ALDEIAS DE ORDES

Entre a trincheira e a carvalheira



para a tia Maria

Durante a II República Gundibom nom ficou à margem dos numerosos processos de auto-organizaçom popular que luitavam contra as dessigualdades e pola melhora do agro. A Sociedad Agraria de la parroquia de Santa Cruz de Montaos estava domiciliada em Guindibom e o seu presidente era José Castro, vizinho de Queis que também foi concelheiro da Esquerda Republicana no governo da Fronte Popular de Ordes5Manuel Cores era o secretário, Julio Caamaño Villasenín o contador e Ramón Figueira Pazo e Antonio Villasenín Pena os vogais, todos eles apelidos comuns em Guindobom e Montaos ainda hoje. O golpe de Estado de 1936 clausurou pola força a sociedade e usurpou os seus bens, mas os de Guindibom nom se renderam. No 14 de abril de 1948, tal e como figeram os de Ardemil dous anos antes, lembraram a república com a voadura “doutra serie de postes telefónicos perto de Guindibóo de Arrriba -Santalla de Pereira- Ordes”, deixando as autoridades incomunicadas e dizendo-lhe à Ditadura que ali nom se rendera ninguém, que a luita continuava6.

A cada 13 de junho a gente de Guindibom continua a juntar-se para festejar o Santo António na carvalheira que rodeia umha formosa e humilde ermida, que mesmo parece dumha cantiga medieval.

Ermida de Santo António de Guindibom.

Ermida de Santo António de Guindibom.

1 É interessante esta pronunciaçom “bom”, porquanto o dialeto da zona sempre indica “bo”.

2 Manuel Lucas Álvarez, San Paio de Antealtares, Soandres y Toques: Tres monasterios medievales gallegos, Sada, Ediciós do Castro, 2001, pp. 82 e 205.

3 Higino Martins Estêvez, As tribos calaicas. Proto-história da Galiza à luz dos dados linguísticos, San Cugat del Vallés, Edições da Galiza, 2008, p. 180.

4 Ibidem, pp. 208-209.

5 Pazos Gómez, 2001, p. 16.

6 Harmut Heine, A guerrilla antifranquista en Galicia, Vigo, Xerais, 1980, p. 182; Mundo Obrero, 1 de maio de 1948; El Ideal Gallego, 15 de dezembro de 1948.

Carlos C. Varela

Carlos C. Varela

Carlos Calvo Varela (Ordes, 1988) colaborou e colabora com diveros meios de comunicaçom, entre os quais Novas da Galiza, Praza Pública e o Portal Galego da Língua. Estudante de Antropologia e investigador, tem publicado numerosos artigos em portais web, revistas e livros, além de realizar um reconhecido labor como dinamizador social e cultural em coletivos de Compostela e Ordes.
Carlos C. Varela

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