‘Confluência normativa’ aprovada por unanimidade

Assembleia da AGAL apoia texto que reúne todos os usos gráficos do reintegracionismo moderno



A Associaçom Galega da Língua (AGAL) aprovou dia 3 em assembleia o texto que recolhe a confluência das duas tradiçons normativas que coexistiam no reintegracionismo, que a partir de hoje contará com umha única proposta ortográfica e morfológica. A Ortografia Galega Moderna convergente com o português no mundo (nome provisório) será lançada em app para telemóvel e numha wiki-faq, onde já se encontra umha primeira versom que também será editada em livro (com exercícios práticos) no próximo mês de janeiro.

foto-familia-assembleia-agal-3-dez-2016

Desde o nascimento do movimento reintegracionista contemporáneo, conviviam nele duas sensibilidades, com usos gráficos mais ou menos convergentes com o português no mundo. Em termos normativos, isto refletia-se no uso de duas normas independentes, cujas principais discrepáncias entre si era o uso de formas divergentes para o indefinido feminino (uma/umha) e para a terminaçom que na Galiza pronunciamos –om/-am, que havia quem escrevesse com til (ão) e quem nom (om/am).

Na prática, a confluência normativa implica umha ampliaçom das velhas normas da AGAL, que passam a incluir mais algumhas duplicidades, aquelas que estám justificadas nos usos conscientes das pessoas reintegracionistas. Ainda, dentre as duplicidades que já tinha esta norma, serám relegados alguns traços gráficos que nom se justificam no uso atual do reintegracionismo (como o ç no início de palavra ou a forma irmám acabada em –am).

O processo é em certo modo paralelo ao sofrido pola própria normativa ILG-RAG do galego em 2003, em que agora convivem as terminaçons ble-bel ou eria-aria. Com este passo, a associaçom admite que a “normativa” deve acompanhar a realidade, admitindo os usos reais, porquanto era evidente que cada vez mais reintegracionistas faziam uso de formas que nom recolhia a norma da AGAL agora ampliada.

Para a AGAL, as pequenas discrepáncias que exibiam as duas tradiçons gráficas deixaram de justificar que fossem mantidas duas normas independentes. Por isso, será divulgado um novo texto normativo de carácter orientativo que se insere na tradiçom de línguas que, como o inglês, nom contam com normas prescritivas (apenas descritivas), com duplicidades que só o uso das pessoas irá resolvendo.

Para obteres mais informaçom sobre a nova proposta ortográfica da AGAL podes consultar o texto aqui, nomeadamente o primeiro capítulo: “Esclarecimentos prévios”.

Para além deste ponto, a AGAL também aprovou no Paço da Cultura de Ponte Vedra (por ocasiom do Culturgal) os objetivos estratégicos e os orçamentos do ano 2017.

Já na parte da tarde fôrom lançadas algumhas novidades da Através Editora no espaço livros do Culturgal, num dos atos mais concorridos e aplaudidos da tarde. Concretamente fôrom apresentados conjuntamente Bolcheviques (volume coordenado por Teresa Moure e editado junto com Xerais), O Penálti de Djukic (Carlos Taibo), A imagem de Portugal na Galiza (Carlos Quiroga) e A imagem da Galiza em Portugal (Carlos Pazos), que estivérom à venda na banca que a Através Editora montou nesta feira das indústrias culturais galegas.

 


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  • Ernesto V. Souza

    Eu não podia ir. Mas de ter ido teria votado à contra. Não entendi a proposta no seu dia (e menos com o custe que se pagou) e não a entendo nem compartilho hoje.

    Um dos motivos pelos que eu abandonei o isolacionismo, para além das más companhas e das suas práticas caciquis e nepóticas foi a consciência de que a reforminha de 2003 evidenciava e condenava a hesitações e alternâncias por décadas (com o problema do mau aprendizado nos escolares e ativistas) que o modelo não era estável… e para mim há dez anos era urgente que o modelo de referência – tanto tinha qual – fosse já estável…

    Para mim com isto: com um modelo agrupado entorno a uma Comunhão tradicionalista da AGAL, agora AGE, incompleto, sem gente nem recursos para o desenvolver; com esta proposta da AGAL que transfere ao reintegracionismo a deixadez, inestabilidade e normaliza a chapuça hesitante do isolacionismo e com uns defensores do uso do português, mal aprendido, auto-didata, navegando por uma mistura de modelos e com essa loucura de debates a prol e contra do acordo e de opções várias e decalques do ILG, de velhas formas AGAL e do castelhano a cousa está pior para a construção de um modelo que há 10 anos…

    Talvez seja apenas cousa minha, mas vejo o panorama muito escuro.

    • Jlvalinha Jlvalinha

      Olá, Ernesto… mas com confluência ou sem ela… essa hesitação já a tinhas na prática reintegracionista hai muito tempo.
      Que alternativa achas para impor um modelo unificado?
      Padrom Lisboa? Padrom AGLP? Velha norma AGAL?
      Pergunto porque nom sei a resposta… mas se quadra a tal confluência tenta arrumar um pouco as cousas.
      Como é que tu o vês? Como farias tu para acabares com a hesitaçom? Sem deixar de fora um grande número de utentes ou potenciais utentes? Confesso que cada vez estou menos certo… e por isso perguntei.
      Obrigado.

      • Ernesto V. Souza

        Eu não acho possível na situação atual um modelo unificado, e menos acho lógico perder tempo na procura de um modelo unificado. Eu sou partidário da tolerância entre vários modelos e da absoluta liberdade normativa. Mas modelos sólidos e claros, independentes. E que cada quem que aposte e contribua ao desenvolvimento do que saiba, herde ou ache melhor.

        A mim cada dia me interessa menos esta questão e nada este panorama que para além apenas promove o enfrontamento no reintegracionismo…

        Não vejo remédio… pessoalmente cada dia sou mais desleixado, abandono mais a pretensão de correção… com o que tenho a sensação de estar volvendo ao mesmo galego infame que escrevia em 2003 apenas que com grafias esquisitas…

        • Terra Nosollos

          Antes de nada desculpem a minha escrita, mas estou aprendendo e preciso de tempo para melhorar. Eu penso que arrumar as normas numa normativa geral é positivo. Creio que todxs queremos que o reintegracionismo seja cada vez um movemento mais amplo e a diversidade de normas dificulta a consolidaçom duma normativa para rivalizar com a isolacionista. Acho que este é o melhor caminho.

          • Jlvalinha Jlvalinha

            Eu concordo contigo, Terra Nosollos, e também com o Ernesto, e esta confluência arruma as cousas um pouco, nom total, porque é impossível no estado actual, mas alguma cousa vai fazendo para arrumar a casa… por isso me parece positivo, despois o tempo dirá…
            Eu com isto já tenho o que preciso, agora é melhorarmos os usos, a nossa escrita, eliminando decalques… etc.
            Ernesto, provavelmente a tua língua melhorou bastante de 2003 para acô…

    • Joám Lopes Facal

      A tradiçom da “comunhom tradicionalista” é anterior à fundaçom da AGAL.
      A experimentaçom é um preceito óptimo, consagrá-la mediante normativa ad hoc é, polo contrário, mais que discutível.
      Parabéns a [email protected] pola unanimidade alcançada

      • Ernesto V. Souza

        Não, não é. Uma verdadeira norma galega nunca deveria ter renunciado a NON… qual o sentido de -om, -am… se não há vontade de convergència com o português e se prefere marcar a independência?

