NICOLAU COPÉRNICO PARA CELEBRAR O DIA DA TERRA



Dia da Terra ou Dia Mundial do Planeta Terra é comemorado a 22 de abril em todo o mundo. A data representa a luita em defesa do meio ambiente, de modo a promover a reflexão sobre a importância do planeta, a partir do desenvolvimento de uma consciência ambiental. Com aproximadamente 5 mil milhões de anos e 6 mil milhões de habitantes, o planeta Terra é a nossa casa. Por esse motivo, devemos cuidar e preservar os seus recursos naturais. Hoje, sabemos que os recursos naturais oferecidos pelo planeta Terra são finitos. Por isso, eles devem ser explorados de forma sustentável e o Dia da Terra é uma oportunidade de discutir temas ambientais e sensibilizar a população sobre a importância de conservação do planeta. Começando pelas aulas escolares dos diferentes níveis do ensino, organizando atividades didáticas lúdicas e artísticas dedicadas a tão importante tema.

A data foi criada por meio de um protesto ambiental que ocorreu em 1970, liderado pelo ativista ambiental e senador estadunidense Gaylord Nelson (1916-2005). A manifestação acerca dos temas ecológicos ocorreu em 22 de abril de 1970 nas cidades de Washington, Nova York e Portland; daí a escolha da data para comemoração do Dia da Terra. Com o auxílio de diversas comunidades educacionais, somando aproximadamente 20 milhões de pessoas, o ativista realizou um grande movimento com passeatas e discursos que alertavam sobre as questões ambientais. Alguns dos temas abordados foram a poluição, destruição do ambiente, desmatamento e efeito estufa.

estatua copernico

A intenção também era pressionar o governo e assim, atingir alguns de seus objetivos. Após oito meses do evento, foi criado um órgão responsável pelos assuntos ambientais denominado de Agência de Proteção Ambiental (Environmental Protection Agency), também foram implementados e executados diversos projetos. Esse momento representou um marco da história da ecologia. A partir daí muitos encontros, conferências, debates foram sendo criados em torno da questão ambiental, como a Conferência de Estocolmo celebrada em 1972. No entanto, essa data foi implementada pela ONU quase 4 décadas após o movimento, ou seja, no ano de 2009. Além disso, ela foi nomeada como Dia Internacional da Mãe Terra. Para lembrar data tão assinalada, dentro da série dedicada a grandes vultos da humanidade iniciada com Sócrates, escolhi a grande figura de um astrónomo e matemático como Nicolau Copérnico. Com ele completo o número 96 da série.

No âmbito escolar também se deve promover a reflexão sobre os temas ambientais, especialmente nesta data tão importante. Para tanto, pode-se elaborar cartazes sobre as principais ações que envolvem o desenvolvimento sustentável, realizar debates sobre a importância dessas ações ou convidar profissionais para discutir o assunto com a comunidade escolar. Algumas atividades práticas também podem ser incluídas como: distribuição e plantio de mudas, limpeza de áreas verdes e gincanas ambientais.

PEQUENA BIOGRAFIA

A professora brasileira Rosimar Gouveia escreveu no seu dia uma interessante biografia de Copérnico, que tenho por bem reproduzir a seguir. Nicolau Copérnico, um dos pais da astronomia moderna, nasceu em Tourum, na Polônia, em 19 de fevereiro de 1473. Seu nome de batismo era Mikolaj Kopernik.

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Copérnico era monge, matemático e astrônomo. É autor da Teoria Heliocêntrica, segundo a qual o Sol é o centro do sistema solar. Até então, a Igreja Católica, que controlava o poder religioso, político e econômico na Idade Média, adotava a Teoria Geocêntrica, em que a Terra era o centro do universo. Essa teoria tinha como base os estudos de Aristóteles e foi elaborada por Cláudio Ptolomeu, um astrônomo e geógrafo do século II. Por isso, também era chamada de Teoria Ptolomaica.

