AS AULAS NO CINEMA

O CINEMA DE MARIONETAS DE JIRÍ TRNKA



 

jiri-trnka-fotoÉ difícil entender como é que está tão esquecido um cineasta especialista em cinema de animação e marionetas enormemente importante, como é o checo Jirí Trnka, com filmes realmente maravilhosos, com muita mais profundidade nos seus conteúdos que os de Walt Disney. Para os que amamos a infância e o cinema é muito importante recuperar esta figura, que tinha que estar muito mais divulgada do que está. Algo similar acontece com outro excecional realizador de cinema de animação também muito esquecido, tal como é o canadiano Norman MacLaren, a recuperar quanto antes, e a quem dedicaremos proximamente um dos nossos depoimentos da série «As Aulas no Cinema». Trnka e MacLaren são bem merecedores de serem lembrados e recuperados, pensando especialmente em crianças e jovens, e no ensino do «abc» do cinema aos estudantes de todos os níveis do ensino, mesmo do universitário.

Jirí Trnka nasceu em Pilsen a 24 de fevereiro de 1912 e faleceu em Praga, capital da antiga Checoslováquia, a 30 de dezembro de 1969. Foi um grande criador de marionetas, ilustrador, desenhador, animador de imagens em movimento e realizador, mais conhecido pelas suas obras neste formato especial. Formou-se na Escola de Artes e Ofícios de Praga. Em 1936 ideou um teatro de marionetas, criado no início da 2ª Guerra Mundial e, no lugar do teatro, desenhou cenários e ilustrou livros para crianças ao longo da guerra. Depois da guerra, criou um departamento por ser o melhor animador de marionetas no método checo e ganhou vários prémios em diversos festivais de cinema, pelo que se lhe chegou a chamar «O Walt Disney do Leste». Em 1946, no Festival de Cannes ganhou um prémio e um ano depois passou a trabalhar em cinema. No início de 1948, o governo comunista checo começou a subsidiar o seu trabalho, apesar disso o seu estilo e mensagem permaneceram inalteráveis. Para além de filmes, ele também realizou desenhos animados, e escreveu guiões para a maior parte dos seus filmes. Em 1949 ganhou o prémio Hans Christian Andersen, o mais alto prémio em literatura de crianças. Faleceu de problemas cardíacos no ano 1969.

Como seus avós eram escultores da madeira, aprendeu a arte de elaborar marionetas quando só tinha nove anos de idade. A sua destreza chamou a atenção dum mestre nesta matéria, Josef Skupa, diretor do teatro de marionetas de Pilsen. Embora o relacionamento com Skupa se tenha prolongado enquanto duraram os seus estudos de bacharelato, Trnka decidiu abandonar por um tempo os fantoches e dedicar-se à pintura, e para isto ingressou na Escola de Artes e Ofícios da capital checa. O seu talento como desenhador logo lhe deu a pauta do que ia ser a sua profissão: pintor de banda desenhada, desenhador, figurinista no Teatro Nacional de Praga e, finalmente, ilustrador de livros. De facto, casou com a escritora de contos infantis Helena Chvojková, cujos livros apareceram publicados com desenhos de Trnka. Durante a 2ª Guerra Mundial ilustrou numerosos textos infantis que mais tarde, ao terminar a guerra, lhe deram o prestígio suficiente para ingressar no Estudo Oficial de Animação, que inauguraram Jirí Brdecka, Stanislav Látal, Eduard Hofman e Jan Kadar. A equipa de Trnka estava formada por 12 animadores, alguns dos quais tinham estudado, como ele, na Escola de Artes e Ofícios, e partilhavam a sua inclinação pelo teatro de marionetas. Com essa cumplicidade comprometeram-se no desenvolvimento dum cinema de animação muito peculiar, usando bonecos animados fotograma a fotograma, tão meticuloso no seu desenvolvimento que rapidamente ganhou renome internacional. Ao contrário que Disney, Trnka não se limitou no seu cinema a conteúdos infantis, recorrendo à sátira social e política em alguns dos seus argumentos. Os seus filmes foram premiados em numerosos festivais. O seu labor neste difícil género da animação foi continuado, depois do seu falecimento, pelo seu assistente Bretislav Pojar e pelos prestigiosos animadores Lubomir Benes, Hermina Tyrlova e Jana Olexova.

