Morre o linguista português João Malaca Casteleiro



joao-malaca-casteleiroO linguista João Malaca Casteleiro, figura central na elaboração do novo Acordo Ortográfico, morreu aos 83 anos a passada sexta-feira dia 7 de fevereiro, na cidade de Lisboa.
Nascido em Teixoso (Covilhã), Portugal em 29 de agosto de 1936, era professor catedrático da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Diretor de investigação do Centro de Linguística da Universidade de Lisboa, e conselheiro científico do Instituto Nacional de Investigação Científica, presidiu ao Conselho Científico da Faculdade entre 1984 e 1987. Tinha coordenado e colaborado em diversos projectos de investigação e de edição, em Portugal e noutros países, em articulação com organismos como o Conselho da Europa, os Serviços de Educação do Governo de Macau e o Ministério da Educação, entre outros.

Membro da Academia das Ciências de Lisboa desde 1979, foi presidente do seu Instituto de Lexicologia e Lexicografia entre 1991 e 2008. Ao longo da sua carreira de professor orientou mais de meia centena de teses de doutoramento e de mestrado.

João Malaca Casteleiro foi o responsável pela versão portuguesa do Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, bem como coordenador científico do Dicionário da Língua Portuguesa Contemporânea da Academia das Ciências de Lisboa, publicado em 2001, e do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa editado pela Porto Editora em Outubro de 2009.

Em representação da Academia das Ciências de Lisboa, Malaca Casteleiro fez parte da delegação portuguesa ao Encontro de Unificação Ortográfica da Língua Portuguesa, realizado na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, em maio de 1986, com presença de Isaac Alonso Estraviz, José Luís Fontenla e Adela Figueroa Panisse, em representação da Galiza. Participou também no Anteprojeto de Bases da Ortografia Unificada da Língua Portuguesa, em 1988, tendo visitado a maior parte dos países da CPLP nesse ano, criando as condições que conduziram ao Acordo Ortográfico de 1990, firmado nesse ano, em 12 de outubro, na Sala de Reuniões Internacionais da Academia das Ciências de Lisboa, com a adesão da Delegação de Observadores da Galiza, representada nessa ocasião por José Luís Fontenla e António Gil Hernández.

A Academia Galega da Língua Portuguesa exprimiu publicamente pesar polo falecimento.


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    Grande pessoa e um extraordinário amigo da Galiza e do movimento reintegrador, sempre disposto a botar uma mão em quanto projeto a prol da língua, se lhe apresentar.
    Na Galiza muito mais lhe devemos, do que o pessoal possa imaginar.
    Como homem que além de científico, amava a terra e as suas produções, que a terra lhe seja leve.