Nicolau Copérnico ficou órfão aos 10 anos de idade e foi criado por seu tio materno Lucas Watzelrode, que se tornou mais tarde bispo de Ermland. Entrou em 1491 na Universidade de Cracóvia, onde estudou artes liberais e também Matemática e Astronomia. Mais tarde estudou grego na Universidade de Bolonha. Frequentou ainda a universidade de Pádua onde se formou em Medicina e da universidade de Ferrara recebeu o título de Doutor em Direito Canônico. Retornou em 1501 à Polônia, local em que assumiu as funções de cônego de Franenburg e onde exerceu também a medicina. Trabalhando de maneira paralela como astrônomo, construiu um precário observatório para estudar o movimento dos corpos celestes.

Os resultados, contudo, só eram apresentados para amigos que receberam em 1507 um modelo cosmológico, mas nada era oficial. Em 1515 começou a escrever sua principal obra De Revolutionibus Orbium Coelestium”, que só foi publicada no ano de sua morte.

A SUA TEORIA NA SUA OBRA

Em sua obra, Copérnico afirma que a Terra não está fixa no centro do universo, e sim girando em uma órbita circular ao redor do Sol, assim como os demais planetas. Apesar do erro com relação à órbita circular dos planetas, a sua teoria heliocêntrica abriu caminho para a busca de uma maior compreensão do universo. Deduziu, após sucessivos cálculos matemáticos, que é a Terra o corpo celeste que executa um movimento completo em torno do próprio eixo, explicando o porquê do dia e da noite. Copérnico também ordenou os planetas por suas distâncias em relação ao Sol e concluiu que quanto menor a órbita, maior a velocidade orbital.

As teorias de Nicolau Copérnico só foram apresentadas em 1530 em um manuscrito chamado Revolutionibus Orbium Coelestium (Das Revolução dos Corpos Celestes). A publicação só foi permitida em 1540, sob a responsabilidade de George Joaquim Rhäticus, discípulo de Copérnico. Foi somente em 1543, que Rhäticus conseguiu permissão de Copérnico para imprimir e fazer circular em Nuremberg a obra completa de seu mestre. Apresentada de maneira científica e não mais como uma hipótese. O prefácio da publicação era de autoria do papa Paulo III, mas fora substituído por outro, assinado por Andreas Osiander. Nela, ele apontava a teoria de Copérnico ainda como uma hipótese. Dividida em seis volumes, a obra apontava que todos os planetas, inclusive a Terra, giravam em torno do próprio eixo e ao redor do Sol. Os historiadores não têm consenso se Copérnico conseguiu ver o primeiro volume da obra Das Revoluções dos Corpos Celestes. A impressão ocorreu no ano de sua morte, em 24 de maio de 1543.

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A Santa Inquisição tomou cartas no assunto. Os estudos de Copérnico demoraram 30 anos e sua prudência era justificada também pelas constantes condenações da Igreja a quem questionasse suas doutrinas oficiais. Em geral, as condenações resultavam em morte sob a acusação de heresia pela Inquisição. Os questionamentos à teoria que colocava a Terra no centro do Universo eram um embate direto ao pensamento religioso. Isso tirou, além do planeta, o próprio homem do centro do universo.

Entre os principais dogmas da Igreja Católica está o de que o homem é feito à imagem e semelhança de Deus, estando, portanto, no centro do universo. Somente 20 anos após a divulgação dos primeiros comentários de Copérnico, que o frade dominicano Giordano Bruno revelou seus estudos sobre o universo infinito. Ele foi condenado à morte pela inquisição. O estudioso Galileu Galilei, que viveu entre 1564 e 1642, conseguiu comprovar a Teoria Heliocêntrica de Nicolau Copérnico. Galileu, porém, negou os estudos por receber ameaça de excomunhão e morte pela Santa Inquisição. Mais tarde, Isaac Newton (1642 a 1727), explicou a base física da gravitação dos planetas ao redor do Sol. Ainda assim, o Vaticano manteve a ideia do geocentrismo até 1835. O Papa Gregório XVI mandou retirar a obra das Revoluções dos Corpos Celestes da lista dos livros censurados pela Santa Sé e admitiu o erro dos antecessores.

