CHARLES DARWIN E A SUA TEORIA DO EVOLUCIONISMO



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O Dia Mundial do Meio Ambiente é comemorado anualmente em 5 de Junho. Esta jornada começou a ser comemorada em 1972, com o objetivo de promover atividades de proteção e preservação do meio ambiente e alertar o público mundial e governos de cada país para os perigos de negligenciarmos a tarefa de cuidar do meio ambiente. Foi em Estocolmo, no dia 5 de junho de 1972, que teve início a primeira das Conferências das Nações Unidas sobre o ambiente humano (durou até dia 16) e por esse motivo foi a data escolhida como Dia Mundial do Meio Ambiente. No Brasil ainda se celebra a Semana Nacional do Meio Ambiente, como consequência da data criada pela ONU. Todos os anos, as Nações Unidas dão um tema diferente ao Dia Mundial do Meio Ambiente. Os temas para esta celebração são uma maneira de dar ideias para atividades de conscientização das populações e de proteção do meio ambiente. Dentro da série de grandes vultos da humanidade que os escolares dos diferentes níveis do ensino, que iniciei com Sócrates, para comemorar data tão assinalada, escolhi a figura do grande cientista Charles Darwin (1809-1882), autor da teoria do evolucionismo. O presente depoimento faz o número 102 da série.

PEQUENA BIOGRAFIA

A bióloga brasileira Rafaela Couto de Rezende escreveu no seu dia uma interessante biografia de Darwin, que tenho por bem reproduzir no presente depoimento.

Charles Darwin nasceu a dia 12 de fevereiro de 1809, na Inglaterra. Sua cidade natal de Shrewsburry era belíssima, o que pode ter causado seu fascínio pela natureza. Enquanto criança vivia com sua mãe adoentada que não tinha tempo de cuidar dele e seu pai, um aristocrata que comandava a família com mãos de ferro, temia que seu filho não fosse capaz de ser uma pessoa respeitável. Com isso, o mandou para a Universidade de Edimburgo, na Escócia, para estudar Medicina. No entanto, Charles desistiu quando teve que assistir a uma aula de anatomia. Voltou para casa e seu pai o convenceu a cursar teologia em Cambridge, como objetivo de torná-lo um pastor.

Na faculdade de teologia conheceu o professor Henslow, um botânico de coração, que o despertou novamente o amor pela natureza, se tornou um ávido conhecedor e colecionador de espécies. Henslow sugeriu para o capitão do navio Beagle, que estava precisando de um naturalista, para acompanhar na expedição que iriam fazer, o nome de Darwin. Esta missão tinha por objetivo mapear mares e costas que eram desconhecidas pela Marinha Britânica e duraria 5 anos. Mesmo ele não tendo qualificação, foi aceito pelo capitão, e desempenhou sua função com perfeição, aproveitando também para coletar tudo que era possível, desde rochas e fósseis, até animais de grande porte, tudo que via e coletava era descrito num diário. Todo o material coletado era despachado para o professor, o que garantiu o seu reconhecimento como naturalista.

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Em 1836, Darwin voltou para Inglaterra, convicto que as espécies sofriam mudanças, mas não sabia como isso acontecia. Ele observou que animais existiam com pequenas variações em cada ilha do arquipélago de Galápagos, percebendo que cada espécie vinha de um ancestral comum. Ele estava indo contra as leis de Deus, mas acreditava no que estava observando. A elite dos estudiosos fizeram fila para conduzir o jovem para o seu seleto ciclo, mas ele se sentia atormentado por viver uma vida dupla, já que não divulgou tudo que pensava sobre a evolução ou transmutação, como era chamada na época.

