Daíse Lima: “Escrever sempre foi a porta que eu abri/abro para dar vazão aos meus sentimentos”

A Sociedade brasileira de escritoras e escritores vivos apresenta uma poeta de olhar aguçado para o cotidiano.



Dando continuidade à série “A Sociedade Brasileira de escritoras e escritores vivos”, o Espaço Brasil conversou com a poeta Daíse Lima.

daise_lima_3Nascida em Itaberaba, na Bahia, desde muito cedo Daíse Lima morou em São Paulo e, ainda muito pequena gostava de imaginar histórias e poemas e, aos poucos, foi moldando a escritora que nos respondeu com muito afeto as perguntas da entrevista abaixo.
Em tempo, o nome correto é Daíse, com a sílaba tônica na letra i, não é Deise ou Daise. E ela, está bem preparada para receber convites para eventos ou lançamentos na Galiza e em toda lusofonia.

Você tem dois livros publicados, um de poesia e um de crônicas. Como surgiu o interesse (ou a necessidade) de escrever?

Eu escrevo desde que aprendi a escrever. Mas, boa parte da minha infância eu não escrevi. Só imaginava histórias na minha cabeça e criava milhares de  personagens. Quando entrei na adolescência, eu sentia um vazio muito grande no peito. Um turbilhão de sentimentos que eu não conseguia lidar. Até que percebi que quando eu escrevia o que eu sentia, aquilo me aliviava. Comecei a escrever poesias. Várias. Muitas. Eram cadernos e mais cadernos de poesias/desabafos. Das poesias eu comecei a escrever histórias, todas com personagens juvenis. Eu ia intercalando entre poesias e romances. Fui amadurecendo e passei um bom tempo só escrevendo poesias. Poesias de amor, de tristezas, alegrias, tristezas… Todos os sentimentos misturados. E fiquei muitos anos assim, até redescobrir a vontade de escrever contos, crônicas e romances. Então posso dizer que, escrever para mim, sempre foi uma necessidade. Sempre foi a porta que eu abri/abro para dar vazão aos meus sentimentos.

Então posso dizer que, escrever para mim, sempre foi uma necessidade. Sempre foi a porta que eu abri/abro para dar vazão aos meus sentimentos.

 O livro “As crônicas da observadora crônica”(2017) pode ser considerado autobiográfico? O transporte urbano é um universo rico para a literatura?
Siiiiim. Ele é totalmente autobiográfico. Ele é o meu olhar de dentro das muitas viagens de ônibus que fiz e faço na minha vida. E com certeza… Com toda a certeza, o transporte urbano é um universo riquíssimo para a literatura. Nele você pode e vai encontrar todos os tipos de personagens. Em cada viagem, com o olhar e ouvidos atentos, você vai encontrar pessoas/livros para escrever para o resto da sua vida. Por isso que eu não compro um carro. E também porque eu não tenho dinheiro. Hahahaha

cronicas_livroA literatura brasileira produzida pelas mulheres está tendo maior visibilidade atualmente?
Eu acredito que sim. Apesar de que ainda falta um longo caminho. Mas, vejo que na minha adolescência eu conhecia pouquíssimas escritoras. Hoje, você vai em uma livraria e posso dizer que já temos centenas de nomes conhecidos, desconhecidos, despontando… Isso é ótimo. E que cresça cada vez mais.

A escritora Conceição Evaristo afirmou que “Minha escrita é contaminada pela minha condição de mulher negra”. A sua também?
Sim. E não. Digo que não porque esse tema não é muito recorrente na minha escrita. Apesar de ter na pele a condição, sinto que me falta uma bagagem maior para falar do assunto com propriedade.

Você é uma das mediadoras das Brilha Preta – Oficinas de Escritas, da Encruzilhada Estrela Dalva. Por favor, conte como foi o primeiro encontro.
Conheço o Rafa Carvalho de algumas andanças literárias. Nos cruzamos no caminho da arte da nossa cidade algumas vezes e ele me fez o convite. Fiquei muito honrada.

Quais são seus próximos projetos?
Estou nesse momento terminando de escrever um romance infanto-juvenil. Pretendo escrever outro livro de crônicas e esse ano, agora com a diminuição da pandemia, voltar a frequentar os saraus.

Existe previsão de lançamento de seus livros na Galiza ou outro país da Europa?
Não tenho previsão. Nunca imaginei que o meu livro poderia voar tão longe. Mas eu adoraria que ele pudesse conhecer a Galiza e toda a Europa. Nossa! Seria muito mais do que eu sonhei. E como disse o poeta: “Os sonhos não envelhecem”. Passei a sonhar com isso agora. Quem sabe um dia meus livros não batam as asas por aí? Tomara!

A escritora por ela mesma:
Meu nome completo é Daíse de Jesus Lima, mas uso só Daíse Lima. Nasci no estado da Bahia, na cidade de Itaberaba. Mas, moro em São Paulo desde pequena. Comecei várias faculdades e não concluí nenhuma. Não me encontrei em nenhuma delas. Hoje eu trabalho em uma empresa de tecnologia da informação. Faço parte do time comercial. Sou mãe de uma cachorrinha muito bagunceira conhecida como Cocozinha, Safadinha. Amor da mamãe, Amor…

Instagram – @daisejlima
Facebook – https://www.facebook.com/daise.lima.792


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