FRASES FAMOSAS DE COPÉRNICO

    “Saber que sabemos o que sabemos, e saber que não sabemos o que não sabemos, esta é a verdadeira sabedoria”.

   “Não estou tão encantado com minhas próprias opiniões para ignorar o que os outros possam pensar delas”.

   “A ciência é filha da verdade e não da autoridade”.

 

FICHAS TÉCNICAS DOS FILMES E DOCUMENTÁRIOS

  1. Copérnico.

     Realizadores: Ewa Petelska e Czeslaw Petelski (Polónia, 1973, 128 min., cor).

     Roteiro: Jerzy Broszkiewicz e Zdzislaw Skowronski.

     Fotografia: Stefan Matyjaszkiewicz. Música: Jerzy Maksymiuk.

     Argumento: A vida do famoso astrónomo polaco. Interpretada por atores da Polónia.

  1. A Estrela de Copérnico.

     Direção e Roteiro: Zdzislaw Kudla e Andrzej Orzechowski (Polónia, 2009, 94 minutos, cor).

     Longa-metragem de desenhos animados.

     

     Argumento: Copérnico aprendeu a apreciar o céu com seu pai, um próspero comerciante de Praga que dizia que cada ser vivo tem sua estrela. Sua curiosidade infantil foi aguçada pelo astrólogo holandês Paul van de Volder. Mais tarde, aprofundando seus estudos na Universidade da Cracóvia, pôs em questão as diferenças entre a astronomia e a astrologia e acabou desvendando o funcionamento do Sistema Solar e abalando as explicações religiosas da época. Baseado na história de Nicolau Copérnico, o astrônomo e matemático que formulou a teoria heliocêntrica.

  1. Esferas celestes: Nicolau Copérnico e a Astronomia Moderna.

     Realizador: Ismael de Lima Jr. (Brasil, 2009, documentário editado em DVD).

     

  1. Um pouco sobre tudo: um pouco sobre a história de Nicolau Copérnico.

     Duração: 4 minutos. Ano 2016.

     

  1. Nicolau Copérnico.

     Duração: 4 minutos. Ano 2015.

     

  1. Quero saber: Nicolau Copérnico.

     Duração: 4 minutos. Ano 2014.

     

  1. Investigue com o pesquisador: Nicolau Copérnico.

     Duração: 5 minutos. Ano 2014.

     

  1. Heliocentrismo de Nicolau Copérnico.

     Duração: 3 minutos. Ano 2015.

     

  1. Trabalho de Física: Nicolau Copérnico.

     Realizadora: Dani Azevedo (Brasil, 2012, 4 minutos, cor).

     

  1. Nicolau Copérnico e o Sistema Heliocéntrico.

     Duração: 15 minutos. Ano 2015. Realizador: Jackson Silva (Brasil).

     

CINCO IDEIAS PARA COMEMORAR O DIA MUNDIAL DA TERRA

O Dia Mundial da Terra foi criado para marcar o primeiro protesto contra a poluição, que aconteceu em 1970, nos Estados Unidos. A data é uma ótima oportunidade para refletir junto com os filhos e escolares sobre a educação ambiental, bem como outras ações que podemos colocar em prática para preservar o nosso planeta. Como o objetivo do Dia da Terra é incentivar valores ecologicamente corretos, listamos 5 ideias para celebrar o evento com atividades que, além de divertir, ensinam sobre ecologia e o meio ambiente.

