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Cristóvão Tezza recebe o Prêmio Machado de Assis 2026

A Academia Brasileira de Letras anunciou o escritor Cristóvão Tezza como vencedor do Prêmio Machado de Assis 2026, distinção atribuída anualmente pelo conjunto da obra.

A entrega será realizada em 23 de julho, durante as comemorações dos 129 anos da instituição.

Autor de mais de vinte livros, Tezza é um dos nomes centrais da literatura brasileira contemporânea. A sua obra inclui romances como Trapo (1988), Juliano Pavollini (1992), Breve espaço entre cor e sombra (1998), O fotógrafo (2004), O professor (2014), A tirania do amor (2018) e A tensão superficial do tempo (2020).

O maior reconhecimento da sua carreira veio com O filho eterno (2007), romance que conquistou os principais prêmios literários do Brasil, entre eles o Jabuti, o Portugal Telecom — hoje Oceanos —, o Bravo!, o APCA e o São Paulo de Literatura. A obra foi posteriormente adaptada para o cinema e para o teatro, alcançando leitores e espectadores dentro e fora do país.

Além da ficção, Tezza desenvolveu uma produção significativa como cronista, ensaísta e estudioso da literatura. Entre os seus livros de não-ficção destacam-se O espírito da prosa (2012), reflexão sobre a formação de um escritor, e as coletâneas de crônicas Um operário em férias (2013) e A máquina de caminhar (2016).

O seu trabalho mais recente é Visita ao pai (2025), publicado pela Companhia das Letras. Definido pelo autor como um “romance da memória”, o livro parte de cadernos e da correspondência deixados pelo pai, para investigar as relações entre lembrança, identidade e escrita.

Ao anunciar a escolha de Cristóvão Tezza, a Academia Brasileira de Letras reconhece uma trajetória literária construída ao longo de mais de quatro décadas e que ajudou a consolidar uma das obras mais relevantes da literatura em língua portuguesa produzida no Brasil contemporâneo.

Em novembro de 2008, entrevistei Cristóvão Tezza para o Portal Galego da Língua. Naquele momento, o escritor catarinense acabava de conquistar os principais prêmios literários do Brasil com O filho eterno e vivia o auge de um reconhecimento que ultrapassaria rapidamente as fronteiras do país. Perguntado sobre a reforma ortográfica, respondeu com uma frase que permanece atual: “A reforma ortográfica mantém politicamente os laços entre os países lusófonos”.

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