        Se quederes ser coerentes com essa tradição recomendo-vos mais recuperar o modelo de Martim Sarmiento, o dos Irmãos La Iglesia, Marcial Valladades e Pondal… aquilatar o de Viqueira, o de Correa Calderón, Risco ou Guerra da Cal…

        Isso é o que eu teria feito, evoluir desde esses modelos precursores que eram verdadeiramente a nossa tradição… mas intruduzir esses -m final? que confundem foneticamente e não integram com o português… isso meu amigo é uma falsa e moderníssima invenção…

        • Joám Lopes Facal

          Caro Ernesto, nom sou lingüísta, mas si cultor teimoso do meu idioma.
          Polo que eu sei, o “m” de “nom” –que encontramos na escrita arcaica grafado “nam”– é absolutamente funcional para diferenciar o som particular do nosso “n” final do “n” final castelhano. É por isso que nós nunca diremos “isso nonestá ben” ou “o nosso benestar” como pronunciam os utentes do galego com fonética castelhana. Também estimo que a grafia “não” nom é um prodígio de fidelidade à nossa pronúncia habitual.
          As personalidades que ti citas som as que eu tinha em mente quando aludia à longa fratria ou “comunhom tradicionalista, dos sentinelas do galego re-integrado no seu tronco lingüístico.
          O português, meu amigo, é umha variante que amo e pratico; o galego, simplesmente é a minha; próxima. Já agora, quanto a traços fonéticos –estou pensando na minha terra fisterrã, de Maçaricos a Mugia– os nossos som amplamente comncordantes com os do Norte português, a capa mais arcaica do padrom lisboeta.
          Essa, meu amigo é a minha opiniom, mas –o mesmo que o amigo Groucho– estou disposto.a mudar se achar razom suficiente.

          • Ernesto V. Souza

            A mim o português, Portugal, o Brasil e a lusofonia inteira importam-me um caralho…

            Mas da pessoa que menos entendo esta defesa, nem por pragmatismo nem por “tradição” é a ti.

            Para mim renunciar ao NON foi sempre o elemento insalvável de rotura com a TRADIÇÃO… que me afastava do reintegracionismo…

            Mas por que se decidimos não aceitar a norma portuguesa temos de renunciar ao NON e às terminações em -N? que são puro latim e marca de reconhecida antiguidade? é como se me dizes que renunciamos aos Suevos…

          • abanhos

            Caro Enesto, as vezes nom te consigo entender….

          • Ernesto V. Souza

            Lê o que escrevi mais abaixo, acho que clarifica muito por onde vai a minha cabecinha… mas é que eu estou a contemplar – como habitualmente – três planos:

            1. A História que há detrás disto tudo
            2. A situação concreta que cria e as consequências desta decisão da AGAL que não compartilho nem termino de ver como resposta a uma problemática
            3. A estratégia que devemos seguir a respeito das várias vias que tem hoje o sistema galego

            e se não me entendes é apenas me perguntar 😉

        • abanhos

          Se houvermos tido um Pompeu Fabra…Mas sempre chegamos a todo com retardo, e o retorno é nosso produto retardado do país.
          https://pgl.gal/desde-a-galiza-uma-achega-a-pompeu-fabra-i-foch/

          • Ernesto V. Souza

            Nós não podíamos ter um Pompeu daquela nem ainda hoje: porque existe o Português. Mas antes de se por a modelizar há que escolher uma via…

            Hoje por hoje fica claro que qualquer gramática galega tem de se fazer contando com o Português, mais que contra e comparando o castelhano (como se fez o catalão e se pretendeu até fazer o galego).

            Mas isto nem hoje se aceitou plenamente. E tivemos que chegar à segunda década do século XXI para que a gente assumindo isto se encontrasse em duas posturas:

            a. Queremos um galego autónomo e o construímos em base a uma tradição mais ou menos reintegrante, com ajuda e tendente ao Português.

            b. Fazemos parte do sistema do português, adaptamos o modelo português ou brasileiro e o variamos a sabor com as nossas particularidades morfológicas, léxicas e estilísticas. O resto a tradição histórico literária o ambiente e mestiço ou pidgin já se encarregará de ir proporcionar a identidade.

            Antón Santamarina, o Oppenheimer galego podia ter sido. Mas escolheu criar a bomba atómica no ILG…

  • Ernesto V. Souza

    p.s. Agora dito isto… se a maior parte da gente na AGAL acha ser isto o melhor, pois seja… pela minha parte não há qualquer problema.

  • Raimundo Serantes

    Olá amigos,
    acho que as normas tenhem pouco a dizer na imposiçom de modelos linguísticos. Podem, no máximo, orientar e ordenar, nomeadamente num caso como o galego, onde concorrem vários modelos de língua. Estes modelos som outros, fundamentalmente o espanhol (para a maioria) e o português (no movimento reintegracionista), que som os que contam com a força da maquinaria dos estados. Na Galiza também se tentou e tenta habilitar o modelo do galego popular, mas este tem muitas dificuldades, pois chegou mui instável e castelhanizado ao século XXI e porque os meios e instituiçons que o tentam implementar som fracos. No meio disto todo, surgem as normas, que a meu ver devem descrever a situaçom para as pessoas a conseguirem entender. Isso era o que nom atingiam as normas reintegracionistas até agora. Havia um modelo, o português, mas duas normas. Era o português ou nom o que propúnhamos à sociedade? Era independente ou nom da língua portuguesa a nossa proposta? Agora a resposta é mais clara: é português, porque o galego é o nosso português, que obviamente tem opçons na Galiza, que agora som explicadas no mesmo texto e só o uso acabará por assentar…

    • Ernesto V. Souza

      No de que seja o uso quem decida concordo… mas eu também meteria no combo os utentes de normas não reintegratas com as suas escolhas…. o resto, não sei… eu continuo sem o entender…

      • http://www.casdeiro.info Casdeiro

        Pois nom che digo nada os que o vemos desde a beira do reintegracionismo… :-/ Já me custou entender a cissóm, e agora isto pois tampouco entendo nem o quê nem o porquê.

        • Ernesto V. Souza

          A ideia deveria ser mais simples para os de fora ou nas beiras… a AGAL renuncia a ter uma norma com prescrição de usos únicos, no canto oferece um estudo exaustivo em que se recolhem e explicam as diferentes variantes ortográficas atualmente em uso pelas tribos reintegratas para que os utentes vaiam escolhendo com a vista posta numa consagração por uso… A AGAL assume a situação do reintegracionismo e opta por não escolher formas na ideia de reunir diversos e dispersos no canto de excluir dissidentes… 😉

  • http://www.madeiradeuz.org madeiradeuz

    Há dous anos tinha dúvidas sobre a pertinência do projeto. Há ano e meio enxerguei a sua necessidade e há um ano vim-na prioritária.

    Parafrasando Adolfo Suárez, o que é normal no reintegracionismo tem-no de ser também nos papéis.

    Este trabalho pode ser discutível no fundo e na forma. Haverá quem o veja excessivo ou insuficiente. No entanto, eu vejo uma base inclusiva que não distingue bons de maus reintegracionistas, que corrige uma miopia de muitos anos acerca do que realmente acontece no seio do reintegracionismo, acerca de quais são os usos r-e-a-i-s das pessoas reintegracionistas.

    Não quero lembrar-me de episódios lamentáveis nem pessoas que se sentírom legitimadas para intentarem «botar abaixo» [sic] o que tanto custou construir e manter.

    Para avançar com passo firme e entusiasmante, às vezes cumpre dar uma pequena volta.

    Abraços.

  • jot

    Parabéns e força pessoal! Formalmente o importante é a vontade de língua e de (auto-)correcção permanente. Agora toca continuar e alargar a Estratégia Cívica pela Língua.