A melhor maneira de recuperar o cinema de desenhos animados e de cinema de marionetas de Trnka, seria editar em DVD aquelas curta-metragens e longa-metragens suas mais significativas e interessantes. Existem casas editoras que podiam fazer esta edição, que os amantes do cinema muito agradeceríamos. E depois poderiam organizar-se ciclos nas escolas e estabelecimentos de ensino com estes formosos filmes. A colaboração dos cineclubes galegos e a sua Federação também seria importante, para desenvolver esta atividade. O mesmo se poderia fazer com os lindos filmes de MacLaren, dos quais, que nós saibamos, só existem cópias na Cinemateca da Embaixada do Canadá em Madrid.

FILMOGRAFIA BÁSICA:trnka-cartaz-filme

A. Longa-metragens:

1. O ano checo (Spalicek). 1947, 78 min.

Música: Václav Trojan. Fotografia: Vladimir Novotny e Emanuel Franek.

Argumento: Baseado no livro ilustrado por Mikolás Alés, o filme está composto de 6 curta-metragens, nos que se amostram em cena de forma brilhante as lendas e costumes do seu país, tomando como fio argumental as estações do ano: o entruido (Masopust), a primavera (Jaro), a lenda de S. Procópio (Legenda o svatem Prokopu), a procissão (Pout), festa na aldeia (Posviceni) e o belém (Betlem). O filme atraiu a atenção da crítica para o cinema checo de animação e foi premiado em numerosos festivais internacionais, incluído o de Veneza.

2. O rouxinol do imperador (Cisaruv slavik). 1949, 72 min.

Música: Václav Trojan. Fotografia: Ferdinand Pecenka.

Argumento: Um jovem imperador chinês passa os seus dias no palácio entediado e triste. Tudo muda quando um marinheiro desce de balão no seu palácio e o presenteia com um livro, e nele o imperador fica fascinado com um rouxinol. Baseado na fábula de Hans Christian Andersen, a animação em “stop-motion” é dirigida e animada, pelo mestre Jirí Trnka, sendo um dos mais belos filmes de todos os tempos.

3. O príncipe Baiaia (Bajaja). 1950, 74 min.

Música: Václav Trojan. Fotografia: Emanuel Franek e Ludvik Hájek.

Argumento: Adaptação dum conto popular checo, da autoria de Bozena Nemcová. Conta a história dum jovem que, protegido pelo espírito de sua mãe falecida, deve chegar ao castelo do rei e liberar as suas três filhas de vários espectros malvados que as atormentam.

4. Velhas lendas checas (Staré povesti ceské). 1953, 79 min.

Música: Václav Trojan. Fotografia: Emanuel Franek e Ludvik Hájek.

Argumento: Animação com histórias e lendas da origem da Checoslováquia. Baseado no livro de Alois Jirásek, composto por numerosos mitos checos, conta a história ancestral da fundação do país checo, com uma série de episódios protagonizados por heróis, reis e rainhas.

5. O bom soldado Svejk (Dobry voják Svejk). 1955, 76 min, colorido.

Narrador: Jan Werich. Fotografia: Emanuel Franek.trnka-foto-filme-o-bom-soldado-svejk

Argumento: Adaptação da famosa sátira antibelicista de Jaroslav Hasek. Para a elaboração das marionetas inspirou-se nas ilustrações que para o livro original tinha realizado Josef Lada, que na imaginação popular estavam estreitamente associadas às personagens grotescas de Hasek. O filme, de tom humorístico, está dividido em três episódios, que relatam outras tantas aventuras cómicas do soldado Svejk durante a Primeira Grande Guerra. Ainda não sendo a sua melhor obra, recebeu vários prémios em diferentes festivais internacionais.

6. O sonho de uma noite de verão (Sen noci svatojanske). 1959, 76 min, colorido.

Música: Václav Trojan. Fotografia: Jirí Vojta.

trnka-foto-filme-marionetasArgumento: Baseado na famosa comédia poética de William Shakespeare. Três mundos se encontram nesta história: o mundo nobre de três casais de Atenas, o mundo popular comum de comerciantes de teatro amador e a alegria dos contos de fadas de criaturas mágicas como duendes e ninfas. O filme é considerado a obra mais notável de Jirí Trnka e um marco na história da animação mundial.

