Subdivisões

São Tomé e Príncipe é um país constituído por duas ilhas principais e alguns ilhéus menores, e está administrativamente dividida em sete distritos. Em 2004, São Tomé e Príncipe contava com 139.000 habitantes e em 2012 com 178.739 habitantes. A ilha de São Tomé, cuja capital é a cidade de São Tomé, tem uma população estimada em 133.600 habitantes, segundo o censo de 2004, numa área de 859 km².

A ilha do Príncipe, cuja capital é Santo António, é a ilha menor, com uma área de 142 km² e uma população estimada em 5.400 habitantes (2004). Desde 29 de abril de 1995 que a ilha do Príncipe constitui uma região autónoma.

O ilhéu das Rolas fica a poucos metros a sul da ilha de São Tomé, e apresenta a particularidade de ser atravessado pela linha do Equador.

Apesar de estar consagrado na Constituição que os distritos devam ser governados por órgãos autárquicos eleitos, até ao momento realizaram-se poucas destas eleições em São Tomé e Príncipe, com regularidades de intervalo críticas.

Clima

São Tomé e Príncipe tem um clima do tipo equatorial, quente e húmido, com temperaturas médias anuais que variam entre os 22°C e os 30°C. É um país com uma multiplicidade de microclimas, definidos, principalmente, em função da pluviosidade, da temperatura e da localização. A temperatura varia em função da altitude e do relevo. Devido às montanhas e ao vento sudoeste, a maioria das precipitações cai ao sul e sudoeste das ilhas. Ao norte de São Tomé, o clima é mais seco, com paisagem de savana. Em São Tomé, 1.000 mm de precipitação cai no nordeste e 4.000 mm no sudoeste.

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As estações são controladas pela variação na zona de convergência intertropical. Há duas estações chuvosas que coincidem com o equinócio em março e setembro. Entre eles estão os meses de vento de maio a agosto e os meses de maior calor de dezembro a fevereiro. A estação seca é mais percetível no norte e leste e no sudoeste pode estar ausente por alguns anos. O padrão de ocupação afetou o clima e a vegetação. Isso aconteceu apenas quando as plantações de açúcar foram plantadas e a floresta ao norte da ilha foi limpa. Aqui, as áreas foram secas para que apenas grama e baobá cresçam.

Demografia

Do total da população de São Tomé e Príncipe, cerca de 180 mil vivem na ilha de São Tomé e sete mil e quinhentos na Ilha do Príncipe. Todos eles descendem de vários grupos étnicos que emigraram para as ilhas. As ilhas são uma antiga colónia portuguesa. Na década de 1970 houve dois fluxos populacionais significativos — o êxodo da maior parte dos 4000 residentes portugueses e o influxo de várias centenas de refugiados são-tomenses vindos de Angola. Os ilhéus foram na sua maior parte absorvidos por uma cultura comum luso-africana. Quase todos pertencem às igrejas Católica Romana, Evangélica, Nazarena, Congregação Cristã ou Adventista do Sétimo Dia, que, por sua vez, mantém laços estreitos com as igrejas em Portugal. População urbana: 65,1% e População rural: 34,9%.

Línguas e religiões

O português é a língua oficial e de facto nacional de São Tomé e Príncipe, sendo falada por perto de 98,4% da população do país, uma parte significativa dela como sua língua materna. Variantes reestruturadas de português ou crioulos portugueses também são falados como o forro, o crioulo cabo-verdiano (8,5%), o angolar (6,6%) e o principense (1%). O francês (6,8%) e inglês (4,9%) são as línguas estrangeiras ensinadas nas escolas.

As manifestações religiosas são imensamente complexas. Elas têm origem nos mais variados credos, pois se atendermos à gama de indivíduos de várias origens, facilmente se encontra a explicação deste facto. De acordo com o CIA-The World Factbook a população de São Tomé e Príncipe dividia-se, aquando dos censos de 2001, de acordo com as suas filiações religiosas da seguinte forma: 77,5% de Cristãos, (na sua maioria católicos: 70,3%), 3,1% seguem outras religiões e 19,4% são não religiosos.

Política

São Tomé e Príncipe é uma república semipresidencialista democracia representativa, o presidente é o chefe de Estado e o primeiro-ministro é o chefe de governo. A Constituição de 2003 é a principal lei do país, tendo sido adotada pela Lei n.º1/03, de 29 de janeiro de 2003. Outras normas jurídicas importantes do país são a Lei nº 8/1991 (Lei Base do Sistema Judiciário), a Lei nº 10/1991 (Estatuto dos Magistrados Judiciais) e a Lei nº. 5/1997 (Estatuto da Função Pública).

Partidos Políticos

  • MLSTP-PSD: Movimento de Libertação de São Tomé e Príncipe-Partido Social Democrata.
  • ADI: Ação Democrática Independente.
  • PCD-GR: Partido de Convergência Democrática–Grupo de Reflexão.
  • MDFM: Movimento Democrático Força de Mudança (Partido criado por Fradique de Menezes).
  • Outros partidos sem representação parlamentar.