  • Ernesto V. Souza

    Ok… não lhe chames cisão, se não queres, chama-lhe baixas… eu não compartilho o entusiasmo… apertas…

  • Manuel Meixide Fernandes

    E não seria muito mais fácil adotar o Acordo Ortográfico de jeito definitivo, como guia dentro do mundo lusófono no qual nos achamos?. Se somos Lusofonia, temos de sê-lo com todas as consequências. Uma outra cousa são as particularidades fonéticas, sintáticas e léxicas do galego, perfeitamente legítimas. Mas acho que a norma já está feita, só é adotá-la. Nós não temos de passar qualquer trabalho, só temos de concordar com o Acordo, e se não podemos assinar como Estado, temos de amostrar a nossa vontade de caminhar de mãos dadas com o resto da Lusofonia. O berço da Lusofonia deveria ser o primeiro a aprovar o Acordo Ortográfico. Isto evitaria anos, que já são décadas, de debates normativos e de confrontos no seio do reintegracionismo.
    A pergunta é: somos Lusofonia ou não somos Lusofonia?. Somos coerentes ou não somos coerentes?. Eu também comecei a escrever na norma AGAL, uma norma muito útil para se iniciar na escrita reintegracionista, até que me decatei que já não fazia sentido. Todas as particularidades galegas conservam-se perfeitamente no português padrão. Para quê então uma duplicidade de normas, fonte sempre de conflitos e de confrontos entre os próprios reintegracionistas?. Na minha opinião chegarmos ao acordo sobre o Acordo deveria ser muito fácil. Se não é assim, temos de aceitar as decisões assembleares, mas se calhar por volta de uns anos estamos a aprovar uma nova confluência normativa… Estou a pensar que tenho de começar a ir às assembleias.

    Aperta para todos

    • potanonimomain

      E por que não vas às assembleias?

      • Manuel Meixide Fernandes

        Por causa da nugalha

    • Venâncio

      Caro Manuel Meixide:

      Vc fala do “Acordo Ortográfico” como se de uma ‘norma’ uniformizadora se tratasse. De modo nenhum. Com ou sem AO90, brasileiros e portugueses continuarão a ortografar diferentemente várias centenas de palavras, muitas dleas correntes.

      Não sei (sim, hoje já não faço ideia) que conclusões que os agálicos tirarão daí. Mas para possível proveito deles, aqui vai alguma informação ortográfica que reuni, e possivelmente aqui repito.

      *

      BRASIL vs PORTUGAL

      Também com o Acordo Ortográfico:

      aceito/a === aceite
      aluguel === aluguer
      anistia === anmistia
      anistiar === amnistiar
      artefato === artefacto
      bebê === bebé
      bóson === bosão
      comitê === comité
      contatar === contactar
      contato === contacto
      cromossomo === cromossoma
      dezenove === dezanove
      dezesseis === dezasseis
      dezessete === dezassete
      elétron === electrão/eletrão
      esôfago === esófago
      fato === facto
      gol === golo desport.
      hormônio === hormona
      ímã === íman
      indene === indemne
      indenização === indemnização
      indenizar === indemnizar
      judô === judo
      majoritário === maioritário
      miçanga === missanga
      metrô === metro [-politano]
      nêutron === neutrão
      nômade === nómada
      pênalti === penálti
      pênis === pénis
      pornô === porno
      próton === protão
      purê === puré
      registro === registo
      registrar === registar
      setorizar === sectorizar
      súdito === súbdito
      sutileza === subtileza
      sutil === subtil
      tênis === ténis
      umedecer === humedecer
      umidade === humidade
      úmido === húmido

      *

      acadêmico === académico
      anônimo === anónimo
      cômico === cómico
      crônica === crónica
      demônio === demónio
      econômico === económico
      fenômeno === fenómeno
      gênero === género
      gênio === génio
      higiênico === higiénico
      irônico === irónico
      matrimônio === matrimónio
      neurônio === neurónio
      oxigênio === oxigénio
      polêmica === polémica
      prêmio === prémio
      quilômetro === quilómetro
      telefônico === telefónico
      termômetro === termómetro
      tônica === tónica

      … e CENTENAS de casos semelhantes.

      *

      canadense === canadiano
      polonês === polaco
      tcheco === checo

      Amsterdã === Amsterdão
      Havaí === Hawai
      Irã === Irão
      Moscou === Moscovo
      República Tcheca === República Checa
      Roterdã === Roterdão
      Vietnã === Vietname

      ***

      Por acção do Acordo Ortográfico:

      BRASIL vs PORTUGAL

      Depois do Acordo Ortográfico:

      acepção === aceção
      anticoncepção === anticonceção
      anticonceptivo === anticoncetivo
      caracteres === carateres
      concepção === conceção
      conceptivo === concetivo
      conectar === conetar
      confecção === confeção
      confeccionar === confecionar
      contracepção === contraceção
      contraceptivo === contracetivo
      decepção === deceção
      decepcionante === dececionante
      decepcionar === dececionar
      defectível === defetível
      detecção === deteção
      excepcional === excecional
      imperceptível === impercetível
      indefectível === indefetível
      intercepção === interceção
      interceptar === intercetar
      percepção === perceção
      percepcionar === percecionar
      perceptível === percetível
      óptica === ótica [da visão]
      óptico === ótico [da visão]
      panóptico === panótico
      percepção === perceção
      perceptível === percetível
      perceptivo === percetivo
      peremptório === perentório
      perfeccionar === perfecionar
      perfeccionista === perfecionista
      perceptor === percetor
      prospecção === prospeção
      recepção === receção
      recepcionar === rececionar
      recepcionista === rececionista
      receptáculo === recetáculo
      receptar === recetar
      receptividade === recetividade
      receptivo === recetivo
      receptor === recetor
      ruptura === rutura
      transacto === transato
      etc., etc.

      *

      Não se tiveram em conta as numerosíssimas variantes brasileiras:

      == apodítico/apodíctico, aspeto/aspecto, cato/cacto, cético/céptico, ceticismo/cepticismo, coartar/coarctar, coletivo/colectivo, conjeturar/conjecturar, corrutela/corruptela, corrutor/corruptor, detetar/detectar, detetável/detectável, dialeto/dialecto, elítico/elíptico, estupefato/estupefacto, fação/facção, fatual/factual, fletir/flectir, fraturar/fracturar, infecioso/infeccioso, infetar/infectar, infeto/infecto, inseto/insecto, interseção/intersecção, jatância/jactância, jato/jacto, láteo/lácteo, lecionar/leccionar, letivo/lectivo, manufaturar/manufacturar, onipotente/omnipotente, onipresente/omnipresente, onisciente/omnisciente, otimismo/optimismo, otimizar/optimizar, perspetiva/perspectiva, putrefato/putrefacto, respetivo/respectivo, retrospetiva/retrospectiva, seção/secção, secional/seccional, sintático/sintáctico, suntuoso/sumptuoso, etc., etc.

      nem as menos numerosas variantes portuguesas:

      == apocalítico/apocalíptico, assético/asséptico, caráter/carácter, catalético/cataléptico, concetível/conceptível, concetual/conceptual, detetar/detectar, espetador/espectador, interrutor/interruptor, perfetível/perfectível, precetivo/preceptivo, tátil/táctil, telespetador/telespectador, etc.

      nem as variantes em ambos os países:

      == acupuntura/acupunctura, assíntota/assímptota, caraterística/característica, circunspeto/circunspecto, datilografar/dactilografar, espetral/espectral, espetro/espectro, expetativa/expectativa, espetável/espectável, expetável/expectável, intato/intacto, interseção/intersecção, notívago/noctívago, retrátil/retráctil, setor/sector, setorial/sectorial, tático/táctico, veredito/veredicto, etc.