Em 1839, publicou o livro chamado A Viagem do Beagle, um relato sobre a sua expedição a bordo do navio, rapidamente tornou-se um sucesso de vendas e lhe trouxe reconhecimento. Darwin se casou com sua prima, Emma, que era muito religiosa e ele deixou em segundo plano a teoria da evolução, já que não queria desaponta-la. Se mudaram para o interior da Inglaterra, onde encontrou um refúgio seguro para continuar com suas ideias. E em 1842, escreveu um ensaio esboçando a teria da evolução. Trabalhou em outros estudos como, A Variação de Animais e Plantas Domesticadas”, “A Descendência do Homem”, mas o tema principal do seu estudo sempre foi a evolução. Ele observou que as espécies evoluem lentamente e continuamente através dos tempos pela seleção natural, onde os mais aptos sobrevivem. E em 1859, Darwin publica seu livro A Origem das Espécies, ele não poderia mais esperar já que havia recebido uma carta de um trabalho parecido com o seu. Com esta obra ele explica como as espécies surgem, se modificam e são extintas, mudando como a Biologia era vista. No entanto, sua teoria não foi bem aceita, já que ia contra o pensamento religioso da época. Darwin faleceu o 19 de abril de 1872, deixando uma obra extensa e foi sepultado na abadia de Westminster, ao lado de Isaac Newton.

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Darwin participava de reuniões e excursões botânicas organizadas pelo professor John Stevens Henslow – clérigo, geólogo e botânico, com o qual desenvolveu grande amizade. Travou relações com vários naturalistas. A leitura de livros de Alexander Von Humboldt e John Federick Herschel – astrônomo e físico inglês, foram essenciais para despertar o desejo de contribuir para o desenvolvimento da ciência.

Fez sua primeira excursão geológica ao Norte do País de Gales, em companhia do geólogo Adam Sedgwick. Ao retornar, foi apresentado por Henslow, ao capitão Fitzrog, comandante do H.M.S. Beagle, navio de 235 toneladas, que o convidou para tomar parte, como naturalista, mas sem remuneração, de uma viagem para explorar a costa sul americana, que deveria durar três anos. O Beagle partiu no dia 27 de dezembro de 1831 e visitou entre outros lugares, o Brasil (esteve em Salvador e no Rio de Janeiro), onde recolheu diversos insetos. Todo material reunido era despachado para o professor Henslow. De volta à Inglaterra, depois de cinco anos, com sólida reputação, viveu ativamente trabalhando como geólogo e naturalista. Em Cambridge e Londres, trabalhou em assuntos científicos, especialmente no preparo de publicações dos resultados de sua viagem e na coleta de dados para sua teoria sobre a origem das espécies.

    Nota: É muito interessante a leitura da ampla biografia de Darwin nesta ligação.

FICHAS TÉCNICAS DOS DOCUMENTÁRIOS

  1. Biografia de Charles Darwin.

     Duração: 44 minutos. Documentário de 1998 publicado em 2014.

     

  1. Evolução, Charles Darwin e Seleção natural. Aula grátis de biologia. Teoria da evolução e Darwinismo.

     Duração: 18 minutos. Ano 2013.

      

  1. A origem das espécies, Charles Darwin.

     Duração: 45 minutos. Ano 2012.

     

  1. Charles Darwin. Brasil escola.

     Duração: 11 minutos. Ano 2018.

     

  1. A origem das espécies (Charles Darwin).

     Duração: 45 minutos. Ano 2012.

     

  1. O desafio de Darwin.

     Duração: 102 minutos. Ano 2012.

     

  1. Charles Darwin, o criador da teoria que revolucionou a Ciência.

     Duração: 6 minutos. Ano 2011.

     

  1. Charles Darwim (Resumo).

     Duração: 7 minutos. Ano: 2013.

     

  1. Charles Darwin. Biografia.

     Duração: 24 minutos. Realiza: Francisco Assis de Queiroz (Univ. de São Paulo). Ano 2013.

     Ver em: http://eaulas.usp.br/portal/video.action?idItem=226

DARWIN E O EVOLUCIONISMO

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Em 1839 Darwin, casou com sua prima Emma Wedgewood, muito católica, e mudou-se para uma pequena aldeia de Kent, pois sua saúde exigia que fosse morar no campo. Darwin sofria com a possível repercussão da divulgação de sua teoria, uma vez que as ideias dominantes na época ainda eram da imutabilidade das espécies. Por isso, levou mais de 20 anos para publicar sua teoria da evolução. Limitado pela doença, trabalhou até a data de sua morte em 19 de abril de 1882.

