AS AULAS NO CINEMA

CAMILO DOMINGOS, O OUTRO MÚSICO DE SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE



Dentro da série que estou a dedicar às mais importantes personalidades da Lusofonia, onde a nossa língua internacional tem uma presença destacada, e, por sorte, está presente em mais de doze países, sendo oficial em oito, dedico o presente depoimento, que faz o número 131 da série geral, ao músico e cantor chamado Camilo Domingos, nascido em 1965 na localidade de Conceição da ilha de Príncipe, que foi e continua a ser um dos músicos mais conceituados de São Tomé e Príncipe. Este é o depoimento número dezanove da série lusófona.

PEQUENOS DADOS BIOGRÁFICOS

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O seu nome verdadeiro era Domingos Lopes Gomes. Natural de Conceição, Príncipe, nasceu a 14 de fevereiro de 1965, filho de Tomas Lopes Semedo, natural de S. Tomé, e de Maria Cidália Gomes cabo-verdiana da Ilha do Fogo. A sua esposa é de origem guineense, com quem teve três filhos.

Desde muito cedo, Milú, como era tratado por todos, já demonstrava dotes para a música. Na década de setenta, com apenas catorze anos, criou com um grupo de colegas do bairro Bom Viver, onde passou a sua infância, o conjunto Brilhantina. Os instrumentos eram de madeira improvisada que só serviam para manter as aparências, uma vez que os sons eram imitados pela boca. Um autêntico escape para loucuras de infância naquela altura, ainda assim, sintoma claro daquilo que Milú viria a revelar-se mais tarde.

Segundo os colegas de infância, desde esta altura, como vocalista era o Camilo que tratava de tudo. Apesar das traquinices do grupo, Milú sempre se destacou como um rapaz calmo, serio e respeitador.

Após ter terminado a sexta classe deixou a ilha natal, Príncipe, com destino a S. Tomé a fim de concluir os seus estudos. Em 1983, é chamado para cumprir o serviço militar, onde permanece até 1986. No mesmo ano, faz o curso de enfermagem e começa a exercer a profissão na empresa agrícola Ribeira Peixe. Mas o bichinho da música ainda o perseguia.

Em 1987 emigra para Angola com intenção de gravar o seu primeiro disco, mas não foi dessa que concretizou o seu sonho. Decidiu deixar Angola para Portugal e depois de muitas dificuldades consegue gravar o seu primeiro álbum intitulado “Morena”, editado pela IEFE Discos em 1991. No início da década de 1990, em Lisboa, Camilo Domingos foi lançado no mercado da música por Camucuço, que foi o seu tutor, além de arranjador, produtor e diretor musical deste seu primeiro álbum. O segundo surgiu no mesmo ano de 1991 e a partir deste momento nunca mais parou. Da discografia de Camilo Domingos que abarca 11 discos, destacam-se “Badjuda”, “És Meu Amor”, “Maninha My Love”, “Nada a Ver”, “Sunduro”, “Nha Vida é Tchora”, e aquele que acabou por ser o último álbum da sua relativamente curta carreira, “Dor de Mundo”.

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Participou ainda em vários espectáculos em Angola, São Tomé e Príncipe, EUA e em Portugal. Domingos Lopes Gomes, ao longo da sua vida, conseguiu três discos de ouro. “Maninha My Love” registado em 1996, “Sunduro”, em 2002 e “Dor de Mundo”, último trabalho feito em 2005.

Já com problemas de saúde, aceitou o convite da Direção Nacional da Cultura para participar na edição de 2005 do Festival Gravana. Mas não sabia que seria a última vez que estaria num palco. Curiosamente Camilo Domingos nasceu num domingo e faleceu num domingo, 7 de Agosto de 2005, quando eram 23 horas e 20 minutos, devido a uma doença incurável. Camilo Domingos foi e continua a ser um dos músicos estrangeiros mais queridos em Angola, e por essa razão, os angolanos batizaram-no de Kota Camilo.

É opinião unânime dos que com ele privaram, ser um homem amigo dos seus amigos, conselheiro e sempre presente nos momentos mais difíceis. Após os 19 anos da sua morte a ilha do Príncipe ainda chora de forma inconformada pela eterna partida dum filho que mais a divulgou no mundo. Cada ano, a 9 de agosto, representantes do Governo Regional para Assuntos Institucionais e Organizacionais depositam uma coroa de flores no monumento erguido na avenida principal da cidade de S. António em honra do malogrado cantor. Um ato emocionado que conta sempre com a presença de familiares, amigos e fãs. O mesmo Governo Regional leva realizadas várias edições do festival internacional Camilo Domingos em homenagem ao malogrado cantor. Nos mesmos têm participado diversos grupos, e, entre eles, o grupo Gibela e a Banda nacional Equison Master, e também alguns músicos santomenses.