      ***

      Se depois disto, caro Meixide, Vc ainda souber como há-de grafar como galego, agradeço que mo diga.

      Abraço.

      • Venâncio

        Concordo inteiramente com a posição do Ernesto. Só tem sentido adoptar normas claras. “Normas fluidas” não existem, senão como forma de desespero colectivo.

        Digo “normas claras”, não digo normas rígidas, e muito menos imutáveis.

        • Venâncio

          Existe, contudo, uma outra saída, essa que tomaram tantos portugueses conscientes e empenhados no idioma: a simples recusa deste “Acordo”, tão mal concebido e tão pessimamente elaborado.

          Até que ponto ele é praticamente impossivel de aplicar em Portugal vê-se neste artigo:

          https://www.publico.pt/2016/08/01/culturaipsilon/noticia/ao90-a-formula-do-desastre-1739935

          • Ernesto V. Souza

            Caro Fernando, acho que na AGAL priorizou-se uma decisão “política”, para promover a criação de um espaço “comum” integrador. Dar a conhecer as variantes e as possibilidades, no canto de assumir umas variantes prescritas… A contrário do que com portugueses e brasileiros, os mais de nós entendemos que a questão de uma norma galega comum, é hoje por hoje inviável… não identificativa e não prioritária.

            A questão do modelo ortográfico galego fica portanto nas mesmas em que estava. Do meu ponto de vista é apenas tirar desse pragmatismo tão galego de resolver os problemas pequenos domésticos e deixar o grande problema para depois.

            Eu teria ido por outras vias, mas eu sou eu e a maioria da AGAL, após refletir achou melhor caminho…

            Quanto ao Acordo, nestes momentos eu sou completamente céptico… entanto esses debates e desencontros em Portugal e Brasil não parar é prudente – acho – não complicar com uma “posição galega”.

            Nesse sentido o mais pragmático na Galiza seria – na minha opinião – continuar defendendo a ideia de um Acordo, mesmo que seja (em segundo plano) pensando-o com algumas evoluções como o Modelo Galego, mas defendendo sem muita intensidade… congelando também o problema… e centrando-nos nos muitos outros que na Galiza temos…

            Saúde,

          • Venâncio

            Caro Ernesto:

            Tens inteira razão quando afirmas que a AGAL fez um acto “político”. Quando se decidiu não fazer escolhas (ou quando se acha que as escolhas são, politicamente, inviáveis), simplesmente escolhe-se não escolher…

            Claro, nem tudo está perdido. Em si, a Norma AGAL (que é um magnífico produto) continua intacta, à disposição de quem quiser usá-la. O problema está em que, ao sancionarem-se, por princípio, todas as opções ortográficas individuais, foi abandonada a própria noção de “ortografia”.

            Neste sentido, falar em “projecto”, falar em “proposta”, é fazer política na sua forma mais rasteira: recorrer a um vocabulário pomposo, mas enganador, que de modo nenhum recobre a realidade, mas que parece recobrir alguma.

            Entrarei em algumas ponderações linguísticas.

            Assim como existem formas (fonológicas ou morfológicas) brasileiras e portuguesas irredutíveis, em que nenhum compromisso pode admitir-se (por mais ‘política’ que se invista), assim também existem formas galegas irredutíveis. E ‘entregá-las’, em nome duma ‘unidade’ que só existe nos sonhos de alguns, é um acto objectivo de traição ao idioma. Vou dar um exemplo.

            O galego distingue andárom de andaram. O brasileiro e o português servem-se, respectivamente, de andaram e tinham andado. Parece miúda coisa, mas podes multiplicar esses exemplos por dois mil, que tantos são, aproximadamente, os verbos em -ar. Ao adoptar (ao meramente sancionar) como ‘galego legítimo’ para o pretérito perfeito tanto a forma andárom como a forma andaram, estais a criar uma imensa confusão tanto para os leitores galegos como para os brasileiros e portugueses.

            Dou este exemplo porque, recentemente, li um belíssimo livro duma autora galega, que proprocionava uma leitura frustrante. Nunca se sabia (e os casos eram numerosos) se andaram (ou outros verbos) se referia a um passado, ou a um passado anterior a ele.

            Aqui, e nas demais terminações -am, -om e -ao (que o português lisboeta uniformizou em -ão), o galego não pode transigir, sob pena de se atraiçoar a si próprio.

            As soluções ‘políticas’ podem, pois, ser as mais inimigas do idioma.

          • Ernesto V. Souza

            A norma AGAL não faz sentido… é uma impostura, uma falsificação errada pretensiosamente historicista e do meu ponto de vista gerou um problema absolutamente desnecessário e pouco calculado para além de protesto e rotura no seu momento. Nos anos 80 era daquela um chamado à resistência e um efeito da também a-histórica e suicida manobra protagonizada pelo mundo institucional e académico de promover a Norma ILG-RAG:

            Mas, nem por história, nem por soluções nem por establelecer uma ligação com o resto de variantes portuguesas… a norma AGAL faz qualquer sentido, para além de se opor a norma ILG.

            Uma verdadeira variante galega, histórica e continuadora da tradição medieval e clássica estaria intermédia do galego ILG_RAG e do Português.

            Ao meu entender a melhor solução autónoma e (sem contar com querer ser um português) era uma evolução da Normativa de Concórdia reintegracionista que se propunha entre os mínimos (o galego de Freixeiro anterior a 2003) e os máximos…

            O resto é TUDO traição…

          • Venâncio

            Ernesto:

            Hás-de saber que considero Freixeiro Mato o mais seguro linguista reintegracionista galego. Como saberás também, a AGAL tem óptimo lexicógrafo, a AEG tem um óptimo lexicólogo, e depois há uns quantos bons didácticos. Mas um verdadeiro linguista, nunca a AGAL o teve depois de Carvalho Calero. Tendes, temos, o Álvaro Iriarte, mas ele opta por não se ocupar destes assuntos, e sei que tem para isso as suas razões. Tudo o resto é, em matéria linguística, amador.

            Uma colaboração, um autêntico “projecto”, em que entrassem a AGAL, a AEG e Freixeiro Mato, eis o que ofereceria uma perspectiva de futuro. Mas não há vontade, não há coragem política, para dar esse passo. E, assim, continuareis linguisticamente perdidos. Digo-o com mágoa.

          • Ernesto V. Souza

            Vou-lho dizer mais uma vez, e digo-lho com a absoluta dor de coração:

            NÃO É POSSÍVEL

            Passou o momento, que eram os anos 80-90 de ter feito isso, em comum, entre todos… não apenas com esses… mas com mais gente: do ILG, do reintegracionismo, e com estudiosos do mundo lusófono… com o estudo da literatura medieval, das variantes galegas e do conjunto do português clássico e moderno…

            Esse era o sonho dos Vilar Ponte, dos Castelao, dos Marinhas de Valle ou de Carvalho Calero… é a escola na que eu me formei… hoje não é mais que um sonho…

            Na realidade atual seria impossível sentar essas pessoas na mesma mesa, e ainda que se conseguisse; há quase 30 anos de trabalhos e evoluções diferentes, de tradições… existem hoje em andamento modelos concorrentes… nenhum – como pode ver – vai renunciar…

            Para mim todos os modelos têm a sua lógica e a sua história… mas não se pretenda dizer que uns são mais legítimos, conformados ou melhores do que os outros. Isso é falso, simplesmente. O acaso, a política, as associações, as atitudes de pessoas e as decisões de momentos… e a loucura coletiva filha da miséria e da frustração… explicam bem melhor cada uma das evoluções pessoais e das doutrinas concorrentes…

            A AGAL ensaia hoje um caminho diferente… ao meu entender não faz mal ante o bloqueio da situação atual… eu não compartilho a proposta… mas vejo-lhe também a sua lógica e coerência histórica…

          • Venâncio

            Ernesto: admito, tenho de admitir que, infelizmente, tens razão.