  1. Plantar uma árvore:

A árvore é um elemento simbólico do Dia da Terra. As plantas têm um papel fundamental para o meio ambiente, pois são capazes de reter dióxido de carbono, diminuir a poluição do ar, além de nos oferecer alimentos e sombra. Que tal escolher um cantinho do jardim da casa ou da escola, condomínio ou praça para plantar uma mudinha? Já se pensou que é legal ter um pé de fruta que nós mesmos plantamos? Aproveitemos também para falar sobre ecologia com os nossos filhos e com os alunos. Usemos a árvore como exemplo para refletir sobre o Dia da Terra, tocando em assuntos como conservação das florestas e a importância de semear e repor aquilo que retiramos da natureza. Plantar uma árvore no Dia da Terra pode ser uma experiência e tanto para os filhos e escolares, uma lembrança que certamente vai ficar na memória e alegrar o seu jardim e o horto escolar.

  1. Apreciar a natureza:

Organizar atividades do Dia da Terra é uma maneira de revelar um mundo novo de descobertas. Uma boa ideia é passar um fim de tarde na praça ou no parque para os pequenos observarem os pássaros, os insetos, as plantas e as flores em seu habitat natural. A natureza oferece os melhores exemplos em tempo real. Por isso, durante o passeio devemos procurar explicar sobre a interdependência da flora e da fauna, e como os animais dependem do equilíbrio do meio ambiente para se reproduzir e sobreviver. Por exemplo, no Dia Internacional da Terra, devemos falar aos filhos e aos escolares sobre a relação da abelha com as flores na feitura do mel, ou do papel das árvores na manutenção da biodiversidade do planeta. A ocasião é perfeita para complementar o aprendizado das crianças. É bom organizar passeios escolares.

  1. Uma boa ação para conscientizar:

Uma outra boa atividade para o Dia Mundial da Terra é organizar uma ação em prol do meio ambiente. Que tal reunir as pequenas crianças e os escolares, e por que não os amiguinhos e os vizinhos também, para recolher o lixo de uma praça ou parque? Além de conscientizar, essa atividade para o Dia da Terra permite despertar uma relação de respeito e harmonia com a natureza. Ao recolher o lixo de um espaço público, a criança também aprende que é preciso cuidar do meio ambiente como a nossa própria casa, e ao preservá-lo limpo, oferecemos as condições necessárias para o bem-estar de todos dos seres que nele habitam.

  1. Cuidar uma horta e o horto escolar:

Já que um dos lemas do Dia Internacional da Terra é estimular atitudes ecologicamente corretas, que tal fazer uma hortinha e criar o horto escolar? Acompanhar o crescimento das hortaliças e verduras ajudará a criança a observar a relação dos seres humanos com a natureza, bem como a presença vital dela em nossa alimentação. Se não tiver espaço na casa, podemos fazer uma pequena horta de apartamento com temperinhos, como hortelã e manjericão. Até mesmo plantar um grão de feijão no algodão pode ser uma oportunidade para aprender sobre ecologia e o papel fundamental das plantas em nossas vidas. Nos centros de ensino sempre há espaços para fazer um pequeno horto, o que é muito mais fácil se estamos em zona rural.

  1. Elaborar brinquedos com materiais recicláveis:

E claro, brincar é o melhor jeito de aprender. No Dia Mundial da Terra devemos reunir as pequenas crianças e os escolares para criar brinquedos com materiais recicláveis. Embalagens de papelão, plástico, garrafas pet e tampinhas de refrigerante podem se transformar em brinquedos divertidos. Além de lúdica, essa atividade para fazer no Dia da Terra é perfeita para ensinar conceitos de reciclagem e reutilização de materiais. Só basta pôr a andar a correspondente oficina pedagógica ou obradoiro prático.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Nicolau Copérnico, a sua obra científica e suas descobertas, as suas ideias e os seus estudos e pesquisas dentro das ciências físicas e matemáticas. E, especialmente, a sua teoria heliocêntrica. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias.

Podemos organizar no nosso estabelecimento de ensino um Debate-Papo. Entre todos, escolares e docentes, lemos a Carta da Terra promulgada em 2000 pelas Nações Unidas. Depois da leitura por parte de todos, organizamos um debate e tertúlia e fazemos propostas práticas para o nosso próprio ambiente envolvente, a nossa aldeia, vila, bairro, área ou cidade.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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