FICHAS DOS DOCUMENTÁRIO

  1. Camilo Domingos: Dolce vita.

     Duração: 6 minutos. Ano 2006.

     

2. Camilo Domingos. Porque é que é assim.

     Duração: 5 minutos. Ano 2019.

     

3. Porque é que é assim vídeo.

     Duração: 5 minutos. Ano 2018.

     

4. Entrevista à esposa de Camilo Domingos.

     Duração: 16 minutos. Ano 2019.

     

5. Camilo Domingos: nha vida chora.

     Duração: 5 minutos. Ano 2006.

     

6. Camilo Domingos.

     Duração: 5 minutos. Ano 2007.

     

7. Camilo Domingos: O melhor de 2015.

     Duração: 79 minutos. Ano 2015.

     

8. Camilo Domingos: Santomé Sà Ginon.

     Duração: 5 minutos. Ano 2007.

     

9. Camilo Domingos: És o meu amor.

     Duração: 6 minutos. Ano 2015.

     

10. Camilo Domingos para sempre.

     Duração: 4 minutos. Ano 2012.

     

DISCOGRAFIA DE CAMILO DOMINGOS

Da discografia de Camilo Domingos que abarca 11 discos, destacam-se “Badjuda”, És Meu Amor”, “Maninha My Love”, “Nada a Ver”, “Sunduro”, Nha Vida é Tchora”, e aquele que acabou por ser o último álbum da sua relativamente curta carreira, “Dor de Mundo”. Para todos os fãs e admiradores, Camilo Domingos é sem dúvida, um grande artista lusófono de grande dimensão social, é um dos cantores mais queridos e mais amado dos PALOPS um grande homem trabalhador, as suas músicas vibram, um homem que imortalizou a sua passagem por este mundo com a sua belíssima voz. Ficará para sempre nas nossas memórias pelos grandes trabalhos.

HOMENAGEM EM 2015

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Foi no ano 2015 que se realizou no ClubB.Leza, uma homenagem ao cantor santomense Camilo Domingos, pelos seus 50 anos de vida celebrados no dia 14 de Fevereiro e pelos 10 anos do seu falecimento. O evento contou com a participação de vários cantores santomenses e do cantor angolano Don Kikas, que aceitaram o convite com muito orgulho e honra para interpretar uma das músicas do Camilo Domingos. Os convidados foram os Calema, Calú Moreira, Ching Sofredor, Don Kikas, Filipe Santos, Jedy Blindado, Laura dos Santos, Mito, Ninho Anguené, Quixotfone, Sérgio Rasta e Tonecas Prazeres.

O espetáculo foi realizado pela Investigadora Magda Lua, que trabalha muito com a música santomense. De acordo com a mesma, tiveram a procura de uma ideia para um concerto, surgiu o Camilo Domingos e as datas redondas que são, os seus 50 anos de vida e os 10 anos do seu falecimento. Acharam que 2015 é um bom ano para relembrar o cantor. Todos os cantores convidados aceitaram muito bem o convite, participando nos ensaios para que o espetáculo fosse um sucesso e para que a memória que todos temos do Camilo Domingos nunca seja esquecida. Havia mais cantores que queriam participar no evento, mas, segunda a Magda Lua, infelizmente não foi possível participarem todos devido ao formato limitado do concerto. Irá haver mais oportunidades, pois querem levar este concerto para São Tomé, Angola e Cabo – Verde.

CANÇÕES DE CAMILO DOMINGOS

Ti Procuro

A vida é um mistério, para ninguém no mundo decifrar
É o destino na incerteza de um império
É o homem trocando a guerra por amar.

Tudo que nasce é divino, mas nem tudo que morre é sagrado
São as coincidências que fazem o destino,
É o caráter que faz um homem honrado.

A terra, o sol, e o mar, o céu, a lua e o ar.
Será que algum cientista,
Tudo isso pode reinventar.

Na terra são tantas leis, cegas e frágeis, tal qual quem as faz,
Mas as leis da natureza, só Deus às fez, e ninguém as desfaz.

Nha Vida é Tchora

Não sei se o que o poeta escreveu
Foi o que viu, ou viveu
Mas todos os versos que li
Parece que são feitos pra mim.

Na estrada da vida onde andei
O rumo da glória sempre almejei
Preconceitos, descasos tudo isso enfrentei
Mas quem sabe sozinho meus sonhos realizarei.