            Quanto podemos enxergar, jamais haverá uma aproximação entre os galegos potencialmente interessados num qualquer entendimento linguístico. Não sejamos inocentes: tanto no seio do oficialismo como no seio do reintegracionismo, existem sectores que por nada deste mundo permitiriam que tal acontecesse. As duas grandes áreas estão reféns dos seus gurus.

            Além disso, no íntimo de muitos reintegracionistas vive um desejo de unidade internacional que embate, e embaterá sempre, na essencial e histórica diversidade normativa (gramatical, antes de mais) do nosso idioma. A meu ver (e sem querer ofender ninguém), trata-se duma incapacidade ‘espanhola’ de poder conceber essa diversidade.

            Por outro lado, as classes linguísticas portuguesa e brasileira também não ajudam. O interesse delas pela situação linguística na Galiza é puramente ritual. Uns sorrisos, umas palmadas nos ombros, e no segundo seguinte já deixastes de existir.

            Um abraço, a partir de agora do fundo mais profundo do Alentejo.

            Fernando

          • Ernesto V. Souza

            Efetivamente… só se pode confrontar esse cenário desde aproximações periféricas, uma espécie de guerra de guerrilhas continuada para ir limando as barreiras … talvez com tempo e paciência ou com a passagem das gerações…

            Mas com este panorama… hoje… os utentes, os escritores temos de tirar por algum sítio… e cada quem faz por onde acha, pode, sabe ou lhe deixam…

          • Ernesto V. Souza

            P.s. A questão é que chega um momento em que é necessário assumir duas questões.

            a. Não podemos continuar a debater e debater sobre o modelo galego… se nem no reintegracionismo estamos de acordo, imaginem se se amplia ao resto dos modelos…

            b. Não temos as condições, históricas, políticas e sociais nem o tempo para pormo-nos a construir um modelo galego satisfatório, coerente e útil….

          • Jlvalinha Jlvalinha

            Olá, Ernesto, comentas:
            “Passou o momento, que eram os anos 80-90 de ter feito isso, em comum, entre todos… não apenas com esses… mas com mais gente: do ILG, do reintegracionismo, e com estudiosos do mundo lusófono… com o estudo da literatura medieval, das variantes galegas e do conjunto do português clássico e moderno..”

            Ernesto, mas essa colaboraçom que tinha de ter sido feita nos anos 80 e 90 refere-se a elaborarem uma normativa comum com o reintegracionismo e o ILG? Ou elaborarem o quê? para além de estudarem cientificamente as variantes galegas, português clássico e moderno, literatura, etc?

          • Ernesto V. Souza

            Efetivamente: isso teria sido uma verdadeira normativa nacional… podíamos ter gastado todos os 80 e 90 em debates e estudos mas para chegarmos a algum ponto comum…

            Infelizmente não aconteceu… nem o clima nem o contexto permitirom…

          • Jlvalinha Jlvalinha

            Olá, Fernando. Nom entendim bem a colaboraçom a que te referes… como seria essa colaboraçom? Elaborarem uma gramática? Ela já está feita por Freixeiro Mato… Elaborarem uma norma diferente da norma AGAL?
            Obrigado.

          • Venâncio

            Olá, Zé Luís. Respondo abaixo.

          • Jlvalinha Jlvalinha

            Olá, Ernesto, muito interessante o que pugeche aqui agora, mas a respeito do último que dixeche:
            “Uma verdadeira variante galega, histórica e continuadora da tradição medieval e clássica estaria intermédia do galego ILG_RAG e do Português.

            Ao meu entender a melhor solução autónoma e (sem contar com querer ser um português) era uma evolução da Normativa de Concórdia reintegracionista que se propunha entre os mínimos (o galego de Freixeiro anterior a 2003) e os máximos…

            O resto é TUDO traição…”

            Nom entendim bem isso último que comentas… intermédia entre galego ILG-RAG e o Português… como? intermédia como? com ñ e com -bel, zón? o como seria essa norma? Nom consigo imaginá-la.
            Evoluçom da Normativa de Concórdia reintegracionista… referes-te aos famosos mínimos de, por exemplo, A Nosa Terra dos anos 80? Qual era essa norma reintegracionista de concórdia? Nom lembro que existisse essa norma, mas é que nom sei ao que te referes concretamente.
            Obrigado.

          • Ernesto V. Souza

            Pois é a isso a que me refiro… a evoluir essas propostas do primeiro reintegracionismo, dos mínimos cara os máximos… com Ñ ou NH… tanto tem… mas com -N, J/g SS/s… ç… escolhas na linha que propunha Carvalho Calero…

            Acho que agora é irrelevante explicar… em detalhe…

          • Jlvalinha Jlvalinha

            Ah… na linha da primeira norma autonómica que preparou C. Calero… já te entendo…

          • potanonimomain

            Cal é a diferença entre -ao e ão? Eu nom vejo nengumha.
            Eu penso que o modelo que usam no resto da lusofonia de ter todo em -ão e ter 3 plurais diferentes é umha lea e nom moi prático na Galiza (https://dicionarioegramatica.com.br/2016/09/13/plural-das-palavras-terminadas-em-ao-o-espanhol-ajuda/). Nom fai falha recorrer ao castelão pra saber que plural é, cando podemos refleti-la pronúncia das falas galegas. Por isso, eu prefiro:
            -ão (irmão) : -ãos (irmãos)
            -am (cam) : -ães (cães)
            -om (coraçom) : -ões (corações)

            Os plurais seriam mais coincidentes coas formas existentes nos blocos central (-ãos) e oriental (ães, ões) galegos. E o singular em -ão é a forma usada no bloco central e oriental.

            Isto na escrita, ainda que eu seguirei a pronunciar irmau, mau, can, corazón, irmaus, maus, cas, corazós…

          • Venâncio

            Potanonimonain,

            Se observarmos, no decurso dos séculos, os manuais e gramáticas portugueses, veremos que, ao tratarem os plurais dos singulares em “-ão”, quase todos dizem, e continuam a dizer: Veja-se como o espanhol faz esses plurais. Isso, porque Lisboa abandonou, no singular, as distinções galegas “-am”, “-om” e “ao”.

            O que é indizivelmente revoltante é ver, actualmente, galegos a terem de fazê-lo também. Sim, conheço um manual reintegracionista que aconselha a ver como faz o espanhol esses plutais

            Foi para isso que se fez o Reintegracionismo? Para introduzir agora no Galego o caos que a deriva lisboeta criou, e com que nós, portugueses e brasileiros, nos debatemos?

          • http://www.madeiradeuz.org madeiradeuz

            O mesmo argumento que utilizas para sacrificar a pronúncia do galego ocidental (irmám) para assim chegar a uma forma gráfica comum e polivalente é a que poderias usar, sem nenhum problema, com “cam” (cão) ou “coraçom” (coração). Exatamente o mesmo.

            Como já tenho dito mais vezes, eu não sou mais incapaz que um português de falar de uma maneira mas grafar de outra que, talvez, não coincida mimeticamente com a minha pronúncia.

            PS: Do momento em que um brasileiro diz “lêitchi” e grafa “leite”, forma clara e transparente para um galego, fica claro que o que se debateu nas dúzias de comentários anteriores são COUSA MIÚDA.

