Carme Saborido, professora do curso on-line Falarmos Brasil: «O leque de possibilidades é imenso num país continental como o Brasil»



«Em tempos de crise, investir num curso como este é um valor»

PGL- Carme Saborido é a professora do curso Falarmos Brasil, curso on-line organizado pola Ciranda que já vai pela quinta edição. A entrevista foi elaborada por Afonso Mendes, professor do curso Escrever com NH.

Nascida em Padrom em 1982, Carmen Saborido sempre gostou de línguas e por isso estudou Filologia na USC. Atualmente, trabalha em Compostela na empresa Ciranda, à volta do português. Combina esta atividade com o seu hobby preferido: redigir artigos no blogue de temas lusófonos Lusopatia.wordpress.com.

Antes da edição I do Falarmos Brasil que tipo de turma esperavas e qual encontraste?

A verdade é que esperava qualquer coisa. Não era a primeira vez que acompanhava um curso online, mas sim a primeira vez que eu participava dos conteúdos. Estava um bocado expetante. Irão gostar? Acharão isto útil? Era tudo tão novo para mim nesse sentido.

Imaginava pessoas de cinco continentes a fazerem o curso, de vários fusos horários, mais novos, mais velhos, experientes e nem tanto. E encontrei o que imaginei.

Agora confesso que vivo cada edição com uma espécie de obsessão por saber a procedência de cada aluno e aluna. Gosto de ver que temos estudantes da África do Sul e pessoas que fazem o curso e moram em Lestrobe, a poucos metros da minha casa. É engraçado.

Achas algum setor ou tipo de estudantado em falta? A quem gostarias de lho recomendar?

Acho, sim. Gostaria que o curso fosse mais conhecido no setor empresarial e no da engenharia. É pena que estes conteúdos não sejam mais aproveitados por estes dois setores, porque iam ganhar muitas oportunidades comunicativas e depois destas vêm outras. O leque de possibilidades é imenso num país continental como o Brasil. Investir num curso que permite um entendimento linguístico e cultural com o gigante brasileiro é um bom negócio. O dinheiro é pouco e os resultados são rápidos: em tempos de crise isto é um valor.

Nesta edição do Falarmos a Agal e a Ciranda vamos trabalhar muito na difusão para fazer chegar o aprendizado da variante brasileira a mais pessoas.

Percebes alguma deficiência genérica ou estrutural entre o estudantado sobre a que cumpra refletir? E alguma virtude?

Se calhar, a ligação à rede de cada utente não é sempre a melhor, mas sempre conseguimos solucionar as dificuldades técnicas. Ninguém fica fora do curso por isso.

Virtudes há imensas, as pessoas têm muito interesse, perguntam coisas, esclarecem dúvidas. Essas são as bases para uma boa aprendizagem.

O fato de os cursos serem online pensas que é uma vantagem ou um inconveniente?

Tem um bocado das duas coisas. A vantagem de ser online é que não há horários a interferirem com a vida e trabalho de ninguém. Os alunos e alunas escolhem quanto tempo querem dedicar a isto no dia dentro dos quarenta dias que dura o curso.

O inconveniente é que as pessoas podem sentir-se um bocado “desprotegidas” pelo facto de não verem a figura docente. Isto pode criar uma sensação de frialdade, parece que se não vemos as pessoas, as pessoas não estão. Mas estamos, estamos para os estudantes sempre que o necessitarem. Tentamos compensar a distância com um acompanhamento exaustivo e com a maior comunicação possível.

Que recomendação queres fazer a quem puder ler esta entrevista e vaia iniciar o teu curso?

Que não tenham medo dos cursos online, isto é muito mais simples (e humano) do que parece. Aliás, há uma equipa docente que vai ajudar em qualquer dúvida ou problema técnico.

Pensas que a turma fica satisfeita quando o curso finalizar? Achas mesmo que aprenderam e lhes mereceu a pena?

Pronto, esta pergunta tinha que ser respondida pela turma mesmo. Pela minha parte posso dizer que as críticas que recebemos são sempre maravilhosas (sim, sou uma professora babada). O pessoal manda e-mails quando o curso acaba para dizer que gostou muito, que esperava que o curso fosse como outros que já tinha feito e que está gratamente surpreso ao ver que é algo dinâmico, interativo e divertido.

Gosto de ver como depois escrevem no Twitter ou no Facebook em português, como mudam o seu centro de referência. Gosto de pensar que nós contribuímos um bocadinho para que isso tivesse acontecido.

Algumas das pessoas enviaram o seu CV para mim, para eu fazer uma última revisão ortográfica porque querem candidatar-se a bolsas, estão na fase de seleção de uma vaga de emprego… Outras enviam um e-mail a dizer que foram aos testes de B1 e que conseguiram passá-los… Isso significa que acharam que o curso foi útil.

Há alguma questão que tu tenhas advertido e queiras comentar?

Ao acompanhar cada edição fui capaz de ver uma evolução muito positiva, que quero partilhar convosco.

Há pessoas que sabem tanto que receiam que possam misturar variantes. Dizem “e se faço um misto de coisas do Brasil, da Galiza e de Portugal?” e eu fico impressionada com esse medo. O ensino do português já chegou a esse nível: as pessoas não temem não saber, temem saber demais. É fantástico.


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