B. Curta-metragens: (D. A.= Desenhos Animados; M.= Marionetas):

1. O avô plantou uma beterraba (Zasadil dedek repu). 1945. D.A.

2. Os animais e os bandidos (Zvírátka a petrovstí). 1946. D.A.

3. O saltador e os homens das SS (Pérák a SS). 1946, 14 min. D.A.

Argumento: Curta-metragem checa baseada em lenda urbana que se passa durante a Segunda Guerra Mundial.

4. A prenda (Dárek). 1946. D.A.

5. História de um contrabaixo (Román s basou). 1949, 13 min. M.

Adaptação dum conto de Antón Chejov.trnka-foto-filme-historia-de-um-contrabaixo

6. O moinho do diabo (Certuv mlyn). 1949, 21 min. M.

7. Canção da pradaria (Arie prerie). 1949. M.

8. O peixe dourado (O zlaté rybce). 1951. D.A.

9. O circo alegre (Vesely cirkus). 1951. M.

10. Sombras chinesas (Dva mrazíci). 1953. M.

11. O circo Hurvinek (Cirkus Hurvinek). 1955. M.

12. Porque a Unesco? (Proc Unesco?). 1958. M.

13. A paixão (Vásen). 1962. M.

História dum jovem apaixonado pela sua motocicleta.

14. A avó cibernética (Kybernetická babicka). 1962, 29 min. M.

Argumento: Sátira de Jiří Trnka contra a crescente importância da tecnologia na vida quotidiana.

15. O arcanjo Gabriel e a senhora Ganso (Archandel Gabriel a paní Husa). 1964, 28 min. M.

Argumento: Curta-metragem de animação ambientada na Veneza medieval, adapta um dos contos do “Decâmeron” de Boccaccio.

16. Maxplatten (Maxplatte). 1965. M.

17. A mão (Ruka). 1965, 19 min. M.

Música: Václav Trojan.

Argumento: Um oleiro acorda feliz e segue sua rotina, até que alguém bate em sua porta. Ele olha quem é, mas não há ninguém lá fora. O «visitante» então, entra em sua casa inesperadamente pela janela, quebrando o vaso que continha uma planta muito cara ao homem. Esta curta-metragem está considerada como um protesto contra as condições impostas pelo estado comunista checo à criação artística, e mesmo há quem viu nela uma antecipação da denominada «Primavera de Praga». Inicialmente não teve problemas com a censura, é provável que por ignorância ou despreocupação, embora ao falecer o realizador as cópias do filme tenham sido confiscadas e proibida a sua exibição pública durante duas décadas no país.

Nota: Existe uma edição do ano 2000 em DVD, em que se inclui o filme O rouxinol do Imperador, e as curta-metragens A mão, História de um contrabaixo, Canção da pradaria e Sombras chinesas. No mesmo DVD incluem-se um documentário sobre Trnka e uma curta-metragem realizada por Bretislav Pojar, com marionetas desenhadas por Trnka, sob o título de Um copo é demasiado. O título deste DVD é Os filmes de fantoches de Jirí Trnka (The Puppet Films of Jirí Trnka).

TRNKA E AS SUAS VARIADAS FACETAS ARTÍSTICAS:

Ademais do grande cineasta que foi, de filmes de desenhos animados e, especialmente, realizador de cinema de animação com marionetas por ele e sua equipa elaboradas, tal como antes comentámos, Jirí Trnka teve outras significativas facetas artísticas, que passamos a comentar.trnka-ilustrador-livro1