          • Luis Trigo

            Um português de Lisboa dirá “lête”.

          • Venâncio

            Não, Luís Trigo. Um português de Lisboa ou de Coimbra diz «lâite» (com “a” fechado). Quem pronuncia «lête» (ou «lêti») são os alentejanos.

          • Luis Trigo

            Pois 😀 claro que tudo dependerá do contexto da pessoa… pode ser apenas a minha impressão sobre uma daquelas que gosta de ir à “baxa”, que gosta de “chalchichas” e “mortandela” e tem horror ao “trelze” (refinamento de “treuze”) 😀

          • potanonimomain

            Há alguma parte da Galiza em que se diga “cão” ou “coração”? Penso que não. Ainda que suponho que tampouco há moitos brasileiros que digam “leite”, co cal o teu argumento pode passar; xa que se trataria de várias centenas de palavras de diferença.
            Porém, no pretérito estou com Venâncio. Os galegos diferenciamos entre andárom e andaram; mentres que a quase todo o resto da lusofonia, não. Basicamente, como no resto da lusofonia coincidem as formas do pretérito perfeito e do pretérito mais-que-perfeito; tenhem de deixar uma dessas formas em desuso, pra evitar confusões. E agora que vas dizer? Suponho que haverá nengum problema tendo em conta que os brasileiros e os portugueses só usam andaram num dos tempos pra evitar confusões, mentres que nós usamos andaram no pretérito mais-que-perfeito, porque témo-la forma andárom pro pretérito perfeito.
            Claro que tamém se pode usar tinham andado, mais tamém se pode optar pola diferenciação que témo-los galegos. O que nunca se pode fazer é usar andaram pro pretérito perfeito, porque isso não fai sentido nengum. Andaram é só pro pretérito mais-que-perfeito.

          • Venâncio

            Aproveito para perguntar-te, potanonimomain, como ‘faz’ um cão galego.

            Um cão português ‘faz’ “ão, ão”.

          • potanonimomain

            Depende.

          • Venâncio

            Depende de quê? Da raça do cão? Do ouvido do dono? 😉

          • potanonimomain

            Pois sim. Eu tenho 3 cães e bem sei quem é o que está a ladrar, cando lhes dá por ladrar. Ainda que tamém ja estou afeito a ouvilos.
            Não é que seja moi doado de explicar. Mais dous dos meus cães fam “wau, wau” (ainda que a um deles ás vezes dá-lhe por ouvear, fai “auuuuuuuuuu” ou “uuuuuuuuuuuu”), mentres que o outro fai “wou. Wou”.
            Como ja che dissem, não é que seja moi doado de explicar.
            Ti tes cães?

          • Venâncio

            Sim, a minha filha tem um cãozinho delicioso. Mas é mudo…

            Repara. Quando em Portugal se pede a uma criança: «Diz lá como faz o gato». Resposta: MIAU. «Diz lá como faz a ovelha». Resposta: BÉ, BÉ. «Diz lá como faz o burro». Resposta: I-Ó, I-Ó.

            A minha pergunta de como faz um cão em galego é de interesse linguístico histórico. Se os portugueses não tivessem inventado o ditongo “ÃO”, não ouviriam “ÃO” na voz dos cães. Por exemplos, os holandeses ouvem… “WUF, WUF” (que é escrito ‘woef, woef’).

            Ora bem, o galego nunca teve o ditongo “ÃO” (que é, mais uma vez, uma invenção lisboeta que se generalizou). É-me, portanto, de todo o interesse saber como diz uma criança galega que faz… o cão.

          • potanonimomain

            Probavelmente, dirão-cho à castelã. Que um cão fai “Wau, wau” e um lobo “auuuuuuuuuuu”.
            Aposto a que de mais do 90% das crianças galegas obterias essa resposta.

      • potanonimomain

        Penso que no caso de que haja duas opções diferentes no padrom brasileiro e português, cada quem é livre de escolhe-la opçom da que mais goste.
        Eu prefiro usa-las opções que suprimam tódolos c, p, h que nom se pronunciam e estam ai por estar, b e m (espetro, contato, umidade, indenização, sutil, tátil, interrutor, concetível…). Respeito aos acentos, eu prefiro usa-las formas que nom tenham acentos ou as dos acentos agudos. Os acentos cincunflexos uso-os nas verbas nas que esteam dacordo Brasil e Portugal. No resto das palavras, escolho as que mais me gostam.

        • Venâncio

          Bom, ficamos a saber como Vc vai proceder. E que aconselha aos outros? Que procedam da mesma maneira?

          • potanonimomain

            Nom, que cada quem proceda como queira. Se querem proceder coma mim, pois que procedam; e se nom querem, pois que procedam doutro jeito.
            Ademais, se todos fixessem o mesmo; isto seria algo aburrido, non che parece?

          • Venâncio

            Fazei como vos parecer melhor. Eu desisto de entender-vos.

      • Manuel Meixide Fernandes

        Agradeço a informação caro Venâncio, e vejo que tenho bem onde escolher, cousa sempre boa. Não posso julgar se o Acordo ortográfico é bom ou mau, não o conheço pelo miúdo, mas se toda a Lusofonia assinou, cumpre aceitá-lo. O ideal semelha sempre um corpus gráfico homogéneo para toda a língua, como faz o espanhol por exemplo, mas se calhar a duplicidade gráfica não é também um grave problema, se calhar cumpre percebê-la como riqueza, como variedade.

        • Luis Trigo

          É bom saber que pode haver alguém que decreta que não pertenço à lusofonia. Apartheid?

          • Manuel Meixide Fernandes

            Se você usar o português, pra mim já pertence de fato. Eu sou professor de francês, e quando emprego esta língua, sinto que faço parte da Francofonia.

          • Luis Trigo

            “mas se toda a Lusofonia assinou, cumpre aceitá-lo” – corolário – se as instituições acreditadas galegas estipularam determinada grafia, cumpre aceitá-la…

          • Manuel Meixide Fernandes

            Eu não posso aceitar uma grafia espanholizante para o galego por uma simples questão de dignidade. Se algum dia usei a norma ILG foi por pura ignorância, ou por pura censura. Mas quando descobri a verdade as instituições acreditadas galegas perdem a sua autoridade, e mesmo o caráter de galeguidade fica também em suspenso, percebida a galeguidade não só no seu significado nacional, mas também como rigor e veracidade a respeito da nossa língua e da nossa História.

          • Luis Trigo

            A mesma questão da aceitação da dignidade, da autoridade e dos arranjos se pode enunciar em relação ao AO. De resto, também o que é falta de autoridade para uma pessoa não o é necessariamente para outra. E então se a questão é a legitimidade legal… Será mais fácil deste modo dizer que a sua posição na Galiza (tendo em conta quem assina o quê) é mais frágil do que a de quem não reconhece o AO em Portugal ou noutro país. A sabotagem que isso implica em algum possível sentimento de solidariedade pode ser trágico. Ou como se diz por aqui “pimenta no rabo dos outros é refresco para mim”.

          • potanonimomain

            Manuel Meixide, ainda a dia de hoje, em Portugal seguem a protestar polo Acordo Ortográfico (https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/artigos/rubricas/acordo/alteracoes-ao-acordo-ortografico-e-um-novo-dicionario-propoe-a-academia-das-ciencias-de-lisboa-/3457).
            Portugal assinou e ratificou, mais ainda assim…

        • potanonimomain

          A Angola e Moçambique ainda nom assinarom o Acordo.
          https://dicionarioegramatica.com.br/acordo/acordo-de-1990/ (O Acordo Ortográfico do 1990 polo miúdo).

