Opiniom

  • Por que falamos como falamos?

    É habitual que na Galiza as pessoas mais velhas de âmbitos rurais sejam consideradas modelos de língua. Parte-se da base que conservam muitas formas de que carecem outras pessoas, sejam neo-falantes ou moradores de zonas mais urbanas. Qual é realmente a sua poção mágica? Tecnicamente, ainda que soe frio e metálico, a resposta é a […]

  • A coprofilia da informação

    Recebo duma pessoa dos EUA uma preocupante notícia dum portal informativo australiano: que no “noroeste da Espanha”, um indivíduo entrou num supermercado com um colete suicida, e disparou contra a gente enquanto gritava “Alá é Grande”. Duas das fontes para a notícia eram os tabloides The Sun e La Región. Embora no próprio corpo do […]

  • Às compras: Estabelecimentos comerciais da lusofonia

      No bairro de Monte Alto, na Corunha, pertinho do farol mais antigo do mundo, há uma loja bizarra. Vista de fora, parece sapataria. Ao entrar é banca de jornal e padaria. Aliás, estantes com comestíveis outorgam-lhe patente de mercearia. Na verdade cada país tem as suas peculiaridades quanto a estabelecimentos comerciais e na Galiza […]

  • Política da carne: A razão do perverso de Mário Herrero Valeiro.

    Não é fácil perceber as cousas pelo meio, não. Num ensaio ainda somos capazes de digerir algo assumindo as instruções da retórica: uma introdução para captar a benevolência alheia, ajustada por vários argumentos na defesa da postura própria, antes de aproximar-nos dum desenlace mais ou menos contundente. Mas a poesia rompe as cápsulas. Talvez por […]

  • Devalar

    “Ai de mim, onde irei apanhar, quando o inverno vier, as flores”. Hölderlin, “Metade da vida” Pelo São Miguel. No momento em que começo estas notas um trem me leva ao sul. Ao meu lado um grupo de homens joga à carta. Um deles lança as cartas sobre a mesa com tanta veemência que se […]

  • Banjos, uqueleles e Andrés do Barro em Nashville (Tennessee)

    Não sou nada. Nunca serei nada. Não posso querer ser nada. À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. “Tabacaria”, Fernando Pessoa Se fôssemos qualquer dia aos bares de Nashville, poderíamos ouvir um monte de bandas a tocar versões de Johnny Cash, Hank Williams ou Buddy Holly, entre muitos outros. O que […]

  • Hoje foi já ontem

    É hoje, é o dia, decidi-me a começar! Foi ontem, já foi, não voltará ser mais. Mas resulta que hoje já foi ontem e talvez seja já amanhã. Como tem sido, (quase) sempre na vida, sempre(,) há um amanhã, e hoje vai começar o que amanhã, e alguma outro dia, começará. Sempre há uma primeira […]

  • A canção de concerto

    Não todo o que tem a ver com o canto lírico é ópera. Por exemplo, a canção de concerto, chamada Lied na Alemanha ou mélodie na França, é uma forma escrita para voz e piano que procura a máxima união entre música e poesia. Nasceu na Alemanha da segunda metade do XVIII mas, apesar de que […]

  • A urna do povo

    Tenho uma avó que nunca votou. Do início da suposta democracia no ano de 1978, até o ano do seu falecimento em 2008, nunca votou em ninguém. Tinha uma frase que sempre empregava para falar dos políticos profissionais: Som-che todos iguais. Tenho um avô que sempre votou no P.P. Do início da suposta democracia no […]

  • O haver e o existir

    “Há livros que podem ser comprados, lidos com proveito, comentados, discutidos e, contudo, não existem. Poderá alguém julgar que há aqui uma incoerência. Mas não há tal, pois o haver faz referência a uma operação física, enquanto o existir remete para uma operação filosófica”. Aproximadamente com estas palavras pretendia o sociólogo Lluís V. Aracil, em […]