1. Ilustrador de livros: Com a formação recebida na escola de artes, e a experiência que lhe proporcionava o seu trabalho na oficina de gravuras, Trnka iniciou uma brilhante carreira como ilustrador. Foi contratado pela casa editorial Melantrich de Praga, e a primeira obra que ilustrou foi O tigre do senhor Boska, de Vítezslaw Smejc, que se publicou em 1937. Desde esse momento, ilustrou numerosos livros infantis. Ao longo da sua vida, interveio como ilustrador numas 130 obras, a maioria de literatura infantil. Foram especialmente celebradas as suas ilustrações para os contos dos Irmãos Grimm, assim como para coleções de contos tradicionais checos, de autores como Jirí Horák e Jan Pálenícek. Também relacionadas com o folclore de seu país estão as ilustrações para Baiaia de Vladimir Holan, livro publicado em 1955, e que seria ponto de partida para a sua posterior longa-metragem animada. Ademais dos citados, ilustrou, entre outros muitos livros, os contos de Andersen e de Perrault, as fábulas de La Fontaine, As Mil e Uma Noites, várias obras de Shakespeare, e Alice no país das maravilhas, de Lewis Carroll. Muitas das suas obras são autênticos clássicos da literatura infantil: são muito numerosas as crianças que cresceram lendo as aventuras do urso Micha, escritas por Josef Menzel e ilustradas por Trnka. Pelo conjunto da sua carreira como ilustrador, foi-lhe concedido em 1968 o Prémio Hans Christian Andersen pelo IBBY. Em alguns casos, a sua tarefa como ilustrador proporcionou-lhe ideias para a realização dos seus filmes de animação, como aconteceu com Baiaia, e com O sonho de uma noite de verão.

trnka-foto32. Mestre da animação: Com as suas peculiares técnicas. Ao longo da sua carreira experimentou com diferentes técnicas de animação, desde os desenhos animados tradicionais, nas suas primeiras curta-metragens, até a animação com sombras chinesas. Porém, o seu procedimento preferido, e o que lhe deu fama mundial, foi a animação com marionetas. Na realidade ele não se ocupava da animação propriamente dita, senão principalmente da elaboração dos roteiros e do fabrico das marionetas. O seu estudo contava com uma equipa de animadores muito preparada, entre os que destacava especialmente Bretislav Pojar, acreditado como responsável da animação de muitos dos filmes, e que depois ia seguir uma destacável carreira como diretor. Outros destacados animadores dos estudos de Trnka foram Stanislav Látal, Jan Karpas, Bohuslav Srámek, Zdenek Hrabe e Frantisek Braun, por citar só alguns deles. Embora, antes de Trnka já se tenham realizado filmes de animação com bonecos, a ele corresponde o principal impulso a esta técnica, que mais tarde seria utilizada em muitos lugares do mundo. Ao contrário do que se tinha feito anteriormente, Trnka preferiu não alterar a fisionomia dos bonecos com elementos postiços para denotar as suas emoções, senão mantê-la imutável, conseguindo a sua expressividade por meio das mudanças no enquadre e a iluminação. Segundo Pojar: «Dava sempre aos seus olhos um olhar indefinível. Com o simples giro das suas cabeças, ou com a mudança da iluminação, ganhavam expressões sorridentes, ou infelizes, ou sonhadoras. Isto dava-nos a impressão de que o boneco escondia mais do que mostrava, e que o seu coração de madeira mesmo armazenava mais». Os roteiros dos filmes eram obra de Trnka, que utilizou frequentemente obras de autores checos, muitas delas relacionadas com o folclore popular, assim como de autores clássicos da literatura universal, como Chejov, Boccaccio ou Shakespeare. A música nos seus filmes teve sempre um papel importante. Em todas as suas longa-metragens e em várias das suas curta-metragens, o compositor da música foi sempre Václav Trojan (1905-1983).

trnka-foto93. Outras atividades: Teatro, escultura e pintura: No final da década de 30, Trnka formou o seu próprio teatro de fantoches ou títeres, denominado «Teatro de Madeira» (Drevené divadlo), embora tivesse que dissolvê-lo pouco antes do início da 2ª Guerra Mundial. Sem perder nunca de vista o seu interesse pelas marionetas, Trnka teve também a ocasião de demonstrar o seu talento no teatro com atores vivos, quando trabalhou como cenógrafo para o Teatro Nacional de Praga, entre 1941 e 1944, durante a ocupação alemã, antes de iniciar a sua carreira cinematográfica com autêntico sucesso. Seguindo a prestigiosa tradição nacional checa, criou numerosos decorados e trajos, e participou na encenação de obras de Plauto, Carlo Goldoni, Shakespeare, Lope de Vega ou Franz Grillparzer. Mais adiante trabalhou também desenhando cenários para filmes checos com atores reais.