    • Joám Lopes Facal

      Concordo com MMF e acrescento, porquê nom unificar a AGAL com a AGLP?

      • Ernesto V. Souza

        MMF não tem nada a ver com a AGLP… se queredes provocar uma guerra com essas provocações garanto que não o ides dar conseguindo…

        • Joám Lopes Facal

          Sou gente de paz, Ernesto, só que talvez nom alcance a compreender os objectivos específicos e particulares de cada associaçom. Defeito meu, com certeza.
          Além do mais, gostaria que tentasses compreender que eu falo sempre em nome próprio, jamais me arrogo representatividade colectiva. Igual que o papa, só adopto o “modo colectivo” quando falo “ex cátedra”, papel que aborreço.

          • Ernesto V. Souza

            ok… a mim o que me irrita é essa teima de fixar um Nós e Vós…

            Se eu e a maior parte da gente que hoje escreve com modelos mais portugueses não somos parte sempre de um Nós que possas dizer ti ou outra gente (e viceversa) daquela terei que considerar que temos já fracassado radicalmente como coletivo…

          • Joám Lopes Facal

            Ernesto, o meu “nós” é tam amplo que acolhe a AEG que actualmente presido e a AGAL da que nom dou renunciado.
            Aprecio como sabes a tua temperança, pouco amiga de bandorias. Que nom decaia.

  • potanonimomain

    Por que escreves “avondo” com v? http://priberam.pt/DLPO/abondo. Abondo tamém existe no português e a forma que fai mais sentido etimologicamente.
    E “este” tamém existe no português (http://priberam.pt/DLPO/este).

  • Venâncio

    José Luís Valinha:

    A Gramática do Freixeiro é a Norma AGAL em ortografia autonómica, a Norma AGAL é a Gramática do Freixeiro em ortografia portuguesa. O resto são pormenores. São, se quiseres, minhoquices.

    O problema é que o Reintegracionismo agálico anda com dois pedregulhos atados aos pés. O primeiro chama-se “correcção política”, o segundo “fixação na ortografia”.

    A correcção política ordena que tudo quanto cheire a espanhol seja considerado maléfico. A fixação na ortografia faz crer que diferenças ortográficas criam línguas diferentes. Uma e outra coisa são dogmas religiosos. E os dogmas religiosos servem, só, para proteger-nos dos nossos medos.

    Meu caro Zé Luís: estou ainda à espera do espertinho (do ‘listillo’) que me convença de que uma língua, porque escreve jeitosinho, é diferente duma que escreve xeitosiño. O exemplo pode parecer anódino, mas ele encerra toda uma história do idioma.

    Em suma: no fundo, no fundo, o que impede um entendimento linguístico entre galegos é… uma crença religiosa. O que é uma tremenda infelicidade, não te parece?

    Abraços.

    • Ernesto V. Souza

      Não é tal Fernando o que impede um entendimento entre os galegos no linguístico como no político são uma combinação de circunstâncias históricas, políticas sociais e pessoais de muita complexidade e casuística mas muitas geradas no contexto da Transição espanhola e outras mais antigas e casualmente concorrentes com as grandes crises e evoluções políticas do Estado Espanhol… nomeadamente absolutismo, primeiro centralismo liberal, restauração canovista, crise da restauração, guerra civil, segundo franquismo

      • Venâncio

        Eu simplifiquei, afunilei a perspectiva como linguista. Males do ofício…
        Mas sim, acredito: os ressentimentos e os ajustes de contas devem ser, ainda, tremendos. E disso muito pouco sabemos, ou podemos perceber, nós os de fora.

    • Raimundo Serantes

      Amigo Fernando,
      acho que entre nós, no conjunto do reintegracionismo, foi perdendo força o debate sobre em que medida som a mesma ou línguas diferentes o galego e o português, questom de fés. Já a ortografia, parece-nos relevante, sim, porque a julgamos umha das ferramentas mais eficazes para o termo /ʃejtosiɲo/, reciclando o teu exemplo, ganhar comunicabilidade. A ortografia nom nos parece um problema em termos essencialistas, e tanto eu como tu vemos a mesma palavra atrás das grafias jeitosinho e xeitosiño, mas a existência de duas formas diferentes para o que ambos consideramos a mesma palavra, incapacita muitas outras pessoas para compartilharem ferramentas fundamentais para a saúde de umha língua nos dias de hoje: dicionários, corretores, etc. Ora bem, a AGAL nom está aqui para fazer cair a ortografia usual do galego, que já deu e continuará a dar excelentes serviços ao galego, mas para torná-la compatível com novos caminhos que abram as portas do futuro ao galego, também o ortográfico.
      abraço
      Eduardo

      • Venâncio

        Meu caro Eduardo:

        São duas questões, as vossas, duas lutas, diríamos: 1) uma ortografia adequada e prática, e 2) uma gramática e um léxico genuínos.

        Esta segunda luta, a promoção desse galego genuíno, poderia unir vontades e forças por cima das diversidades ortográficas. Dispensaria, mesmo, as questões essencialistas (uma língua? duas línguas?), pois a coincidência entre a gramática galega e a portuguesa europeia é, já de si, imensamente eloquente. O mesmo vale para as coincidências entre o léxico galego e o luso-brasileiro.

        De momento, a questão ortográfica teria um início de solução através do reconhecimento explícito e público das duas ortografias, a oficialista e a reintegracionista.

        Separando os problemas, poderia avançar-se em terreno mais seguro, e com menos conflito.

        Um abraço do
        Fernando

        • Jlvalinha Jlvalinha

          Gostei muito de vos ler… este animado e interessante colóquio, se um dia fosse real, entre, p. Ex. F. Venâncio, F. Mato e E. Vázquez Sousa… se alguma vez fosse real, em presença, com perguntas do público, por exemplo em Compostela… avisai-me que eu irei assistir… onde se falasse destas cousas todas…
          Cumprimentos…

          • abanhos

            Conheço aos três e garanto-te que ficariam encantados de estar nesse debate, que penso ia ser bem fraterno

          • Ernesto V. Souza

            Não eu não estaria…eu não vou a cousas dessas…

        • Raimundo Serantes

          Caro Fernando, esse é o nosso objetivo, nom duvides, e esse momento virá sem chegarmos a essa pretensiosidade: aqui nom há é um conflito armado em que tenha de haver umha entrega incondicional de armas ou algo parecido.

          • Venâncio

            Não é uma “entrega incondicional de armas”. É um acto empenhado e brioso, que só mostrará quão fortes podeis ser.

          • Ernesto V. Souza

            Efetivamente… e disso acho estamos já todos seguros: chegará um dia que o reintegracionismo seja tão forte que achará proveitoso e até interessante a incorporação do isolacionismo mais radical…

            Ao passo que vamos, acho que na vindoura década…

          • abanhos

            Achas que dentro de uma década ainda haverá isolacionismo a sério?

          • potanonimomain

            Nunca houve isolacionismo a sério.

          • Ernesto V. Souza

            Completamente… as mudanças são lentas…

    • abanhos

      O que impede Fernando é a política, sim a política, no seu sentido platónico… Por malandrices da vida não estamos aí, e aí está a ponte de mando que fixa o leme da nau galega e a leva as rochas de Caríbdis

      • Venâncio

        Alexandre: A decisão da “confluência normativa”, uma decisão essencialmente política (claramente não “linguística”), foi da AGAL. É uma decisão que não teve nada, nadinha, a ver com o oficialismo. Esse vezo de dar-lhe sempre, a ele, as culpas começa a ser muito, muito monótono.

