Elis Regina, excelente representante da nova canção brasileira



elis-regina-foto-0 Dentro da série que estou a dedicar às mais importantes personalidades da Lusofonia, onde a nossa língua internacional tem uma presença destacada, e, por sorte, está presente em mais de doze países, sendo oficial em oito, dedico o presente depoimento, que faz o número 138 da série geral que iniciei com Sócrates, a uma extraordinária cantora popular do Brasil, conhecida como Elis Regina, e considerada por muitos como a melhor cantora desde 1960 da “Nova Canção” brasileira. Com este depoimento, a ela dedicado, completo o número vinte e seis da série lusófona.

PEQUENA BIOGRAFIA

A brasileira Dilva Frazão, autora de destacadas biografias, publicou no seu dia uma dedicada a Elis Regina, que tenho por bem reproduzir, por considerá-la muito acertada.

Elis Regina (1945-1982) foi uma cantora brasileira. Por sua performance versátil, foi considerada a maior cantora do Brasil. É Também reconhecida pela sua forma de expressão altamente emotiva, tanto na interpretação musical quanto em seus gestos.
Elis Regina de Carvalho Costa (1945-1982) nasceu em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, no dia 17 de março de 1945. Começou a cantar, com onze anos de idade, no programa “No Clube do Guri“, na Rádio Farroupilha, apresentado por Ari Rego. Em 1960 foi contratada pela Rádio Gaúcha e em 1961, com 16 anos de idade lançou seu primeiro disco, “Viva a Brotolândia“. Em 1964, já se apresentava no eixo Rio São Paulo. Assinou contrato com a TV Rio, para se apresentar no programa “Noite de Gala“. Sob a direção de Luís Carlos Miéle e Ronaldo Bôscoli, Elis Regina se apresenta no “Beco das Garrafas”, reduto da Bossa Nova. Nesse mesmo ano muda-se para São Paulo. Em 1965, fez a sua estreia no festival da Record com a música “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes. Recebeu o Prêmio Berimbau de Ouro e o Troféu Roquette Pinto. Foi eleita a melhor cantora do ano.
Entre 1965 e 1967, ao lado de Jair Rodrigues, apresentou o programa “O Fino da Bossa“, na TV Record em São Paulo. O programa gerou três discos. O primeiro “Dois na Bossa” vendeu um milhão de cópias. Em 1968, se apresentou duas vezes no Olympia de Paris. Elis Regina tinha um gênio forte, recebeu o apelido de Pimentinha. Era uma artista eclética, interpretava canções de vários estilos, como MPB, jazz, rock, bossa nova e samba. Levou à fama, cantores importantes como Milton Nascimento, João Bosco e Ivan Lins. Fez dueto com Tom Jobim e Jair Rodrigues, entre outros.
Entre os seus álbuns estão: “Em Pleno Verão” (1970), “Elis e Tom” (1974), e “Saudade do Brasil” (1980). Entre suas músicas mais interpretadas estão: “O Bêbado e a Equilibrista“, “Como Nossos Pais“, “Madalena” e “Casa no Campo“. Curiosamente a sua voz foi colocada no patamar de instrumento musical na Ordem dos Músicos do Brasil, tamanha era a sua capacidade vocal.
De sua união com Ronaldo Bôscoli nasceu João Marcelo Bôscoli (1970). E de sua união com César Camargo Mariano nasceram, Pedro Camargo Mariano (1975) e Maria Rita (1977). Elis Regina faleceu com apenas 36 anos, em São Paulo, no dia 19 de janeiro de 1982. Sua morte foi decorrente do consumo de cocaína e o uso exagerado da bebida alcoólica.

Para conhecer muitos mais dados da vida e obra de Elis Regina é recomendável ler a ampla informação que se apresenta aqui.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIOS

0. Trinta anos da morte de Elis.
Duração: 31 minutos. Ano 2014.

Globo News especial, um documentário em relação aos trinta anos da morte de Elis Regina. Depoimentos de Luiz Carlos Miele, João Marcelo, Maria Rita. A genialidade de Elis, sua emoção em relação à profissão.

1. Elis Regina. Última entrevista. Jogo da verdade.
Duração: 50 minutos. Ano 2012.


No dia 5 de janeiro de 1982, Elis Regina era a convidada do programa Jogo da Verdade apresentado pelo jornalista Salomão Esper. O formato sugeria 3 entrevistadores e perguntas de outras personalidades. Um êxito em matéria de interatividade. Recurso muito usado.

2. Elis ao vivo (álbum completo de 1995).
Duração: 65 minutos. Ano 2016.

3. Elis Regina. Por toda minha vida. 38 anos sem Elis.
Duração: 65 minutos. Ano 2013.

4. Elis Regina. Especial Viva a música popular brasileira.
Duração: 80 minutos. Ano 2012.


5. Elis Regina. As melhores.
Duração: 33 minutos. Ano 2017.

6. Elis Regina e Antônio Carlos Jobim.
Duração: 38 minutos. Ano 2018.

7. Elis Regina. Vinte anos de saudade.
Duração: 50 minutos. Ano 2012.


Documentário realizado sobre a cantora Elis Regina, na ocasião dos 20 anos de falecimento. Direção de Dimas Oliveira Junior e Luis Felipe Harazim. Ano 2002. Produção de Branca Regina Rosa e Realização da STV REDE SESC SENAC DE TELEVISÃO.