É de grande importância a sua teoria da evolução e a origem das espécies. O principal tema das pesquisas de Darwin sempre foi o problema da evolução das espécies. Assim, formulou sua Teoria da Evolução baseado na seleção natural, nos efeitos da ação direta das condições do ambiente sobre os organismos e “nas variações que nos parecem, em nossa ignorância, surgir espontaneamente”. De acordo com a teoria de Darwin, as formas de vida evoluem lenta mas continuamente através dos tempos. Em 1859, publicou o livro Origem das Espécies, que esgotou num único dia os 1.250 exemplares da edição inicial.

Além de sua obra mais conhecida, algumas das contribuições científicas de Darwin encontram-se em:

  1. A Variação de Animais e Plantas Domesticados: em que demonstra a possibilidade de criar raças especiais de pombos, cães e outros animais, através do acasalamento seletivo.
  2. A Descendência do Homem: onde demonstra que a raça humana é produto da evolução.
  3. A Formação do Húmus Vegetal pela Ação dos Vermes: onde demonstra, pela primeira vez, o papel da minhoca na fertilização do solo.
  4. As Diversas Formas de Fertilização de Orquídeas pelos Insetose O Poder do Movimento das Plantas, entre outros.

A Teoria da Evolução descreve o desenvolvimento das espécies que habitavam ou habitam o planeta Terra. Assim, as espécies atuais descendem de outras espécies que sofreram modificações ao longo do tempo e transmitiram novas características aos seus descendentes. Charles Darwin é um dos grandes nomes sobre teorias relacionadas ao evolucionismo. A sua teoria baseia-se na seleção natural das espécies e é aceite até hoje. Quando nos referimos à evolução das espécies, as teorias criadas baseiam-se em duas vertentes: Criacionismo, segundo a que as forças divinas são responsáveis pelo surgimento do planeta e de todas as espécies existentes. Nesse caso, não houve nenhum processo evolutivo e as espécies são imutáveis. Essa teoria relaciona-se com questões religiosas. E a Evolucionista, que propõe a evolução das espécies por meio da seleção natural conforme ocorrem as mudanças ambientais.

Darwin afirmou que os seres vivos, inclusive o homem, descendem de ancestrais comuns, que modificam-se ao longo do tempo. Assim, as espécies existentes foram evoluindo de espécies mais simples que viveram antigamente. A seleção natural foi o princípio utilizado por ele para defender a sua teoria. Desse modo, somente as espécies adaptadas às pressões do ambiente, são capazes de sobreviver, se reproduzir e gerar descendentes.

A partir de suas observações e pesquisas, as principais ideias de Darwin foram:

  1. Indivíduos de uma mesma espécie apresentam diferenças entre si, resultado de variações entre as suas caraterísticas.
  2. Indivíduos com caraterísticas vantajosas às condições do ambiente possuem mais chances de sobreviver do que aqueles que não apresentam tais caraterísticas.
  3. Indivíduos com caraterísticas vantajosas também possuem mais chances de deixar descendentes.

Quando falamos da teoria da evolução de Charles Darwin não podemos deixar de mencionar outro personagem, o naturalista britânico Alfred Russel Wallace (1823-1913). Ele desenvolveu uma teoria semelhante a de Darwin sobre a evolução das espécies. Wallace enviou a Darwin os seus manuscritos e em 1858 a teoria da evolução foi publicada no nome dos dous naturalistas. Porém, por Charles Darwin ser mais reconhecido, acabou por receber o mérito e prestígio de criador da teoria.

O Neodarwinismo ou Teoria Sintética da Evolução surgiu no século XX e caracteriza-se pela união dos estudos de Darwin, principalmente a seleção natural, com as descobertas na área da genética. Isso porque na época dos primeiros estudos evolucionistas, ainda não se conhecia como funcionava o mecanismo de hereditariedade e mutação, os quais só foram desvendados tempos depois a partir dos estudos de Gregor Mendel. A influência atual dos estudos sobre a evolução pode ser percebida em todas áreas da biologia, destacando-se a citologia, que estuda as células, e a sistemática, responsável pela classificação biológica.