        • Ernesto V. Souza

          Acho que esta decisão da AGAL modifica os termos do debate que conhecemos até agora. Foi uma evolução gradual mas até os condicionantes do “debate” ainda obedeciam parcialmente ao quadro de hostilidade dos anos 90.

          A AGAL foi renunciando à hostilidade com o isolacionismo na última década. Aceitou, de feito, a presença do isolacionismo, convive, mas agora não confronta: diretamente concorre. Não trata de debater na procura de um consenso ou um modelo comum, tem o seu que acha melhor. E com isto abandona o papel de ponte e espaço de interlocução com o isolacionismo que tinha a norma AGAL…

          É dizer, acho que atualmente a maior parte do reintegracionismo renunciou (por canseira e por ser um obstáculo à hora dos trabalhos) a tratar de chegar a qualquer acordo com o isolacionismo. Mas agora o isolacionismo ou persiste como alternativa em paralelo ou tem de fazer o esforço, da sua parte, de se aproximar do reintegracionismo…

          • Venâncio

            Meu caro Ernesto:

            Que visão idílica! Ela esconde uma triste verdade.

            Desde há uns dez ou quinze anos, a AGAL vem afastando sistematicamente do centro das decisões a quantos procuravam uma convivência construtiva com o Oficialismo.

            Exactamente o abandono (sim, abandono, tende a coragem de reconhecê-lo!) da Norma AGAL é a parte mais visível de todo um processo de radicalização. As “unanimidades”, Ernesto, também se fabricam. Podem levar anos a fazerem-se.

            Amigo: existe todo um sector do Reintegracionismo que desistiu, simplesmente desistiu, de acompanhar a radicalização da AGAL. Ou já não aparece, ou, se aparece, já não debate. E não estou a falar só da AEG.

            Estais a ir por mau caminho. Mas quem consegue convencer-vos disso?

          • Ernesto V. Souza

            Fernando, caro Fernando… repasse as nossas conversas de quase uma década XD XD: ESSE MAU CAMINHO… É O MEU CAMINHO… desde o início.

            O que queira vir que venha e o que não que se detenha… mas não se perde mais tempo em debates… há muitos trabalhos que podem fazer-se sem unanimidades…

            Existir existe… mas eu o que vejo é que a mais da gente está perplexa… está paralisada na praia sob o fogo inimigo… Precisam-se capitães…

            Eu tenho claro desque cheguei aqui, que o contributo principal que a gente coma mim pode fazer não é se colocar no meio intentando movimentar as partes a um acordo: é se colocar no extremo procurando que o peso bascule, ainda que seja um pouco no outro extremo… para movimentar a pedra…

          • Venâncio

            Ernesto:

            Tu és, verdadeiramente, e desde há muito, um caso à parte. E essa diferença, esse contraste, são-te imensamente favoráveis. Tu assumes publicamente, frontalmente, a tua posição. Não manobras no silêncio.

            Eu discordo do que defendes como forma de actuar. Mas sei que o Reintegracionismo precisaria de três ou quatro pessoas como tu.

          • Ernesto V. Souza

            Obrigado,

            Eu noutras condições optaria por outras vias. Mas no contexto, com o pessoal, os recursos que temos… O que eu defendo é a estratégia mais simples e rápida de adotar, a que menos trabalhos vai dar a menos gente a meio e longo prazo e a que menos recursos e esforços vai consumir… e a única que permite desde já que se por em andamento seja possível e rendível…

            Não é para além – dado que o fim do reintegracionismo (e do galeguismo) é comum e apenas se diferencia nos tempos – um caminho que não se possa desandar… e mesmo em chegados a esse caso não faria mal nenhum ao conjunto do galego esta viagem minha…

  • Manuel Meixide Fernandes

    Agradeço a informação, e vejo que tenho bem onde escolher, cousa sempre boa. Não posso julgar se o Acordo ortográfico é bom ou mau, não o conheço pelo miúdo, mas se toda a Lusofonia assinou, cumpre aceitá-lo. O ideal semelha sempre um corpus gráfico homogéneo para toda a língua, como faz o espanhol por exemplo, mas se calhar a duplicidade gráfica não é também um grave problema, se calhar cumpre percebê-la como riqueza, como variedade.

  • potanonimomain

    Falando de normativa, eu tenho uma dúvida respeito ao português. Gostaria de que me aclarádades se existe a segunda forma do artigo no português, ou nom? Existe tódolos, ámbolos, u-lo, come-lo caldo, bebe-lo vinho, suma-los números…?
    Eu prefiro escrever tódolos, mais nom me parece lógico isso se nom existe esse uso no resto da lusofonia. A RAG recomenda pronunciar tódolos, ainda que na escrita deixa liberdade pra escolher entre tódolos e todos os (essa é uma das razões polas que agora, em meios coma a Galega, o maioritário é ver “todos os”). Por isso, gostaria de saber se tamém está admitido esse uso no resto da lusofonia.

    • Venâncio

      As formas “todolos” e “todalas” eram correntes na escrita portuguesa até ao século XV e sobreviveram até cerca de 1650. As outras formas são desconhecidas.

      Mas Vc escreve: «Nom me parece lógico isso se nom existe esse uso no resto da lusofonia». Só que “o resto da lusofonia” tem duas normas importantes (a brasileira e a portuguesa), com um bom número de formas que são simplesmente agramaticais na ‘outra’ norma.

      Seria tão bom que também os galegos tivessem algum orgulho nas suas formas gramaticais próprias…

      • potanonimomain

        Beiçom pola aclaraçom. Nesse caso, seguirei a usa-la segunda forma do artigo coma ata agora.
        Mais, ti escreveches “todolos” e “todolas”. Sem acento? Eu pensava que as proparoxítonas se acentuavam sempre.
        Entendo isso da agramaticalidade. Um exemplo é que no Brasil, a colocaçom pronominal tende à próclise, mentres que em Portugal tende à ênclise.
        Por último, ainda que nom se registe no português, seguindo as regras deste; formas coma u-lo livro, come-lo caldo ou suma-los números teriam de levar hífen ou nom?
        Ainda que a verdade é que nom entendo o critério que elegeu a RAG pra que algumas formas levassem hífen (leva-la roupa, se-lo máis vello, te-la mellor forma física) e outras nom (polo, tódolos, tralos, e maila casa, ámbolos, entrámbolos). Penso que eilo tamém está no grupo das que nom levam hífen, mais nom disso nom tenho certeza.

        • Venâncio

          Caro potanonimomain:

          Eu grafei “todolos” e “todalas” porque só em 1911 foram instituídos os acentos em Português. Até então, os acentos serviam para evitar homonimias ou possíveis confusões.

          Em normativa oficialista galega, «Vou come-lo caldo» é grafado assim, porque nessa normativa o hífen não conta para determinar a sílaba tónica. Deste modo, esse «come-lo» continua a ser uma palavra grave.

          Assim distingues: «Vou come-lo caldo», «Vou comelo», «Tu cómelo».

          O português faz «Vou comer o caldo», «Vou comê-lo», «Tu come-lo».

          São duas lógicas gráficas perfeitas. E a gramática é praticamente a mesma. 😉

          • potanonimomain

            Nesse caso, seguindo a norma atual, haveria que escrever “tódolos” e “tódolas”.
            Mais se antes do 1911 quase não se usavam os acentos, por que se protestou tanto contra o projeto do Acordo Ortográfico do 1986 que pretendia eliminar grande parte dos acentos?
            Eu vejo que unha boa parte das faltas de ortografia das crianças, estão nos acentos. Quitar quase tódolos acentos (deixaria-se só os diacríticos) diminuiria essas faltas de ortografia. Ademais, o inglês vejo-o bem e isso que não usam acentos.