Em 2016 foi realizado um filme no Brasil, sob o título de Elis, dirigido por Hugo Prata, a cores e com uma duração de 110 minutos, em que se recolhe a biografia de Elis Regina. Ampla informação sobre o mesmo pode ser consultada aqui.

CONSIDERADA COMO A MAIOR CANTORA DO BRASIL

Recolhemos um depoimento sobre Elis Regina, segundo o que muitos dos críticos musicais brasileiros a consideram como uma imensa cantora, que chegou a pronunciar aquela frase de que “A coisa mais importante do mundo é a minha casa!”

As interpretações apaixonadas, a enorme popularidade, o temperamento explosivo e a morte prematura, aos 36 anos, por overdose de cocaína e álcool, fizeram de Elis um mito.

A plateia gritou histérica quando Elis levantou e girou os braços ao redor de si mesma, como se fosse um helicóptero, enquanto cantava “Arrastão”, de Edu Lobo e Vinícius de Moraes. Era a primeira vez que aparecia para o grande público, no I Festival da TV Excelsior, em 1965, mas a julgar pelo comportamento da plateia, tudo levava a crer que ela fosse uma estrela consagrada. Apesar de ter apenas 20 anos, Elis Regina de Carvalho Costa era uma veterana, pois já cantava havia pelo menos seis anos. A gaúcha de Porto Alegre que começou a cantar nas rádios aos 14 anos, era chamada de Pimentinha por Vinícius de Moraes, e de Hélice, mas preferia o merecido apelido de “A Voz do Brasil”.
Considerada uma das maiores cantoras brasileiras de todos os tempos, nunca houve uma intérprete com tanto carisma. As interpretações apaixonadas, a enorme popularidade, o temperamento explosivo e a morte prematura, aos 36 anos, por overdose de cocaína e álcool, fizeram de Elis um mito. Sua relação com as drogas foi rápida e fulminante. Assim como sua carreira. Em pouco menos de 20 anos, gravou 31 discos com o melhor que a MPB já produziu. A sua ampla discografia pode ser consultada aqui. São clássicas na voz de Elis as gravações de “Como Nossos Pais”, de Belchior, “Travessia”, de Milton Nascimento, e “Águas de Março”, de Tom Jobim. A carreira internacional só não vingou porque a estrela não suportava ficar muito tempo longe do Brasil. No Olympia, em Paris, voltou ao palco seis vezes atendendo aos pedidos de bis da plateia. Com os dois maridos, os músicos Ronaldo Bôscoli e César Camargo Mariano, teve relacionamentos conturbados. Mas cuidou intensamente dos filhos – João Marcelo, do primeiro casamento, e Pedro e Maria Rita, do segundo – enquanto pôde. Amada e idolatrada, Elis deixou saudade. Sua morte repentina, em janeiro de 1982, chocou o Brasil. “Não tenho tempo para desfraldar outra bandeira que não seja a da compreensão, do encontro e do entendimento entre as pessoas”, disse Elis, poucos meses antes de sua morte.

LETRA DA SUA CANÇÃO ÁGUAS DE MARÇO

É pau, é pedra
É o fim do caminho
É um resto de toco
É um pouco sozinho
É um caco de vidro
É a vida, é o sol
É a noite, é a morte
É um laço, é o anzol
É peroba do campo
O nó da madeira
Caingá, Candeia
É o matita-pereira
É madeira de vento
Tombo da ribanceira
É um mistério profundo
É o queira ou não queira
É o vento ventando
É o fim da ladeira
É a viga, é o vão
Festa da Cumieira
É a chuva chovendo
É conversa ribeira
Das águas de março
É o fim da canseira
É o pé é o chão
É a marcha estradeira
Passarinho na mão
Pedra de atiradeira
Uma ave no céu
Uma ave no chão
É um regato, é uma fonte
É um pedaço de pão
É o fundo do poço
É o fim do caminho
No rosto o desgosto
É um pouco sozinho
É um estrepe, é um prego
É uma ponta, é um ponto
É um pingo pingando
É uma conta, é um conto
É um peixe, é um gesto
É uma prata brilhando
É a luz da manhã
É o tijolo chegando
É a lenha, é o dia
É o fim da picada
É a garrafa de cana
Estilhaço na estrada
É o projeto da casa
É o corpo na cama
É o carro enguiçado
É a lama, é a lama
É um passo é uma ponte
É um sapo, é uma rã
É um resto de mato
Na luz da manhã
São as águas de março
Fechando o verão
É a promessa de vida
No teu coração.

 

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um cinema-fórum, para analisar o fundo (mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.
Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Elis Regina, uma das mais importantes representantes da “Nova Canção” brasileira. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros, CDs, DVDs e monografias.
Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino uma Audição Musical de cantares de Elis Regina, fazendo antes uma escolha de canções da sua vasta discografia, que imos escuitar entre todos, escolares e docentes. Entre cado dous ou três cantares, é bem fazer alguns comentários sobre a sua vida e a sua obra, e a temática das suas canções.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.


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