O neodarwinismo é a teoria aceite pela ciência para explicar a evolução das espécies.

POR UM PROJETO DE ECOLOGIA A DESENVOLVER NA ESCOLA

A Educação Ambiental deve ser entendida como um processo onde a participação e envolvimento de todos é muito importante: família, escola e comunidade, devem estar envolvidas. A instituição “escola” é um instrumento fundamental no desenvolvimento da educação ambiental/gestão ambiental.

Um Projeto de Educação Ambiental ou Ecológica nas Escolas deve ter a finalidade de procurar e despertar uma consciência critica sobre as questões ambientais, envolvendo educadores e alunos a participarem de atividades lúdicas, oficinas, palestras e gincanas que envolva o tema da educação ambiental e ecológica. Na sua realização serão desenvolvidas as seguintes etapas: discussão e debates, formação de grupos de trabalho nas escolas, criação de cartazes, campanhas ilustrativas com linguagem acessível ao público-alvo, montagem e desenvolvimento de gincana de reciclagem, exposição e feira, exibição de vídeos e músicas com o tema relacionado. É necessário proporcionar aos professores e alunos informações sobre educação ambiental, as quais irão fortalecer a prática desta e de outras atividades possíveis.

    Os objetivos específicos do projeto podem ser os seguintes:

a.Promover a educação ambiental no ambiente escolar, de forma a auxiliar na formação de professores e alunos multiplicadores da informação para a comunidade.

b. Desenvolver uma visão globalizante multi e interdisciplinar.

c. Estimular práticas que levem a integração entre as séries, disciplinas, escola, meio e comunidade.

d. Composição dos temas que abrem possibilidades para uma visão mais ampla e crítica da questão ambiental.

e. Adequação das atividades de Educação Ambiental e ecológica ao conteúdo programático do currículo, o que descarta a ideia de obrigatoriedade ou de um projeto adicional.

f. Homogeneização das informações ambientais aos professores, independente da série, disciplina ou grau em que atuem.

Uma possível Rotina de Atividades práticas podia ser a seguinte:

1) Discussão com os professores sobre temas que podem ser abordados, dificuldades, expetativas, sugestões e apresentação do projeto.

2) Levantamento do perfil ambiental das escolas (se possui área verde, horta, separação de lixo, etc.).

3) Levantamento se existem projetos sobre o tema meio ambiente desenvolvido na escola.

4) Envolvimento no planejamento de toda comunidade escolar na semana do meio ambiente a ser desenvolvida na escola.

5) Realização de campanhas educativas a fim de informar e incentivar a população em relação à problemática ambiental.

 6) Realização de palestras e cursos sobre meio ambiente.

 7) Abordagem dos professores em sala de aula de diversos temas: reciclagem de lixo; água, agrotóxicos, caça ilegal, drogas, noções de saúde, etc.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

 Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um Cinema-fórum, para analisar a forma (linguagem fílmica) e o fundo (conteúdos e mensagem) dos mesmos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Charles Darwin, à sua obra científica, às suas ideias, à sua grande influência no avanço do conhecimento científico, e também aos problemas que teve por culpa das suas avançadas ideias. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros e monografias. Podemos completar a mesma com desenhos e fotos dos problemas ecológicos que hoje preocupam muitas pessoas no mundo e, especialmente os jovens, como são: a mudança climática, a poluição industrial, a contaminação nas cidades e nos mares e os resíduos de todo o tipo provocados pelas pessoas, assim como a ameaça de desaparição de muitas espécies de animais, peixes e plantas.

Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino um Livro-Fórum, em que participem estudantes e professores. Um livro interessante para o mesmo é A origem das espécies, de que existem várias edições na nossa língua realizadas no Brasil. A última em 2018 pela Edipro. Também é interessante o livro intitulado A luta pela sobrevivência, publicado em 2009 pela editora brasileira Agir. Poderia mesmo valer alguma das monografias que sobre a sua vida e obra se publicaram no Brasil e Portugal.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.

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