Embora a sua obra pictórica seja pouco conhecida fora do seu país, pintou dezenas de óleos e aguarelas sobre os temas mais diversos. Têm especial interesse os seus retratos. Como se estivesse fascinado pela sua própria imagem, pintava periodicamente o seu autorretrato, dos quais existem versões dos anos 1933, 1935, 1944, 1945, 1955 ou 1966. Muitas destas obras estão atualmente expostas na Galeria Nacional de Praga. Tampouco é alheio à sua obra pictórica o universo dos contos e lendas, que tanta importância teve na sua obra como ilustrador e cineasta. Pintou também várias passagens do inverno que, podem lembrar as de Pieter Brueghel O Velho, assim como quadros de flores e frutos, bailarinas de ballet, e variações sobre o tema da Commedia dell´Arte. Mesmo tem obras relacionadas com o surrealismo.

Acostumado a trabalhar a madeira desde a sua infância, alternou na sua carreira os períodos consagrados à animação com outros dedicados à escultura, que lhe interessou especialmente ao final da sua vida. Conservam-se umas 50 das suas esculturas, geralmente de pequeno tamanho (30, 50 ou 80 cm.), nas quais levou a cabo uma intensa investigação estética.

RECONHECIMENTO NO MUNDO:

As suas obras foram premiadas em numerosos festivais de cinema, e em concreto, nos de Cannes, Veneza, Locarno, Londres, Edimburgo, Montevideu, Bucareste, Paris, Oberhausen e Karlovy Vary. Trnka recebeu mais de 50 prémios cinematográficos. Muitos grandes intelectuais e artistas foram admiradores da sua obra. Entre eles, o poeta chileno Pablo Neruda, o escritor e diretor cinematográfico Ilya Ehrenburg e o poeta turco Nazim Hikmet. Trnka encarregou-se em duas ocasiões da decoração do pavilhão checo nas exposições universais de Bruxelas (1958) e Montreal (1967). Para esta última concebeu duas notáveis criações: a «Árvore dos Brinquedos» e a «Árvore dos Contos». Também em 1967 foi nomeado professor na Academia de Artes, Arquitetura e Desenho de Praga, a mesma escola em que tinha estudado na sua juventude. A sua obra exerceu uma grande influência sobre a maioria dos animadores checos, e também no japonês Kihachiro Kawamoto, que no ano 1963 esteve trabalhando com Trnka, para aprender as suas técnicas. A filha de Trnka, Zuzana Ceplova, numa entrevista na rádio, chegou a dizer que os filmes de animação de seu pai parecem ter perdido popularidade, embora se emitam em ocasiões por televisão ou se lhe dediquem retrospetivas, como a do festival de Annecy de 2003, e as das Cinematecas do Quebeque em 2005 e de Lisboa em 2013. A filha admite que as obras de seu pai possam parecer pouco realistas, e mesmo passadas de moda, ao atual espetador de cinema, embora ache que o seu trabalho vai ser redescoberto no futuro, e lembra que gerações de crianças conheceram os contos de Grimm ou Andersen principalmente por meio das ilustrações de seu pai.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR:

Servindo-se da técnica do Cinema-fórum, analisar e debater sobre a forma (linguagem cinematográfica: planos, contraplanos, panorâmicas, movimentos de câmara, jogo com o tempo e o espaço, truques cinematográficos, etc.) e o fundo dos filmes antes resenhados. Depois de organizar um ciclo composto de seis longa-metragens e outras tantas curta-metragens, realizadas por Jirí trnka.

Podemos organizar um interessante certame de desenho de ilustrações para um conto em que participem os escolares da nossa escola. Cada escolar pode escolher o conto que desejar, entre os muitos que há na literatura universal, na lusófona e na galega, que também é lusófona. Depois um júri escolhe aqueles três trabalhos que considerar de maior qualidade. Se contarmos com ajudas de alguma instituição, podemos fazer uma edição dos contos com as ilustrações dos premiados.

Organizamos um Livro-fórum, depois de escolher entre todos por consenso um dos livros em que Jirí Trnka se baseou para o roteiro de algum dos seus filmes, tanto longa-metragens, como curta-metragens.

 

 

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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