Poder Legislativo

  • Unicameral: Assembleia Nacional, com 55 membros.
  • Constituição: 2003.

Economia e Saúde

São Tomé e Príncipe tem apostado no turismo para o seu desenvolvimento, mas a recente descoberta de jazidas de petróleo nas suas águas abriu novas oportunidades. A atividade pesqueira continua a ser uma das principais atividades económicas do país. O país continua também a manter estreitas relações bilaterais com Portugal.

São Tomé e Príncipe sofre uma taxa de mortalidade infantil bastante elevada (27% segundo a OMS, em 2015) e possui uma incidência muito significativa de doenças infeciosas e carências nutricionais nas causas de morte. A rede sanitária do país possui uma boa cobertura. Esta é constituída por Postos comunitários geridos pelos agentes de saúde comunitária, Postos de saúde a cargo de enfermeiro e Centros de saúde dirigidos por médicos, com alguns serviços diferenciados inclusive com hospitalização. O único hospital de referência denomina-se Hospital Dr. Ayres de Menezes, na capital, apresentando algumas deficiências nos cuidados de saúde prestados. Os serviços de saúde possuem unidades de internamento distritais em Caué (construída com o apoio da ONG portuguesa AMI, Lembá e na ilha do Príncipe e, ainda, centros de saúde nos restantes distritos. Os tratamentos mais diferenciados são encaminhados para o Gabão ou para Portugal.

Graças a fortes investimentos, em cooperação com a Organização Mundial da Saúde, entre 2000 e 2015 o paludismo, a doença mais mortal do mundo, não vitimou qualquer cidadão em São Tomé e Príncipe. Em consequência deste progresso o país recebeu três Prémios de Excelência entregues pela Aliança dos Líderes Africanos contra a Malária, pelo cumprimento do Objetivo de desenvolvimento do Milénio referentes à reversão da incidência da malária e de outras doenças até 2015.

Educação e Cultura

A nível superior existem neste momento as seguintes instituições:

  • Universidade de São Tomé e príncipe.
  • Instituto Universitário de Contabilidade, Administração e Informática (IUCAI)
  • Universidade Lusíada (Esta última é dependência da universidade privada portuguesa do mesmo nome).

No folclore são-tomense são de destacar a sobrevivência de dois autos renascentistas (século XVI): “A Tragédia do marquês de Mântua e do Príncipe D. Carlos Magno”, denominado localmente de “Tchiloli” e o “São Lourenço” (por ser representado no dia deste santo) e que é idêntico aos “Autos de Floripes” que ainda hoje é representado na aldeia das Neves, perto de Viana do Castelo.

A Cena Lusófona editou um livro, Floripes Negra, em que Augusto Baptista, ensaísta e fotógrafo, faz um levantamento sobre as origens do “Auto da Floripes” e as suas ligações com Portugal.

Património

Arquitetura religiosa

  • Igreja de Nossa Senhora do Rosário (ilha do Príncipe).
  • Sé Catedral (ilha de São Tomé).
  • Igreja de Madre Deus (ilha de São Tomé).

Arquitetura militar

  • Forte de Santo António (Ponta da Mina) (edificado depois de 1695 e reconstruído em 1809)
  • Fortaleza de São Sebastião (que hoje alberga o Museu Nacional de São Tomé e Príncipe) (1566) (cidade de São Tomé).
  • Forte de São Jerónimo (1613)
  • Forte de São José (1756)

Edificações do século XX

  • Cineteatro Marcelo da Veiga (cidade de São Tomé).
  • Liceu Nacional (cidade de São Tomé).
  • Arquivo Histórico (cidade de São Tomé).
  • Mercado Municipal (cidade de São Tomé).
  • Edifício da Companhia Santomense de Telecomunicações (cidade de São Tomé).
  • Antigo Bairro Salazar, hoje 3 de Fevereiro (cidade de São Tomé).

Património de origem portuguesa

  • Esculturas de Pêro Escobar, João de Santarém e João de Paiva reunidas em frente à Fortaleza de São Sebastião
  • Monumentos a Vasco da Gama e o das Comemorações Henriquinas de 1960 situados na marginal da cidade de São Tomé.
  • Edificações do séc. XIX e XX, designadas por “Roça” implantadas um pouco por todo o território. De cariz agrícola dispunham além das áreas habitacionais, de valências industriais, saúde, educação, produção e transformação agrícola e industrial.

Património científico

  • Padrão do Equador no Ilhéu das Rolas (1936).

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um cinema-fórum, para analisar o fundo (mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Filipe Santo, importante músico de São Tomé e Príncipe. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros, CD e monografias.

Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino uma audição musical, a que assistam estudantes e professores. Previamente faremos uma escolha de cantares e peças musicais de Filipe Santo, tomadas dos seus álbuns e CD, que chegou a editar dentro da sua discografia.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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