Não temo perder a esperança
Que um dia hei de vencer
Um guerreiro não abandona a lança
Um vencedor não mata para viver.

Pra ser imortal tem que morrer
E provar só a si mesmo que venceu
A história não deixará me esquecer
Enfim posso dizer “eu sou eu”.

Sofri Pa Bo

  Eu já nem sei de mim
Mal me conheço
Até tentei voltar
A um recomeço.

Mesmo sabendo que a vida
Não tem preço
Amor e ódio
Fazendo o mesmo efeito.

A vida é um quadro vivo
Da verdade
Em cada esquina tem
Um personagem.

Vivendo a cena de um alucinado
Droga e vida
Qual é o pecado?

Caminhos sem volta,
Nada mais importa
Quem fui;
Quem sou eu.

É dor, é volta;
Batendo na porta
Quem sou
Quem fui eu.

Dunia

Sem motivos eu saio por aí
Sem saber onde vou chegar,
Sem querer eu olho pra mim
Tentando às vezes me encontrar.

Troco passos e palavras sem sentido
Não consigo mais me entender,
Cada rosto que eu vejo estar sorrindo,
Mais parece com você.

Não é fácil aceitar e entender,
E viver a vida inteira sem razão
Impossível é fingir te esquecer,
Pra controlar o coração.

Tão cansado de esperar você voltar,
Não suporto mais viver sem ter você,
Coração que sofre e chora por amar,
Vivendo por viver.

Por você eu confesso já chorei
De saudade e muita solidão
Quantas vezes nos meus sonhos te encontrei,
Sonhar é sempre uma ilusão.

Pa Bu Ca Obi

Me diga a verdade,
Chega dessa enrolação
Encare a realidade
Não maltrate um coração.

Se a gente se ama
Tudo é lindo e tão bacana
A vida não tem pressa
E a solidão me extressa

Refrão

Êêêôôo; não gosto de esperar, To louco pra te amar
Êêêôôo; A hora é agora, me ame ou vai embora.

Se estamos cara a cara
O meu coração dispara
Você é minha amiga
Mas te amo, aí; se liga!

Sou lindo de viver
Sou todo pra você
A hora é agora
Me ame ou dá o fora.

TEMAS PARA REFLETIR E REALIZAR

Vemos os documentários citados antes, e depois desenvolvemos um cinema-fórum, para analisar o fundo (mensagem) dos mesmos, assim como os seus conteúdos.

Organizamos nos nossos estabelecimentos de ensino uma amostra-exposição monográfica dedicada a Camilo Domingos, importante músico de São Tomé e Príncipe. Na mesma, ademais de trabalhos variados dos escolares, incluiremos desenhos, fotos, murais, frases, textos, lendas, livros, CD e monografias.

Podemos realizar no nosso estabelecimento de ensino uma audição musical, a que assistam estudantes e professores. Previamente faremos uma escolha de cantares e peças musicais de Camilo Domingos, tomadas dos seus 11 álbuns e CD, que chegou a editar dentro da sua discografia.

José Paz Rodrigues

É Professor de EGB em excedência, licenciado em Pedagogia e graduado pela Universidade Complutense de Madrid. Conseguiu o Doutoramento na UNED com a Tese Tagore, pioneiro da nova educação. Foi professor na Faculdade de Educação de Ourense (Universidade de Vigo); professor-tutor de Pedagogia e Didática no Centro Associado da UNED de Ponte Vedra desde o curso 1973-74 até à atualidade; subdiretor e mais tarde diretor da Escola Normal de Ourense. Levou adiante um amplíssimo leque de atividades educativas e de renovação pedagógica. Tem publicado inúmeros artigos sobre temas educativos e Tagore nas revistas O Ensino, Nós, Cadernos do Povo, Vida Escolar, Comunidad Educativa, Padres y Maestros, BILE, Agália, Temas de O ensino, The Visva Bharati Quarterly, Jignasa (em bengali)... Artigos sobre tema cultural, nomeadamente sobre a Índia, no Portal Galego da Língua, A Nosa Terra, La Región, El Correo Gallego, A Peneira, Semanário Minho, Faro de Vigo, Teima, Tempos Novos, Bisbarra, Ourense... Unidades didáticas sobre Os magustos, Os Direitos Humanos, A Paz, O Entroido, As árvores, Os Maios, A Mulher, O Meio ambiente; Rodrigues Lapa, Celso Emílio Ferreiro, Carvalho Calero, São Bernardo e o Cister em Ourense, em condição de coordenador do Seminário Permanente de Desenho Curricular dos MRPs ASPGP e APJEGP.


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